{"id":8477,"date":"2024-11-23T11:59:12","date_gmt":"2024-11-23T14:59:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=8477"},"modified":"2025-03-24T08:34:10","modified_gmt":"2025-03-24T11:34:10","slug":"marcelo-emaus-e-a-libertacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=8477","title":{"rendered":"MARCELO E A LIBERTA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"\n<p>O&nbsp;irm\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.marcelobarros.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Marcelo Barros<\/a> \u00e9 um monge exc\u00eantrico que, seguindo Dom Helder (de quem foi secret\u00e1rio), tornou-se assessor de comunidades de base e de movimentos populares, em favor do direito a uma f\u00e9 esclarecida e engajada, em defesa da causa do ecumenismo e do di\u00e1logo. Dos sessenta e tantos livros que ele publicou, a maioria trata de espiritualidade ecum\u00eanica e rela\u00e7\u00e3o entre religi\u00f5es e culturas, motivo pelo qual \u00e9 um companheiro que anima o nosso Observat\u00f3rio das Religi\u00f5es na UNICAP. O <a href=\"https:\/\/revistas.udesc.br\/index.php\/tempo\/article\/view\/2175180311282019212\/10633\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Grupo Ema\u00fas<\/a>, do qual Marcelo faz parte, \u00e9 um coletivo de intelectuais e militantes crist\u00e3os formado na d\u00e9cada de 1970, com a finalidade de subsidiar movimentos sociais. Na ocasi\u00e3o, o grupo reuniu alguns dos nomes mais conhecidos da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o e, desde ent\u00e3o, permanece como um dos principais espa\u00e7os de sociabilidade, tamb\u00e9m ecum\u00eanica, dos crist\u00e3os progressistas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como Marcelo est\u00e1 completando 80 anos, o Grupo veio se reunir no Recife, de 22 a 24 de novembro, e foi recebido por estudiosos dos Pogramas de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em <a href=\"https:\/\/portal.unicap.br\/teologia-ppgteo-#presencial\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Teologia<\/a> e em <a href=\"https:\/\/portal.unicap.br\/ciencias-da-religiao-ppgcr#presencial\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ci\u00eancias da Religi\u00e3o<\/a> da Universidade Cat\u00f3lica, na tarde da sexta, para uma conversa sobre &#8220;As Teologias da Liberta\u00e7\u00e3o, seus temas e m\u00e9todos: de onde v\u00eam e para onde v\u00e3o&#8221;. O encontro, que homenageou Marcelo Barros, foi abrilhantado com can\u00e7\u00f5es do artista\/professor Silv\u00e9rio Pessoa e do percussionista Luca Teixeira, e contou com a participa\u00e7\u00e3o do Reitor, padre Pedro Rubens, e dos Pr\u00f3-reitores de Gradua\u00e7\u00e3o e P\u00f3s, Degislando N\u00f3brega e Valdenice Raimundo. Gilbraz Arag\u00e3o, coordenador do Observat\u00f3rio, escreveu uma s\u00edntese sobre o tema da conversa, que publicamos a seguir (com fotos de Dell Souza)&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/468168525_10231787721669416_6419873434317347638_n-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8479\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/468168525_10231787721669416_6419873434317347638_n-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/468168525_10231787721669416_6419873434317347638_n-300x169.jpg 300w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/468168525_10231787721669416_6419873434317347638_n-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/468168525_10231787721669416_6419873434317347638_n-533x300.jpg 533w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/468168525_10231787721669416_6419873434317347638_n.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O pensamento crist\u00e3o contempor\u00e2neo na Am\u00e9rica Latina tematiza as rela\u00e7\u00f5es entre f\u00e9 e pr\u00e1xis, fazendo teologia portanto, conforme tr\u00eas ou quatro modelos: eles respondem aos desafios da liberta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, do respeito \u00e0 sabedoria popular, da incultura\u00e7\u00e3o no mundo moderno e urbano e, por fim, do di\u00e1logo com o pluralismo cultural e religioso. As correntes que se formam em torno a esses problemas levantados pela nossa vida crist\u00e3 indicam uma caracter\u00edstica comum \u00e0s nossas teologias: o ponto de partida \u00e9 sempre a comunidade, e mais concretamente as comunidades crist\u00e3s de base, a vida do povo crente e empobrecido que est\u00e1 ensaiando a Igreja dos Pobres como modelo de cristianismo. Essa media\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica possibilita redescobrir o Deus dos pobres e uma espiritualidade, pessoal e comunit\u00e1ria, que move todo m\u00e9todo teol\u00f3gico, apoiando-se sobre dois p\u00e9s: o da experi\u00eancia (seu \u201cdesde onde\u201d) e o da transcend\u00eancia (seu \u201cpara onde\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>Subjaz assim a todo modelo metodol\u00f3gico entre n\u00f3s uma concep\u00e7\u00e3o de teologia como hermen\u00eautica da f\u00e9 \u00e0 luz da realidade e da realidade \u00e0 luz da f\u00e9. Num primeiro momento, provocado pela tem\u00e1tica da liberta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, a f\u00e9 crist\u00e3 foi interpelada pela irrup\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia de empobrecimento no continente, devido \u00e0 sua inser\u00e7\u00e3o na periferia do sistema capitalista. A resposta a esse questionamento \u00e9tico e pr\u00e1xis libertadora foi, no n\u00edvel da vida, a op\u00e7\u00e3o pelos pobres e pela liberta\u00e7\u00e3o humana integral e, no n\u00edvel te\u00f3rico, uma reflex\u00e3o cr\u00edtica do ideol\u00f3gico opressor, presente tamb\u00e9m na religi\u00e3o e na teologia. Essas reflex\u00f5es surgiram para tematizar e guiar os engajamentos de resist\u00eancia social nos conselhos de moradores e clubes de m\u00e3es, grupos de pol\u00edticas p\u00fablicas e de jovens produtores, grupos de estudo da hist\u00f3ria e coletivos para participa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos poucos, por\u00e9m, foi-se chegando a uma reflex\u00e3o n\u00e3o apenas preocupada com os pobres, mas a partir deles. A partir da alteridade humana do pobre, exterior \u00e0 estrutura\u00e7\u00e3o opressiva porque a transcende eticamente, foram questionadas n\u00e3o s\u00f3 as ideologias justificadoras dela, mas tamb\u00e9m a racionalidade centrada na rela\u00e7\u00e3o sujeito-objeto e, em \u00faltima an\u00e1lise, na mesmidade do sujeito. Surgiu tanto uma \u00e9tica como uma metaf\u00edsica da alteridade, desenvolvendo a l\u00f3gica anal\u00e9tica, que se move a partir da positividade exterior do oprimido. N\u00e3o se trata apenas de negar dial\u00e9tica e utopicamente a nega\u00e7\u00e3o dos outros no sistema, mas, em primeiro lugar, da afirma\u00e7\u00e3o anal\u00e9tica do outro real. Ana (do grego) quer dizer um \u201cmais al\u00e9m\u201d do horizonte do sistema, \u201cmais al\u00e9m\u201d ou transcendental \u201cao que existe\u201d. E o mist\u00e9rio da realidade, Grande Outro anterior e para al\u00e9m do que \u201cest\u00e1 a\u00ed\u201d, tem sua face de \u201ccarne\u201d, ou seja, hist\u00f3rica, pol\u00edtica, er\u00f3tica: trata-se, pois, de compromisso com a palavra viva das crian\u00e7as desprezadas, dos pobres explorados, devotos populares, ra\u00e7as e culturas discriminadas, de mulheres e lgbts violentados, em fun\u00e7\u00e3o do mundo novo pelo qual eles clamam.<\/p>\n\n\n\n<p>Aparece ent\u00e3o o segundo caso metodol\u00f3gico, provocado pela tem\u00e1tica da sabedoria popular. Esta, embora deva passar pela cr\u00edtica e pelo discernimento entre a aut\u00eantica sabedoria e a ideologia introjetada, pertence todavia \u00e0 alteridade \u00e9tico-religiosa radical, que se manifesta (e se subtrai) nos s\u00edmbolos e relatos do povo. Assim, a pr\u00e1xis da liberta\u00e7\u00e3o integral se fez mais inculturada e enraizada na hist\u00f3ria latino-americana, aceitando o povo como sujeito hist\u00f3rico, junto ao qual o te\u00f3logo passa a ter fun\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, mas org\u00e2nica e importante, de \u00edndole hermen\u00eautica. Essa valoriza\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio das culturas populares e do protagonismo do povo, em alian\u00e7a com grupos de folguedo e associa\u00e7\u00f5es de resgate da mem\u00f3ria afro-ind\u00edgena, levaram a express\u00f5es teol\u00f3gicas mais brincantes e po\u00e9ticas, \u00e0 integra\u00e7\u00e3o dos saberes tradicionais e das narrativas do povo nas reflex\u00f5es cient\u00edficas mais elaboradas.<\/p>\n\n\n\n<p>Referindo-se ao papel educativo das Igrejas, dentro da sua obra A\u00e7\u00e3o cultural para a liberdade (Paz e Terra, 1981), Paulo Freire apontou a necessidade dos agentes eclesiais morrerem como elitistas para renascerem como revolucion\u00e1rios, por mais humilde que seja sua tarefa: \u201cIsso implica na ren\u00fancia de seus mitos, t\u00e3o caros a eles. O mito de sua superioridade, o mito de sua pureza de alma, o mito de suas virtudes, o mito de seu saber, o mito de que sua tarefa \u00e9 salvar os pobres. O mito da inferioridade do povo, o mito de sua impureza, n\u00e3o s\u00f3 espiritual, mas f\u00edsica, o mito de sua ignor\u00e2ncia absoluta\u201d (p. 107).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" data-id=\"8482\" src=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/467912805_10231787233497212_9022495775880575013_n-2-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8482\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/467912805_10231787233497212_9022495775880575013_n-2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/467912805_10231787233497212_9022495775880575013_n-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/467912805_10231787233497212_9022495775880575013_n-2-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/467912805_10231787233497212_9022495775880575013_n-2-533x300.jpg 533w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/467912805_10231787233497212_9022495775880575013_n-2.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/468182103_10231788010196629_1693957674048363649_n-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8483\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/468182103_10231788010196629_1693957674048363649_n-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/468182103_10231788010196629_1693957674048363649_n-300x169.jpg 300w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/468182103_10231788010196629_1693957674048363649_n-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/468182103_10231788010196629_1693957674048363649_n-533x300.jpg 533w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/468182103_10231788010196629_1693957674048363649_n.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Escutando a realidade atrav\u00e9s da experi\u00eancia popular cotidiana e das ci\u00eancias n\u00e3o apenas sociais mas tamb\u00e9m antropol\u00f3gicas e psicol\u00f3gicas, a teologia adquire nova for\u00e7a para compreender a experi\u00eancia da religi\u00e3o vivida, o dado da f\u00e9 curtida existencial e comunitriamente, e este, por seu turno, uma relev\u00e2ncia muito maior para os problemas humanos do povo. E se antes a interpreta\u00e7\u00e3o do dado da f\u00e9 nascia diretamente da suspeita ideol\u00f3gica sobre sua apresenta\u00e7\u00e3o tradicional, agora nasce da resson\u00e2ncia que a experi\u00eancia do povo sofrido, a sabedoria do sofrer e gozar do povo pobre, tem sobre o dado da f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, surge o terceiro grande caso metodol\u00f3gico, provocado pela tem\u00e1tica da \u201cl\u00f3gica da gratuidade\u201d. \u00c9 certo que os \u00faltimos anos foram marcados por crescente democracia pol\u00edtica entre n\u00f3s, mas n\u00e3o nos lograram o desenvolvimento social e a liberta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que desej\u00e1vamos. Pelo contr\u00e1rio at\u00e9, aumentou a dist\u00e2ncia entre classes e na\u00e7\u00f5es ricas e pobres, sob o peso da ideologia neoliberal. Isso a um tempo em que se consolida a cr\u00edtica cultural \u00e0 raz\u00e3o moderna da subjetividade. Os movimentos populares passam por uma crise profunda e est\u00e3o se reinventando, aprofundando e ampliando as suas lutas, em todo o continente.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, irrompem entre os pobres latino-americanos grupos que ensaiam uma racionalidade nova: a uni\u00e3o entre solidariedade e iniciativa pessoal, gratuidade e efic\u00e1cia, sapiencialidade local e universalidade humana. Trata-se do que vinha se desenvolvendo nas comunidades crist\u00e3s e outros grupos religiosos de base, nas organiza\u00e7\u00f5es populares nos bairros e oficinas, dos movimentos livres que lutam pelos direitos das crian\u00e7as e mulheres, negros e ind\u00edgenas, nas cooperativas autogestion\u00e1rias de trabalhadores surgidas da economia informal. N\u00e3o se trata, agora, de um movimento de m\u00e3o \u00fanica, incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3 para ajudar na emancipa\u00e7\u00e3o das culturas dos outros, mas de uma trajet\u00f3ria de m\u00e3o dupla, de tradu\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo intercultural com a diversidade dos grupos (e espiritualidades) que povoam hoje as grandes cidades (cuja cultura urbano\/tecnol\u00f3gica se estende at\u00e9 os campos) da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>A f\u00e9 crist\u00e3 encontra nesses fatos sinais dos tempos: uma pr\u00e1xis hist\u00f3rica nascida do amor gratuito com os pobres e os outros. Estes sinais desafiam a teologia, ent\u00e3o, para que transforme as distintas formas da racionalidade moderna de que faz uso junto com as ci\u00eancias, a partir dessa \u201cl\u00f3gica da gratuidade\u201d, que \u00e9 mais integral e complexa. Depois, desafiam-na tamb\u00e9m, mais praticamente, para conseguir que a incipiente efic\u00e1cia de tal l\u00f3gica n\u00e3o se d\u00ea s\u00f3 nas rela\u00e7\u00f5es microssociais, mas tamb\u00e9m se expanda no espa\u00e7o macrossocial. Est\u00e1 surgindo assim uma teologia mais hol\u00edstica, s\u00edntese quase dos outros casos metodol\u00f3gicos, preocupada com o desenvolvimento de uma democracia amplamente participativa, tamb\u00e9m na religi\u00e3o e nas Igrejas, com o envolvimento ecum\u00eanico e ecol\u00f3gico na luta por justi\u00e7a socioambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Ultimamente, o nosso cristianismo progressista vem unindo a liberta\u00e7\u00e3o religiosa \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o sociocultural, como vem assumindo em suas opini\u00f5es teol\u00f3gicas o desafio do pluralismo religioso e do di\u00e1logo entre as religi\u00f5es, sobretudo na defesa ecol\u00f3gica da Casa Comum. Aonde esse caminho ir\u00e1 conduzir ainda n\u00e3o se sabe, mas \u00e9 poss\u00edvel pensar que levar\u00e1 ao nascimento de uma teologia nova, inclusive uma teologia p\u00f3s-religi\u00f5es que v\u00e1 al\u00e9m n\u00e3o de uma religi\u00e3o, mas das religi\u00f5es enquanto tais (formais\/tradicionais, sacrificiais\/sacerdotais), como configura\u00e7\u00e3o s\u00f3cio hist\u00f3rica humana congruente com o per\u00edodo agr\u00e1rio da humanidade &#8211; que vai sendo progressivamente substitu\u00eddo pela sociedade do conhecimento, a qual ultrapassa as revolu\u00e7\u00f5es industriais com intelig\u00eancia artificial e algoritmos. Isso enseja uma teologia sem dogmas nem doutrinas, uma teologia laica e fundada na experi\u00eancia, libertada do servi\u00e7o a uma religi\u00e3o enquanto institui\u00e7\u00e3o hierarquicamente sagrada com o seu sistema de cren\u00e7as e ritos; suscita teologias centradas em uma espiritualidade transreligiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Na linha do que foi ensaiado por Marcelo Barros e a Associa\u00e7\u00e3o Ecum\u00eanica de Te\u00f3log@s do Terceiro Mundo, em sua cole\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.academia.edu\/20334687\/EATWOT_Pelos_muitos_caminhos_de_Deus_I_Os_desafios_Port\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pelos muitos caminhos de Deus<\/a>, Vito Mancuso afirmou no <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/621983-o-mundo-tem-sede-de-espiritualidade-entrevista-com-vito-mancuso\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">IHU<\/a> que: &#8220;O cristianismo \u00e9 parte integrante de mim e ao mesmo&nbsp;tempo n\u00e3o \u00e9 mais a \u00fanica espiritualidade que define minha cren\u00e7a, minhas a\u00e7\u00f5es, meu pensamento. Estou tentando desenvolver uma espiritualidade ecum\u00eanica universal\u201d. Os tempos nos enviam sinais que exigem abertura para novos horizontes, nos quais havemos de erguer altares de respeito e venera\u00e7\u00e3o, em parceria com os coletivos ecol\u00f3gicos e de g\u00eanero, com os movimentos de descoloniza\u00e7\u00e3o cultural e reinven\u00e7\u00e3o do trabalho, com as juventudes ecum\u00eanicas e os buscadores de antigas e novas espiritualidades. Pois onde menos se esperava, temos agora a possibilidade de encontrar a dimens\u00e3o do Absoluto no pr\u00f3prio \u00e2mago da relatividade, uma pluralidade de absolutos! Porque hoje se pode considerar a complexidade da realidade e da verdade, exorcizando o princ\u00edpio soberano da identidade, acolhendo o paradoxo para al\u00e9m do princ\u00edpio de n\u00e3o-contradi\u00e7\u00e3o e, sobretudo, servindo o outro e incluindo terna e ternariamente o diferente, em outros n\u00edveis de vida. Estamos \u00e0s voltas com uma nova configura\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o de religiosidade na vida, em meio a uma formata\u00e7\u00e3o nova da compreens\u00e3o de ci\u00eancia e de conhecimento, que apontam para uma l\u00f3gica de complexidade, transdisciplinar \u2013 e transreligiosa.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O&nbsp;irm\u00e3o Marcelo Barros \u00e9 um monge exc\u00eantrico que, seguindo Dom Helder (de quem foi secret\u00e1rio), tornou-se assessor de comunidades de base e de movimentos populares, em favor do direito a uma f\u00e9 esclarecida e engajada, em defesa da causa do ecumenismo e do di\u00e1logo. 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