Aruanda e o documentário brasileiro
produção, circulação e perspectivas históricas
DOI:
https://doi.org/10.25247/hu.2025.v12n23.p193-216Palabras clave:
Aruanda, Cinema Novo, DocumentárioResumen
O documentário Aruanda (1960), dirigido pelo paraibano Linduarte Noronha, consolidou-se como um marco na história do cinema brasileiro, sendo considerado por críticos e cineastas, como Glauber Rocha (2003), uma síntese do Cinema Novo. Nesse período, emerge uma nova linguagem estética no documentário, que articula crítica social e a busca por uma definição de Brasil, ao retratar o “verdadeiro” país por meio de um cinema sociologicamente engajado. Aruanda contou com a fotografia de Rucker Vieira, predominando a imagem da aridez, construída com excelência pelo fotógrafo, e as mazelas da denominada estética da fome, que assume naquele momento um lugar de destaque no cinema nacional. Uma imagem do Nordeste foi construída sob a perspectiva de um realismo pretensamente documentado, amparado pela pesquisa social e pela linguagem cinematográfica. Este artigo propõe uma genealogia crítica do documentário, observando como ele foi concebido, recebido e reinterpretado ao longo das décadas. Consideramos aqui tanto os aspectos estéticos quanto os fatores de produção, circulação, críticas publicadas nos principais periódicos do país, a importância de Linduarte Noronha para o cinema nacional, a contribuição da fotografia de Rucker Vieira e os sentidos que o filme assume na história do documentário brasileiro e na própria história do Brasil republicano.
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