{"id":3227,"date":"2021-11-24T19:11:20","date_gmt":"2021-11-24T22:11:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/?p=3227"},"modified":"2021-11-24T19:36:05","modified_gmt":"2021-11-24T22:36:05","slug":"midiatizacao-da-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/midiatizacao-da-politica\/","title":{"rendered":"Midiatiza\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Juliano Domingues<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Engana-se quem pensa que a CPI da Pandemia terminou. Ela \u00e9 um daqueles epis\u00f3dios que chega ao fim, mas n\u00e3o tem data para acabar, e isso se deve, sobretudo, \u00e0 sua dimens\u00e3o midi\u00e1tica, em um ambiente at\u00edpico em termos comunicacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O confinamento e o distanciamento social incrementaram o consumo de m\u00eddia, principalmente de TV e de redes sociais digitais. As hashtags #CPIdaPandemia, #CPIdaCovid, #CPIdoGenoc\u00eddio figuraram entre os assuntos mais comentados do Twitter e os canais por assinatura GloboNews e CNN viram sua audi\u00eancia crescer consideravelmente com a transmiss\u00e3o ao vivo das sess\u00f5es. O v\u00eddeo do ex-ministro Pazuello na TV Senado no Youtube tem mais de 850 mil visualiza\u00e7\u00f5es e o de Fabio Wajngarten, ex-secret\u00e1rio especial de Comunica\u00e7\u00e3o Social, 650 mil, com direito a coment\u00e1rios como \u201cmelhor do que bbb\u201d, \u201cCPI \u00e9 bbb para adultos kk\u201d ou \u201cNetflix \u00e9 pros fracos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A amplifica\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica do trabalho da Comiss\u00e3o condicionou o comportamento de parlamentares, como o do relator Renan Calheiros, que chegou a criar uma caixa de coment\u00e1rios no Instagram para receber perguntas de integrantes da sua rede. A visibilidade das sess\u00f5es se refletiu, ainda, em um aumento fant\u00e1stico no n\u00famero de seguidores. Em abril, o presidente da CPI, Omar Aziz, tinha 1 mil seguidores no Twitter; agora, soma 238 mil; algo semelhante ao crescimento do bolsonarista Marcos Rog\u00e9rio que, no mesmo per\u00edodo, passou de 7 mil para 203 mil seguidores.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dados indicam que a CPI \u00e9, tamb\u00e9m, resultado de um novo ecossistema midi\u00e1tico, com impacto na esfera p\u00fablica. Nele, uma l\u00f3gica comunicacional centrada em indiv\u00edduos interconectados em escala produz uma determinada din\u00e2mica de opini\u00e3o p\u00fablica que influencia pr\u00e1ticas e racionalidades institucionais em um fen\u00f4meno que as ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o chamam de midiatiza\u00e7\u00e3o. Ele abarca, inclusive, a atividade pol\u00edtica, cuja constru\u00e7\u00e3o e propaga\u00e7\u00e3o de sentidos passa a apresentar ritmo, gram\u00e1tica e formato particulares, em fun\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas das plataformas em que s\u00e3o propagadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A capacidade da CPI de produzir e disseminar conte\u00fado pautou a pol\u00edtica nacional em 2021 e demarcou ainda mais a fronteira que separa apoiadores e cr\u00edticos do governo federal. A entrega do relat\u00f3rio, na quarta-feira (20), marca o encerramento formal dos trabalhos, mas indica que a CPI deve se estender, pelo menos, at\u00e9 outubro de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Juliano Domingues, cientista pol\u00edtico, coordena a C\u00e1tedra Luiz Beltr\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o<br>da Unicap.<br>Texto publicado no Jornal do Commercio no dia 24 de outubro de 2021.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Juliano Domingues Engana-se quem pensa que a CPI da Pandemia terminou. 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