NOS CORREDORES DA MEMÓRIA
BAILES DE GALERA, JUVENTUDE PERIFÉRICA E CULTURA POPULAR NO RECIFE (2001-2011)
Palavras-chave:
Bailes de Galera, Bailes de Corredor, Recife, Cultura Periférica, Patrimônio ImaterialResumo
Os “Bailes de Galera” e/ou de “Corredor” marcaram, na transição dos anos 1990 para o início dos 2000, uma vertente das manifestações culturais periféricas em âmbito nacional. Nessas disputas lúdicas, as galeras transformavam os espaços dos bailes em extensões das dinâmicas urbanas, a partir de confrontos corporais entre grupos rivais posicionados nos lados opostos do corredor. No Recife, tais práticas configuraram uma expressão cotidiana da juventude periférica, articulando corpos, funk, conflitos intergrupais e disputas simbólicas entre bairros, torcidas organizadas e favelas, sobretudo na primeira década dos anos 2000. Diante desse contexto, o trabalho dedica-se a retomar e positivar as memórias dos Bailes de Galera no Recife, identificando suas particularidades enquanto patrimônio não legitimado. Para tanto, empregou-se uma análise semiótica de registros visuais (fotografias e vídeos disponíveis na internet), voltada à identificação dos signos que compõem essas práticas culturais. A partir dessa abordagem, analisaram-se formas de sociabilidade, organização e funcionamento dos bailes, bem como a expressão das identidades culturais periféricas. Os resultados indicam a presença predominante de um público masculino e racializado, frequentemente vinculado a torcidas organizadas, além de uma linha tênue entre combate físico e fruição musical mediada por DJs e MCs locais. Assim, ancorado nas discussões sobre memória coletiva e cotidiano urbano, o estudo reconhece os Bailes de Galera como parte do patrimônio imaterial local e da história da cidade, propondo novos olhares sobre cultura e patrimônio produzidos por classes subalternizadas.
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Referências
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