{"id":3876,"date":"2023-09-21T16:45:00","date_gmt":"2023-09-21T19:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/?p=3876"},"modified":"2023-09-21T16:45:03","modified_gmt":"2023-09-21T19:45:03","slug":"escrevivencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/escrevivencias\/","title":{"rendered":"Escreviv\u00eancias"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"845\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/LABCOM-14.pngse_.jpg?resize=1024%2C845&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3878\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/LABCOM-14.pngse_-1024x845.jpg 1024w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/LABCOM-14.pngse_-980x809.jpg 980w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/LABCOM-14.pngse_-480x396.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Esta semana a escritora mineira Concei\u00e7\u00e3o Evaristo conquistou o pr\u00eamio Juca Pato 2023 como intelectual do ano. O pr\u00eamio \u00e9 organizado pela Uni\u00e3o Brasileira de Escritores e concedido a personalidades que tenham publicado livro no Brasil no ano anterior e se destacado em qualquer \u00e1rea do conhecimento. Concei\u00e7\u00e3o recebeu a honraria pela publica\u00e7\u00e3o de Can\u00e7\u00e3o para ninar menino grande, onde narra as contradi\u00e7\u00f5es e complexidades da masculinidade negra.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Com 76 anos, Concei\u00e7\u00e3o \u00e9 a primeira intelectual negra a receber o pr\u00eamio. Doutora em Literatura, Concei\u00e7\u00e3o enfrentou diversos embates, comuns aos que nascem perif\u00e9ricos, negros e pobres neste ou em outro pa\u00eds. Nos seus livros, a autora aborda o racismo, desigualdade e discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e classe. Traz ainda o universo da mulher negra a partir da \u201cescreviv\u00eancia\u201d. O termo foi criado por ela para se referir ao estilo de escrita derivado do cotidiano, das lembran\u00e7as e da experi\u00eancia de vida.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Mas n\u00e3o venho destacar a narrativa do sofrimento, t\u00e3o comum nessa teia discursiva em que a pessoa negra, se aparece, \u00e9 na lembran\u00e7a da escraviza\u00e7\u00e3o, nos casos de racismo, na viol\u00eancia cotidiana que colabora para o genoc\u00eddio dos jovens negros. Aqui trago a alegria de falar de livros em que me reconheci. E que quero apresentar para voc\u00eas.<br>Leitora voraz desde os 7 anos de idade, fui a \u00fanica da fam\u00edlia a ler toda a cole\u00e7\u00e3o de \u00c9rico Ver\u00edssimo que pertencia \u00e0 minha m\u00e3e. No correr da vida, mais autoras e autores. Clarice, Graciliano, Machado de Assis, Rubem Fonseca, Isabel Allende, Saramago, Gabriel Garcia Marques, Fernando Sabino, Hilda Hilst, Jefferson Ten\u00f3rio, Itamar Vieira, foram tantos que falho miseravelmente nessa lista r\u00e1pida.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Encontrei Concei\u00e7\u00e3o pessoalmente na oitava edi\u00e7\u00e3o da Festa Liter\u00e1ria das Periferias \u2013 Flup, em 2019, no Museu de Arte do Rio (MAR). Ana Maria Gon\u00e7alves e ela recebiam o pr\u00eamio Carolina Maria de Jesus, que homenageia personalidades que tiveram sua vida transformada ou que transformaram a vida do outro pela literatura.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O movimento de ler autoras negras me fez compreender melhor o mundo, encontrar respostas e descobrir belezas. Ele come\u00e7ou em 2018, com o livro Mem\u00f3rias da Planta\u00e7\u00e3o: epis\u00f3dios de racismo cotidiano, de Grada Kilomba. Depois dela, em 2019, Escritos de uma vida, de Sueli Carneiro, Lugar de Fala, de Djamila Ribeiro, Empoderamento, de Joyce Berth, Interseccionalidade, de Carla Akotirene, os tr\u00eas da cole\u00e7\u00e3o Feminismos Plurais. Estava tentando entender melhor o mundo com essas mulheres. E dar bases \u00e0 minha nova linha de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Depois, foi a vez de Mulheres, Ra\u00e7a e Classe, de Angela Davis, assim como Mulheres, Cultura e Pol\u00edtica, da mesma autora. Chegaram nas minhas m\u00e3os Irm\u00e3 Outsider, de Audre Lorde, Ensinando a Transgredir: a educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica da liberdade, O Feminismo \u00e9 para todo mundo, Olhares negros: ra\u00e7a e representa\u00e7\u00e3o, de bell hooks. O Pacto da Branquitude, de Cida Bento.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Tem ainda Zami: uma nova grafia do meu nome. Uma biomitografia, de Audre Lorde, um dos livros mais lindos que li, um dos poucos em que sublinhei passagens inteiras. Tudo sobre o amor, Pertencimento e Escrever al\u00e9m da Ra\u00e7a, novamente de bell hooks \u2013 promo\u00e7\u00e3o maravilhosa da Editora Elefante.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Em 2023, nas f\u00e9rias de janeiro, li A Vestida, de Eliana Alves Cruz. De um f\u00f4lego s\u00f3, na praia, empr\u00e9stimo de uma tarde nas areias do Pina. E compreendi por que o livro de contos tinha recebido o pr\u00eamio Jabuti 2022. De Eliana tamb\u00e9m \u00e9 Solit\u00e1ria. Na trama contada por tr\u00eas narradoras, reconheci manchetes de jornais que nos chocaram imensamente. E me encantei com a forma de organizar a hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Chego finalmente em Olhos D\u2019\u00e1gua, Becos da Mem\u00f3ria, Ponci\u00e1 Vic\u00eancio e Can\u00e7\u00e3o para Ninar Menino Grande, de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo. Lembro de ter pensado: \u201cQuer dizer ent\u00e3o que a gente pode escrever assim?\u201d A crian\u00e7a-promessa Ayoluwa. Tio Tot\u00f3 com uma pedra pontiaguda no peito. Os desencantos de Ponci\u00e1. O choro de Fio Jasmim.<\/p>\n\n\n\n<p><br>E nas escreviv\u00eancias dessas mulheres reconheci e reencontrei Carla menina, de olhar inquieto, e a Carla de hoje, que escreve nas frestas do tempo, quase escondido, no aprendizado vivido em tantas escritoras. Leia mulheres negras.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Carla Teixeira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta semana a escritora mineira Concei\u00e7\u00e3o Evaristo conquistou o pr\u00eamio Juca Pato 2023 como intelectual do ano. O pr\u00eamio \u00e9 organizado pela Uni\u00e3o Brasileira de Escritores e concedido a personalidades que tenham publicado livro no Brasil no ano anterior e se destacado em qualquer \u00e1rea do conhecimento. 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