{"id":3282,"date":"2022-01-10T19:33:43","date_gmt":"2022-01-10T22:33:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/?p=3282"},"modified":"2022-01-10T20:29:08","modified_gmt":"2022-01-10T23:29:08","slug":"do-transfake-a-representatividade-da-populacao-trans-cinema-busca-por-inclusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/do-transfake-a-representatividade-da-populacao-trans-cinema-busca-por-inclusao\/","title":{"rendered":"Do transfake \u00e0 representatividade da popula\u00e7\u00e3o trans, cinema busca por inclus\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><em>por Israel Teixeira<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" height=\"339.0\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/goZwLacym2UmVsDoTctobKBOv02DsVLz1Fb-XWgQiZOyYxJg2CnPyMfUJXv0tLNtHgevXVXi_vdaQGDf5O-B1rxBQOh5hVNVOeFWjUKOjjaNxilpoduMjO1gKkx5GS8PPvo4QbAf\" width=\"602.0\"><\/p>\n\n\n\n<p>Vista como tabu, a exist\u00eancia de pessoas transexuais \u2013 pessoas que n\u00e3o se identificam com o g\u00eanero atribu\u00eddo no nascimento \u2013 ainda \u00e9 pouco discutida, o que acontece tamb\u00e9m quando se trata da representa\u00e7\u00e3o de suas identidades no cinema. A transfobia \u2013 o preconceito direcionado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o trans \u2013, \u00e9 um dos grandes obst\u00e1culos enfrentados por esta comunidade, principalmente no Brasil, que segue pelo d\u00e9cimo terceiro ano consecutivo como o lugar mais perigoso para uma pessoa transsexual viver. Pelo menos 125 travestis, homens e mulheres trans foram assassinadas devido a sua identidade de g\u00eanero entre outubro de 2020 e setembro de 2021 no Brasil. Os dados s\u00e3o do projeto Transrespect versus Transphobia Worldwide (TvT) da ong Transgender Europe (TGEU). A transfobia \u00e9 um grave problema social que afeta diretamente o direito \u00e0 vida das pessoas transexuais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O cinema tem colaborado para visibilizar a causa LGBTQIA+ e retratar positivamente a transexualidade. No entanto, por d\u00e9cadas pessoas trans foram representadas de maneira estereotipada no cinema e na TV, em um retrato da sociedade de cada \u00e9poca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pr\u00e1tica comum ainda hoje \u00e9 o transfake. O termo refere-se \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o de personagens transg\u00eaneros por atores e atrizes cisg\u00eaneros&nbsp; \u2013 pessoas que se identificam com o g\u00eanero atribu\u00eddo no nascimento \u2013. Segundo a atriz e pesquisadora Renata Carvalho, fundadora do Movimento Nacional de Artistas Trans (Monart), o transfake pode comparado ao \u201cblackface\u201d, que nada mais \u00e9 do que uma pr\u00e1tica racista em que atores brancos pintam o rosto de preto, simulando serem negros, de maneira c\u00f4mica e grotesca. O<em> <\/em>\u201ctransfake\u201d ocorre na com\u00e9dia e no drama, excluindo a presen\u00e7a de pessoas transg\u00eaneras, alimentando o preconceito, criando ou se baseando em narrativas distantes da realidade desta popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 o exemplo do filme \u201cA Garota Dinamarquesa\u201d, lan\u00e7ado em 2015 pelo diretor Tom Hooper, onde a personagem de Lili Elbe, interpretada pelo ator cisg\u00eanero Eddie Redmayne, se descobre como uma mulher transg\u00eanero ao longo da trama.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" height=\"339.0\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/GNFfMF0p5nwj5fzQWMOKkcf1frRn1uGH5FkiNwdavhZjw6ex1GrKrdOhgQqVD5e01XDmRK9fUGcZPGHwEyRsQtjqLUduGG0LBSRKxUR8z2FSeQSprB2944Mmv8jyhdc_ImLldxGw\" width=\"602.0\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Eddie Redmayne no filme \u201cA Garota Dinamarquesa\u201d <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>de Tom Hooper, 2015.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A falta de representatividade midi\u00e1tica e art\u00edstica e a manuten\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos negativos sobre as pessoas trans refor\u00e7am a vis\u00e3o que grande parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira t\u00eam de que pessoas transg\u00eaneros s\u00e3o indiv\u00edduos que se \u201cfantasiam\u201d. A falta de inclus\u00e3o desses sujeitos nos espa\u00e7os cinematogr\u00e1ficos, descarta tamb\u00e9m as oportunidades de trabalho. A taxa de desemprego no Brasil entre as pessoas que integram a comunidade LGBTQIA+ \u00e9 de 17,15%, mas quando relacionada apenas \u00e0s pessoas trans, o percentual sobe para 20,47%, de acordo com estudo feito pela plataforma #VoteLGBT com a Box1824, em 2021.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um cinema que inclua pessoas trans pode beneficiar essa parcela da popula\u00e7\u00e3o, ao estimular o contato do p\u00fablico com narrativas sem estere\u00f3tipos e com representa\u00e7\u00f5es verdadeiras. Podemos comemorar a conquista da atriz Michaela Ja\u00e9 Rodriguez, conhecida pelo seu papel como Blanca Evangelista na s\u00e9rie da FX, &#8216;Pose&#8217;, se tornando a primeira atriz transg\u00eanero da hist\u00f3ria a receber um Globo de Ouro. MJ Rodriguez, como \u00e9 conhecida, venceu a categoria de Melhor Atriz em s\u00e9rie de drama na edi\u00e7\u00e3o 2022 do pr\u00eamio \u2014 marcando, ainda, a primeira vit\u00f3ria da produ\u00e7\u00e3o, que estreou em 2018. S\u00e3o muitas vozes na luta pela representatividade e a abertura de espa\u00e7os colabora para o reconhecimento de suas identidades no mundo todo.<\/p>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" height=\"401.0\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/twOAdo_SmiBtcyedzbUC9VmxlIi7KImD2rCLJUvUZRv-s5NOeP67CZHuDzxoZbIvUmvUpJernYYXQc7h4T71CfkfXvviPCR6p6uxUYEl_DdleFMwX27-TQKy8oIFT58vFMUEWBT-\" width=\"602.0\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>MJ Rodriguez em Pose, 2018.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Israel Teixeira Vista como tabu, a exist\u00eancia de pessoas transexuais \u2013 pessoas que n\u00e3o se identificam com o g\u00eanero atribu\u00eddo no nascimento \u2013 ainda \u00e9 pouco discutida, o que acontece tamb\u00e9m quando se trata da representa\u00e7\u00e3o de suas identidades no cinema. 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