{"id":8726,"date":"2025-04-16T08:42:00","date_gmt":"2025-04-16T11:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=8726"},"modified":"2025-04-21T10:50:07","modified_gmt":"2025-04-21T13:50:07","slug":"pascoa-e-religioes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=8726","title":{"rendered":"P\u00c1SCOA E RELIGI\u00d5ES"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"750\" src=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-8727\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/image.png 1000w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/image-300x225.png 300w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/image-400x300.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Girassol, s\u00edmbolo transreligioso da P\u00e1scoa: sempre \u00e0 procura de \u201cluz\u201d e mais vida, como as tradi\u00e7\u00f5es espirituais da humanidade<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A P\u00e1scoa tem origem na religi\u00e3o judaica. A tradi\u00e7\u00e3o rab\u00ednica lembra uma antiga festa de primavera, em que os pastores ofertavam a Deus um cordeiro como agradecimento pelo rebanho. Ao se tornarem tamb\u00e9m agricultores, os descendentes de Abra\u00e3o consumiam toda farinha e fermento em festa no dia anterior \u00e0 colheita do trigo, porque acumular alimentos \u00e9 sempre come\u00e7o de injusti\u00e7a. Da\u00ed o primeiro p\u00e3o de trigo novo n\u00e3o era fermentado. Quando o povo judeu foi libertado da escravid\u00e3o no Egito, guiado por Mois\u00e9s, esses rituais se uniram na ceia familiar de Pessach, cujos pratos principais s\u00e3o o cordeiro e o p\u00e3o sem fermento, lembrando agora a pressa na fuga e a prote\u00e7\u00e3o divina na passagem para a liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>P\u00e1scoa lembra liberta\u00e7\u00e3o e ressurrei\u00e7\u00e3o, cren\u00e7as que unem juda\u00edsmo, cristianismo e islamismo, que s\u00e3o as religi\u00f5es mais novas e que se tornaram as maiores do mundo, desenvolvidas no Oriente M\u00e9dio a partir do \u00caxodo, do movimento de Mois\u00e9s. Elas aprofundaram uma conota\u00e7\u00e3o \u00e9tica da religi\u00e3o, que j\u00e1 vinha fermentando no zoroastrismo e em outras cren\u00e7as da Era Axial (de 800 a 200 antes de Cristo, v\u00e1rios movimentos prof\u00e9ticos surgiram na \u00cdndia, China, Ir\u00e3 e Mediterr\u00e2neo Oriental). Trata-se de uma f\u00e9 vinculada \u00e0 luta hist\u00f3rica pela terra (com a sedentariza\u00e7\u00e3o deflagrada pela agricultura) e \u00e0 experi\u00eancia de Deus como uma \u201cFor\u00e7a dos C\u00e9us\u201d que promete a \u201cterra onde corre leite e mel\u201d e faz alian\u00e7a para justi\u00e7ar o povo e a pessoa que cumpre a sua lei de miseric\u00f3rdia: no Dia de sua Ira, ent\u00e3o, Deus vir\u00e1 julgar os vivos e os mortos &#8211; que ter\u00e3o a sua \u201ccarne\u201d pessoal ressuscitada. Mas os judeus celebram a P\u00e1scoa mais como a liberta\u00e7\u00e3o do Egito, os crist\u00e3os como a liberdade trazida pela ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, e os mu\u00e7ulmanos nem a festejam propriamente: pois nas suas escrituras Deus livrou o profeta Jesus da pr\u00f3pria cruz e todos devem aguardar a ressurrei\u00e7\u00e3o no fim dos tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>As escrituras crist\u00e3s ensinam que a prega\u00e7\u00e3o de Jesus sobre o \u201cGoverno de Deus\u201d e o seu cuidado com os marginalizados desagradaram autoridades religiosas, que o entregaram para ser morto pela for\u00e7a de ocupa\u00e7\u00e3o romana na Palestina. Foi morto na cruz em uma sexta-feira, durante a prepara\u00e7\u00e3o para a festa de Pessach e, na madrugada do domingo, suas disc\u00edpulas descobriram que ele havia passado para outro estado de exist\u00eancia. Seus seguidores o experimentaram como ressuscitado em seu meio, quando partilhavam o p\u00e3o e a vida, e por isso deram-lhe o t\u00edtulo de Cristo (Ungido, em grego). Jesus Cristo \u00e9 o novo cordeiro da P\u00e1scoa, que entregou sua vida para inspirar as pessoas, libertando-as do fechamento em si e da morte, permitindo-lhes passar para outro n\u00edvel de liberdade. Para o movimento de Jesus, ali na esquina polu\u00edda, no hospital ou favela, est\u00e1 ele, e nos olha: onde a carne sofre, a\u00ed est\u00e1 o Cristo, crucificado. Onde a carne ama, cuida e se relaciona, trata ecologicamente da Terra como nossa Casa Comum, a\u00ed est\u00e1 o Cristo, glorificado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, as religi\u00f5es dos nossos povos origin\u00e1rios, como as ind\u00edgenas e afro (xang\u00f4, jurema e umbanda) no Brasil, botam f\u00e9 no reencontro com os antepassados pela orienta\u00e7\u00e3o das for\u00e7as da natureza ou orix\u00e1s; enquanto as religi\u00f5es mais orientais, como as budistas, hare krishna e mesmo os espiritismos em nosso pa\u00eds, apostam na evolu\u00e7\u00e3o espiritual atrav\u00e9s de medita\u00e7\u00f5es e passando por reencarna\u00e7\u00f5es. S\u00e3o matrizes religiosas diferentes daquelas religi\u00f5es prof\u00e9ticas (judeu-cristianismo, islamismo e f\u00e9 bahai, al\u00e9m do antigo zoroastrismo), que acreditam na ressurrei\u00e7\u00e3o: estas t\u00eam outras tradi\u00e7\u00f5es e textos sagrados e enfatizam caminhos diferentes para a transcend\u00eancia. Precisamos aprender a conviver com essa diversidade como a B\u00ean\u00e7\u00e3o das Origens e n\u00e3o como resultado de um Pecado Original.<\/p>\n\n\n\n<p>Os calend\u00e1rios destas \u00faltimas religi\u00f5es, \u201cdo livro\u201d ou da b\u00edblia, t\u00eam refer\u00eancias mais hist\u00f3ricas, por\u00e9m foram constru\u00eddos em cima das festas pag\u00e3s, que aludem mais aos fen\u00f4menos da natureza. Na Europa, o solst\u00edcio de inverno, que l\u00e1 acontece em dezembro, foi aproveitado na fixa\u00e7\u00e3o da data do Natal, por exemplo, transformando-se o festival religioso pag\u00e3o do Deus-sol na celebra\u00e7\u00e3o do nascimento de Cristo, tido como \u201cLuz do mundo\u201d. Assim tamb\u00e9m \u00e9 a P\u00e1scoa, a maior festa crist\u00e3: o Domingo de P\u00e1scoa \u00e9 o primeiro ap\u00f3s a primeira lua cheia depois do equin\u00f3cio vernal (primavera no Norte), ou seja, depois da entrada do sol no signo de \u00c1ries (associado ao carneiro, que \u00e9 relacionado ao \u201cAgnus Dei\u201d, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo). Como a entrada do sol, \u00e9 a vit\u00f3ria do Cristo sobre a morte e sobre o tempo, ressuscitando dentre os mortos e renovando o antigo mundo; como a Lua Cheia, \u00e9 o projeto de Jesus, inaugurando novo ciclo da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, antigas festas pag\u00e3s relacionadas ao equin\u00f3cio da primavera, em que se celebrava a Deusa da fertilidade e do renascimento, Eostre, tamb\u00e9m podem ser encontradas no per\u00edodo da P\u00e1scoa nos grupos neopag\u00e3os que se espalham pelo mundo hoje. E, ali\u00e1s, um estudo de hist\u00f3ria comparada das religi\u00f5es poderia descobrir analogias at\u00e9 entre o canibalismo ritual\u00edstico da Pr\u00e9-hist\u00f3ria e a P\u00e1scoa ocidental que leva a gente a partilhar alimentos e, de forma simb\u00f3lica, o corpo de Jesus. Enfim, o que uma religi\u00e3o descobre de inspirado \u00e9 por causa das outras, e \u00e9 tamb\u00e9m uma oferta de sentido renovado para as demais. Assim, boa passagem a\u00ed, seja qual for o seu caminho espiritual!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Gilbraz Arag\u00e3o, professor da UNICAP, coordenador do Observat\u00f3rio das Religi\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A P\u00e1scoa tem origem na religi\u00e3o judaica. A tradi\u00e7\u00e3o rab\u00ednica lembra uma antiga festa de primavera, em que os pastores ofertavam a Deus um cordeiro como agradecimento pelo rebanho. Ao se tornarem tamb\u00e9m agricultores, os descendentes de Abra\u00e3o consumiam toda farinha e fermento em festa no dia anterior \u00e0 colheita do trigo, porque acumular alimentos&#8230; <\/p>\n<div class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=8726\">Leia mais<\/a><\/div>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8728,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-8726","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8726"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8726\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8732,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8726\/revisions\/8732"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}