DO BAIRRO FRANCÊS À MARVEL COMICS
CULTURA, ORALIDADE E REPRESENTATIVIDADE EM MONICA RAMBEAU
Palavras-chave:
Super-heroína, Monica Rambeau, Cultura Negra, OralidadeResumo
A presente pesquisa propõe examinar as manifestações de cultura e tradição oral nas Histórias em Quadrinhos protagonizadas pela super-heroína Monica Rambeau. Criada por Roger Stern, John Romita e John Romita Junior, a personagem estreou em 1982 na edição nº 16 de The Amazing Spider-Man, publicada pela editora Marvel Comics, sendo inicialmente apresentada como tenente da Marinha. Sua primeira caracterização como super-heroína está profundamente vinculada à identidade cultural de Nova Orleans, uma vez que o traje foi improvisado a partir de peças do Mardi Gras, tradicional festividade carnavalesca da região. A análise fundamenta-se nos referenciais teóricos de Jan Vansina, Judith A. Carney e James H. Sweet, cujas contribuições permitem problematizar a relação entre oralidade, memória e identidade cultural na construção da personagem. Nesse contexto, a cidade de Nova Orleans, em especial o Bairro Francês e a casa familiar na Rua Bourbon, configura-se como espaço simbólico de transmissão de saberes, exemplificado nos encontros em torno do preparo e partilha do gumbo e yakamein, pratos típicos da culinária da Louisiana. Esses elementos evidenciam a articulação entre dimensões históricas e culturais da realidade social afro-diaspórica e sua representação na narrativa ficcional. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem qualitativa, com ênfase na análise de elementos históricos, culturais e simbólicos. Compreendidas como artefatos culturais e históricos, as histórias em quadrinhos refletem valores, ideologias e representações sociais de seu tempo. Fundamentada na metodologia de análise proposta por Márcia Tavares Chico, esta investigação adota uma abordagem qualitativa, com ênfase nos aspectos históricos, culturais e simbólicos que perpassam a trajetória da heroína. Busca-se, assim, compreender de que modo os quadrinhos de Monica Rambeau podem ser mobilizados como recurso para o fortalecimento da representatividade negra, destacando a centralidade da cultura e da tradição oral na de sua identidade heroica.
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