OPOSIÇÃO CORPORIFICADA
A PRESENÇA DE EDNA COSTA NA POLÍTICA RECIFENSE COMO UMA RUPTURA SISTÊMICA
Palavras-chave:
Violência política de gênero. Corpo e poder. Deslegitimação Política.Resumo
Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa acerca da trajetória da ex-vereadora da Câmara Municipal do Recife, Edna Costa, e de sua inserção no campo político. Parte-se da compreensão de que a presença de mulheres negras na política é atravessada por violências estruturais de gênero e raça, o que torna sua permanência nesses espaços um ato de resistência e ruptura com o sistema. O objetivo da pesquisa é analisar como a trajetória de Edna Costa evidencia assimetrias de gênero e práticas sexistas utilizadas para deslegitimar sua atuação. Baseou-se na análise de seu relato oral, buscando compreender como a própria Edna ressignificou episódios de violência vivenciados durante seus mandatos, articulando essa narrativa a manchetes do Diário de Pernambuco, encontradas na Hemeroteca Digital, ao seu acervo pessoal e às suas publicações em redes sociais (Facebook, Instagram e YouTube). Esse cruzamento de fontes permitiu identificar a persistência de discursos e práticas que buscavam silenciar sua presença na política institucional. Os resultados indicam que suas legislaturas, entre 1982 e 1996, período que coincide com o fim da ditadura militar e a transição para a redemocratização no Brasil, foram marcadas por violências físicas, morais e psicológicas usadas como mecanismos de deslegitimação política. No entanto, tais práticas hostis impulsionaram Edna a propor e defender políticas voltadas à garantia dos direitos das mulheres, destacando que sua atuação rompe com a norma patriarcal que define quais corpos e gêneros podem ocupar o espaço político. Como embasamento teórico-metodológico, mobilizamos as reflexões de bell hooks acerca das experiências de mulheres negras e dos preconceitos socioculturais que estruturam a sociedade; os estudos de Judith Butler, para compreender as relações entre poder, política e performatividade de gênero; e, por fim, a metodologia de Alessandro Portelli, a fim de reconhecer a História Oral como fonte principal do estudo e suas nuances interpretativas.
Downloads
Referências
BUTLER, Judith. Desfazendo gênero. Tradução de Alexia Bretas, Ana Luiza Gussen, Beatriz Zampieri, Gabriel Lisboa Ponciano, Luis Felipe Teixeira, Nathan Teixeira, Petra Bastone e Victor Galdino et al. São Paulo: Editora Unesp, 2022.
BUTLER, Judith. Corpos que importam: sobre os limites discursivos do "sexo". Tradução de Veronica Daminelli e Daniel Yago Françoli. São Paulo: n-1edições, 2019.
COSTA, Edna Maria [71 anos]. [Jan,2025]. Entrevistadora: Maria Helena Bandeira Alves. Recife, PE, 11 jan. 2025.
HOOKS, bell. Erguer a voz: pensar como feminista, pensar como negra. Trad. Cátia Bocaiuva Maringolo. São Paulo: Elefante, 2019.
HOOKS, bell. E eu não sou uma mulher?: mulheres negras e feminismo. Rio de Janeiro, Rosa dos Tempos, 2019a.
Hora do Povo. Edna Costa: "Visita de Bolsonaro a São José do Egito já era um deboche" . 2020. Figura 01. Disponível em: https://horadopovo.com.br/edna-costa-conta-como-bolsonaro-foi-corrido-da-terra-dos-poetas/ . Acesso em: 14 dez. 2025.
PORTELLI, Alessandro. História Oral como arte da escuta. São Paulo: Letra e Voz, 2016.
PORTELLI, Alessandro. O que faz a história oral diferente. In: PROJETO HISTÓRIA. São Paulo. Fev. 1997.
RECIFE. Câmara Municipal do Recife. Legislaturas. Recife. Disponível em: https://www.recife.pe.leg.br/vereadores/legislaturas-anteriores. Acesso em: 5 out. 2023.
UOL. Edna Costa. Eleições 2012. Disponível em: https://www.uol.com.br/eleicoes/2012/candidatos/2012/prefeito/pe/12041954-edna-costa.htm. Acesso em: 26 mar. 2025.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Maria Helena Bandeira Alves (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License. Autores que publicam neste Evento concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem ao Colóquio de História da Unicap o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial neste Evento.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicado neste Colóquio (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), desde que reconheça e indique a autoria e a publicação inicial neste Evento.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer momento depois da conclusão de todo processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).


