{"id":3891,"date":"2023-10-05T16:35:37","date_gmt":"2023-10-05T19:35:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/?p=3891"},"modified":"2023-10-05T16:35:40","modified_gmt":"2023-10-05T19:35:40","slug":"os-fantasmas-do-capital-na-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/os-fantasmas-do-capital-na-cidade\/","title":{"rendered":"Os fantasmas do capital na cidade"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"844\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/LABCOM-19.png-blog.jpg?resize=1024%2C844&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3893\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/LABCOM-19.png-blog-1024x844.jpg 1024w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/LABCOM-19.png-blog-980x808.jpg 980w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/LABCOM-19.png-blog-480x396.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Assistir <em>Retratos Fantasmas<\/em> (2023), de Kl\u00e9ber Mendon\u00e7a Filho, me fez pensar na ideia de Roland Barthes da imagem est\u00e1tica da fotografia como um \u201cisso foi\u201d e da imagem em movimento \u2013 do cinema, da TV, do v\u00eddeo \u2013 como um \u201cisso \u00e9\u201d, no sentido de Steven Shaviro, de um simulacro que persiste em se manter vivo, gr\u00e1vido de virtualidades. Nessa dial\u00e9tica entre o \u201cisso foi\u201d e o \u201cisso \u00e9\u201d \u00e9 interessante observar o quanto as imagens em geral nos afetam, nos transportam a outras dimens\u00f5es de vida, fazem criar mundos imagin\u00e1rios, fantasmas, para ser coerente com o t\u00edtulo do filme em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas das conversas, mat\u00e9rias e coment\u00e1rios que tenho ouvido, lido e assistido sobre a obra mais recente do cineasta Kl\u00e9ber Mendon\u00e7a Filho, indicada como representante do Brasil para o Oscar de 2024, tocam na quest\u00e3o afetiva das imagens do passado, em particular, dos cinemas de rua, do tempo em que a vida imagin\u00e1ria do cinema se estendia pelas cal\u00e7adas e ruas das cidades, numa rela\u00e7\u00e3o de contiguidade e\/ou contraponto.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, as salas gigantescas e glamourosas que ocupavam, sobretudo, a regi\u00e3o central do Recife, e o cinema enquanto arte e divers\u00e3o s\u00e3o presen\u00e7as marcantes ao longo de todo o filme. Mas <em>Retratos Fantasmas<\/em> tem outras camadas, como muitos dos document\u00e1rios contempor\u00e2neos estruturados em primeira pessoa. Em geral s\u00e3o filmes que partem da hist\u00f3ria pessoal do realizador para discutir de maneira um tanto quanto ensa\u00edstica algo mais profundo, e exigem uma postura mais ativa da recep\u00e7\u00e3o para construir o sentido de suas partes, do pessoal para o social, do particular para o geral e vice-versa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Retratos Fantasmas<\/em> n\u00e3o \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o do passado, da beleza dos tempos em que a regi\u00e3o central da cidade do Recife tinha charme e distin\u00e7\u00e3o. Mas sim um filme ensaio que reflete criticamente sobre as mudan\u00e7as nos espa\u00e7os urbanos de uma grande metr\u00f3pole em fun\u00e7\u00e3o do movimento do capital, e o quanto essas transforma\u00e7\u00f5es tendem a apagar o conv\u00edvio entre as pessoas nesses locais criando fantasmas das mais variadas esp\u00e9cies. De maneira direta ou indireta essas quest\u00f5es est\u00e3o presentes tamb\u00e9m no conjunto da obra f\u00edlmica do cineasta, citada em <em>Retratos Fantasmas<\/em>.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como disse Walter Benjamin em uma de suas teses sobre o conceito de hist\u00f3ria, \u201cnunca houve um monumento da cultura que n\u00e3o fosse tamb\u00e9m um monumento da barb\u00e1rie\u201d. A cada monumento erguido pela cultura capitalista erguem-se tamb\u00e9m ru\u00ednas geradas pela sanha insaci\u00e1vel do capital.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As cenas finais do filme parecem emblem\u00e1ticas. Seria o motorista de aplicativo que tem o poder de desaparecer a m\u00e3o invis\u00edvel do mercado, de Adam Smith? A sequ\u00eancia de farm\u00e1cias seria um mero indicativo do neg\u00f3cio do momento ou um sintoma da barb\u00e1rie? S\u00e3o quest\u00f5es para refletir. <em>Retratos Fantasmas<\/em> segue em cartaz em alguns cinemas do Recife. Vale a pena conferir.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Cl\u00e1udio Bezerra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assistir Retratos Fantasmas (2023), de Kl\u00e9ber Mendon\u00e7a Filho, me fez pensar na ideia de Roland Barthes da imagem est\u00e1tica da fotografia como um \u201cisso foi\u201d e da imagem em movimento \u2013 do cinema, da TV, do v\u00eddeo \u2013 como um \u201cisso \u00e9\u201d, no sentido de Steven Shaviro, de um simulacro que persiste em se manter [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":3893,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3891","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/LABCOM-19.png-blog.jpg?fit=1080%2C890&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3891"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3891\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3894,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3891\/revisions\/3894"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3893"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}