{"id":3014,"date":"2021-09-09T20:33:11","date_gmt":"2021-09-09T23:33:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/?p=3014"},"modified":"2021-09-09T20:33:12","modified_gmt":"2021-09-09T23:33:12","slug":"conta-tua-historia-marcelo-diniz-aos-6-anos-eu-me-distraia-lendo-o-jornal-na-biblioteca-da-escola-na-hora-do-recreio-acredito-que-a-paixao-pelo-jornalismo-vem-dai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/conta-tua-historia-marcelo-diniz-aos-6-anos-eu-me-distraia-lendo-o-jornal-na-biblioteca-da-escola-na-hora-do-recreio-acredito-que-a-paixao-pelo-jornalismo-vem-dai\/","title":{"rendered":"Conta tua hist\u00f3ria: Marcelo  Diniz \u201cAos 6 anos eu me distra\u00eda lendo o jornal na biblioteca da escola, na hora do recreio. Acredito que a  paix\u00e3o pelo Jornalismo vem da\u00ed\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Por Concei\u00e7\u00e3o Tomaz<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210909-WA0033.jpg?resize=1024%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3015\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210909-WA0033-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210909-WA0033-980x980.jpg 980w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210909-WA0033-480x480.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption>Marcelo Diniz ( acervo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Marcelo Diniz, 35, aluno do 3.\u00ba per\u00edodo do curso de Jornalismo, \u00e9 cria da revolu\u00e7\u00e3o. Nasceu na periferia do Recife e foi criado nas comunidades do populoso bairro de Casa Amarela, na Zona Norte do Recife. Filho de uma mulher maranhense e preta. \u201cSou filho de Maria Cristina Serra Diniz, uma entre tantas Marias que tiveram de sair pelo mundo em busca de meios de sobreviv\u00eancia para criar seus filhos e tentar construir um futuro melhor para eles\u201d, diz emocionado.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e \u00e9 uma refer\u00eancia forte  na vida de Marcelo, hoje pai de tr\u00eas filhos. \u201cDona Cristiana, como era conhecida, foi costureira a vida toda. Veio de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o trazendo a mais velha de tr\u00eas filhos que j\u00e1 tinha, e obteve trabalho junto a algumas boutiques na capital pernambucana. Mas esse moment\u00e2neo sucesso seria interrompido quando se envolveu com meu pai, cujo nome prefiro n\u00e3o citar. Ele n\u00e3o assumiu a paternidade e a vida da minha m\u00e3e tornou-se muito mais dif\u00edcil, num tempo em que creches ainda n\u00e3o eram uma pol\u00edtica p\u00fablica t\u00e3o presente no cotidiano das mulheres pretas e perif\u00e9ricas\u201d, relata<\/p>\n\n\n\n<p>Com o abandono paterno e as dificuldades financeiras, Marcelo cresceu entre mudan\u00e7as constantes de casa e alimenta\u00e7\u00e3o escassa. Aprendeu a ler ainda em tenra idade, aos 3 anos, e aos 8 j\u00e1 usava sua aprendizagem precoce para fazer bicos para ajudar em casa. \u201cSa\u00eda da escola, pegava uma bicicleta que s\u00f3 tinha um pedal e ia para o banco de feira de &#8220;Seu Z\u00e9 do Bolo&#8221;, em Casa Amarela, fazer entregas de bolos de bacia, broas, bolos de macaxeira e outros, pelos bares da regi\u00e3o. No come\u00e7o, fazia isso escondido da minha m\u00e3e e da minha irm\u00e3. &#8220;Muitas vezes elas iam \u00e0 feira me procurar, pedindo para anunciarem meu nome na r\u00e1dio comercial, pedindo que os locutores me chamassem pelos alto-falantes instalados nos postes do bairro\u201d, relembra ele. Diniz ainda manteve essa rotina de trabalho e estudos, a contragosto materno, at\u00e9 os 11 anos, quando a rotina da escola exigia mais dedica\u00e7\u00e3o e essa era a condi\u00e7\u00e3o com sua m\u00e3e: os bicos n\u00e3o atrapalharem os estudos.<\/p>\n\n\n\n<p>As condi\u00e7\u00f5es da inf\u00e2ncia com a fam\u00edlia parece ter despertado o gosto pela luta por uma vida melhor e,  aos 12 anos, Marcelo come\u00e7ou a atuar em movimentos estudantis. \u201cFui estudar na Escola Estadual Dom Bosco, em Casa Amarela, em 1999, e a escola estava pegando fogo porque a comunidade queria eleger democraticamente a gest\u00e3o escolar, ent\u00e3o puxaram uma assembleia e fizemos a elei\u00e7\u00e3o na teimosia. A elei\u00e7\u00e3o foi cancelada, mas da\u00ed para frente eu sempre estava participando do Gr\u00eamio, mobilizando por uma alimenta\u00e7\u00e3o escolar de mais qualidade e levando o pessoal para as passeatas\u201d, conta. \u201cEssa rela\u00e7\u00e3o foi ficando mais intensa, ent\u00e3o fui cumprindo diversas tarefas na Uni\u00e3o Metropolitana de Estudantes Secundaristas: Diretor da regional Norte, depois Diretor para Escolas P\u00fablicas, Primeiro Secret\u00e1rio e Secret\u00e1rio Geral\u201d, completa Marcelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2005, Marcelo mudou-se para S\u00e3o Paulo, eleito Diretor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Uni\u00e3o Brasileira de Estudantes Secundaristas e obteve diversas conquistas no \u00e2mbito estudantil. \u201cConquistamos a obrigatoriedade do ensino de Filosofia e de Sociologia no Ensino M\u00e9dio e garantimos a aprova\u00e7\u00e3o do FUNDEB. Voltei para Recife em 2007, entrei para a Universidade anos depois, no curso de Direito e fui Secret\u00e1rio Geral da Uni\u00e3o de Estudantes de Pernambuco (UEP &#8211; C\u00e2ndido Pinto), al\u00e9m de participar de dois Diret\u00f3rios Acad\u00eamicos, o de Direito, da ASCES-UNITA e o de Comunica\u00e7\u00e3o Social, no Centro Acad\u00eamico do Agreste, da UFPE\u201d, relata o estudante. Marcelo tamb\u00e9m atua no movimento negro, e atualmente \u00e9 Diretor de Comunica\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o de Negras e Negros pela Igualdade (UNEGRO-PE).<\/p>\n\n\n\n<p>A paix\u00e3o pelo Jornalismo nasceu, ele acredita, desde muito cedo, aos 6 anos, quando perdia a hora de voltar a aula ap\u00f3s o recreio. \u201c\u00c0s vezes a professora do prim\u00e1rio tinha que mandar me chamar, porque me distra\u00eda lendo o jornal na biblioteca da escola. Acredito que a  paix\u00e3o pelo Jornalismo vem da\u00ed\u201d, explica Diniz.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Marcelo, h\u00e1 muitas dificuldades em estudar numa universidade, principalmente para quem veio de escola p\u00fablica. \u201cO Jornalismo e o Direito s\u00e3o duas paix\u00f5es sempre presentes em mim! Mas tem a dificuldade em conciliar trabalho (num tempo em que ele est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil) e o curso. Mesmo com alguma experi\u00eancia na \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o (fui Coordenador do Gabinete Digital da Prefeitura de Caruaru e tamb\u00e9m j\u00e1 tive um blog), n\u00e3o podemos dizer que seja uma \u00e1rea onde as vagas estejam em expans\u00e3o e, al\u00e9m disso, \u00e9 preciso concluir o curso para acessar oportunidades melhores\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMuitas vezes eu assisto \u00e0 aula no metr\u00f4, (quando a conex\u00e3o com a internet deixa), ou passo a madrugada acordado para poder assistir \u00e0s aulas que perdi ou concluir atividades. Tem hora que a cabe\u00e7a cansa de tanta tela, mas sigo resistindo\u201d, finaliza Marcelo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Concei\u00e7\u00e3o Tomaz Marcelo Diniz, 35, aluno do 3.\u00ba per\u00edodo do curso de Jornalismo, \u00e9 cria da revolu\u00e7\u00e3o. Nasceu na periferia do Recife e foi criado nas comunidades do populoso bairro de Casa Amarela, na Zona Norte do Recife. 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