{"id":3739,"date":"2017-09-15T21:55:04","date_gmt":"2017-09-16T00:55:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=3739"},"modified":"2018-01-18T15:36:26","modified_gmt":"2018-01-18T18:36:26","slug":"religioes-migracao-e-mobilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=3739","title":{"rendered":"RELIGI\u00d5ES, MIGRA\u00c7\u00c3O E MOBILIDADE"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/21728184_10212314662895117_7324148033299843117_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3740\" src=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/21728184_10212314662895117_7324148033299843117_n.jpg\" alt=\"\" width=\"670\" height=\"960\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/21728184_10212314662895117_7324148033299843117_n.jpg 670w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/21728184_10212314662895117_7324148033299843117_n-209x300.jpg 209w\" sizes=\"auto, (max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ocorre em Goi\u00e2nia o VI Congresso da <a href=\"http:\/\/www.anptecre.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Teologia e Ci\u00eancias da Religi\u00e3o<\/a>. A ANPTECRE est\u00e1 completando dez anos\u00a0e\u00a0consolida uma caminhada firme em sua miss\u00e3o de apoio \u00e0 pesquisa e \u00e0 aprendizagem no \u00e2mbito dos estudos de religi\u00e3o no pa\u00eds. Depois dos trabalhos de instala\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o, coordenados por Ed\u00eanio Valle, as gest\u00f5es de Fl\u00e1vio Senra e Wilhelm Wachholz fortaleceram a articula\u00e7\u00e3o dos 21 Programas de P\u00f3s em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o e Teologia e a sua representatividade junto aos organismos de educa\u00e7\u00e3o brasileiros, sobretudo ajudando a refinar os seus processos de avalia\u00e7\u00e3o. Resultado disso foi o recente reconhecimento da autonomia da nossa \u00e1rea pela CAPES e agora, com o Conselho Diretor formado por Fernanda Lemos, Cl\u00e1udio Ribeiro e Gilbraz Arag\u00e3o,\u00a0empreendemos um importante debate sobre a epistemologia do nosso campo interdisciplinar de conhecimento e buscamos colaborar para a an\u00e1lise cr\u00edtica do lugar das tradi\u00e7\u00f5es espirituais no espa\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Este Congresso, t\u00e3o bem preparado pelos colegas da PUC-Goi\u00e1s, tem justamente por objetivo discutir o impacto das religi\u00f5es nos processos de migra\u00e7\u00e3o e mobilidade humana no Brasil e no mundo. No cora\u00e7\u00e3o das pol\u00eamicas contempor\u00e2neas, sobretudo suscitadas pelas levas de imigrantes que chegam\u00a0aos pa\u00edses mais ricos, a quest\u00e3o das migra\u00e7\u00f5es transformou-se em um desafio maior, ao ponto de gerar a falsa impress\u00e3o de que as grandes vagas migrat\u00f3rias s\u00e3o caracter\u00edstica, e indesej\u00e1vel, da nossa \u00e9poca. Mas a arqueologia nos informa dos movimentos de popula\u00e7\u00f5es em larga escala que se sucedem desde a pr\u00e9-hist\u00f3ria, com os primeiros homin\u00eddeos deixando a \u00c1frica. Espont\u00e2neas, pela busca de uma vida melhor, ou sob press\u00e3o de fen\u00f4menos naturais ou persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, as migra\u00e7\u00f5es sempre geraram di\u00e1spora ou coloniza\u00e7\u00e3o, mesti\u00e7agem, integra\u00e7\u00e3o\u00a0ou segrega\u00e7\u00e3o. Enriquecendo esses dados arqueol\u00f3gicos com a hist\u00f3ria, a gen\u00e9tica, geografia, demografia e lingu\u00edstica, podemos aprofundar o exame dos movimentos de popula\u00e7\u00e3o e dos encontros complexos entre os migrantes e as sociedades que eles encontram mundo afora. E se acrescentamos a essa an\u00e1lise os estudos de religi\u00e3o, podemos tamb\u00e9m lan\u00e7ar uma interpela\u00e7\u00e3o \u00e9tica sobre o necess\u00e1rio cuidado para com os presumidos estrangeiros, com base na regra de ouro compartilhada pelas grandes tradi\u00e7\u00f5es de f\u00e9: fa\u00e7a ao outro o que deseja que ele lhe fa\u00e7a. Afinal,\u00a0como diz o cancioneiro popular goiano, &#8220;somos tudo anjo sem asa, somos todos peregrinos&#8221;.<\/p>\n<p>Fen\u00f4meno especialmente dram\u00e1tico da mobilidade humana \u00e9 o\u00a0tr\u00e1fico de pessoas,\u00a0que equivale hoje \u00e0quele da era da escravid\u00e3o. A ONU calcula que de 800 mil a 2 milh\u00f5es de pessoas sejam v\u00edtimas do tr\u00e1fico anualmente. Segundo a mesma ONU o com\u00e9rcio internacional de pessoas movimenta cerca de 30 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano e 10% dele, ou seja, pelo menos 3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, passam pelo Brasil. 70% das pessoas traficadas, vendidas, escravizadas, alugadas ou compradas s\u00e3o mulheres e meninas, algumas com 6 ou 7 anos e at\u00e9 menos. Esta rede global tem milhares de tent\u00e1culos e envolve governos negligentes, policiais corruptos, organiza\u00e7\u00f5es criminosas profissionais, fam\u00edlias pobres, pessoas em estado de risco e com baixo n\u00edvel de escolariza\u00e7\u00e3o. Diante de um mundo cada vez mais turbulento, violento e inacess\u00edvel aos mais pobres, migrar se tornou uma esperan\u00e7a, uma tentativa desesperada em trocar a morte certa por um futuro duvidoso. Estima-se que pelo menos 23 mil pessoas tenham perdido suas vidas tentando chegar \u00e0 Europa desde 2000. No Brasil milhares de haitianos e venezuelanos chegam em busca de trabalho, sem falar da migra\u00e7\u00e3o interna.<\/p>\n<p>Conhecemos bem essa hist\u00f3ria, pois somos de\u00a0uma terra de migrantes, o Nordeste do Brasil, onde a seca e sobretudo as cercas tradicionalmente expulsam gera\u00e7\u00f5es novas para tentar a vida pelos rinc\u00f5es deste pa\u00eds. Terra de migra\u00e7\u00e3o \u00e9 lugar triste, ao ponto do poeta Jo\u00e3o Cabral nos lembrar que &#8220;somos Severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina: que \u00e9 a morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia&#8221;. Mas terra de migra\u00e7\u00e3o, como \u00e9 tamb\u00e9m o Centro-oeste que nos acolhe com seu calor cheio de vida, terra de ind\u00edgenas que tiveram de conviver com bandeirantes, mineradores e fazendeiros, \u00e9 lugar de sangue novo e criativo, de diversidade e riqueza, a come\u00e7ar pela culin\u00e1ria. Os estudiosos de religi\u00e3o que se encontram\u00a0em Goi\u00e2nia de 13 a 15 de setembro, al\u00e9m dos debates transcendentais que travam, t\u00eam tamb\u00e9m outros motivos para estarem aqui: arroz de pequi, empad\u00e3o com guariroba, arroz de puta rica, leit\u00e3o pururuca, matula de lingui\u00e7a, galinhada com c\u00farcuma, angu de milho verde, pamonhas variadas, bolo dos anjos e doces de Cora Coralina, gelado de laranja, sucos de caj\u00e1-manga, murici e araticum.\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/21728169_10203694121069404_5497935780048337457_n-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-dyad-site-logo wp-image-3746\" src=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/21728169_10203694121069404_5497935780048337457_n-1-548x300.jpg\" alt=\"\" width=\"548\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/21728169_10203694121069404_5497935780048337457_n-1-548x300.jpg 548w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/21728169_10203694121069404_5497935780048337457_n-1-300x164.jpg 300w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/21728169_10203694121069404_5497935780048337457_n-1.jpg 945w\" sizes=\"auto, (max-width: 548px) 100vw, 548px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Muitos estudantes e professores da UNICAP participam do Congresso. Em meio aos bons debates e comida gostosa, ent\u00e3o, eles s\u00e3o parte dos 400 pesquisadores e aprendizes presentes ao evento da ANPTECRE, que est\u00e3o envolvidos com palestras e mesas-redondas, mas sobretudo em grupos de trabalho, como as sess\u00f5es\u00a0do Grupo de Pesquisa sobre &#8220;<a href=\"https:\/\/espdialogo.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Espiritualidades, pluralidade e di\u00e1logo<\/a>&#8220;, do qual o nosso Observat\u00f3rio faz parte. Al\u00e9m do professor Gilbraz, do Observat\u00f3rio Transdisciplinar das Religi\u00f5es no Recife est\u00e3o participando das sess\u00f5es vespertinas do grupo os colegas: Constantino, C\u00edcero, Miri, Franci e Artur. A t\u00f4nica geral das comunica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas \u00e9 o di\u00e1logo inter-religioso e m\u00edstico deflagrado no envolvimento com os migrantes e sua busca por\u00a0vida e realiza\u00e7\u00e3o, em uma tentativa de unir o p\u00f3 dos livros \u00e0 poeira das estradas, a pesquisa sobre as religi\u00f5es aos desafios da hist\u00f3ria. O Congresso est\u00e1 sendo um sucesso e, certamente, vamos voltar de Goi\u00e1s com o conhecimento de novos sabores, muita sabedoria na mochila e outras paisagens na alma.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/21728189_10212322462050091_5145674373375539933_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3741\" src=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/21728189_10212322462050091_5145674373375539933_n.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/21728189_10212322462050091_5145674373375539933_n.jpg 960w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/21728189_10212322462050091_5145674373375539933_n-300x200.jpg 300w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/21728189_10212322462050091_5145674373375539933_n-450x300.jpg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right;\">Baixe por <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/156N0k4YaiyHJ5nMz8VKL4prOZqaqsOFF\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a> os Anais do Congresso<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right;\">Veja por <a href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=1315\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>\u00a0as publica\u00e7\u00f5es do Congresso anterior<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ocorre em Goi\u00e2nia o VI Congresso da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Teologia e Ci\u00eancias da Religi\u00e3o. A ANPTECRE est\u00e1 completando dez anos\u00a0e\u00a0consolida uma caminhada firme em sua miss\u00e3o de apoio \u00e0 pesquisa e \u00e0 aprendizagem no \u00e2mbito dos estudos de religi\u00e3o no pa\u00eds. Depois dos trabalhos de instala\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o, coordenados&#8230; <\/p>\n<div class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=3739\">Leia mais<\/a><\/div>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3740,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-3739","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3739","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3739"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3739\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4032,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3739\/revisions\/4032"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3740"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3739"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3739"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3739"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}