Subvertendo a “subserviência”

a utilização do instrumento peticionário por parte de escravizados e africanos livres a despeito da privação da cidadania no Pernambuco do século XIX.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.25247/hu.2025.v12n23.p113-131

Palavras-chave:

Petições, Estratégias Emancipatórias, Cidadania

Resumo

Desde as primeiras cortes portuguesas, as petições desempenharam um papel crucial como canal de comunicação entre cidadãos e autoridades, sendo constitucionalizadas no Brasil em 1824. Apesar de os africanos trazidos ao Brasil serem excluídos da cidadania, escravizados e africanos livres utilizaram o dispositivo peticionário para perseguir seus objetivos, demonstrando suas experiências pessoais com as leis e decretos abolicionistas. A partir disto, este estudo busca analisar a importância dos requerimentos como meio de reivindicação de direitos por escravizados e africanos livres no Brasil do século XIX, focando nas estratégias narrativas embasadas na Lei de Feijó, na Lei do Ventre Livre e no esforço pela emancipação. Ao explorar a utilização do recurso peticionário, exemplificada nos casos da escravizada Maria e a africana livre Izabel, o artigo evidencia como esses indivíduos enfrentaram o sistema escravista utilizando instrumentos legais para desafiar e subverter a ordem vigente. Ademais, o trabalho também busca desconstruir narrativas de falsa passividade e subalternidade, explicitando que a resistência desses sujeitos transcendeu o enfrentamento físico e incluiu a utilização estratégica de petições para assegurar seus direitos. A análise das petições destaca a construção de noções cidadãs por africanos e afrodescendentes no Brasil, revelando uma trajetória complexa de luta pela liberdade e pela cidadania.

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Biografia do Autor

  • Joyce Conceição de Mesquita, Universidade Federal Rural de Pernambuco

    Graduada em História pela Universidade Católica de Pernambuco. Bolsista CAPES no Programa de Residência Pedagógica (2018-2019). Participante do Projeto de Extensão de Preservação documental no Instituto Dom Helder Camara (2018-2019); Bolsista UNICAP/FASA no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica- PIBIC (2018-2020). Ganhadora do 2 (segundo) lugar do Centro de Teologia e Ciências Humanas na Jornada de Iniciação cientifica da Universidade Católica de Pernambuco (2019). Laureada e oradora da turma 2020.1. Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) pela Universidade Católica de Pernambuco. Doutoranda e bolsista CAPES pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Rural de Pernambuco, sob orientação do Prof. Dr. Tiago da Silva Cesar. Integrante da equipe técnica do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígena (NEABI - Unicap), do Instituto Ubuntu de Estudos Africanos e Diaspóricos da UNICAP, dos Grupos de Estudo e Pesquisa Transdisciplinares em História Social e (GEPHISO) História do Oitocentos e do Grupo de Pesquisa Educação e Quadrinhos ligado à Universidade Federal de Pernambuco. Possui Experiência na área de História do Brasil Império e Escravidão.

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Publicado

2025-06-30

Edição

Secção

ARTIGOS LIVRE

Como Citar

MESQUITA, Joyce Conceição de. Subvertendo a “subserviência”: a utilização do instrumento peticionário por parte de escravizados e africanos livres a despeito da privação da cidadania no Pernambuco do século XIX. HISTÓRIA UNICAP , Recife, PE, Brasil, v. 12, n. 23, p. 113–131, 2025. DOI: 10.25247/hu.2025.v12n23.p113-131. Disponível em: https://www1.unicap.br/ojs/index.php/historia/article/view/3109.. Acesso em: 2 ago. 2026.

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