A HISTÓRIA DO ALIMENTO KASHER NA CULTURA JUDAICA
Palavras-chave:
kasher; judaísmo; cultura alimentar; tradição religiosa; identidade cultural.Resumo
O presente trabalho aborda a história do alimento Kasher na cultura judaica, tendo como objetivo analisar seu desenvolvimento e significado dentro dessa tradição, destacando seus fundamentos religiosos, simbólicos e socioculturais. A alimentação kasher, regida pelas leis dietéticas descritas na Torá (Bíblia) e codificadas na Halachá (Lei Judaica), representa um dos aspectos mais significativos da identidade e da prática religiosa do povo judeu. Por meio de uma pesquisa bibliográfica, são analisados os discursos do sociólogo Max Weber, sob a perspectiva da prática sociocultural dos costumes do povo judeu no judaísmo antigo e as contribuições da antropóloga Mary Douglas, cujas teorias sobre pureza e impureza auxiliam na compreensão das particularidades culturais judaicas. Além disso, os estudos dos rabinos Ezra Dayan e Zalman Goldstein oferecem uma visão prática sobre a origem e a evolução dessas normas ao longo dos séculos, com destaque para suas manifestações no século XXI. Os resultados permitem compreender o processo de kasherização durante o Shabat e nas principais festas judaicas — Pessach, Shavuot, Sucot, Rosh Hashaná e Chanucá —, bem como o sistema de certificação que garante a procedência dos alimentos consumidos nas famílias judaicas. Essa análise evidencia a permanência da alimentação kasher como elemento espiritual, religioso e de relevância comunitária. Esperase que este estudo contribua para novas pesquisas sobre as leis dietéticas judaicas na contemporaneidade, considerando seu valor e importância diante das transformações do mundo globalizado. Também se destaca o impacto pessoal e social do consumo de alimentos com certificação kasher, que reflete a crescente valorização de práticas alimentares éticas e conscientes, bem como seu papel biopsicossocial. Conclui-se que o alimento kasher, no judaísmo, possui uma relevância tridimensional — envolvendo corpo, alma e espírito —, configurando-se como uma marca de identidade histórico-sociocultural da comunidade judaica e como expressão de uma aliança contínua com Hashem (Deus), que conecta tradição e modernidade nas gerações presentes e futuras.
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