Entre a rigidez e o rigor do conceito
uma crítica ao discurso teórico redutor
DOI:
https://doi.org/10.25247/P1982-999X.2026.v26n2.p20-39Palavras-chave:
conceito, autocrítica, pensamento, conhecimentoResumo
A confiança absoluta no conceito como expressão exata dos fenômenos e suficiente é uma das tendências mais recorrentes da tradição racionalista e sistematizadora do pensamento ocidental. Ao privilegiar a formalização conceitual como instrumento autossuficiente para a inteligibilidade do real, o risco de reduzir a multiplicidade das experiências a estruturas rígidas e limitantes é tanto mais prejudicial ao conhecimento quanto uma forma de distorcer verdades. Com o objetivo de promover a autocrítica nas áreas do conhecimento, na formação das consciências, nas práticas científicas e reflexões filosóficas, para que o ato de conceituar seja menos mm fim em si mesmo do que um meio por causa do qual o pensamento se reelabora, este artigo discute os problemas epistemológicos decorrentes desta postura por meio de uma abordagem qualitativa de revisão teórica, analisando como a absolutização do conceito pode produzir simplificações, obscurecer a dinâmica do vivido e instaurar uma distância artificial entre conhecimento e realidade. Seu principal argumento é que o conceito, embora indispensável à organização do pensamento, deve ser compreendido como instrumento provisório e aberto. Deste modo, tanto sujeitos conceituadores quanto suas formulações devem ser capazes de dialogar com a imprevisibilidade e a incerteza dos fenômenos, para que, como resultado deste diálogo, o conceito seja reconhecido mediador, não como reflexo da realidade.
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