{"id":1073,"date":"2014-06-29T20:48:21","date_gmt":"2014-06-29T23:48:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=1073"},"modified":"2021-08-02T13:17:14","modified_gmt":"2021-08-02T16:17:14","slug":"preces-por-uma-estrelinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=1073","title":{"rendered":"PRECES POR UMA ESTRELINHA"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/scontent-for1-1.xx.fbcdn.net\/v\/t1.18169-9\/10406962_10203325522052214_2562455696783094208_n.jpg?_nc_cat=102&amp;ccb=1-3&amp;_nc_sid=cdbe9c&amp;_nc_eui2=AeFNW8xL0x0lqe9jv0vNgDRWg-8k1_0Mw2WD7yTX_QzDZb4Y66L_6jX7u0Yr2IeyQ3k&amp;_nc_ohc=nYYhCPPzipoAX81Ljfa&amp;_nc_oc=AQmYSgMqhszG_d1zI1NEjqQVt5VAHI9RN-k1HAA1t2_BmYXcWvqbsHmLdaQ6m6ddCeZTGQ-kjHf0oSxqJQM9lrBd&amp;_nc_ht=scontent-for1-1.xx&amp;oh=0415269809eae991e60eb2c499c8eacb&amp;oe=612CE643\" alt=\"Nenhuma descri\u00e7\u00e3o de foto dispon\u00edvel.\" \/><\/p>\n<p>Dia desses Silv\u00e9rio Pessoa, artista que \u00e9 mestre em ci\u00eancias da religi\u00e3o conosco, esteve cantando e apoiando a ocupa\u00e7\u00e3o p\u00fablica do Estelita. Hoje a espiritualidade esteve presente de novo nessa luta, pois um menino budista, Jo\u00e3o Dias, daqueles capazes de comover a ONU por um fio da Internet, chamou todo mundo l\u00e1 pra saber: o que as religi\u00f5es pensam sobre esse mundo onde a gan\u00e2ncia parece dirigir as a\u00e7\u00f5es de homens e mulheres na constru\u00e7\u00e3o do seu destino comum? Ent\u00e3o, um Encontro Transreligioso, mediado pelo prof. Gilbraz do nosso Observat\u00f3rio, reuniu um grupo de recifenses para conversar e rezar, no <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/gutorequena\/2014\/06\/1477399-recife-faz-historia.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ocupe Estelelita<\/a>, sobre outro mundo poss\u00edvel e mais \u00e9tico, sobre um futuro mais humano para a cidade. Foi neste domingo, 29 de junho, de 11 at\u00e9 14h, no Cais Estelita, com participa\u00e7\u00e3o de Frei Alo\u00edsio (Cat\u00f3lico), Raquel (Esp\u00edrita), Rodolfo (Krishna) e M\u00e3e Elza (do Candombl\u00e9). Para completar, entre as pessoas que foram chegando, apareceu Franci Ronsi, que participou do nosso grupo de estudos na Unicap e agora est\u00e1 concluindo o doutorado em teologia na PucRio, sobre a m\u00edstica inter-religiosa e socialmente engajada de Raimundo Panikkar&#8230;<\/p>\n<p>O encontro, t\u00e3o rico pelas diversas sabedorias e abrigado numa barraquinha junto ao acampamento dos jovens militantes, come\u00e7ou mesmo com outra pergunta que apareceu por l\u00e1: a religi\u00e3o n\u00e3o foi c\u00famplice hist\u00f3rica de tantas opress\u00f5es? Por que celebrar com tradi\u00e7\u00f5es de f\u00e9 em meio a uma luta pol\u00edtica libert\u00e1ria? Pois o Ocupe Estelita \u00e9 um movimento da sociedade civil que busca questionar o projeto \u201cNovo Recife\u201d, de especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria naquele Cais recifense, pleiteando um planejamento urbano mais ecol\u00f3gico e democr\u00e1tico. E a resposta veio pela evoca\u00e7\u00e3o de Guimar\u00e3es Rosa, de que a religiosidade, bem entendida e interpretada, \u00e9 o exerc\u00edcio do desejo humano frente \u00e0 consci\u00eancia de pouco poder pra gente ser na vida, \u00e9 uma antecipa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do real (ainda) inexistente: \u201cO que mais penso, testo e explico: todo-o-mundo \u00e9 louco. O senhor, eu, as pessoas todas. Por isso \u00e9 que se carece principalmente de religi\u00e3o: para se desendoidecer, desdoidar. Reza \u00e9 que sara loucura&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>De fato, em muitos lugares, e Pernambuco com todo o seu desenvolvimentismo \u00e9 um deles, andamos errantes e enlouquecidos, pois a dist\u00e2ncia entre os pobres e os ricos, entre os poderosos e os desprotegidos, tornou-se monstruosa. Num mundo no qual o socialismo de estado, bem como o capitalismo lucrativo, esvaziaram muitos valores \u00e9ticos e espirituais por meio de uma vis\u00e3o meramente consumista das coisas, a avidez por lucros ilimitados, a cobi\u00e7a por pilhagens sem fim parecem disseminar-se como se isso fosse natural, bem como uma mentalidade materialista, de reivindica\u00e7\u00f5es que constantemente exigem mais dos governos, sem mobilizar cada um para contribuir melhor. Isso sem falar do c\u00e2ncer social que \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o onipresente&#8230;<\/p>\n<p>Contudo, como lembram os ativistas da <a href=\"http:\/\/www.weltethos.org\/index-en.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00c9tica Global<\/a>, \u201cnas grandes religi\u00f5es antigas e nas tradi\u00e7\u00f5es \u00e9ticas da humanidade, encontramos o ensinamento: n\u00e3o roubar\u00e1s! Ou, em termos positivos: s\u00ea honesto! E, de fato, nenhum homem tem o direito de roubar ou despojar &#8211; de nenhuma maneira &#8211; outros seres humanos ou o bem p\u00fablico. Reciprocamente, nenhum ser humano tem o direito de usar seus bens sem se importar com as necessidades da sociedade. Onde reina a pobreza extrema ocorrer\u00e3o roubos, muitas vezes por necessidade de sobreviv\u00eancia, se o completo abandono e o desespero esmagador ainda estiverem reinando. E onde o poder e a riqueza s\u00e3o acumulados sem piedade, sentimentos de inveja, ressentimento e, sim, \u00f3dio mortal, inevitavelmente brotar\u00e3o nos despossu\u00eddos. Isso leva todos facilmente a um c\u00edrculo diab\u00f3lico de viol\u00eancia e contra viol\u00eancia&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>O encontro, que intercalou reflex\u00f5es assim, trazidas pelos representantes das religi\u00f5es, com preces das diversas tradi\u00e7\u00f5es, terminou com a percep\u00e7\u00e3o de que o movimento Ocupe Estelita j\u00e1 \u00e9 vitorioso, porque ajuda a criar uma contracultura, a despertar nos jovens, atrav\u00e9s de suas redes sociais, o sentimento de que a propriedade, por pequena que seja, carrega consigo uma responsabilidade, e que seu uso deveria ao mesmo tempo servir ao bem comum. E foi lembrado que onde quer que os que governam ameacem sufocar os governados, as institui\u00e7\u00f5es ameacem as pessoas, o poder oprima os direitos; a resist\u00eancia &#8211; sempre que poss\u00edvel, n\u00e3o-violenta &#8211; deve ocorrer. Lembrou-se tamb\u00e9m que em vez da avidez insaci\u00e1vel por dinheiro, prest\u00edgio e consumo, o sentido de modera\u00e7\u00e3o e mod\u00e9stia deveria voltar a reinar entre n\u00f3s. Pois na avidez os humanos perdem as suas almas, liberdade interior e, portanto, aquilo que os faz humanos.<\/p>\n<p>Entre as discuss\u00f5es tensas sobre as estrat\u00e9gias para continuar a luta no Estelita, todos sentiram-se religados por cantos e preces, como no mantra Hare Krishna em ritmo nordestino de Asa Branca, ou como na reza daquele an\u00f4nimo que durante a Primeira Guerra Mundial (que come\u00e7ou exatamente h\u00e1 cem anos) escreveu uma prece inspirada no seu santo predileto, que se transformou na ora\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Francisco de Assis: \u201cOnde houver \u00f3dio, que eu leve o amor; onde houver ofensa, que eu leve o perd\u00e3o; onde houver disc\u00f3rdia, que eu leve a uni\u00e3o; onde houver d\u00favida, que eu leve a f\u00e9; onde houver erro, que eu leve a verdade; onde houver desespero, que eu leve a esperan\u00e7a; onde houver tristeza, que eu leve a alegria; onde houver trevas, que eu leve a luz&#8230; e importa mais consolar que ser consolado, compreender que ser compreendido e amar que ser amado\u201d. O Encontro Transreligioso do Estelita foi pouca coisa, levou algum mantimento e alguma esperan\u00e7a aos acampados, mas representou a for\u00e7a que se abriga em cada semente, o mundo novo que se esconde em cada boa a\u00e7\u00e3o an\u00f4nima, mesmo que uma prece. Ficou a sensa\u00e7\u00e3o da Ocupa\u00e7\u00e3o do Estelita como semente de estrelinha&#8230; que flores\u00e7a e nos traga um c\u00e9u mais bonito!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/scontent-for1-1.xx.fbcdn.net\/v\/t1.18169-9\/10443393_10203325555893060_7528931189567268834_n.jpg?_nc_cat=108&amp;ccb=1-3&amp;_nc_sid=cdbe9c&amp;_nc_eui2=AeGL7B8gooo85rWKcbJ493Fdt-RBnyPnFRu35EGfI-cVGx-gQRIM-83WcuyNYef7Ti4&amp;_nc_ohc=12e50xT9krwAX-5XBBx&amp;_nc_ht=scontent-for1-1.xx&amp;oh=bc5993f371411bbab7100b7a1de3c358&amp;oe=612BC6BD\" alt=\"Nenhuma descri\u00e7\u00e3o de foto dispon\u00edvel.\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Dedicamos o post pra Mayra (que foi fazer o anivers\u00e1rio dela na ocupa\u00e7\u00e3o) e Bator\u00e9 (que tava l\u00e1 na rua, onde vive, gritando &#8220;pol\u00edcia fascista&#8221; na cara do carro da pol\u00edcia!), e pra Tib\u00e9rio e Denis (ativistas de sof\u00e1, que ainda nem sabem que s\u00e3o profetas de um novo tempo!)<\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">..<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia desses Silv\u00e9rio Pessoa, artista que \u00e9 mestre em ci\u00eancias da religi\u00e3o conosco, esteve cantando e apoiando a ocupa\u00e7\u00e3o p\u00fablica do Estelita. Hoje a espiritualidade esteve presente de novo nessa luta, pois um menino budista, Jo\u00e3o Dias, daqueles capazes de comover a ONU por um fio da Internet, chamou todo mundo l\u00e1 pra saber: o&#8230; <\/p>\n<div class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?p=1073\">Leia mais<\/a><\/div>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1073","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1073","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1073"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1073\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6195,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1073\/revisions\/6195"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1073"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1073"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1073"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}