A justificação da punição em Adam Smith

expressivismo e rabilitacionismo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.25247/P1982-999X.2026.v26n1.p112-133

Palavras-chave:

Desaprovação social, pena, ressentimento, proporcionalidade, arrependimento

Resumo

A presente pesquisa investiga o problema da justificação da punição, mais especificamente a justificação da quantidade e da qualidade da pena, presente na obra “Teoria dos Sentimentos Morais” de Adam Smith. Para tal, parto da consideração de que a interpretação canônica da proposta smithiana a enxerga de forma limitada, isto é, como um modelo puramente retributivista, o que, por sua vez, obscurece fatores relevantes da complexa arquitetura normativa presente na obra. Busco demonstrar que a concepção de punição em Smith articula aspectos que vão além do retributivismo e do consequencialismo, a saber, os conceitos expressivistas e reabilitacionistas, tornando sua teoria em um modelo híbrido de justificação da punição. Para tal, utilizo como método de pesquisa a análise teórica/conceitual da obra de Smith em diálogo com a literatura contemporânea sobre teorias da punição, especialmente o expressivismo (Feinberg, 1970) e o reabilitacionismo (Hampton, 1984). Defendo que, para o filósofo, a função expressiva da punição desempenha um papel central, servindo de base tanto para a aferição da proporcionalidade da pena quanto para o seu fim, a reabilitação do agente. Como resultado, desejo destacar a relevância contemporânea da teoria de Smith ao oferecer critérios normativos capazes de superar as limitações das teorias clássicas de justificação da punição.

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Biografia do Autor

  • Luís Miguel Rechiki Meirelles, Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos

    Graduado em Filosofia pela
    Universidade do Vale do Rio dos Sinos, UNISINOS. Mestrado em Filosofia pela
    Universidade do Vale do Rio dos Sinos, UNISINOS. Doutorando em Filosofia pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, UNISINOS (Bolsista PROEX). Período de Doutorado Sanduiche com bolça CAPES PDSE na Universidade de Coimbra. Experiência na área de Filosofia Prática, com ênfase em Ética.

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Publicado

2026-02-09

Como Citar

RECHIKI MEIRELLES, Luís Miguel. A justificação da punição em Adam Smith: expressivismo e rabilitacionismo. Revista Ágora Filosófica, Recife, PE, Brasil, v. 26, n. 1, p. 112–133, 2026. DOI: 10.25247/P1982-999X.2026.v26n1.p112-133. Disponível em: https://www1.unicap.br/ojs/index.php/agora/article/view/3438.. Acesso em: 7 mar. 2026.

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