JARDIM SÃO PAULO E A COMUNIDADE PLANETA DOS MACACOS
IDENTIDADE, HISTÓRIAS FEMININAS E RESISTÊNCIAS PERIFÉRICAS NO RECIFE
Resumo
O presente artigo tem como objetivo realizar uma análise reflexiva sobre a história do bairro Jardim São Paulo, localizado na cidade do Recife, abordando também os processos de estruturação, inserção, construção identitária e resistência na comunidade Planeta dos Macacos, pertencente ao mesmo bairro. A pesquisa tem como ponto de partida o projeto de extensão universitária em andamento ‘Elas Contam: as vozes do empoderamento feminino na comunidade’, sob a coordenação do Prof. Dr. Luiz Carlos Luz Marques, em parceria com a Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) e a EREM Professor Trajano de Mendonça, no qual são trabalhadas e valorizadas a oralidade, a memória e as histórias das mulheres que residem no bairro Jardim São Paulo. Ademais, o artigo se fundamenta na dissertação ‘Do Convento a um Barraco na Planeta dos Macacos’, de Severina Madalena da Silva, que analisa de forma aprofundada a origem da comunidade Planeta dos Macacos a partir da cheia de 1975, relacionando diversos fatores à sua história, sendo eles religiosos, socioeconômicos e de resistência dentro da periferia, os quais também serão abordados neste artigo. Dessa forma, o artigo se constitui em mais uma ferramenta de aprendizado e reflexão sobre os contextos históricos e plurais nos quais as comunidades brasileiras, em especial a Planeta dos Macacos, emergiram, atravessando complexidades e mecanismos de sobrevivência em meio às diversas dificuldades sociais e estruturais. Além disso, o artigo dialoga com o projeto ‘Elas Contam’ no que se refere ao compromisso de reafirmar a importância da escuta de histórias, especialmente aquelas protagonizadas por mulheres, que contribuem para a preservação da memória e se tornam símbolos de resistência para a comunidade. Portanto, a história do bairro Jardim São Paulo traz consigo diversas contribuições para a construção da identidade histórica da cidade do Recife, revelando a necessidade de reconhecer um outro lado do imaginário periférico, historicamente construído a partir de estereótipos sistemáticos.
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