“ESTÁ COMO UMA VIÚVA, A SENHORA DAS NAÇÕES”

A ALEGORIA DE ROMA DESFEITA POR FRANCISCO DE HOLANDA (1540)

Autores

  • Victória Lorrany Almeida Silva Universidade Federal Rural de Pernambuco Autor

Palavras-chave:

Francisco de Holanda, Maneirismo, História da Arte, Portugal

Resumo

Francisco de Holanda (1517-1584), artista e teórico de arte, nasceu em Lisboa, Portugal. O reino português, que sob a égide de D. João III passou a vivenciar um processo cultural de abertura às influências italianas, caracterizou-se pelo tomar da Antiguidade como gênese para diversos campos de atividade. Filho do miniaturista régio Antônio de Holanda, Francisco de Holanda foi integrado desde cedo à corte portuguesa. Nesse ambiente, teve acesso a uma sólida formação humanista, marcada pelo convívio com as artes e as letras na corte. No verão de 1537, D. João III decidiu enviar D. Pedro de Mascarenhas como embaixador para uma viagem à Roma junto ao Papa Júlio III, prontamente pensando também no nome de Holanda para dirigir-se à Itália. Por esta razão, este artigo busca examinar a composição alegórica elegíaca de Roma desfeita, que data do período de sua viagem (1538-1540), e faz parte do livro de Desenho das Antigualhas (1540), em que a referida imagem se apresenta como louvação fúnebre da antiga Roma desaparecida, relembrado suas maravilhas da qual as ruínas do presente se tornaram testemunho em composição de nítido caráter miguelangelesco. A pesquisa seguirá as diretrizes delineadas por Sylvie Deswarte (1992), historiadora da arte que examina de forma detalhada as conexões artísticas entre Portugal e a Itália através de Francisco de Holanda, sendo também determinante a contextualização da renovação geral da cultura literária e artística em Portugal no séc. XVI, ao qual tomou-se como base os estudos de Vítor Serrão (1982), José Vilela (1982) e José da Felicidade (1996). Os resultados entram em consonância com as análises de Erwin Panofsky (2017), que, por sua vez, nos revela que as pinturas históricas são, em certo sentido, veículos de comunicação, ao passo de que sua intenção é encontrada na ideia do que obra deseja expressar, mediante mensagem a ser preenchida ou na função a ser transmitida.

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Biografia do Autor

  • Victória Lorrany Almeida Silva, Universidade Federal Rural de Pernambuco

    Mestranda da linha Estado, Sociedade e Cultura do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Graduada em Licenciatura plena em História pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Atuou como pesquisadora voluntária no Programa de Iniciação Científica (PIC) e foi bolsista de Iniciação Científica pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/CNPq/UFRPE) durante três anos. Ademais, desenvolveu Monitoria voluntária em História Moderna I na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e integra o Laboratório de História das Ciências na época Moderna (LHICEM)

Referências

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Alvarás e cartas:

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Publicado

2026-02-05

Como Citar

“ESTÁ COMO UMA VIÚVA, A SENHORA DAS NAÇÕES”: A ALEGORIA DE ROMA DESFEITA POR FRANCISCO DE HOLANDA (1540). (2026). COLÓQUIO DE HISTÓRIA DA UNICAP E COLÓQUIO DO PPGH, 19. https://www1.unicap.br/ojs/index.php/coloquiodehistoria/article/view/3576

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