{"id":3395,"date":"2022-04-20T19:24:33","date_gmt":"2022-04-20T22:24:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/?p=3395"},"modified":"2022-04-20T19:24:34","modified_gmt":"2022-04-20T22:24:34","slug":"alem-da-camera-a-etica-do-fotojornalismo-ao-registrar-o-cotidiano-e-a-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/alem-da-camera-a-etica-do-fotojornalismo-ao-registrar-o-cotidiano-e-a-historia\/","title":{"rendered":"Al\u00e9m da c\u00e2mera: a \u00e9tica do fotojornalismo ao registrar o cotidiano e a hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Israel Teixeira<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No jornalismo, o fotojornalismo tem o importante papel de registrar o cotidiano da sociedade, momentos hist\u00f3ricos, informando por meio das imagens. O profissional fotojornalista \u00e9 o respons\u00e1vel por criar cen\u00e1rios, retratar diferentes acontecimentos, trabalhando ao lado de rep\u00f3rteres ou em iniciativas autorais. Mas ser\u00e1 que h\u00e1 imparcialidade nesses registros? Para a professora Renata Victor, n\u00e3o. \u201cNa hora que o fot\u00f3grafo pega a c\u00e2mera fotogr\u00e1fica e escolhe determinado \u00e2ngulo para fotografar um determinado assunto, ele j\u00e1 est\u00e1 induzindo as pessoas a olharem pelo prisma dele. Toda fotografia tem uma inten\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o elas n\u00e3o s\u00e3o imparciais\u201d, Renata coordena o curso de Fotografia da Unicap e leciona nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Arquitetura. Para ela, o cuidado com a \u00e9tica no exerc\u00edcio da profiss\u00e3o \u00e9 um ponto crucial para esta atividade profissional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m da intencionalidade dos fot\u00f3grafos, as imagens passam por um processo de avalia\u00e7\u00e3o nos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o nos quais esses profissionais operam\u201d, diz ela. \u201cTodos os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o t\u00eam suas condutas para publicar uma imagem. Elas passam n\u00e3o s\u00f3 por uma avalia\u00e7\u00e3o do fot\u00f3grafo que executa a imagem, mas tamb\u00e9m pelos editores e pelo editor geral. Ent\u00e3o, diante dessa conduta, eles avaliam se corresponde a linha editorial daquele ve\u00edculo. Existe um grande filtro para evitar imagens n\u00e3o \u00e9ticas\u201d, afirma.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/mlWw4ANAWPr1CtYaY-vQtucMoeIW1Nb5e0Xj5tDAjzncYInwpppH9OIS7o9htWiJf_DmWwMzZRkobuExNMXWhbXToWlL3PP0Z8tycYYhDQmFyD-x7Iih38dsoWAoTz6rHqBSt66q\" alt=\"\"\/><figcaption>Renata Victor: o fotojornalismo \u00e9 uma forma de registrar momentos que ficar\u00e3o eternizados na hist\u00f3ria da humanidade. Foto: acervo pessoal <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O registro fotogr\u00e1fico \u00e9 uma linguagem visual que permite captar aspectos socioculturais, econ\u00f4micos e pol\u00edticos. Ele pode ser usado para destacar a linha editorial de uma publica\u00e7\u00e3o. Um exemplo disso aconteceu na hist\u00f3ria recente da pol\u00edtica brasileira retratada na m\u00eddia. A capa da revista <em>Isto\u00c9, <\/em>edi\u00e7\u00e3o do dia 6 de abril de 2016, ilustrou a express\u00e3o de \u201cperda de condi\u00e7\u00f5es emocionais\u201d de Dilma Rousseff, mostrando a inten\u00e7\u00e3o do fot\u00f3grafo e do editor em expor uma imagem distorcida da presidenta. A capa foi alvo de an\u00e1lises de pesquisadores e grupos feministas, que identificaram um discurso mis\u00f3gino e abordagens diferentes sobre homens e mulheres na pol\u00edtica brasileira.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/d26-opBgH9WMcruJM1E8r5uLwZsfvuwWXAPrwVVWRy89y90snxyZgu2XkjJqi8vOwi81s_TqNe8ZTTLEIS_4VSlsU40ymootENto7A5w1MPnjmpg_5Yydx-HrR1C3slqkC6R4EZH\" alt=\"\"\/><figcaption> <strong>Capa da edi\u00e7\u00e3o 2417 da Isto\u00c9. Fonte: Acervo da revista Isto\u00c9.<\/strong> <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Outro exemplo de imagens que violam os direitos humanos foi a capa do Aqui PE, jornal da Regi\u00e3o Metropolitana do Recife, que publicou o corpo da moradora de rua, Diana, com a genit\u00e1lia \u00e0 mostra, depois de ter sido espancada at\u00e9 a morte pelo companheiro. A edi\u00e7\u00e3o, publicada em setembro de 2017, traduzia o aspecto sensacionalista do jornal e de total desrespeito pelas mulheres. O Minist\u00e9rio P\u00fablico de Pernambuco, atrav\u00e9s da Promotoria de Direitos Humanos, interveio no caso e o Aqui PE assinou um Termo de Ajustamento de Conduta para reparar as viola\u00e7\u00f5es cometidas. \u00c0 \u00e9poca, a Comiss\u00e3o de \u00c9tica do Sindicato dos Jornalistas e outras entidades feministas lan\u00e7aram nota de rep\u00fadio ao tratamento dado pelo jornal ao fato.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/7-AUhuSyEjU3dZdRpT3-TcKm7qygl5Q5GmM-ZnNlzSs3NNuJPx746b7nGirp0NKnDkLhKBE6vvYstBUdj6R-GJO1wx5PfC_NV6vdVayZWZDie2iASxLyeHBUAYRbnF6XRQFnsC2s\" alt=\"\"\/><figcaption>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Aqui PE &#8211; Capa de 1\u00ba de setembro de 2017<br>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Fonte: Hachetetep\u00e9. Revista cient\u00edfica de Educaci\u00f3n y Comunicaci\u00f3n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Professor do Mestrado em Ind\u00fastrias Criativas da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco (Unicap) e dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em Fotografia e Jornalismo, al\u00e9m de servidor p\u00fablico do Tribunal de Justi\u00e7a de Pernambuco (TJPE), Jo\u00e3o Guilherme Peixoto destaca o cuidado com a \u00e9tica que se deve ter na produ\u00e7\u00e3o de imagens na contemporaneidade. \u201c\u00c9 importante a gente dizer que precisamos de certos princ\u00edpios \u00e9ticos para reger a sociedade atualmente. Estamos falando do fotojornalismo que usa a imagem para fazer esse recorte social da realidade. Todos aqueles preceitos que aprendemos sobre \u00e9tica devem, sim, ser aplicados ao universo da imagem. \u00c9 importante creditar o fot\u00f3grafo, entender que certas quest\u00f5es existem e a gente precisa estar atento, como por exemplo quando fotografamos crian\u00e7as e pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/TjedYUR9ib9nFYDOX_00C1nH9Z5p7oBCipvMsu3XH3EJ14KKKN4LvKiZ4-TU7NDUCb2vFT7j2Cu4cNkUyYVat1nhy3OoaFDDWdLlBrv3fVA-0BuUBLn-aOaw_rNmHIf56d074gBV\" alt=\"\"\/><figcaption> \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Jo\u00e3o Guilherme ressalta a import\u00e2ncia de falar sobre a \u00e9tica no fotojornalismo. Foto: acervo pessoal <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O cinema tamb\u00e9m tem contribu\u00eddo para o debate sobre este tema. <em>Rep\u00f3rteres de Guerra<\/em> (2011) e <em>Abaixando a M\u00e1quina<\/em> (2007), produ\u00e7\u00f5es dos diretores Steven Silver, Guillermo Planel e Renato de Paula, abordam o contexto do trabalho dos fotojornalistas e os limites na busca por uma foto. O longa e o document\u00e1rio abordam a rotina desses mediadores do jornalismo fotogr\u00e1fico, observando seus seus m\u00e9todos, quando fazem a cobertura de conflitos perigosos, a coragem, a autoconfian\u00e7a e a empatia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/d0S1yF44G3QmAhlt0fZVWL77axMsdcTN_KxCrqy4IiZMHIwIm3v39W1RAXxGKz7VyRHg0tZPTvYoshpBUWwcamrgosnHn5AEoYjjC1ryR3k04Syd6ZLgu1KiccL2q0zUw6ycaTEM\" alt=\"\"\/><figcaption> Bastidores das grava\u00e7\u00f5es de Rep\u00f3rteres de Guerra, filme de 2011 &#8211; Foto: Divulga\u00e7\u00e3o <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O fotojornalismo, principalmente no contexto digital, diz Jo\u00e3o Guilherme Peixoto, apresenta novos desafios para a preserva\u00e7\u00e3o da \u00e9tica. Ele refor\u00e7a que esses profissionais do jornalismo precisam estar com os olhos atentos e ouvidos agu\u00e7ados. \u201cQuando a gente tenta fotografar a partir desse nosso olhar, precisamos entender que do outro lado o leitor e a leitora tamb\u00e9m precisam ter esse contexto, no qual estamos inseridos, muito bem representado e mapeado\u201d, finaliza.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Israel Teixeira No jornalismo, o fotojornalismo tem o importante papel de registrar o cotidiano da sociedade, momentos hist\u00f3ricos, informando por meio das imagens. O profissional fotojornalista \u00e9 o respons\u00e1vel por criar cen\u00e1rios, retratar diferentes acontecimentos, trabalhando ao lado de rep\u00f3rteres ou em iniciativas autorais. Mas ser\u00e1 que h\u00e1 imparcialidade nesses registros? 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