A ESCRITA DA HISTÓRIA, A MEMÓRIA E OS LUGARES DO POLÍTICO
UM DIÁLOGO ENTRE O FILME “NARRADORES DE JAVÉ”, A HISTORIOGRAFIA BRASILEIRA E A MEMÓRIA DE EDUARDO CAMPOS.
Resumo
Este texto foi fruto das discussões historiográficas, teóricas e metodológicas no Programa de Mestrado Profissional em História da Universidade Católica de Pernambuco. Para a escrita deste foram utilizados os conceitos de lugares de memória de Pierre Nora, escrita da história de Michel de Certeau, entre outros autores que estudam a historiografia brasileira. Ainda foi possível fazer um diálogo entre os textos e o filme “Narradores de Javé” (2003), de Eliane Caffé, apresentando as tensões entre memória oral, história oficial e os processos de legitimação do passado. Deste modo, o presente trabalho tem como objetivo refletir sobre a importância da escrita da história, fazendo paralelos com a construção da cultura política e dos lugares de memória em torno do ex-governador Eduardo Campos (1965–2014), analisando leis e atos legislativos produzidos entre 2014 e 2024 no Estado de Pernambuco. Tem também como foco destacar o papel do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e seus congêneres locais que são fundamentais na construção da historiografia brasileira. Este Instituto buscava uma narrativa nacional unificadora e nesta perspectiva podemos destacar que a historiografia brasileira do século XIX foi marcada por um esforço de centralização e de construção de uma identidade nacional, protagonizado por instituições como o IHGB. Por outro lado, a partir do filme “Narradores de Javé” é possível perceber a ironia do caráter pretensamente neutro e técnico da historiografia. Enquanto saber, a história não é uma simples narrativa dos acontecimentos do passado, mas uma prática discursiva fundada a partir de regimes de verdades, disputas de memórias e seleções que ocorrem dentro de contextos políticos, sociais e culturais.
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Referências
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