{"id":560,"date":"2013-07-17T06:21:49","date_gmt":"2013-07-17T09:21:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?page_id=560"},"modified":"2022-05-07T20:08:36","modified_gmt":"2022-05-07T23:08:36","slug":"tributo-ao-dom","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?page_id=560","title":{"rendered":"Tributo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Nesta se\u00e7\u00e3o vamos recolhendo testemunhos de personalidades do Recife e regi\u00e3o que se mostraram buscadoras do di\u00e1logo. Queremos colocar nesse &#8220;orat\u00f3rio&#8221; de tributo, as pr\u00e1ticas, reflex\u00f5es e ousadias de pessoas que, em todas as tradi\u00e7\u00f5es espirituais, t\u00eam descoberto a encruzilhada de caminhos diferentes e com sons religiosos diferenciados que, de repente, despertam-se pr\u00f3ximos e com um mesmo sonho humano e humanizante. Gente que nos inspira, feito <a href=\"http:\/\/www.heldercamara-actualites.org\/-MEMOIRE-.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dom Helder<\/a>, que dizia que todas as igrejas apontam para o c\u00e9u: se voc\u00ea fica olhando s\u00f3 o templo, perder\u00e1 o c\u00e9u estrelado&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">E mais: \u201cN\u00e3o temos o monop\u00f3lio da verdade. N\u00e3o temos o monop\u00f3lio do Esp\u00edrito Santo. Devemos ter toda a humildade diante daqueles que, mesmo n\u00e3o tendo jamais ouvido o nome de Cristo, talvez possam ser mais crist\u00e3os que n\u00f3s mesmos!\u201d.\u00a0Este\u00a0primeiro &#8220;tributo&#8221;, ent\u00e3o, foi preparado por Lucy Pina, trazendo as palavras do Dom quando recebeu em Oslo (Noruega) o Pr\u00eamio Popular da Paz, al\u00e9m de programa seu na R\u00e1dio Olinda: sobre a viagem ecum\u00eanica \u00e0 Europa.<\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #ffffff;\">&#8230;<\/span><\/p>\n<h2 align=\"center\"><a style=\"font-size: 12px; font-weight: normal; line-height: 18px;\" href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Digitalizar0002.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-561\" src=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Digitalizar0002-1024x722.jpg\" alt=\"Digitalizar0002\" width=\"553\" height=\"390\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Digitalizar0002-1024x722.jpg 1024w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Digitalizar0002-300x211.jpg 300w, https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/Digitalizar0002.jpg 1452w\" sizes=\"auto, (max-width: 553px) 100vw, 553px\" \/><\/a><\/h2>\n<p align=\"right\"><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<h2 align=\"center\">O Pr\u00eamio Popular da Paz para Dom Helder Camara, um passo adiante no Ecumenismo e Di\u00e1logo.<\/h2>\n<p align=\"right\"><i>Lucy Pina<\/i><\/p>\n<p align=\"right\">Mestre em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o pela UNICAP, historiadora do IDHeC.<\/p>\n<p align=\"right\"><i>\u00a0<\/i><i>\u201cMais perto ou mais longe da Paz\u201d,<\/i> este \u00e9 o t\u00edtulo escolhido por Dom Helder para suas palavras na cerim\u00f4nia de entrega do Pr\u00eamio Popular da Paz em Oslo, Noruega, em fevereiro de 1974. Os Pa\u00edses Escandinavos foram um dos destinos da sua 1\u00aa Viagem Internacional de 1974, em que visitou tamb\u00e9m a Su\u00ed\u00e7a (Davos e Zurique) e a Alemanha (Frankfurt). Tudo acertado desde 19 de janeiro. Tudo muito simples, hospedagem na casa de amigos e translado terrestre em carro particular, apesar do tempo ruim, conforme escreveu \u00e0 Fam\u00edlia Mecejanense na madrugada de 14\/15 de fevereiro<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Gilbraz\/Downloads\/Introducao%20ao%20Discurso.d%20oc#_ftn1\">[1]<\/a>: \u201cPara ir de Lucerne a Zurique, no carro do Bernardo, foi preciso chamar Teresa, filha de Gladys, segur\u00edssima na dire\u00e7\u00e3o, apesar da tempestade de neve.\u201d<\/p>\n<p>Por sugest\u00e3o do Dom a entrega do pr\u00eamio foi adiada: originalmente se pensava na mesma data da entrega do Nobel, a 10\/12\/1973. O local da entrega do pr\u00eamio tamb\u00e9m foi mudado, passou para o sal\u00e3o nobre da Prefeitura de Oslo e sob a presid\u00eancia do Prefeito. Segundo o Dom, \u201cfosse um local n\u00e3o oficial e n\u00e3o faltaria quem dissesse que o pr\u00eamio vinha de jovens comunistas.\u201d Foram 1.500 convidados, que se puseram de p\u00e9 para aclamar a chegada do Arcebispo Brasileiro, \u201cque mist\u00e9rio! L\u00e1 nos confins da Europa, na fria Escandin\u00e1via, tanta compreens\u00e3o, tanto apoio, tanto calor!\u201d<\/p>\n<p>Tudo transmitido pela Eurovis\u00e3o para 30 pa\u00edses. Muitos oradores e entre eles o Bispo Luterano de Oslo (os discursos foram trazidos pelo Dom para Recife). \u00c0 entrega do pr\u00eamio explodiu o sal\u00e3o de emo\u00e7\u00e3o. O valor? Pr\u00f3ximo a 300 mil d\u00f3lares. Mas para Dom Helder, \u201cO que n\u00e3o tem pre\u00e7o, e \u00e9 incalcul\u00e1vel, \u00e9 o apoio moral, o trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o da Europa, o encorajamento a todos os que, no Mundo, trabalham, com amor, pela justi\u00e7a, como caminho para a paz\u2026Foi isto o que eu disse no fecho de minha fala, ao improvisar as palavras finais, que tiveram o dom de incendiar o Audit\u00f3rio\u2026\u201d<\/p>\n<p>Ao fim da cerim\u00f4nia um Culto Ecum\u00eanico na Catedral Cat\u00f3lica de Santo Olavo. O Bispo cat\u00f3lico que hospedou o Dom ficar\u00e1 encantado com a catedral lotada, \u201ce, sobretudo, comentou, felic\u00edssimo, que pela 1\u00aa vez depois da Reforma, Luteranos, com seus Pastores, entravam em um Templo cat\u00f3lico.\u201d O Culto repercutiu: o Presidente da Federa\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 Luterana, em Zurique, comentou a ida dos Luteranos \u00e0 Catedral Cat\u00f3lica; Dom Helder escreveu que ele \u201cmostrava-se radiante, pois, segundo ele, a Igreja Luterana da Noruega \u00e9 super-conservadora e arqui-luterana. Considerava o acontecimento muito auspicioso para a marcha do Ecumenismo. E dizia-se que os Luteranos receberam, com respeito e carinho, meu texto muito ousado, sobre &#8216;Ecumenismo de dimens\u00f5es divinas&#8217;\u201d.<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<address><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Gilbraz\/Downloads\/Introducao%20ao%20Discurso.d%20oc#_ftnref1\">[1]<\/a> Todos os trechos citados nesta introdu\u00e7\u00e3o foram retirados da 210\u00aa Circular de Abertura da A\u00e7\u00e3o Justi\u00e7a e Paz para o Plano Mundial \u2013 3\u00aafase: Articula\u00e7\u00e3o das Minorias Abra\u00e2micas. Datada de Recife, 15\/16.2.1974. Arquivo do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o do Instituto Dom Helder Camara &#8211; IDHeC.<\/address>\n<\/div>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\">&#8211; o &#8211;<\/p>\n<h2 align=\"center\">Mais perto ou mais longe da paz?<\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Palavras proferidas por +Helder Camara, Arcebispo de Olinda e Recife (Brasil), ao receber em Oslo (Noruega) o Pr\u00eamio Popular da Paz, 10.2.1974.<\/p>\n<p>1.\u00a0<span style=\"text-decoration: underline;\">Que diriam, nesta hora, os Grandes Amigos da Paz?<\/span><\/p>\n<p>Gandhi, tu lutaste a vida inteira pela paz, e conseguiste pela n\u00e3o-viol\u00eancia a liberta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de teu Povo, e mereceste oferecer a vida aproxima\u00e7\u00e3o dos homens, que me inspiras, nesta hora, em que recebo, da generosidade deste Povo irm\u00e3, um Pr\u00eamio de Paz?&#8230;<\/p>\n<p>Martinho Lutero King, tu que sacrificaste a vida n\u00e3o apenas pela causa dos negros, teus irm\u00e3os, mas pela vit\u00f3ria, no Mundo, da compreens\u00e3o e do amor, que me sopras, nesta hora em que recebo o Pr\u00eamio Popular da Paz?&#8230;<\/p>\n<p>E v\u00f3s que acreditais no trabalho de promo\u00e7\u00e3o de todos os seres humanos, atrav\u00e9s do desenvolvimento da consci\u00eancia cr\u00edtica da humaniza\u00e7\u00e3o; v\u00f3s todos, que acreditais na humaniza\u00e7\u00e3o do Mundo; v\u00f3s todos, que vos bateis pela justi\u00e7a e pelo amor, como caminhos para a paz, tanto nos Pa\u00edses super-industrializados coo nos Pa\u00edses subdesenvolvidos, que desejar\u00edeis que eu dissesse neste instante?&#8230;<\/p>\n<p>Pensando em v\u00f3s todos e entregue ao Esp\u00edrito de Deus, examinarei se estamos mais perto ou mais longe da paz, e o que poderemos fazer, al\u00e9m de simples palavras ou de meros gestos, pelo avan\u00e7o da paz&#8230;<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">2. Aparentemente, um problema sem solu\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p>2.1.<span style=\"text-decoration: underline;\">Hinos \u00e0 Guerra<\/span><\/p>\n<p>At\u00e9 quando se falar\u00e1 em guerra-justa, mesmo depois das maiores atrocidades cometidas sob este pretexto?&#8230;<\/p>\n<p>At\u00e9 quando continuar\u00e1 a aceitar o massacre de seres humanos sob alega\u00e7\u00e3o de defesa da humanidade, quando n\u00e3o se sabe deflagrar, hoje, uma guerra, \u00e9 correr o risco de provocar o desaparecimento da vida da face da Terra?&#8230;<\/p>\n<p>At\u00e9 quando haver\u00e1 quem entoe hinos \u00e0 guerra, pretendendo\/ idealizar a carnificina, o assassinato das popula\u00e7\u00f5es mais jovens, a destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de crian\u00e7as, de velhinhos?<\/p>\n<p>At\u00e9 quando seremos obrigados a escutar a macabra e mentirosa alega\u00e7\u00e3o de que a guerra permite descobertas da maior import\u00e2ncia\/ para a Humanidade e deixando entrever que ela \u00e9 \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para a explos\u00e3o demogr\u00e1fica, fen\u00f4meno real, que se vem prestando a explora\u00e7\u00f5es sem conta?<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que a guerra sempre foi absurda: por que concluir que tem raz\u00e3o, quem vence pela for\u00e7a, pela t\u00e9cnica ou pela ast\u00facia? At\u00e9 quando vencer, vai valer mais do que convencer?<\/p>\n<p>A guerra foi absurda, torna-se, sempre mais, revoltante o covarde! Bombas, eletronicamente dirigidas, s\u00e3o disparadas, s\u00e3o disparadas \u00e0 dist\u00e2ncia, e atingem, com precis\u00e3o matem\u00e1tica, os alvos previstos. Quem n\u00e3o sabe que as guerras de hoje matam mais a popula\u00e7\u00e3o civil e desarmada, do que saldados, com armas na m\u00e3o?<\/p>\n<p>2.2.<span style=\"text-decoration: underline;\">Solu\u00e7\u00f5es ilus\u00f3rias<\/span><\/p>\n<p>Quem n\u00e3o se recorda de solu\u00e7\u00f5es ilus\u00f3rias como a Lina Maginot?<\/p>\n<p>Pensou-se, tamb\u00e9m, que face do poderio destruidor imenso da guerra bio-qu\u00edmica e da guerra nuclear, o homem deixaria, de lado, o brinquedo est\u00fapido da guerra.<\/p>\n<p>As guerras continuam. De repente, os Pequenos s\u00e3o arrastados a elas, se devoram, se estra\u00e7alham, enquanto, na retaguarda, os Grandes, os Senhores do Mundo medem for\u00e7as, experimentam armas novas e sempre mais mort\u00edferas, como argumentos decisivos para direitos mais amplos na partilha do Mundo.<\/p>\n<p>As lutas armadas, as guerras, n\u00e3o s\u00e3o mais do que manifesta\u00e7\u00f5es de dist\u00farbios ps\u00edquicos, de desorganiza\u00e7\u00f5es sociais, express\u00e3o\/ de falsos valores culturais, pass\u00edveis de supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para os problemas que levam aos conflitos armados \u2013 o terrorismo e sua express\u00e3o mais ampla, a guerra \u2013 n\u00e3o ser\u00e1 encontrada ampliando as ondas da viol\u00eancia atrav\u00e9s da repress\u00e3o policial, da busca constante, da pesquisa mais profunda, das ra\u00edzes dos dist\u00farbios ps\u00edquicos, dos dist\u00farbios ps\u00edquicos, das desorganiza\u00e7\u00f5es sociais, de pseudo-valores de culturas, em fase de supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas as guerras continuam. Hoje, s\u00e3o conduzidas por m complexo poderos\u00edssimo: Governo-Empresas-T\u00e9cnicos e Militares.<\/p>\n<p>Os Governos entram com a fachada pol\u00edtica e o pretexto oficial. As Empresas \u2013 e as Macro-Empresas, multi-nacionais \u2013 s\u00e3o o poderio econ\u00f4mico-financeiro que, at\u00e9 hoje, n\u00e3o descobriu ind\u00fastria mais rent\u00e1vel que a b\u00e9lica. At\u00e9 as viagens espaciais est\u00e3o, em larga medida, a servi\u00e7o da ind\u00fastria b\u00e9lica. OS T\u00e9cnicos devem, no caso, contentar-se com a gl\u00f3ria prec\u00e1ria e diab\u00f3lica de aperfei\u00e7oar a destrui\u00e7\u00e3o e a morte.<\/p>\n<p>Os militares emprestam colorido e aprendem, sempre mais, a aperfei\u00e7oar as alian\u00e7as com as empresas, construindo o complexo industrial [fl.3] militar denunciado por uma homem que conhecia de perto, o problema: o General Dwight Eisenhower, que se referiu a esse fen\u00f4meno em seu \u00faltimo discurso como presidente dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>2.3. <span style=\"text-decoration: underline;\">Sociedades p\u00f3s-industriais?<\/span><\/p>\n<p>H\u00e1 quem se refira aos grandes centros econ\u00f4micos como sociedades \u201cpost-industrial\u201d \u00e0 sociedade de consumo, baseada no desperd\u00edcio de mat\u00e9ria-prima, com sustenta\u00e7\u00e3o em ind\u00fastrias como a automobil\u00edstica, a ind\u00fastria b\u00e9lica, a fabrica\u00e7\u00e3o de \u201cgadgets\u201d de r\u00e1pido desgaste?<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 a tremenda automatiza\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias \u2013 conservando os melhores, e mais d\u00f3ceis, t\u00e9cnicos e oper\u00e1rios \u2013 que reduz o mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, estimula a desmesurada amplia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de \u201cservi\u00e7os\u201d, muitas vezes sup\u00e9rfluos?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que as grandes Empresas, altamente automatizadas, n\u00e3o est\u00e3o reservando para si o lucro e atirando sobre os Governos, isto \u00e9, sobre os contribuintes de impostos, o \u00f4nus desse tipo de sistema?<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que as Macro-Empresas, multi-nacionais andam fazendo ensaios para al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o b\u00e9lica, automobil\u00edstica e outras \u2013 estender sua atua\u00e7\u00e3o a novas \u00e1reas capazes de alimentar sua fome insaci\u00e1vel de lucros, sua necessidade de ampliar os capitais acumulados \u00e0 custa da mis\u00e9ria da maioria da Humanidade.<\/p>\n<p>As Macro-Empresas, multi-nacionais, procuram se lan\u00e7ar, agora, a trabalhos cicl\u00f3picos, altamente rent\u00e1veis, que importariam na reconstru\u00e7\u00e3o de velhas cidades em a constru\u00e7\u00e3o deum Mundo que ainda\/ melhor atenda a seus interesses materiais: habita\u00e7\u00f5es, escolas, hospitais, transportes, meios de comunica\u00e7\u00e3o social, tudo em escala gigantesca, pois a megal\u00f3poles \u00e9 um fen\u00f4meno do s\u00e9culo.<\/p>\n<p>2.4.<span style=\"text-decoration: underline;\">Lucros, acima da Pessoa Humana?<\/span><\/p>\n<p>Quando olhamos os Pa\u00edses em seu conjunto, o Mundo dividido\/ em blocos \u00e0 merc\u00ea das Super-Pot\u00eancias, vemos que o ego\u00edsmo continua controlando as rela\u00e7\u00f5es entre os homens.<\/p>\n<p>A desorganiza\u00e7\u00e3o social gera a viol\u00eancia opressora de estruturas econ\u00f4micas e culturais que levam \u00e0 mis\u00e9ria e \u00e0 fome 2\/3 da Humanidade, mis\u00e9ria e fome que matam mais, deformam mais do que as guerras mais sangrentas. E tudo isto sob a cobertura da palavra democracia.<\/p>\n<p>As Macro-Empresas, multi-nacionais s\u00e3o disto o maior e mais t\u00edpico exemplo. Parecem democr\u00e1ticas, porque costumam ter milhares de acionistas: na verdade, at\u00e9 hoje, s\u00e3o pequenos grupos que as controlam.<\/p>\n<p>Parecem multi-nacionais, porque se estendem por dezenas de Pa\u00edses, diversificam-se em produtos variados, utilizam mat\u00e9ria-prima dos diversos Pa\u00edses em que funcionam, captam recursos locais, t\u00eam na [fl.4] dire\u00e7\u00e3o pessoas dos diferentes Pa\u00edses pelos quais se ramificam: na verdade, s\u00e3o controladas por misteriosos pelos de decis\u00e3o, e se ligam e interligam, de maneiras variadas e h\u00e1beis. \u00c9 impressionante, tamb\u00e9m, a variedade de manobras que utilizam para enviar o m\u00e1ximo de lucros para os polos de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Em todas essas manobras e artif\u00edcios, meio misteriosos, algo fica bem claro: \u00e9 pouco, ou nenhum, o interesse pela pessoa humana. Nas opera\u00e7\u00f5es destinadas a conseguir o m\u00e1ximo de lucro, o custo humano n\u00e3o entra nas considera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>2.5.<span style=\"text-decoration: underline;\">Sem justi\u00e7a, a paz ser\u00e1 imposs\u00edvel<\/span><\/p>\n<p>Se o ego\u00edsmo continua manobrando a pol\u00edtica internacional do com\u00e9rcio; se os monop\u00f3lios de ontem s\u00e3o substitu\u00eddos pelos habil\u00edssimos oligop\u00f3lios de hoje, se, dentro dos Pa\u00edses subdesenvolvidos, os Privilegiados locais, aliando-se \u00e0s Macro-Empresas, multi-nacionais, criam discrimina\u00e7\u00f5es de renda relevantes, mal encobertas pelo \u00edndice ultra equivoco que \u00e9 o Produto Interno Bruto; se entre Pa\u00edses industrializados e Pa\u00edses fornecedores de mat\u00e9ria-prima e m\u00e3o-de-obra\/barata, a dist\u00e2ncia aumenta cada ano; se a injusti\u00e7a domina o Mundo, a paz \u00e9 impratic\u00e1vel! \u00c9 isto sem esquecer que n\u00e3o \u00e9 lenda a exist\u00eancia de fabricantes n\u00e3o s\u00f3 de armas e armas sempre mais mort\u00edferas, mais fabricantes de guerras.<\/p>\n<p>3.\u00a0<span style=\"text-decoration: underline;\">C\u00e2ntico F\u00fanebre da Paz?<\/span><\/p>\n<p>Ser\u00e1, ent\u00e3o, que vim aqui entoar o c\u00e2ntico f\u00fanebre da paz? Ser\u00e1 que vim emprestar a voz aos pessimistas, que julgam o Mundo sem rem\u00e9dio e o homem sem esperan\u00e7a?<\/p>\n<p>De modo algum. Multiplicam-se em todos os Pa\u00edses \u2013 dentre todas as Religi\u00f5es e de todas as Ra\u00e7as \u2013 Minorias dedicadas a ajudar a constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo e mais humano.<\/p>\n<p>A Pessoa Humana cuja consci\u00eancia descobre as causas estruturais do sofrimento do irm\u00e3o, n\u00e3o mais se deixa isolar na solid\u00e3o da revolta est\u00e9ril. Procura quem tenha preocupa\u00e7\u00f5es semelhantes, se\/identifica com outras Pessoas j\u00e1 conscientes. \u00c9 o in\u00edcio do processo de \u201cconscientiza\u00e7\u00e3o\u201d: descobre o papel do Homem construtor da hist\u00f3ria, percebe que \u00e9 poss\u00edvel a humaniza\u00e7\u00e3o do Mundo.<\/p>\n<p>As intelig\u00eancias da Minorias as leva a encontrar os caminhos mais de acordo com seus talentos e suas possibilidades de a\u00e7\u00e3o. A t\u00edtulo de ilustra\u00e7\u00e3o, lembro s\u00f3 um exemplo: h\u00e1 Minorias que adquirem a\u00e7\u00f5es de grandes Empresas, participam das assembl\u00e9ias gerias, escrevem aos colegas acionistas, se recusam a se deixar manipular, n\u00e3o permitindo que os lucros das Empresas sejam obtidos ao pre\u00e7o do esmagamento de indiv\u00edduos, filhos como n\u00f3s do Criador e Pai.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que o resultado da atua\u00e7\u00e3o dessas Minorias ainda \u00e9 modesto. Porque n\u00e3o ampliar esse esfor\u00e7o? Na medida em que as Minorias, sedentas de justi\u00e7a, provarem \u00e0 Maioria da Humanidade que a \u201cmassa\u201d amorfa pode se transformar em Povo consciente e livre, o jogo mudar\u00e1.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">4. Pacto das Religi\u00f5es entre si e com o Humanismo Ateu<\/span><\/p>\n<p>N\u00f3s, os que acreditamos em Deus, levamos s\u00e9culos nos combatendo mutuamente, apregoando a ilus\u00e3o de que Deus se prestava ao papel de deixa-se monopolizar por nossa min\u00fascula fac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dia, por muito favor e muito custo, passamos a admitir um ecumenismo sob medida, entre Religi\u00f5es que nos pareciam mais nobres e menos distantes da nossa. Mas, quando muito, conseguimos um ecumenismo de c\u00fapula, enquanto nossas respectivas bases continuavam a ver, nos outros, a encarna\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito do Mal.<\/p>\n<p>Quanto aos Humanistas Ateus, fechamos os olhos \u00e0 realidade\/ de descobrir, perto de n\u00f3s, por vezes em nossas pr\u00f3prias fam\u00edlias, pessoas sinceras que, sem ter a felicidade de crer em Deus, agem de acordo com a pr\u00f3pria consci\u00eancia e, n\u00e3o raro, nos d\u00e3o li\u00e7\u00f5es de amor\/ ao pr\u00f3ximo, n\u00e3o apenas em palavras, mas em atos.<\/p>\n<p>Em hora t\u00e3o grave para a Humanidade, por que n\u00f3s, os que carregamos a responsabilidade de crer em Deus, n\u00e3o nos aliamos? Alian\u00e7a para que? Alian\u00e7a, pacto, para pressionar moralmente nossos amigos, nossos parentes, nossos conhecidos, para que tomem consci\u00eancia de situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a, n\u00e3o se deixem manipular, reajam contra todo e qualquer esmagamento de seres humanos.<\/p>\n<p>E se trocarmos ecumenismos estreitos por um ecumenismo da dimens\u00e3o planet\u00e1ria, Deus nos ajudar\u00e1. Se abrirmos um cr\u00e9dito de confian\u00e7a a quem amar o ser humano, amando, sem saber, o Criador e Pai, o Senhor se servir\u00e1 da nossa pequenez e do nosso nada, para fazer maravilhas.<\/p>\n<p>Atingindo milh\u00f5es de pessoas \u2013 que solid\u00e1rias ser\u00e3o invenc\u00edveis \u2013 modificaremos os Governos, imprimindo-lhes sentido mais humano; libertaremos os T\u00e9cnicos que, enfim, poder\u00e3o utilizar a intelig\u00eancia e o preparo especializado a servi\u00e7o da vida e n\u00e3o da Morte; libertaremos os militares, homens como n\u00f3s, tamb\u00e9m eles filhos de Deus, porque ter\u00e1 chegado o dia em que: \u201cde suas espadas eles forjar\u00e3o, relhas e arados e de suas lan\u00e7as, foices. Um na\u00e7\u00e3o n\u00e3o levantar\u00e1 a espada contra outra, e n\u00e3o se arrastar\u00e3o mais para a guerra.\u201d<\/p>\n<p>Sonho, Utopia? Tanto quanto me seja dado ver, a Revolu\u00e7\u00e3o\/Humanizadora j\u00e1 come\u00e7ou. Revolu\u00e7\u00e3o que tem como fundamento o amor \u00e0 verdade e ao pr\u00f3ximo. Se o n\u00famero dos Oprimidos aumenta cada dia, aumenta, tamb\u00e9m, a todo instantes, o n\u00famero das Minorias que participam da grande press\u00e3o moral libertadora. O que diminui \u00e9 o volume dos indiferentes, dos mornos.<\/p>\n<p>O Pr\u00eamio que me confiais, eu o porei a servi\u00e7o destes sonhos, destas Utopias. Ser\u00e1 uma ajuda para uma nova guerra- sem viol\u00eancia &#8211; pela Humaniza\u00e7\u00e3o do Mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&#8211; o &#8211;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\">Programa do Dom na R\u00e1dio Olinda<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: left;\">sobre peregrina\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica.<\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F102816690\" width=\"100%\" height=\"166\" frameborder=\"no\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\">Veja por <a href=\"http:\/\/200.238.101.22\/docreader\/discursos\/5350\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a> o discurso sobre ecumenismo de Dom Helder em 1967, na formatura da Faculdade de Teologia Metodista.<\/h5>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">..<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff;\">..<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta se\u00e7\u00e3o vamos recolhendo testemunhos de personalidades do Recife e regi\u00e3o que se mostraram buscadoras do di\u00e1logo. Queremos colocar nesse &#8220;orat\u00f3rio&#8221; de tributo, as pr\u00e1ticas, reflex\u00f5es e ousadias de pessoas que, em todas as tradi\u00e7\u00f5es espirituais, t\u00eam descoberto a encruzilhada de caminhos diferentes e com sons religiosos diferenciados que, de repente, despertam-se pr\u00f3ximos e com&#8230; <\/p>\n<div class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/?page_id=560\">Leia mais<\/a><\/div>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":9,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-560","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/560","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=560"}],"version-history":[{"count":32,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/560\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6820,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/560\/revisions\/6820"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/observatorio2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=560"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}