VULNERABILIDADE SOCIAL NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

DIFICULDADES NO DESENVOLVIMENTO DE JOVENS EM CUMPRIMENTO DE MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS

Autores

  • Frederico Rodrigues de Freitas Universidade Católica de Pernambuco Autor

Resumo

O objetivo principal deste estudo é analisar os efeitos profundos e complexos da vulnerabilidade social no desenvolvimento psicológico e educacional de jovens e adolescentes. O foco especial é direcionado àqueles que, por estarem em situação de risco, acabam sendo encaminhados ao sistema de cumprimento de medidas socioeducativas. A análise se concentra na dimensão da identidade étnico-racial, um elemento fundamental que intensifica a vulnerabilidade e o encarceramento juvenil, sob uma perspectiva que considera a interseccionalidade das opressões. Por meio de uma revisão de literatura com abordagem qualitativa, de natureza explicativa e método hipotético-dedutivo, o estudo analisou pesquisas recentes que mostram como fatores estruturais e subjetivos — como exclusão, descaso e ineficiência das políticas públicas — afetam o bem-estar emocional e a trajetória escolar. Os dados analisados sugerem que viver em contextos de violência constante, pobreza extrema e ausência de proteção institucional está diretamente ligado ao surgimento de transtornos mentais, abandono escolar precoce, baixa autoestima e participação em comportamentos de risco. É importante destacar que a maioria dos jovens que cumprem medidas socioeducativas se autodeclara parda ou preta. Isso demonstra o efeito direto do racismo estrutural e da criação da “raça social” como um meio de exclusão, marginalização e seletividade penal. Além disso, ficou evidente de maneira sistemática a fragilidade das políticas públicas existentes, que costumam apresentar descontinuidade, falta de articulação intersetorial e falta de sensibilidade em relação às realidades específicas e únicas, como as enfrentadas por populações indígenas. E pelas comunidades negras e periféricas, que têm sua identidade étnica e racial constantemente desvalorizada e estigmatizada. Os resultados da pesquisa indicam a urgência e a necessidade imperativa de iniciativas intersetoriais sustentáveis, com foco no potencial de cada jovem. A pesquisa confirma que a infância e a adolescência são fases fundamentais para o crescimento humano e que a vulnerabilidade, principalmente quando marcada por aspectos étnico-raciais, se não for tratada de forma estruturada e humanizada, compromete de maneira irreversível o desenvolvimento completo e a plena cidadania desses jovens. Logo, é urgente ampliar as políticas públicas que priorizam a equidade, a proteção integral dos direitos humanos, o reconhecimento da identidade e a valorização de todas as infâncias e juventudes. Essa é a única forma viável de romper os ciclos de exclusão e assegurar oportunidades concretas de crescimento para todos.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Frederico Rodrigues de Freitas, Universidade Católica de Pernambuco

    Possui graduação em HISTÓRIA-LICENCIATURA pelo Centro Universitário ETEP (2023), graduação em Língua Portuguesa pelo Centro Universitário ETEP (2023), graduação em Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos pela Faculdade Vilas Boas (2023), graduação em Tecnologia em Gestão Pública pelo Centro universitário UniFatecie (2024) e graduação em 2 licenciatura em História pelo Centro universitário UniFatecie (2024).

Referências

ALMEIDA, Ana Carla Rodrigues de; TOZATTO, Alessandra. A atuação do psicólogo na ressocialização de menores infratores: a aplicação de medidas socioeducativas para reinserir menores infratores na sociedade. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, São Paulo, v. 9, n. 09, p. 1819-1836, set. 2023.

ARAÚJO, Fernanda. Políticas públicas e desigualdades raciais no sistema socioeducativo. Rio de Janeiro: Vozes, 2025.

BERGAMIM, Talisson Roberto; PEREIRA JUNIOR, Luciano Aparecido; ANTONIASSI JÚNIOR, Gilmar. Ato infracional: as faces das vulnerabilidades e da desproteção social no Brasil. Revista Psicologia e Saúde em Debate, Franca, v. 9, n. 2, p. 721-747, nov. 2023.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CEB nº 3/2016. Define Diretrizes Nacionais para o atendimento escolar de adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas.

BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Brasília: Senado Federal, 2019.

BRASIL. Lei nº 12.594, de 18 de janeiro de 2012. Institui o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo – SINASE. Diário Oficial da União, Brasília, 19 jan. 2012.

FRAGOSO-DA-SILVA, Susana Maria; BRITO, Mateus dos Santos. Ato Infracional X Crime: As Contribuições do SINASE na Proteção Integral à Infância e Adolescência. Conjecturas, 2022.

LOPES, Alda Penha Andrello; SILVA, Magno Eugenio Marcelo Benomino da. Reflexos da vulnerabilidade social como pressuposto para a entrada de adolescentes na criminalidade. Contradição – Revista Interdisciplinar de Ciências Humanas e Sociais, Paraná, v. 2, n. 2, p. 1–15, jul./dez. 2021. DOI: 10.33872/revcontrad. v2n2.e022.

MACHADO, Gislaine. Educação antirracista e juventudes vulnerabilizadas. São Paulo: Penso, 2025.

RIBEIRO, Allan Alves da Mata; MIRANDA, Humberto da Silva. Para além das grades: o que precisa saber um professor de História na socioeducação? Vozes, Pretérito & Devir, Recife, v. XVI, n. I, p. 264–284, 2023.

RODRIGUES, Isabela Fernandes. Análise histórica do Código de Menores de 1927 e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Revista UNIFACIG, 2023.

SANTOS, Maria. Exclusão social, racismo estrutural e escolarização da juventude. Recife: EdUFPE, 2022.

SANTOS, Ynaê Lopes dos. Racismo brasileiro: uma história da formação do país. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

SILVEIRA, Eveline Maria Perdigão; FREITAS, Raquel Coelho de. Relações sociais e direitos na narrativa de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa. Estudos de Psicologia, Fortaleza, v. 27, n. 1, p. 93-103, jan./abr. 2022.

Downloads

Publicado

2026-02-05

Como Citar

VULNERABILIDADE SOCIAL NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA: DIFICULDADES NO DESENVOLVIMENTO DE JOVENS EM CUMPRIMENTO DE MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS. (2026). COLÓQUIO DE HISTÓRIA DA UNICAP E COLÓQUIO DO PPGH, 19. https://www1.unicap.br/ojs/index.php/coloquiodehistoria/article/view/3522