{"id":2778,"date":"2016-05-29T08:12:24","date_gmt":"2016-05-29T11:12:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=2778"},"modified":"2017-04-09T21:00:59","modified_gmt":"2017-04-10T00:00:59","slug":"o-contrario-da-intolerancia-nao-e-a-tolerancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=2778","title":{"rendered":"O CONTR\u00c1RIO DA INTOLER\u00c2NCIA N\u00c3O \u00c9 A TOLER\u00c2NCIA"},"content":{"rendered":"<table style=\"width: auto;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><a href=\"https:\/\/picasaweb.google.com\/lh\/photo\/nBt4_C8TmkAMBkIobi2tlNMTjNZETYmyPJy0liipFm0?feat=embedwebsite\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/-XTbXyfGsc5A\/V0rLk-ujZlI\/AAAAAAAASMs\/V3K7zr3D8400ChIyAWkqFRyVxJx2PyclQCCo\/s800\/Captura2.JPG\" width=\"614\" height=\"469\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"font-family: arial,sans-serif; font-size: 11px; text-align: right;\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Revista da PUC, de Minas Gerais, acaba de lan\u00e7ar em vers\u00e3o impressa e tamb\u00e9m online a edi\u00e7\u00e3o do primeiro semestre de 2016, que traz um dossi\u00ea, \u201cToler\u00e2ncia Zero\u201d, sobre as v\u00e1rias intoler\u00e2ncias s\u00f3cio-pol\u00edtico-culturais que est\u00e3o crescendo no Brasil. A mat\u00e9ria afirma que \u201c&#8230;. Os embates fervorosos nos \u00faltimos meses entre eleitores, e at\u00e9 mesmo parlamentares, dos dois principais partidos pol\u00edticos do Brasil pelas redes sociais e pessoalmente; a agressividade contra imigrantes de pa\u00edses hispano-americanos e africanos; os epis\u00f3dios recorrentes de intransig\u00eancia religiosa e racismo e a hostiliza\u00e7\u00e3o contra membros da comunidade LBGT. Todos t\u00eam como ponto de converg\u00eancia a intoler\u00e2ncia. T\u00e3o antiga quanto a hist\u00f3ria da humanidade, a intoler\u00e2ncia parece ter ressurgido com mais for\u00e7a nos \u00faltimos meses, potencializada pela rapidez e visibilidade da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>O dossi\u00ea especial trata da discrimina\u00e7\u00e3o religiosa, dos racismos, das agress\u00f5es contra a popula\u00e7\u00e3o LGBT e da intoler\u00e2ncia pol\u00edtica, trazendo ainda um vocabul\u00e1rio de termos relacionados ao tema. No que diz respeito \u00e0 intoler\u00e2ncia religiosa em particular, lembra que \u201c&#8230; Casos como o da garota Kailane Campos, de 11 anos, t\u00eam sido mais frequentes. Ao sair de um culto de candombl\u00e9, no sub\u00farbio do Rio de Janeiro, no domingo, 14 de junho de 2015, ela foi apedrejada. Dois homens, que seguravam b\u00edblias, foram respons\u00e1veis pela agress\u00e3o. Av\u00f3 da garota, K\u00e1thia Marino, iniciada no candombl\u00e9 h\u00e1 mais de 30 anos, disse que nunca havia passado por uma situa\u00e7\u00e3o como essa\u201d. Alguns estudiosos da religi\u00e3o\u00a0brasileiros foram ouvidos para a composi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, entre eles o coordenador do nosso Observat\u00f3rio, Gilbraz Arag\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #000000; font-family: Calibri; font-size: medium;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<table style=\"width: auto;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/picasaweb.google.com\/lh\/photo\/Sd2i-Rg8A7Rwkuw51WcLNdMTjNZETYmyPJy0liipFm0?feat=embedwebsite\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/-uNiZvYi-M_U\/V0rLmcbXH9I\/AAAAAAAASMw\/zdqH7NRxVnUYWYqcA2k5bmzRTDhqdchpwCCo\/s640\/Capturar.JPG\" width=\"272\" height=\"640\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"font-family: arial,sans-serif; font-size: 11px; text-align: right;\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: right;\">Veja parte\u00a0da mat\u00e9ria\u00a0por <a href=\"http:\/\/www.revista.pucminas.br\/materia\/tolerancia-zero\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>, no site da Revista,\u00a0e leia abaixo a entrevista que o professor Gilbraz concedeu por e-mail para a reportagem:<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>RP &#8211; Os casos de intoler\u00e2ncia religiosa t\u00eam crescido no Brasil? Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Gilbraz &#8211; No Brasil, as den\u00fancias de discrimina\u00e7\u00e3o religiosa recebidas pelo Disque\/Clique 100 atingiram no ano de 2015 seu maior n\u00famero desde 2011, quando o servi\u00e7o passou a receber esse tipo de den\u00fancia. Foram 556 casos reportados ao servi\u00e7o da Secretaria de Direitos Humanos do governo federal. Houve um aumento de 273% em rela\u00e7\u00e3o a 2014 e a maioria dos fatos envolve o Povo de Santo das religi\u00f5es afro-ind\u00edgenas-brasileiras, com cultos de impreca\u00e7\u00f5es crist\u00e3s contra os seus Terreiros e agress\u00f5es aos seus s\u00edmbolos e aos seus membros. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o 21 de janeiro, desde o ano 2007, \u00e9 Dia Nacional de Combate \u00e0 Intoler\u00e2ncia Religiosa, justo por causa da morte de M\u00e3e Gilda, do candombl\u00e9 da Bahia, v\u00edtima de agress\u00f5es por crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Pessoas evang\u00e9licas, mu\u00e7ulmanas e ciganas tamb\u00e9m foram agredidas, mas a intoler\u00e2ncia religiosa no Brasil \u00e9 muito racista e classista, refletindo uma nega\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o equ\u00e2nime dos Bens Comuns: valores crist\u00e3os s\u00e3o usurpados para se matar deuses e deusas dos \u00edndios e negros &#8211;\u00a0e depois tirar suas terras ou desarticular suas lutas por direitos e\u00a0dignidade. Ademais,\u00a0h\u00e1 um\u00a0crescente pluralismo religioso entre n\u00f3s, onde a democracia e a laicidade criam espa\u00e7o para o re-surgimento de tradi\u00e7\u00f5es m\u00edsticas e a concorr\u00eancia entre\u00a0grupos que oferecem caminhos simb\u00f3licos e espirituais para a vida das pessoas &#8211; s\u00f3 que em \u00e1reas pouco cobertas pelo estado (ou onde o estado est\u00e1 aparelhado por igrejas) existem lideran\u00e7as que simplesmente eliminam os concorrentes pela for\u00e7a. Finalmente,\u00a0h\u00e1\u00a0muito outro componente: um movimento fundamentalista que cresce nas novas\u00a0igrejas crist\u00e3s\u00a0por aqui, como\u00a0entre\u00a0mu\u00e7ulmanos que migram do Oriente para o Ocidente, em que o desejo desses grupos perif\u00e9ricos pelo consumo da cultura moderna vai se transmudando em \u00f3dio, avers\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 liberdade,\u00a0persegui\u00e7\u00e3o de religiosidades e interpreta\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n<p>RP &#8211; Quando e onde surgiu esse tipo de intoler\u00e2ncia?<\/p>\n<p>Gilbraz &#8211; Os \u00faltimos anos foram sacudidos por v\u00e1rios atentados terroristas, em diversas partes do mundo (embora os de Paris tenham ganhado mais proje\u00e7\u00e3o), reivindicados por grupos que se proclamam mu\u00e7ulmanos e pretendem implantar pol\u00edticas literais do Cor\u00e3o \u2013 e isso inquieta as pessoas de boa vontade e os militantes do di\u00e1logo inter-religioso. Esses fundamentalismos religiosos passam a impress\u00e3o de que vamos assistir e nos envolver cada vez mais em um confronto do Oriente islamizado com o Ocidente crist\u00e3o, quando na verdade expressam muito s\u00e3o as dificuldades culturais na abertura do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica, majoritariamente mu\u00e7ulmanos, para a democracia e emancipa\u00e7\u00e3o modernas e, sobretudo, um conflito pol\u00edtico entre grupos relacionados \u00e0 mesma f\u00e9 isl\u00e2mica: o \u201ccrescente xiita\u201d, que vai do Ir\u00e3 ao L\u00edbano, passando pelo Iraque e pela S\u00edria, \u00e9 considerado uma amea\u00e7a pelas monarquias \u00e1rabes sunitas, um bloco que vai do Egito \u00e0 Turquia, passando pela Jord\u00e2nia, a Ar\u00e1bia Saudita e o Catar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o a \u201cintoler\u00e2ncia religiosa\u201d tem outros componentes pol\u00edticos e culturais e n\u00e3o se restringe ao islamismo. Ali\u00e1s, o termo fundamentalismo vem mesmo \u00e9 dos protestantes norte-americanos, os quais no come\u00e7o do s\u00e9culo XX criaram um movimento pol\u00edtico-teol\u00f3gico para combater os crist\u00e3os liberais, que praticam uma interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia informada cientificamente e aceitam as causas modernas do feminismo \u2013 e do socialismo. Esse fundamentalismo gringo tem fundamentado entre n\u00f3s um conservadorismo moral, de fundo aparentemente evang\u00e9lico, usado para acobertar um projeto autorit\u00e1rio de liberalismo econ\u00f4mico e explora\u00e7\u00e3o popular, por pol\u00edticos que transformam a tribuna em p\u00falpito e conclamam desfiles das suas legi\u00f5es contra os dem\u00f4nios que se escondem, supostamente, em outras religi\u00f5es e filosofias.<\/p>\n<p>RP &#8211; Quais grupos ou religi\u00f5es est\u00e3o mais vulner\u00e1veis a este tipo de situa\u00e7\u00e3o? Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Gilbraz &#8211; N\u00e3o se trata de criticar as pessoas que gostam do evangelho e criam comunidades em torno dele para promover mais vida, mas de questionar um projeto de domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-cultural articulado por algumas lideran\u00e7as evang\u00e9licas e cat\u00f3licas, que consistem em um cisma com respeito \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica do cristianismo. Pois elas op\u00f5em um \u201cdeus\u201d pai s\u00e9rio e punitivo a uma divindade amorosa de justi\u00e7a e compaix\u00e3o; uma igreja exclusivista, r\u00edgida e hier\u00e1rquica, a movimentos inter-religiosos em favor da terra eco-consciente; manifestam um apego teol\u00f3gico ao pecado original, contra uma espiritualidade da cria\u00e7\u00e3o e sua compreens\u00e3o de b\u00ean\u00e7\u00e3o original; pregam a intoler\u00e2ncia ao estrangeiro e ao \u201cestranho\u201d moral, contra o abra\u00e7o ao feminino e aos outros g\u00eaneros; o medo da ci\u00eancia, enfim, ao inv\u00e9s do incentivo \u00e0 sapi\u00eancia.<\/p>\n<p>S\u00e3o discursos que hostilizam em especial as tel\u00faricas religi\u00f5es ind\u00edgenas e afro-negro-brasileiras, al\u00e9m de outros \u201cbodes expiat\u00f3rios\u201d considerados id\u00f3latras. Contra eles devemos invocar a laicidade: o Estado brasileiro \u00e9 laico e pluralista, acolhe todas as religi\u00f5es sem aderir a nenhuma. N\u00e3o \u00e9 l\u00edcito que uma religi\u00e3o imponha \u00e0 na\u00e7\u00e3o seus pontos de vista e n\u00e3o podemos deixar os espa\u00e7os p\u00fablicos republicanos ser ostensivamente ocupados e controlados por quaisquer comunitarismos ou igrejas. Uma autoridade pode ter convic\u00e7\u00f5es religiosas, mas n\u00e3o \u00e9 por elas, mas pelas leis e pelo esp\u00edrito democr\u00e1tico que deve governar, sendo necess\u00e1rio traduzir as motiva\u00e7\u00f5es religiosas pessoais em argumentos racionais para o debate p\u00fablico numa democracia moderna.<\/p>\n<p>RP &#8211; Essa intoler\u00e2ncia muitas vezes \u00e9 a causa de grandes conflitos em todo o mundo&#8230;<\/p>\n<p>Gilbraz &#8211; N\u00e3o s\u00e3o poucos os desafios que o mundo enfrenta nesse campo (da falta) do di\u00e1logo e da coexist\u00eancia. N\u00e3o bastassem os conflitos econ\u00f4micos e pol\u00edticos, a China e a Coreia do Norte perseguem ideologicamente (e a ideologia a\u00ed assume ares de substitutivo religioso) os grupos espirituais tradicionais. O Ir\u00e3 e a Ar\u00e1bia Saudita apadrinham a vers\u00e3o de uma religi\u00e3o e perseguem mu\u00e7ulmanos dissidentes, crist\u00e3os e baha\u2019istas. O Paquist\u00e3o condena \u00e0 morte quem os extremistas denunciam por blasf\u00eamia, normalmente xiitas, crist\u00e3os, hindus e ahmadis. Na S\u00edria e Iraque o grupo Estado Isl\u00e2mico desencadeou ondas de terror contra yazidis, crist\u00e3os e xiitas, bem como contra os gays e as mulheres. Budistas radicais na Birm\u00e2nia agridem os mu\u00e7ulmanos rohingya. Na Rep\u00fablica Centro-Africana, mil\u00edcias crist\u00e3s destru\u00edram quase todas as mesquitas do pa\u00eds. Na Nig\u00e9ria, o Boko Haram continua a atacar crist\u00e3os e in\u00fameros mu\u00e7ulmanos que se op\u00f5em ao grupo. Israel n\u00e3o se entende com os primos \u00e1rabes no Oriente M\u00e9dio. O extremismo pol\u00edtico\/religioso tamb\u00e9m aterroriza Europa e EUA \u2013 e n\u00e3o s\u00e3o apenas os ditos mu\u00e7ulmanos antiocidentais: grupos que se proclamam crist\u00e3os matam m\u00e9dicos que defendem os direitos reprodutivos.<\/p>\n<p>O nosso mundo Ocidental endeusou a raz\u00e3o cient\u00edfica produtivista e desprezou o fator religioso, simb\u00f3lico e imagin\u00e1rio. Ent\u00e3o o sagrado reaparece assim, desse jeito selvagem e conflituoso. Precisamos incluir em nossas decis\u00f5es as quest\u00f5es do sentir e do sentido, aprender a pensar de maneira mais complexa e transdisciplinar, precisamos ensaiar uma nova forma de ver e entender a natureza, a vida e a humanidade. O saber que faz falta busca a unidade em meio \u00e0 diversidade, entre e al\u00e9m das disciplinas cient\u00edficas, incluindo a nossa subjetividade e as sabedorias tradicionais para ajudar a encontrar significado para a exist\u00eancia, reivindicando a centralidade da vida em toda discuss\u00e3o, propondo uma mudan\u00e7a na compreens\u00e3o do conhecimento: como rela\u00e7\u00e3o entre sujeitos e objetos, atenta ao contradit\u00f3rio em tudo, mas aberta \u00e0 sua supera\u00e7\u00e3o em outros n\u00edveis de realidade \u2013 pela inclus\u00e3o de um terceiro termo, em uma l\u00f3gica tern\u00e1ria e n\u00e3o dualista. Enfim, precisamos reunir a nossa ci\u00eancia com a f\u00e9, nas suas diversas tradi\u00e7\u00f5es, para terapeutizar as pr\u00e1ticas e discursos religiosos &#8211; mas tamb\u00e9m os textos ass\u00e9pticos do pensamento e da pol\u00edtica ocidentais.<\/p>\n<p>RP &#8211; O que fazer para enfrentar a intoler\u00e2ncia religiosa?<\/p>\n<p>Gilbraz &#8211;\u00a0A intoler\u00e2ncia \u00e9 mais forte, no Brasil, por parte de alguns grupos evangelicais, e come\u00e7ou contra os Terreiros Afro, mas agora atinge tamb\u00e9m imagens e festas cat\u00f3licas. Mesmo em Minas Gerais, esteio do nosso catolicismo popular, h\u00e1 relatos de igrejinhas destru\u00eddas. Para enfrentar essa situa\u00e7\u00e3o temos criado legisla\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas, mas precisamos mesmo \u00e9 de (re)educa\u00e7\u00e3o. Somente a escola pode terapeutizar a viv\u00eancia da religi\u00e3o e as rela\u00e7\u00f5es entre as religi\u00f5es. Mas a escola como lugar de aprendizagens cr\u00edticas e transdisciplinares dos conhecimentos espirituais, enquanto patrim\u00f4nio cultural da humanidade. Cabe \u00e0 comunidade educativa refletir sobre as diversas experi\u00eancias religiosas que a cercam, analisar o papel dos movimentos e tradi\u00e7\u00f5es religiosas na estrutura\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o das culturas, rompendo com rela\u00e7\u00f5es de poder que encobrem e naturalizam discrimina\u00e7\u00f5es e preconceitos. Cabe \u00e0 escola refletir sobre o fen\u00f4meno humano de abertura para a transcend\u00eancia, em busca de interpreta\u00e7\u00f5es mais universais e significados mais profundos para o que \u00e9 experimentado como sagrado em cada cultura.<\/p>\n<p>Todas as pessoas, sobretudo as novas gera\u00e7\u00f5es, t\u00eam direito ao esclarecimento das cren\u00e7as e descren\u00e7as da humanidade e para isso o Ensino Religioso deve avaliar as not\u00edcias religiosas em seus contextos, estudando as religi\u00f5es como quest\u00e3o e n\u00e3o como dado. O Ensino Religioso, compreendido como campo de aplica\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de conhecimento das Ci\u00eancias da Religi\u00e3o, numa vis\u00e3o transdisciplinar, n\u00e3o objetiva transpor conte\u00fados enciclop\u00e9dicos e muito menos doutrinais para um ensino catequ\u00e9tico, mas o desenvolvimento de processos de aprendizagem participativos, de constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos significativos atrav\u00e9s de projetos de pesquisa, em conex\u00e3o com as pautas de estudo e engajamento dos cientistas da religi\u00e3o. Acredito que a Base Curricular Nacional est\u00e1 apontando esse horizonte para o Ensino Religioso e \u00e9 por a\u00ed que a intoler\u00e2ncia religiosa pode ser enfrentada. Lembrando que o contr\u00e1rio da intoler\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 a toler\u00e2ncia: o di\u00e1logo e a coexist\u00eancia apontariam melhor o caminho das rela\u00e7\u00f5es interculturais e trans-religiosas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Saiba mais:<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=2703\" target=\"_blank\">Acredite no respeito<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=2503\" target=\"_blank\">Dia de combate \u00e0 intoler\u00e2ncia<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=2433\" target=\"_blank\">Da intoler\u00e2ncia ao di\u00e1logo<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=1812\" target=\"_blank\">Di\u00e1logo com mu\u00e7ulmanos<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/www.sdh.gov.br\/noticias\/2016\/janeiro\/CARTILHADIGITALBALANODODISQUE1002015.pdf\" target=\"_blank\">Viola\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos no Brasil<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/theweeklynumber.com\/index.html\" target=\"_blank\">N\u00fameros da liberdade religiosa pelo mundo<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A Revista da PUC, de Minas Gerais, acaba de lan\u00e7ar em vers\u00e3o impressa e tamb\u00e9m online a edi\u00e7\u00e3o do primeiro semestre de 2016, que traz um dossi\u00ea, \u201cToler\u00e2ncia Zero\u201d, sobre as v\u00e1rias intoler\u00e2ncias s\u00f3cio-pol\u00edtico-culturais que est\u00e3o crescendo no Brasil. 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