{"id":3694,"date":"2023-06-01T17:30:31","date_gmt":"2023-06-01T20:30:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/?p=3694"},"modified":"2023-06-02T11:54:10","modified_gmt":"2023-06-02T14:54:10","slug":"encontros-e-desencontros-com-jomard-muniz-de-britto-da-unicap-para-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/encontros-e-desencontros-com-jomard-muniz-de-britto-da-unicap-para-o-mundo\/","title":{"rendered":"Encontros e desencontros com Jomard Muniz de Britto: da Unicap para o mundo"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Inserir-um-titulo-21.jpg?resize=1024%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3697\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Inserir-um-titulo-21-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Inserir-um-titulo-21-980x980.jpg 980w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Inserir-um-titulo-21-480x480.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Foi durante o per\u00edodo em que eu cursei o curso de Jornalismo na Unicap que conheci Jomard Muniz de Britto (JMB). Para quem n\u00e3o conhece, trata-se de um importante cineasta pernambucano e pretendo entrela\u00e7ar essa exposi\u00e7\u00e3o com nossos encontros e desencontros \u2013 claro, que irei focar nos nossos contatos pela condi\u00e7\u00e3o narrativa que me encontro enquanto manipulador do tempo dram\u00e1tico da hist\u00f3ria, mas \u00e9 importante pontuar de antem\u00e3o que h\u00e1 saltos temporais.<\/p>\n\n\n\n<p>Conectando melhor com o que eu disse anteriormente, quando estava praticando entrevistas principalmente com audiovisual &#8211; mas tamb\u00e9m em outras m\u00eddias -, que tive a oportunidade de conhecer JMB como convidado em v\u00e1rias pr\u00e1ticas disciplinares ao longo do curso de Jornalismo. Sempre tive interesse por artes e de modo mais especial pela m\u00fasica e pelo cinema. Ent\u00e3o, convocar Jomard para explorar tem\u00e1ticas culturais e art\u00edsticas foi o primeiro est\u00edmulo para tomar conhecimento sobre sua trajet\u00f3ria e produ\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias linguagens \u2013 do teatro \u00e0 doc\u00eancia, do cinema \u00e0 filosofia, da poesia aos trabalhos com Paulo Freire, s\u00e3o muitas as facetas de JMB. \u00c9 preciso destacar que a Cat\u00f3lica foi o palco inicial para nossos encontros e trocas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Vou apresentar um pouco mais esse nosso querido personagem. Faz-se necess\u00e1rio destacar que o foco \u00e9 em suas produ\u00e7\u00f5es audiovisuais. No primeiro semestre de 1974, teve in\u00edcio a produ\u00e7\u00e3o audiovisual de Jomard Muniz de Britto, que veio passando do super-8 das d\u00e9cadas de 1970 e 1980 ao VHS das d\u00e9cadas 1980 e 1990. Atualmente, na tecnologia digital, seu \u00faltimo trabalho data de 2005: <em>Aquarelas do Brasil<\/em>. Jomard Muniz transp\u00f4s, para a tela, cr\u00edtica cultural ou reflex\u00f5es metalingu\u00edsticas \u2013 indo, esteticamente, do poema processo \u00e0 pop-filosofia, do tropicalismo ao mais recente trabalho com os <em>Atentados Po\u00e9ticos<\/em>. Estando seu campo de atua\u00e7\u00e3o ligado ao que JMB definiu, mais profundamente, como a <em>L\u00edngua dos tr\u00eas ppp\u00eas<\/em>:poeticidade, pol\u00edtica e pedagogia.<\/p>\n\n\n\n<p>Jomard Muniz de Britto registrou e dialogou com a obra de artistas pl\u00e1sticos, como Paulo Bruscky, S\u00e9rgio Lemos, Miguel dos Santos e Bernardo Dimenstein, al\u00e9m de outros profissionais, a exemplo do fot\u00f3grafo Rucker Vieira, famoso pelo document\u00e1rio <em>Aruanda<\/em> \u2013 inspirador das imagens do Cinema Novo glauberiano \u2013, dos jornalistas Geneton Morais Neto e Paulo C. Cunha Filho, do ator paraibano, Luiz Carlos Vasconcelos, e do m\u00fasico pernambucano, Alceu Valen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua forma\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica come\u00e7ou no per\u00edodo do Cinema Novo e do surgimento do chamado Cinema Marginal ou Marginalizado ou Independente ou de Inven\u00e7\u00e3o. Dialogou, tamb\u00e9m, com cinemas estrangeiros como o formalismo russo, o <em>underground<\/em> americano, o cinema de autor franc\u00eas e o neorealismo italiano.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma caracter\u00edstica importante que permeia toda essa produ\u00e7\u00e3o de JMB \u00e9 o uso de baixas tecnologias \u2013 o que acentua a linha marginal de seu cinema \u2013 obviamente mais acess\u00edveis, por\u00e9m de menor alcance de distribui\u00e7\u00e3o e, consequentemente, de p\u00fablico espectador. \u201cComo abrir o super-8 a um p\u00fablico amplo, n\u00e3o restrito ao amadorismo pequeno-burgu\u00eas ou ao \u201cintervencionismo\u201d cineclubista?\u201d (BRITTO, 1977) desafio lan\u00e7ado por Jomard em 1977, mostrando esse contexto e sua preocupa\u00e7\u00e3o com toda a cadeia produtiva da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica, al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o por si mesma.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00f3 pela utiliza\u00e7\u00e3o de equipamentos mais prec\u00e1rios que se caracteriza essa verve marginal, mas tamb\u00e9m pelos temas marginalizados e as tens\u00f5es estil\u00edsticas impressas nas formata\u00e7\u00f5es audiovisuais. Alexandre Figueir\u00f4a explanou bem o contexto da produ\u00e7\u00e3o audiovisual jomardiana na \u00e9poca do super-8, o que ainda pode ser aplicado a sua manifesta\u00e7\u00e3o f\u00edlmica:<\/p>\n\n\n\n<p>Se tomarmos, por exemplo, a obra de Jomard Muniz de Britto, vamos encontrar um painel representativo da inquieta\u00e7\u00e3o de uma gera\u00e7\u00e3o de artistas que encontrou no super 8 um de seus ve\u00edculos mais din\u00e2micos. Jomard Muniz, ao enfatizar em seus filmes a cr\u00edtica \u00e0 cultura oficial, tornava-os palco das manifesta\u00e7\u00f5es que sobreviviam \u00e0 margem das institui\u00e7\u00f5es governamentais e que por serem livres do ran\u00e7o academicista eram mais vivas e expressivas, al\u00e9m de mostrarem o que uma parcela ativa de novos artistas estavam realizando. Os filmes de Jomard Muniz, entretanto, n\u00e3o eram simples tribunas de ataques \u00e0s institui\u00e7\u00f5es culturais \u2013 entidades e pessoas, mas do que isso \u2013 entrela\u00e7ando-as e estimulando o espectador a travar conhecimento com ambas. Filmes como <strong>O Palha\u00e7o Degolado <\/strong>e<strong> Invent\u00e1rio de um Feudalismo Cultural<\/strong> s\u00e3o um retrato de como Jomard concebia sua obra dialogando com a modernidade e o tradicional para determinar as contradi\u00e7\u00f5es de nosso tempo (FIGUEIR\u00d4A, 1994, p.196).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso agora contextualizar toda essa apresenta\u00e7\u00e3o das obras audiovisuais de JMB, pois s\u00e3o trechos selecionados da minha Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado cursado no PPGCOM\/UFPE intitulada: Uma po\u00e9tica audiovisual da transgress\u00e3o em Jomard Muniz de Britto. Trabalho cient\u00edfico em que analiso uma boa parte das obras audiovisuais de Jomard com a perspectiva est\u00e9tica da transgress\u00e3o. A cita\u00e7\u00e3o de Alexandre Figueir\u00f4a tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa pois, al\u00e9m de ter sido meu professor no curso de Jornalismo da Unicap e hoje companheiro de labuta, foi atrav\u00e9s da obra dele sobre o Cinema Super-8 pernambucano que conheci mais \u00e0 fundo a obra de JMB e muitas das nossas produ\u00e7\u00f5es audiovisuais.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o posso deixar de mencionar que esses encontros e desencontros com Jomard renderam tamb\u00e9m um \u00e1lbum conjunto com minha banda na \u00e9poca, A Comuna, e o pr\u00f3prio artista intitulado: JMB em Comuna. No projeto, ele recita seus atentados po\u00e9ticos e n\u00f3s d\u00b4A Comuna compusemos a trilha sonora. N\u00e3o deixe de escutar a faixa que abre o disco, Em nome do Pai nosso: <a href=\"https:\/\/youtu.be\/b70A9ZiUrsE\">https:\/\/youtu.be\/b70A9ZiUrsE<\/a>. S\u00e3o muitas mem\u00f3rias que entrela\u00e7am minha trajet\u00f3ria com Jomard, n\u00e3o d\u00e1 para falar de todas mas ficam algumas delas registradas nesse texto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, al\u00e9m do texto produzido para o mestrado orientado por Paulo Cunha, tamb\u00e9m na \u00e9poca junto ao autor disponibilizei na nascente plataforma Youtube muitas das suas obras ao p\u00fablico interessado. Ent\u00e3o, agora fiquem com o filme O Palha\u00e7o Degolado de Jomard Muniz de Britto feito em Super-8 no ano de 1977, na cidade do Recife. Boa sess\u00e3o de cinema!<\/p>\n\n\n\n<p>LINK: <a href=\"https:\/\/youtu.be\/nvm1w-utZXM\">https:\/\/youtu.be\/nvm1w-utZXM<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Por Ricardo Maia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi durante o per\u00edodo em que eu cursei o curso de Jornalismo na Unicap que conheci Jomard Muniz de Britto (JMB). Para quem n\u00e3o conhece, trata-se de um importante cineasta pernambucano e pretendo entrela\u00e7ar essa exposi\u00e7\u00e3o com nossos encontros e desencontros \u2013 claro, que irei focar nos nossos contatos pela condi\u00e7\u00e3o narrativa que me encontro [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":3697,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3694","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Inserir-um-titulo-21.jpg?fit=1080%2C1080&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3694","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3694"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3694\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3700,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3694\/revisions\/3700"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3697"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}