{"id":2995,"date":"2021-09-08T18:05:40","date_gmt":"2021-09-08T21:05:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/?p=2995"},"modified":"2021-09-09T10:47:42","modified_gmt":"2021-09-09T13:47:42","slug":"coluna-de-quarta-a-saudade-que-mora-nas-letras-do-alfabeto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/coluna-de-quarta-a-saudade-que-mora-nas-letras-do-alfabeto\/","title":{"rendered":"Coluna de quarta: A saudade que mora nas letras do alfabeto"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Yuri Euz\u00e9bio<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0011.jpg?resize=1024%2C768&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-2999\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0011-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0011-980x735.jpg 980w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0011-480x360.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption>Yuri Euz\u00e9bio junto aos seus colegas de curso no campus da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco (acervo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Tem quem enxergue lado positivo na pandemia. Se houver mesmo, \u00e9 nele que mora um sentimento que vem me consumindo nos \u00faltimos meses. A saudade. Sentimento t\u00e3o bonito que criou-se at\u00e9 uma lenda de que a palavra seria exclusividade da l\u00edngua portuguesa. Verdade ou n\u00e3o, fato \u00e9 que esses infind\u00e1veis dias de quarentena modificaram nossa percep\u00e7\u00e3o das coisas e ajudaram a expandir nosso campo de vis\u00e3o, que j\u00e1 n\u00e3o era estreito.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, durante dois anos convivi, diariamente, nos corredores, escadas e salas que formam o campus da universidade com in\u00fameras pessoas. Mais ainda, morei por d\u00e9cadas durante algumas horas na biblioteca central, consumi banquetes fartos no complexo gastron\u00f4mico da Rua do Lazer e tive conversas definitivas sobre a vida e o cen\u00e1rio do jornalismo mundial sentado na grama verde do jardim do Bloco G. Sinto at\u00e9 um pouco de vergonha disso, mas precisou de uma pandemia pra me fazer perceber o qu\u00e3o especial foram esses momentos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0006.jpg?resize=1024%2C768&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3003\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0006-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0006-980x735.jpg 980w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0006-480x360.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Recentemente, em uma cr\u00f4nica deliciosa, a sabida professora Adriana D\u00f3ria falou sobre a mem\u00f3ria que cabe nas coisas, pego carona na ideia pra falar sobre os lugares. Quantas lembran\u00e7as carinhosas guardo daquelas salas do Bloco A?? N\u00e3o consigo nem mensurar. A 307 e a 510 s\u00e3o morada da saudade que n\u00e3o vejo a hora de revisitar. Ali\u00e1s, sinto saudades imensas das in\u00fameras letras do alfabeto que possam existir sob forma de blocos da Cat\u00f3lica. Blocos G, B, C, D, E e at\u00e9 o distante e austero J entram na conta. Incr\u00edvel como nossa mem\u00f3ria \u00e9 constru\u00edda tamb\u00e9m pelos lugares que frequentamos. Ainda mais quando se trata de uma rela\u00e7\u00e3o intensa, vivida de segunda a s\u00e1bado, por vezes ocupando o dia inteiro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0009.jpg?resize=768%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3000\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0009-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0009-480x640.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 768px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos lugares, as pessoas d\u00e3o sentido ao que se vive ali. Imposs\u00edvel n\u00e3o lembrar de Marcos \u201cGordinho\u201d e a paz e seguran\u00e7a que ele transmite ao pensar naquele laborat\u00f3rio de r\u00e1dio onde vivemos nossas primeiras experi\u00eancias com a m\u00eddia sonora. Basta olhar pra Gordinho de dentro do est\u00fadio que j\u00e1 nos sentimos mais calmos, tendo a certeza de que ele ir\u00e1 nos salvar de todo o mal que possa acontecer. Como falar do est\u00fadio de TV sem, imediatamente, criar a figura do nosso her\u00f3i Marc\u00e3o na cabe\u00e7a?? Ou ent\u00e3o de Kety Marinho, Alex e Gustavo, verdadeiros diretores de externa nas nossas primeiras e tensas grava\u00e7\u00f5es na rua. Pessoas com sensibilidade e destreza para nos dizer o que vai dar certo ou n\u00e3o na mat\u00e9ria.At\u00e9 o elevador da universidade ganhava novo sentido gra\u00e7as a Kimberly, a ascensorista mais fofa que se tem not\u00edcia. E o que falar do gigante M\u00facio?<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais surreal que pare\u00e7a, sinto saudades at\u00e9 da fila pra pegar o elevador, que servia de desculpa pra fofocar ou de perder preciosos momentos procurando um texto na Copynet. Do molho especial de Beto Burguer, do suco inigual\u00e1vel do A\u00e7ai do Br\u00f3der, da tapioca da tia ou de dividir um prato de yakisoba com todos os meus amigos. At\u00e9 a pipoca da Rua do Lazer era diferente. S\u00f3 quem j\u00e1 comeu sabe do que eu t\u00f4 falando e pode julgar. Cria-se uma fam\u00edlia ao longo dos quatro anos de curso, essa j\u00e1 \u00e9 uma verdade muito bem enraizada no imagin\u00e1rio coletivo. Mas essas pessoas, que orbitam na universidade, tamb\u00e9m fazem parte da fam\u00edlia que a gente ganha durante nossa viv\u00eancia ali.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0007.jpg?resize=1024%2C768&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3002\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0007-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0007-980x735.jpg 980w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0007-480x360.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Claro que essa gradua\u00e7\u00e3o ganharia outro sentido sem a presen\u00e7a dos grandes amigos que fiz dentro dessas salas do Bloco A. O que seria de mim nesses quatro anos sem a firmeza de Ariel, meu bromance \u00e0 primeira vista? Ou as conversas com Gabi Agra, minha dupla de tudo e a quem sempre recorro seja pra conhecer algum artista novo ou pra discutir os rumos da na\u00e7\u00e3o?? Meu Deus! N\u00e3o consigo imaginar esse curso sem os memes de Alejandro e Aracelly e nossas incurs\u00f5es por lugares loucos. Mesma coisa de Pedro, um lorde da cultura pop, ou Jonnas e suas frases de efeito impactantes. N\u00e3o sinto exatamente saudade deles, porque continuamos nos falando diariamente, mas \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o lembrar deles quando vou, vejo ou escrevo algo relacionado \u00e0 Unicap.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda uma saudade muito espec\u00edfica que \u00e9 a da conviv\u00eancia presencial com os professores. Seja em uma piada do sempre otimista Cl\u00e1udio Bezerra na 307 ou uma reuni\u00e3o de Pibic carinhosa com nossa m\u00e3ezona Carla Teixeira, ou passar horas p\u00f3s-\u00faltima aula de sexta de Andrea Trigueiro conversando com ela, que \u00e9 pura anima\u00e7\u00e3o, sem ver a hora passar, ou anotando uma indica\u00e7\u00e3o de filme do Juliano Domingues, ou rindo de alguma hist\u00f3ria de bastidor jornal\u00edstico do mestre Alexandre Figueir\u00f4a, ou recebendo pizza na aula de Ver\u00f4nica Brayner (isso aconteceu!), ou em uma roda de debate organizada por um discretamente animado e instigado Lula Pinto, ou pegando dicas de pe\u00e7as de teatro com a elegante Stella Maris, ou ainda um grande momento do jornalismo pernambucano com Dario Brito, ou ir pra Toritama com Vlau, ou\u2026 ou\u2026 Posso passar o dia aqui relembrando. H\u00e1 ainda aqueles que s\u00f3 conheci no ensino remoto, mas que j\u00e1 admirava de longe como a enciclop\u00e9dia cultural que \u00e9 Adriana D\u00f3ria e os doces Filipe Falc\u00e3o e Carol Monteiro ou quem admirei durante todo o curso e s\u00f3 encontrei fora de sala de aula pra pedir ajuda, que foi prontamente atendida, como Aline Grego, esp\u00e9cie de patrona do curso.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0008.jpg?resize=1024%2C768&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3001\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0008-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0008-980x735.jpg 980w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/IMG-20210908-WA0008-480x360.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Enfim, do alto do \u00faltimo per\u00edodo da gradua\u00e7\u00e3o e prestes a me formar me sinto como Emicida e escrevo como quem manda cartas de amor. Sou s\u00f3 gratid\u00e3o e nostalgia. A Unicap vai ser pra sempre um ponto de encontro com essas hist\u00f3rias dos \u00faltimos quatro anos. E n\u00e3o vejo a hora de tudo isso passar para reencontrar algumas dessas pessoas e lugares, reviver momentos e criar novas lembran\u00e7as. E acho que t\u00e1 cada vez mais perto disso acontecer. Aos que voltar\u00e3o ou que ir\u00e3o viver pela primeira vez nesse espa\u00e7o pe\u00e7o, na verdade exijo, que aproveitem ao m\u00e1ximo. Passa mais r\u00e1pido do que se pode imaginar.<\/p>\n\n\n\n<p> <span style=\"background-color: rgba(102, 102, 102, 0.2);\"><sub>Yuri Euz\u00e9bio \u00e9 formado em Hist\u00f3ria pela UFPE e estudante do curso de Jornalismo do 8\u00ba per\u00edodo<\/sub><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Yuri Euz\u00e9bio Tem quem enxergue lado positivo na pandemia. Se houver mesmo, \u00e9 nele que mora um sentimento que vem me consumindo nos \u00faltimos meses. A saudade. 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