HISTÓRIA DOS SERTÕES
POÉTICA, IDENTIDADE E MEMÓRIA
Resumo
Esta comunicação propõe uma reflexão sobre o Sertão como território simbólico e poético, no qual as experiências históricas, as práticas culturais e as lembranças coletivas se entrelaçam na formação das identidades regionais. Partindo da perspectiva da História Cultural, analisamos o Sertão não apenas como um recorte geográfico, mas como uma construção discursiva e afetiva, forjada pelas narrativas, pela oralidade e pela resistência de seus sujeitos. Partimos da compreensão de que o conceito de “sertão” foi historicamente associado à ideia de afastamento e marginalidade em relação ao litoral e ao centro do poder. Contudo, mais do que um “lugar do atraso”, o Sertão é apresentado como um espaço de criação simbólica e de produção de saberes, onde a memória coletiva e a cultura popular constituem o cerne das práticas sociais e artísticas (MORAES, 2003). Tomando o Sertão do Pajeú (PE) como referência, evidenciamos a força da poética popular como expressão identitária. Reconhecido como “terra da poesia”, o Pajeú abriga tradições que se manifestam na cantoria, na literatura de folhetos e na oralidade, preservando através da memória valores comunitários. A poética sertaneja, transforma experiências de vida em versos, construindo um patrimônio imaterial que a conecta passado e presente. Nesse sentido, reafirmamos a importância da poética popular enquanto fonte histórica e patrimônio cultural, propondo um olhar sensível sobre as memórias e identidades forjadas nas margens do discurso hegemônico. O Sertão é revisitado como território da palavra viva, em que a poesia assume o papel de guardiã da memória, revelando as múltiplas formas de ser e existir que compõem a história e o imaginário do Nordeste (ALBUQUERQUE, 2011).
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