{"id":3763,"date":"2023-06-30T11:33:12","date_gmt":"2023-06-30T14:33:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/?p=3763"},"modified":"2023-07-05T15:43:44","modified_gmt":"2023-07-05T18:43:44","slug":"vale-a-pena-ser-jornalista-ou-uma-vida-em-3788-caracteres-com-espacos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/vale-a-pena-ser-jornalista-ou-uma-vida-em-3788-caracteres-com-espacos\/","title":{"rendered":"<strong>Vale a pena ser jornalista? (ou uma vida em 3788 caracteres, com espa\u00e7os)<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"863\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/11.jpg?resize=1024%2C863&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3764\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/11-1024x863.jpg 1024w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/11-980x826.jpg 980w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/11-480x404.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Certo dia, em mil novecentos e l\u00e1 vai cocada, um jovem estudante de classe m\u00e9dia, insatisfeito com o curso de engenharia civil, me perguntou se valia a pena cursar jornalismo. Na \u00e9poca, nossa diferen\u00e7a de idade era pequena e eu ainda nem sonhava em ser professor do campo da comunica\u00e7\u00e3o. Era apenas um foca rec\u00e9m-formado pela Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco sem saber direito o que seria da minha vida profissional. Trabalhava como rep\u00f3rter em uma emissora de r\u00e1dio com um sal\u00e1rio mixuruca e sem muita perspectiva de dias melhores. Apesar disso, os poucos anos na atividade (comecei a trabalhar como rep\u00f3rter do extinto Di\u00e1rio da Noite no segundo semestre da universidade) j\u00e1 me mostravam que ser jornalista valia a pena.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal e qual o jovem acima citado, eu tamb\u00e9m abandonara uma promissora carreira como engenheiro el\u00e9trico pela aventura de sair pelo mundo procurando acontecimentos relevantes, entrevistando pessoas, denunciando os malfeitos de gente troncha e transformando tudo em not\u00edcia. Vivia na pinda\u00edba, mas quando via estampada, na primeira p\u00e1gina do jornal, a manchete de uma mat\u00e9ria que tinha realizado, o sangue fervia, a alegria voltava e seguia em frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco depois, virei mais um nordestino na Paulic\u00e9a Desvairada. Como jornalista, circulei por grandes ve\u00edculos: Estad\u00e3o, Folha de SP, Editora Abril e voltei a estudar, fazendo um mestrado na Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo. Passados alguns anos, at\u00e9 eu pensei que n\u00e3o voltaria mais para os tr\u00f3picos pernambucanos. Todavia, descobri que eu sou desses que gostam da terra de onde brotou. Um p\u00e9 no mundo e outro no quintal. E como em terra de cego quem tem olho \u00e9 rei e ser mestre em comunica\u00e7\u00e3o e artes nos idos dos anos 1990 do s\u00e9culo passado era um bicho raro por aqui, achei que tinha o dever de repartir com os conterr\u00e2neos o conhecimento adquirido alhures.&nbsp; E decidi voltar. E n\u00e3o \u00e9 que deu certo? Reapareci nas reda\u00e7\u00f5es, agora todo metido a sabido. Virei rep\u00f3rter de cultura e me tornei um cr\u00edtico de cinema e teatro renomado do Caderno C do Jornal do Commercio dando pitaco nas obras dos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed apareceu a Companhia de Jesus. Guiado pelas m\u00e3os dos meus mestres e mestras Valdelusa D\u2019Arce, Carlos Benevides e Lucia Noya (foram eles que avaliaram se eu daria certo como professor ou n\u00e3o) adentrei de novo pelas salas e corredores da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco, agora do outro lado da moeda. A partir desse dia em vez de ter um jovem me perguntando se valia a pena cursar jornalismo, a cada semestre me deparava com uma nova leva de rostos cheios de curiosidade para conhecer essa profiss\u00e3o t\u00e3o nobre, t\u00e3o necess\u00e1ria e, muitas vezes, t\u00e3o vilipendiada. E nunca hesitei. Sim, \u00e9 massa ser jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim tem sido por mais de 30 anos. Mas como nada \u00e9 para sempre, o mundo mudou e junto com ele mudaram os alunos e mudou o jornalismo. Foram-se as m\u00e1quinas de escrever, as c\u00e2meras anal\u00f3gicas, as fitas cassetes e a obrigatoriedade do diploma. Chegaram os equipamentos digitais, a internet, a intelig\u00eancia artificial e os \u201cdigital influencers\u201d. Eu tamb\u00e9m mudei, acompanhando as transforma\u00e7\u00f5es. Virei at\u00e9 doutor, mas sempre tentando manter a conviv\u00eancia harm\u00f4nica entre o acad\u00eamico e o profissional de imprensa.&nbsp; Hoje, o jornalismo e o seu ensino atravessam mais uma crise, dentre tantas que j\u00e1 vivemos. Crises, por\u00e9m, pedem solu\u00e7\u00f5es. Assim se me perguntam: vale a pena ser jornalista? Eu at\u00e9 dou um riso maroto, mas n\u00e3o titubeio e respondo firme e forte: sim, \u00e9 dif\u00edcil, mas vale a pena.<\/p>\n\n\n\n<p>EP\u00cdLOGO<\/p>\n\n\n\n<p>Ah! O jovem estudante l\u00e1 do comecinho largou o curso de engenharia, fez jornalismo, atuou na profiss\u00e3o de forma competente, foi rep\u00f3rter de v\u00e1rios jornais, assessor de imprensa de gente importante e at\u00e9 presidente do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco, ou seja, valeu a pena.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Alexandre Figueir\u00f4a<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certo dia, em mil novecentos e l\u00e1 vai cocada, um jovem estudante de classe m\u00e9dia, insatisfeito com o curso de engenharia civil, me perguntou se valia a pena cursar jornalismo. Na \u00e9poca, nossa diferen\u00e7a de idade era pequena e eu ainda nem sonhava em ser professor do campo da comunica\u00e7\u00e3o. Era apenas um foca rec\u00e9m-formado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":3764,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3763","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/11.jpg?fit=1079%2C909&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3763","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3763"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3763\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3769,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3763\/revisions\/3769"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3764"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}