{"id":800,"date":"2014-01-12T16:26:37","date_gmt":"2014-01-12T19:26:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=800"},"modified":"2015-12-02T07:02:01","modified_gmt":"2015-12-02T10:02:01","slug":"biblias-ou-historias-das-religioes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=800","title":{"rendered":"B\u00cdBLIAS OU HIST\u00d3RIAS DAS RELIGI\u00d5ES?!"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/SVshhb8_O60?rel=0\" width=\"480\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div><\/div>\n<p>Ontem os estudantes do Mestrado em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o da UNICAP, animados pelo cuidado com as causas humanistas que nos unem como educadores, chegaram aonde amarramos a nossa rede encantada de f\u00e9rias, para alertar acerca de uma noticia (veja <a href=\"http:\/\/jconline.ne10.uol.com.br\/canal\/cidades\/geral\/noticia\/2014\/01\/07\/camara-municipal-do-recife-estuda-disponibilizar-biblia-em-escolas-e-bibliotecas-112193.php\" target=\"_blank\">aqui<\/a>\u00a0e <a href=\"http:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/app\/noticia\/vida-urbana\/2014\/01\/09\/interna_vidaurbana,483465\/biblia-pode-se-tornar-obrigatoria-nas-escolas-do-recife.shtml\" target=\"_blank\">aqui<\/a>) que navega desabusada pela Veneza Brasileira: sobre o projeto de lei 334\/2013, de autoria da vereadora irm\u00e3 (evang\u00e9lica) Aim\u00e9e Carvalho (PSB), que tramita na C\u00e2mara dos Vereadores do Recife.<\/p>\n<p>O projeto, que at\u00e9 ganhou ades\u00e3o de setores cat\u00f3licos (muito embora a b\u00edblia <a href=\"http:\/\/www.bibliacatolica.com.br\/\" target=\"_blank\">cat\u00f3lica<\/a> seja um pouco diferente da <a href=\"http:\/\/www.sbb.org.br\/interna.asp?areaID=71#\" target=\"_blank\">evang\u00e9lica<\/a>), aguarda posi\u00e7\u00e3o dos parlamentares em fevereiro e prop\u00f5e que as bibliotecas de todas as escolas e tamb\u00e9m institui\u00e7\u00f5es de ensino superior estatais e privadas da cidade, al\u00e9m das bibliotecas p\u00fablicas, sejam obrigadas a ter duas b\u00edblias (uma edi\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas de papel normal e outra em braille, a linguagem dos cegos), al\u00e9m de\u00a0permitir a qualquer empresa e institui\u00e7\u00e3o religiosa distribuir exemplares da b\u00edblia nos p\u00e1tios das escolas e faculdades&#8230; O argumento (acompanhe a mat\u00e9ria integralmente por <a href=\"http:\/\/sapl.recife.pe.leg.br\/consultas\/materia\/materia_mostrar_proc?cod_materia=39210\" target=\"_blank\">aqui<\/a>), resumindo, \u00e9 que, com a disponibiliza\u00e7\u00e3o das b\u00edblias, &#8220;a viol\u00eancia diminui e a prosperidade aumenta&#8221; (sic)!<\/p>\n<p>De fato,\u00a0diante da crescente viol\u00eancia juvenil e\/ou da dificuldade de socializa\u00e7\u00e3o de um projeto de civiliza\u00e7\u00e3o, muitos imaginam que os s\u00edmbolos religiosos facilitam a transmiss\u00e3o de valores e que a escola deva ensin\u00e1-los com autoridade, refor\u00e7ando a identidade moral &#8220;majorit\u00e1ria&#8221; na comunidade. Mas essa \u00e9 uma compreens\u00e3o um tanto retr\u00f3grada, haja vista que boa parte da humanidade j\u00e1 (?!) ultrapassou uma vis\u00e3o m\u00e1gica da espiritualidade (por exemplo, Jesus altera o mundo milagrosamente e atende as minhas preces por prosperidade e riqueza) e tamb\u00e9m uma vis\u00e3o m\u00edtica das coisas (segundo a qual Jesus e at\u00e9 o \u00faltimo ap\u00f3stolo trouxeram um dep\u00f3sito de informa\u00e7\u00f5es verdadeiras e eternas sobre tudo &#8211; e contra todos os que n\u00e3o t\u00eam f\u00e9 na sua religi\u00e3o). Somente nessas &#8220;altitudes&#8221; de compreens\u00e3o espiritual \u00e9 que faz sentido o proselitismo com o texto sagrado da minha tradi\u00e7\u00e3o religiosa.<\/p>\n<p>Hoje, todavia, as pessoas mais amadurecidas t\u00eam uma cren\u00e7a mais razo\u00e1vel (se sigo a Jesus, posso encontrar uma vida boa, verdadeira e aben\u00e7oada pelo seu caminho de amor, mas entendo que outros possam igualmente descobrir outras espiritualidades v\u00e1lidas) e at\u00e9 mais pluralista (h\u00e1 algo da consci\u00eancia de Cristo em todos os seres e culturas, sendo o cristianismo uma de suas interpreta\u00e7\u00f5es) e inclusive mais integral (a espiritualidade tamb\u00e9m se verifica na profundidade da observa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e nas rela\u00e7\u00f5es intersubjetivas profundas, podendo-se mesmo conceber uma &#8220;<a href=\"http:\/\/www.diocesedegap.fr\/%C2%ABlamessesurlemonde%C2%BB-teilharddechardin1923\/\" target=\"_blank\">missa sobre o mundo<\/a>&#8221; para al\u00e9m das m\u00edsticas explicitamente eclesiais).<\/p>\n<p>Nessa perspectiva hermen\u00eautica mais acurada, aquilo que \u00a0os crist\u00e3os, por exemplo, chamam de revela\u00e7\u00e3o, \u00e9 entendido como verdadeira pedagogia divina: \u00e9 o Esp\u00edrito que nos permite interpretar os \u201csinais dos tempos\u201d e, numa certa altura do esperan\u00e7oso compromisso pr\u00e1tico para com a defesa da vida no mundo, acreditarmos que aquele grito que despertou a nossa pr\u00e1xis de amor fiel \u00e9 sagrado, ou seja, percebermos que dentro de nossa rela\u00e7\u00e3o amorosa fala-nos processualmente uma palavra &#8211; revela\u00e7\u00e3o &#8211; diferente, que causa diferen\u00e7a na vida, no sentido de uma qualidade humana mais profunda, de uma exist\u00eancia descentrada do ego. De forma que, mesmo para um crist\u00e3o, a Palavra de Deus n\u00e3o est\u00e1 presente s\u00f3 nos \u201clivros sagrados\u201d, nem somente na literatura crist\u00e3.<\/p>\n<p>Ser\u00e1, ent\u00e3o, que melhor do que distribuir o livro sagrado da minha religi\u00e3o, melhor do que\u00a0converter o mundo \u00e0 minha doutrina e implantar a minha igreja, n\u00e3o seria ajudar na disponibiliza\u00e7\u00e3o, contextualiza\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o das mensagens de todas as tradi\u00e7\u00f5es espirituais, para quem delas necessite em seu processo de educa\u00e7\u00e3o (e transcend\u00eancia) humana e humanizante, favorecendo assim a compreens\u00e3o e a paz entre os povos?!<\/p>\n<p>Al\u00e9m desses argumentos teol\u00f3gicos (j\u00e1 passou o tempo de evangelizar pela constru\u00e7\u00e3o de igrejas e\/ou pela distribui\u00e7\u00e3o de b\u00edblias) para se questionar o projeto de lei da nobre vereadora, podemos levantar tamb\u00e9m argumentos legais. A Constitui\u00e7\u00e3o do Brasil estabelece em seu Artigo 19 que \u00e9 vedado \u00e0 Uni\u00e3o, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Munic\u00edpios, estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencion\u00e1-los, embara\u00e7ar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes rela\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia ou alian\u00e7a, ressalvada, na forma da lei, a colabora\u00e7\u00e3o de interesse p\u00fablico. Assim, a\u00a0laicidade estatal demanda tanto a liberdade religiosa, como a igualdade no tratamento conferido pelo Estado \u00e0s mais diversas religi\u00f5es e filosofias.<\/p>\n<p>O respeito \u00e0 liberdade e \u00e0 diversidade religiosa implicam na aceita\u00e7\u00e3o e no reconhecimento do pluralismo espiritual como parte da realidade humana, inclusive para quem n\u00e3o profere religi\u00e3o alguma. O respeito \u00e0 diversidade exige o aprendizado de supera\u00e7\u00e3o dos preconceitos, discrimina\u00e7\u00f5es e intoler\u00e2ncias, que marcaram a hist\u00f3ria religiosa do nosso pa\u00eds &#8211; onde at\u00e9 dia desses todos deviam se batizar na igreja oficial do Estado, e onde ainda h\u00e1 igrejas pleiteando essa prerrogativa de antanho. A nossa Carta Magna enseja novas atitudes pol\u00edticas, em que n\u00e3o se coloque o pr\u00f3prio sistema de valores e verdades como par\u00e2metro de conduta para todas as pessoas; em que se deve traduzir, em termos razo\u00e1veis e humanos, a pertin\u00eancia universal das propostas \u00e9ticas postuladas a partir de uma tradi\u00e7\u00e3o religiosa ou filos\u00f3fica.<\/p>\n<p>&#8220;A liberdade religiosa n\u00e3o pode ser confundida com liberdade de promo\u00e7\u00e3o religiosa em espa\u00e7os de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e a interfer\u00eancia da religi\u00e3o e seus sistemas de verdade nos atos civis de interesse p\u00fablico, em car\u00e1ter de justaposi\u00e7\u00e3o dos interesses privados da religi\u00e3o sobre os interesses do Estado e da sociedade como um todo. A colabora\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel desde que de interesse p\u00fablico e n\u00e3o da promo\u00e7\u00e3o de suas convic\u00e7\u00f5es em particular&#8221; (Brasil, Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Secretaria de Direitos Humanos. Diversidade religiosa e Direitos Humanos. Bras\u00edlia: SDHPR, 2013, pg. 69s).<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, se os vereadores do Recife querem mesmo\u00a0ampliar o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o dos educandos da cidade, para que estes possam escolher valores mais humanos atrav\u00e9s de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.haroldoreimer.pro.br\/pdf\/Textos_Sagrados_e_seus_Ensinamentos.pdf\" target=\"_blank\">textos sagrados<\/a>, devem incluir muitas outras op\u00e7\u00f5es de &#8220;b\u00edblias&#8221; &#8211; at\u00e9 porque a maioria dos livros j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel na Internet, para tudo que \u00e9 computador e tablet\/celular, n\u00e3o sendo necess\u00e1rio gastar\u00a0papel e derrubar \u00e1rvores ou investir mais recursos financeiros, para tornar o projeto mais sustent\u00e1vel e legal. Os vereadores precisam legislar debaixo das leis do nosso Estado liberal, que defende o pluralismo de culturas e a liberdade de filosofias: precisam usar o dinheiro p\u00fablico em favor de todo o povo e das suas op\u00e7\u00f5es espirituais diversas; povo que pode e deve ter ampliado o seu direito de acesso aos livros &#8211; mas, no caso, dos textos sagrados de uma lista que pode ir das\u00a0dez maiores religi\u00f5es aos\u00a0dez mil movimentos religiosos do planeta (a maioria j\u00e1 est\u00e1 at\u00e9 acess\u00edvel, em ingl\u00eas por <a href=\"http:\/\/www.sacred-texts.com\/index.htm\" target=\"_blank\">aqui<\/a>\u00a0e em parte em nossa l\u00edngua por <a href=\"http:\/\/frankherles.wordpress.com\/2009\/02\/24\/livros-sagrados-de-grandes-religioes\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>;\u00a0mesmo os livros dos povos de tradi\u00e7\u00e3o oral, que tiveram as suas hist\u00f3rias sagradas compiladas por antrop\u00f3logos).<\/p>\n<p>Ainda que a gente tomasse como crit\u00e9rio apenas as pr\u00e1ticas religiosas mais apontadas pelo Censo (veja <a href=\"http:\/\/www.censo2010.ibge.gov.br\/amostra\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>), a cidade do Recife tem 835 mil cat\u00f3licos e 384 mil evang\u00e9licos, mas tamb\u00e9m 55 mil esp\u00edritas e 224 mil pessoas sem religi\u00e3o (al\u00e9m de 11 mil de outras igrejas): se o projeto da irm\u00e3 n\u00e3o \u00e9 proselitista e respeita a laicidade, por que n\u00e3o pleiteia a distribui\u00e7\u00e3o de literatura esp\u00edrita e obras sobre as convic\u00e7\u00f5es espirituais dos <a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2013\/12\/sobre-os-sem-religiao.html\" target=\"_blank\">sem religi\u00e3o<\/a>?! E por que n\u00e3o prioriza a literatura sobre a rica (e invisibilizada) espiritualidade dos <a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2013\/10\/religiosidade-e-causa-indigena.html\" target=\"_blank\">primeiros habitantes<\/a> dessas terras e dos <a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2012\/05\/alimento-nos-terreiros.html\" target=\"_blank\">povos aqui escravizados<\/a>\u00a0&#8211; e cuja mem\u00f3ria subsiste nos mais de 1.200 Terreiros de nossa Regi\u00e3o Metropolitana?! Ali\u00e1s, al\u00e9m de politicamente correta, seria atitude bastante crist\u00e3 a valoriza\u00e7\u00e3o dos sentidos religiosos dos grupos &#8220;minorit\u00e1rios&#8221; ou relegados ao avesso da nossa hist\u00f3ria&#8230; nem sempre t\u00e3o crist\u00e3, de fato!<\/p>\n<p>\u00c9 muito simpl\u00f3rio defender a distribui\u00e7\u00e3o, somente da b\u00edblia crist\u00e3, porque foi\u00a0\u201co primeiro livro impresso do mundo, logo merece destaque entre os demais (\u2026). Al\u00e9m, claro, de trazer ensinamentos important\u00edssimos para toda a sociedade&#8230;&#8221;. Antes da imprensa havia livros, tamb\u00e9m religiosos, muito importantes, e hoje os livros impressos j\u00e1 est\u00e3o sendo substitu\u00eddos pelos digitais. H\u00e1 religi\u00f5es mais antigas e que j\u00e1 foram e podem ser maiores do que o cristianismo, e suas escrituras merecem considera\u00e7\u00e3o em processos educativos. Os textos sagrados mais antigos v\u00eam do hindu\u00edsmo (onde se funda o complexo mitol\u00f3gico de carma-reencarna\u00e7\u00e3o), a\u00ed inclu\u00eddas as cole\u00e7\u00f5es v\u00e9dicas surgidas a partir do s\u00e9c. XIV a.C., os ensinamentos e narrativas dos Upanishads e dos Puranas e os grandes \u00e9picos Ramayana e o Mahabharata, que cont\u00e9m um dos mais famosos e mais populares escritos religiosos do mundo, o Bhagavad Gita. E o que dizer das Tr\u00eas Cestas do budismo e dos mais de 4 mil livros do c\u00e2none tao\u00edsta, que come\u00e7aram a ser escritos no s\u00e9c. V a.C.? E do Tanakh hebraico e do Alcor\u00e3o isl\u00e2mico, que s\u00e3o varia\u00e7\u00f5es da B\u00edblia crist\u00e3, antes e depois dela? E dos livros das religi\u00f5es que inspiraram ou atualizam esses monote\u00edsmos (como o Avesta, do zoroastrismo, o\u00a0Kit\u00e1b-i-Aqdas, da F\u00e9 Bah\u00e1&#8217;i, e o Livro de M\u00f3rmon, uma das obras-padr\u00e3o dos Santos dos \u00daltimos Dias)? E das hist\u00f3rias sagradas dos nossos ind\u00edgenas e afro-brasileiros, consignadas em obras como <a href=\"http:\/\/www.fflch.usp.br\/sociologia\/prandi\/\" target=\"_blank\">Mitologia dos Orix\u00e1s<\/a>\u00a0ou at\u00e9 j\u00e1 adaptadas para crian\u00e7as n<a href=\"http:\/\/literatura.moderna.com.br\/catalogo\/encartes\/85-281-0460-5.pdf\" target=\"_blank\">O Casamento entre o C\u00e9u e a Terra<\/a>?!<\/p>\n<p>Por fim, apresentamos tamb\u00e9m argumentos pedag\u00f3gicos para o questionamento do projeto de lei da distribui\u00e7\u00e3o de b\u00edblias: mesmo que se amplie a oferta para os outros textos sagrados, a sua simples disponibiliza\u00e7\u00e3o escolar n\u00e3o \u00e9 garantia de uma educa\u00e7\u00e3o mais humana, nem a escola \u00e9 lugar para socializa\u00e7\u00e3o de textos religiosos particulares &#8211; mas sim para reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre todos eles. A pr\u00f3pria b\u00edblia, lida sem forma\u00e7\u00e3o hermen\u00eautica, pode levar a interpreta\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas absurdas e desumanas (veja <a href=\"http:\/\/estudosdereligiao.blogspot.com.br\/2013\/05\/direitos-e-deveres-das-outras.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a> ou\u00a0<a href=\"http:\/\/www.midiaindependente.org\/pt\/green\/2005\/01\/303620.shtml\" target=\"_blank\">aqui<\/a>, por exemplo). Ademais, a religiosidade, de uma forma geral, a gente &#8220;pega no ar que nem sarampo&#8221;, n\u00e3o \u00e9 um conhecimento racional &#8211; embora deva ser razo\u00e1vel &#8211; e a inicia\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m numa tradi\u00e7\u00e3o espiritual, portanto, tem o seu espa\u00e7o prop\u00edcio n\u00e3o na escola, mas nas liturgias da respectiva viv\u00eancia simb\u00f3lica.<\/p>\n<p>O que a escola pode e deve fazer \u00e9 comparar criticamente e interpretar os fatos &#8211; tamb\u00e9m religiosos &#8211; nos seus contextos hist\u00f3ricos. Assim, religi\u00e3o n\u00e3o se ensina propriamente, mas se pode e deve refletir sobre esse fen\u00f4meno na escola. Mesmo porque os sentidos e sentimentos religiosos sempre influenciam as nossas rela\u00e7\u00f5es humanas, sejam de produ\u00e7\u00e3o, de parentesco e pol\u00edtica, de palavra ou interpreta\u00e7\u00e3o. De modo que o ensino religioso (veja <a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2012\/02\/fe-na-educacao.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a> um panorama das discuss\u00f5es sobre o tema e por <a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2013\/02\/mapa-do-ensino-religioso-no-brasil.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>\u00a0um mapa do ensino religioso) tem uma legisla\u00e7\u00e3o cada vez mais clara (veja <a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2011\/09\/o-que-diz-lei-sobre-ensino-religioso.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>) e deve se constituir numa transposi\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica dos\u00a0projetos de pesquisa e din\u00e2micas de aprendizagem\u00a0das Ci\u00eancias da Religi\u00e3o, numa sequ\u00eancia cognitiva e respeitando as caracter\u00edsticas pr\u00f3prias dos educandos em cada s\u00e9rie, atrav\u00e9s de eixos curriculares transdisciplinares e transreligiosos, que combinam o estudo de culturas e sabedorias religiosas e n\u00e3o-religiosas, teologias dos caminhos espirituais, os textos sagrados das religi\u00f5es, ritos e ethos das tradi\u00e7\u00f5es de f\u00e9. Quer dizer, n\u00e3o adianta apenas distribuir textos, sem uma pedagogia adequada para situ\u00e1-los e interpret\u00e1-los nos seus contextos.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s disso tudo, certamente se esconde o confronto antropol\u00f3gico \u2013 e pol\u00edtico \u2013 entre uma compreens\u00e3o de cultura simples e homog\u00eanea, com institui\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas, e outra de cultura complexa e polic\u00eantrica, onde as institui\u00e7\u00f5es \u2013 tamb\u00e9m as religiosas \u2013 reorganizam-se em bases liberais, pluralistas e democr\u00e1ticas. No primeiro caso, o professor de cultura religiosa est\u00e1 a servi\u00e7o da religi\u00e3o majorit\u00e1ria e das suas igrejas; no segundo, serve \u00e0 comunidade, ampliando a consci\u00eancia social sobre as experi\u00eancias e movimentos religiosos.<\/p>\n<p>Acima compartilhamos um exemplo de subs\u00eddio pedag\u00f3gico audiovisual (veja outros subs\u00eddios por <a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2012\/07\/subsidios-para-o-ensino-religioso.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>) que pode ser adequado para a educa\u00e7\u00e3o religiosa na escola. Muitas vezes precisamos ponderar sobre poderes maiores que regem a vida, quando tentamos entender nossa origem e nossa miss\u00e3o sobre a Terra. Nessa busca, bilh\u00f5es de pessoas (veja <a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2013\/02\/paisagem-religiosa-do-mundo.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>\u00a0um desenho da paisagem religiosa do mundo) voltaram-se, entre outras op\u00e7\u00f5es, mais animistas e polite\u00edstas, para o deus que norteia as religi\u00f5es isl\u00e2mica, crist\u00e3 e judaica. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel descobrir o que \u00e9 esse &#8220;Deus&#8221;, mas \u00e9 poss\u00edvel compreender como as culturas foram desenvolvendo essa figura do Criador e elaborando os seus cultos. Ent\u00e3o, esse programa do <a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2013\/04\/a-existencia-de-deus-prova.html\" target=\"_blank\">History Channel<\/a> aborda a percep\u00e7\u00e3o de tal presen\u00e7a divina desde os tempos de Abra\u00e3o e como ela impactou a humanidade, esbo\u00e7ando a imagem de &#8220;Deus&#8221; que conhecemos mais pelo mundo afora. Embora, na pr\u00e1tica, a teoria \u00e0s vezes seja outra, a perspectiva abra\u00e2mica do sagrado \u00e9 mais hist\u00f3rica e menos c\u00edclica, menos \u00e9tnica e mais \u00e9tica &#8211; pauta-se por um &#8220;<a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2010\/10\/celebracoes-da-morte.html\" target=\"_blank\">julgamento<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p>Inspirado principalmente pela estudiosa das religi\u00f5es Karen Armstrong (autora do livro <a href=\"http:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/detalhe.php?codigo=80041\" target=\"_blank\">Uma Hist\u00f3ria de Deus<\/a>), esse document\u00e1rio &#8220;Deus, a hist\u00f3ria das religi\u00f5es&#8221;, de 2001, tenta mostrar a trajet\u00f3ria de pelo menos tr\u00eas mil anos do monote\u00edsmo em um hora e meia. O programa re\u00fane entrevistas com representantes de v\u00e1rias tradi\u00e7\u00f5es para discutir o papel que o divino desempenha em suas vidas. Apresentando essas pr\u00e1ticas religiosas desde v\u00e1rios pontos hist\u00f3ricos e geogr\u00e1ficos, considera as muitas maneiras como as &#8220;culturas do livro&#8221; situam a ideia de um deus \u00fanico. Cientistas da religi\u00e3o tamb\u00e9m opinam no document\u00e1rio, mostrando como o cristianismo, o islamismo e o juda\u00edsmo, enquanto movimentos espirituais, t\u00eam afetado e moldado um ao outro, ao ponto de que a revela\u00e7\u00e3o que uma tradi\u00e7\u00e3o descobre \u00e9 por causa das outras &#8211; e para as outras. N\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria geral das religi\u00f5es, mas j\u00e1 ajuda a entender como essas religi\u00f5es mais novas da humanidade se tornaram as maiores do universo. Acreditamos que subs\u00eddios nessa linha, hist\u00f3rica e hermen\u00eautica, junto com professores concursados e formados em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o, \u00e9 que precisam ser disponibilizados, por primeiro, nas escolas do Recife &#8211; e, junto com eles, a\u00ed sim, os links para os principais ou mais significativos textos religiosos da gente.<\/p>\n<p>Gilbraz.<\/p>\n<div style=\"text-align: right;\">Mais no blog:<\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2013\/12\/biblia-mundializada-na-internet.html\" target=\"_blank\">B\u00edblia no ciberespa\u00e7o<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2010\/03\/livros-sagrados.html\" target=\"_blank\">Livros sagrados<\/a><\/div>\n<div>\n<div style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2013\/08\/as-religioes-e-sua-influencia-social.html\" target=\"_blank\">Religi\u00f5es e influ\u00eancia social<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2010\/12\/documentario-sobre-deus-e-paz.html\" target=\"_blank\">Document\u00e1rio sobre Deus<\/a><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2013\/09\/somos-todos-um.html\" target=\"_blank\">Somos todos um<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2011\/02\/historia-das-religioes.html\" target=\"_blank\">Hist\u00f3ria das religi\u00f5es<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2012\/06\/fim-das-religioes-agrarias.html\" target=\"_blank\">Fim das religi\u00f5es agr\u00e1rias<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2009\/11\/o-caso-deus.html\" target=\"_blank\">Em defesa de Deus<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2013\/04\/armstrong-e-compaixao.html\" target=\"_blank\">Armstrong e a compaix\u00e3o<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2013\/12\/sobre-os-sem-religiao.html\" target=\"_blank\">Sobre os sem religi\u00e3o<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2010\/08\/simbolos-religiosos-em-predios-publicos.html\" target=\"_blank\">S\u00edmbolos religiosos em espa\u00e7o p\u00fablico<\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2012\/12\/paz-entre-as-religioes-paz-entre-os.html\" target=\"_blank\">Paz entre as religi\u00f5es<\/a><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/crunicap.blogspot.com.br\/2014\/01\/a-forca-da-fe.html\" target=\"_blank\">A for\u00e7a da f\u00e9<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ontem os estudantes do Mestrado em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o da UNICAP, animados pelo cuidado com as causas humanistas que nos unem como educadores, chegaram aonde amarramos a nossa rede encantada de f\u00e9rias, para alertar acerca de uma noticia (veja aqui\u00a0e aqui) que navega desabusada pela Veneza Brasileira: sobre o projeto de lei 334\/2013, de&#8230; <\/p>\n<div class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=800\">Leia mais<\/a><\/div>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-800","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/800","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=800"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/800\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2455,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/800\/revisions\/2455"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=800"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=800"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=800"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}