{"id":3386,"date":"2022-04-12T19:41:45","date_gmt":"2022-04-12T22:41:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/?p=3386"},"modified":"2022-04-12T21:35:31","modified_gmt":"2022-04-13T00:35:31","slug":"jornalismo-em-quadrinhos-cresce-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/jornalismo-em-quadrinhos-cresce-no-brasil\/","title":{"rendered":"Jornalismo em quadrinhos cresce no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Marcus Vinicius<\/em>    <\/p>\n\n\n\n<p>O jornalismo em quadrinhos \u00e9 uma \u00e1rea do jornalismo visual que, diferente das demais, trabalha a not\u00edcia em ilustra\u00e7\u00f5es, charges e cartuns como ponto principal na cria\u00e7\u00e3o de uma narrativa. No Brasil, o setor tem crescido nos \u00faltimos dez anos, com profissionais que est\u00e3o tanto nos grandes ve\u00edculos de m\u00eddia, como nos sites e redes sociais, al\u00e9m do jornalismo independente.<\/p>\n\n\n\n<p>Gabriela G\u00fcllich (@fenggler), jornalista, quadrinista e colunista do site Mina de HQ (@minadehq), \u00e9 uma delas. A jornalista produz o \u201cEntre quadros\u201d, s\u00e9rie de entrevistas ilustradas com quadrinistas do mundo todo. Gabriela explica como chegou aos quadrinhos e sobre sua experi\u00eancia no jornalismo feito a partir de desenhos: &#8220;Sempre quis ser jornalista, mas o desenho s\u00f3 fazia parte da minha vida como atividade recreativa. S\u00f3 na gradua\u00e7\u00e3o que vi a possibilidade de trabalhar os dois em conjunto e isso abriu um novo leque de possibilidades narrativas para mim. Os quadrinhos me d\u00e3o a possibilidade de brincar com os respiros do relato, trazer pausas, focar em detalhes, tudo isso atrav\u00e9s dos elementos visuais em sequ\u00eancia.\u201d, revela.<\/p>\n\n\n\n<p>Gabriela publicou recentemente o livro-reportagem S\u00e3o Francisco,  vencedor do Trof\u00e9u HQMix, a maior premia\u00e7\u00e3o de quadrinhos da Am\u00e9rica Latina. Segundo Gabriela, &#8220;S\u00e3o Francisco aborda tr\u00eas aspectos: \u00e1gua, seca e obra, todos eles permeando as cidades do Eixo Leste da Transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco. Durante 18 dias, eu e meu parceiro Jo\u00e3o Velozo, fotojornalista pernambucano, percorremos mais de 2500km passando desde Bel\u00e9m do S\u00e3o Francisco, cidade divisa entre Pernambuco e Bahia, at\u00e9 Monteiro, na Para\u00edba, ouvindo os relatos da popula\u00e7\u00e3o e reunindo tudo para essa narrativa documental que mistura desenho e fotografia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"744\" height=\"546\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Sa%CC%83oFrancisco0.jpg?resize=744%2C546&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3391\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Sa%CC%83oFrancisco0.jpg?w=744&amp;ssl=1 744w, https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Sa%CC%83oFrancisco0.jpg?resize=300%2C220&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Sa%CC%83oFrancisco0.jpg?resize=480%2C352&amp;ssl=1 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 744px) 100vw, 744px\" \/><figcaption><em>Quadros de S\u00e3o Francisco, HQ de Gabriela G\u00fcllich e Jo\u00e3o Velozo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Gabriela G\u00fcllich observa que o mercado do jornalismo em quadrinhos tem crescido nos \u00faltimos 10 anos com o aumento de produ\u00e7\u00f5es independentes, pesquisas acad\u00eamicas e, tamb\u00e9m, produ\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas como o New York Stories, que traz cr\u00f4nicas do New York Times nessa linguagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, o jornalismo em quadrinhos demanda muito tempo, porque envolve, al\u00e9m do processo de apura\u00e7\u00e3o inerente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica, as etapas de desenho, edi\u00e7\u00e3o, tratamento de tra\u00e7o, balonagem e letreiramento. \u201cEssas etapas acabam gastando muito mais tempo que uma reportagem tradicional s\u00f3 com texto, por exemplo. \u00c9 um processo trabalhoso, mas muito gratificante\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luta pol\u00edtica<\/strong> &#8211; Para o cartunista Thiago Lucas (@thiagochargista), p\u00f3s-graduado em Hist\u00f3ria do Nordeste pela Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco, o cartum tem  uma grande import\u00e2ncia pol\u00edtica no jornalismo. \u201cVivemos em tempos sombrios, onde a cultura e a democracia s\u00e3o atacadas constantemente. Neste contexto, a arte atua como uma dos redutos de resist\u00eancia contra o autoritarismo que contamina nossa sociedade. Minha preocupa\u00e7\u00e3o e ang\u00fastia sobre o futuro das artes e dos artistas \u00e9 constante. Infelizmente vivemos em uma sociedade que possui muitos indiv\u00edduos das mais diversas esferas sociais que desprezam a arte e que chegam a combat\u00ea-la. N\u00f3s sempre fazemos a charge para o outro, para dialogar com as pessoas\u201d, diz ele. Thiago trabalha no Jornal do Commercio de Comunica\u00e7\u00e3o (@jc_pe) como chargista e ilustrador. Tem participa\u00e7\u00f5es em  obras como \u201cCom Carinho\u201d &#8211; livro biogr\u00e1fico em homenagem aos 85 anos de Ziraldo, organizado por Edra Amorim, \u201cO Santo Revelado\u201d \u2013 fotobiografia de Dom Helder Camara, organizado por Augusto Lins Soares e no cat\u00e1logo da Muestra Internacional de las Artes de Humor. <\/p>\n\n\n\n<p>Thiago ressalta as dificuldades enfrentadas pelos cartunistas, envolvendo persegui\u00e7\u00e3o aos artistas, ataques \u00e0 liberdade de express\u00e3o, falta de apoio governamental \u00e0s a\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, queda no n\u00famero de leitores de livros, jornais e revistas, assim como no n\u00famero de oportunidades e vagas no mercado de trabalho. \u201c\u00c9 um ambiente hostil para a atua\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Nos deparamos diariamente com dificuldades, resist\u00eancias, crises, censuras, ataques. Mas seguimos resistindo\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pelo mundo<\/strong> &#8211; O holand\u00eas Tjeerd Royaards e o norte-americano Matt Bors criaram uma plataforma chamada Cartoon Movement onde s\u00e3o publicados diversos cartuns, charges e quadrinhos de autoria de mais de 300 cartunistas de 80 pa\u00edses diferentes. O site traz produ\u00e7\u00f5es com assuntos que v\u00e3o desde a Guerra na Ucr\u00e2nia \u00e0 desigualdade social, passando ainda por pol\u00edticas p\u00fablicas e o aumento do pre\u00e7o da gasolina. Qualquer tema pode ser abordado, com diferentes tipos de ilustra\u00e7\u00f5es e tra\u00e7os. Em entrevista para a revista Trip, Royaards diz que \u201cNuma \u00e9poca em que ningu\u00e9m mais posta nada no Facebook ou Twitter sem uma boa imagem, o jornalismo em quadrinhos tem um grande potencial.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outro exemplo de jornalismo em quadrinhos \u00e9 o livro \u201cMaus: a hist\u00f3ria de um sobrevivente\u201d, escrito por Art Spiegelman. A obra apresenta uma entrevista de Spiegelman com seu pai, judeu que sobreviveu ao Holocausto e ilustra o povo judeu com ratos e os alem\u00e3es como gatos. A HQ venceu o Pulitzer de 1992. Antes de virar livro, Maus foi publicado de forma seriada entre 1980 e 1991 na revista RAW, editada por Spiegelman e sua esposa, Fran\u00e7oise Mouly. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"358\" height=\"500\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/51rx2yxe3L._AC_SY780_.jpg?resize=358%2C500&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3393\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/51rx2yxe3L._AC_SY780_.jpg?w=358&amp;ssl=1 358w, https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/51rx2yxe3L._AC_SY780_.jpg?resize=215%2C300&amp;ssl=1 215w\" sizes=\"auto, (max-width: 358px) 100vw, 358px\" \/><figcaption><em>Maus venceu o Pulitzer de 199<\/em>2<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A mat\u00e9ria publicada pela Revista Badar\u00f3 \u201cSeis minas que fazem jornalismo em quadrinhos no Brasil\u201d analisa o mercado dos quadrinhos brasileiro e o percebe como um ambiente majoritariamente masculino. A pr\u00f3pria Gabriela G\u00fcllich avalia que a falta de mulheres quadrinistas nunca chegou a desencoraj\u00e1-la, mas seria de grande ajuda encontrar autoras relacionadas \u00e0 \u00e1rea com mais facilidade. \u201c\u00c9 um pouco desgastante procurar refer\u00eancias e encontrar apenas nomes j\u00e1 conhecidos, como se n\u00e3o houvesse qualquer outra produ\u00e7\u00e3o al\u00e9m daquela j\u00e1 estabelecida. Acredito que o problema n\u00e3o esteja no jornalismo em quadrinhos em si e, sim, em uma estrutura maior.\u201d     <\/p>\n\n\n\n<p>Outros nomes do jornalismo em quadrinhos s\u00e3o Carol Ito, Rep\u00f3rter da revista Trip; autora do livro-reportagem Estilha\u00e7o \u2013 Uma Jornada ao Vale do Jequitinhonha, Cec\u00edlia Martins, Rep\u00f3rter e ilustradora freelancer; autora do livro-reportagem Parque das Luzes, Hel\u00f4 D\u2019angelo, Rep\u00f3rter e ilustradora freelancer; coautora da reportagem \u201cQuatro Marias\u201d, Marina Duarte, Rep\u00f3rter e  produtora-executiva da Revista Badar\u00f3, Amanda Ribeiro e Luiz Fernando Menezes, autores do livro-reportagem Socorro! Pol\u00edcia!, e Andrea Dip e Alexandre de Maio com Meninas em Jogo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcus Vinicius O jornalismo em quadrinhos \u00e9 uma \u00e1rea do jornalismo visual que, diferente das demais, trabalha a not\u00edcia em ilustra\u00e7\u00f5es, charges e cartuns como ponto principal na cria\u00e7\u00e3o de uma narrativa. 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