{"id":2873,"date":"2021-07-16T19:01:31","date_gmt":"2021-07-16T22:01:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/?p=2873"},"modified":"2021-07-16T19:23:23","modified_gmt":"2021-07-16T22:23:23","slug":"coluna-de-sexta-tres-tempos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/coluna-de-sexta-tres-tempos\/","title":{"rendered":"Coluna de sexta: Tr\u00eas tempos"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Alexandre Figueir\u00f4a<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/foto1-1.jpg?resize=1024%2C768&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-2885\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/foto1-1.jpg 1024w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/foto1-1-980x735.jpg 980w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/foto1-1-480x360.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption><strong>Vista de Vila Velha, em Itamarac\u00e1<\/strong><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>In\u00edcio dos anos 1980<br><\/strong>Depois de largar o curso de engenharia pela metade, me aventurei no jornalismo. Entrei no Curso de Jornalismo da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco em 1980 e tive sorte. J\u00e1 no segundo semestre eu era rep\u00f3rter de geral do hoje extinto Di\u00e1rio da Noite. Com as aulas de Salett Tauk, Carlos Benevides, Lucia Noya, Vera Ferraz, Eduardo Ferreira, Teresa Cunha, Valdelusa D\u2019Arce, entre outros, fui alinhando a pr\u00e1tica e os ensinamentos em sala de aula. Na \u00e9poca, no curr\u00edculo, havia a disciplina Jornalismo Comparado. Foi nela que travei contato com a professora Valdelusa. Rigorosa, exigente, com ela n\u00e3o tinha boquinha n\u00e3o. Como sempre fui um bom aluno (n\u00e3o serei modesto), nossa conviv\u00eancia foi pac\u00edfica. Eu sabia que ela era uma jornalista experiente e importante do Diario de Pernambuco e j\u00e1 fora Chefe do Departamento de Comunica\u00e7\u00e3o Social, portanto, como era meu costume, ficava atento aos conhecimentos que ela transmitia. Achava-a uma figura curiosa. Usava brincos combinando com os colares, o cabelo sempre arrumado e pintado e tinha um olhar ir\u00f4nico e \u201cabusado\u201d, por tr\u00e1s dos \u00f3culos, que eu n\u00e3o conseguia desvendar direito o significado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>In\u00edcio dos anos 1990<br><\/strong>Em 1992, para minha surpresa, o professor Carlos Benevides, ent\u00e3o Chefe do Departamento de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Unicap me convidou para fazer um teste para ser professor de Jornalismo Impresso. Na \u00e9poca trabalhava no Caderno C do Jornal do Commercio e a proposta me encantou. Mas, para ser aceito teria que ministrar uma aula, uma esp\u00e9cie de teste para ver se levava jeito como docente. No dia da avalia\u00e7\u00e3o, na minha frente, Carlos Benevides, Lucia Noya e Valdelusa D\u2019Arce. A tens\u00e3o inicial, todavia, foi se desfazendo na medida em que ministrei a aula fict\u00edcia. No final, sorrisos e elogios. Embora aprovado, o medo do novo desafio pela frente era evidente. Carlos e Val, com quem nos tempos de aluno havia estabelecido uma rela\u00e7\u00e3o mais estreita, me tranquilizaram. \u201cVai dar tudo certo, Xando\u201d, disseram contentes por tudo ter sa\u00eddo como esperado. E, logo, l\u00e1 estava eu na sala dos professores, um local o qual s\u00f3 via de soslaio nos tempos de aluno. Me juntei a Aline Grego, Yvana Fechine, Ildefonso Fonseca, mas era com Valdelusa, agora Val, agora colega de ensino, com quem mais gostava de conversar. Descobri que ela n\u00e3o era \u201cabusada\u201d como imaginara, mas uma pessoa divertida e generosa. Ria com suas hist\u00f3rias e adorava quando ela dava um muxoxo e dizia \u201cdaiguileife, darling\u201d para sinalizar algo com o qual ela tinha algum tipo de reprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>In\u00edcio dos anos 2000<br><\/strong>Ap\u00f3s voltar do meu doutorado na Fran\u00e7a, conclu\u00eddo em 1999, voltei a sala de aula e reencontrei Val. Ela, ent\u00e3o, me convidou para conhecer o s\u00edtio que ela tinha adquirido em Itamarac\u00e1, na estrada de Vila Velha. Um domingo de janeiro do primeiro ano do s\u00e9culo 21 fui conhecer o lugar e me apaixonei. Val me disse: por que voc\u00ea n\u00e3o compra esse lote ao lado do meu? N\u00e3o pensei duas vezes. Agora, al\u00e9m de ex-aluno e colega de trabalho, \u00e9ramos vizinhos. Val amava Itamarac\u00e1 e todos os finais de semana aparecia por l\u00e1. Constru\u00ed uma casa, plantei um jardim e, por muitos anos, sempre que vinha para a ilha saia com ela para tomar uma cervejinha, ir \u00e0 praia e almo\u00e7ar no restaurante de Seu Sissi e Dona Marluce, em Vila Velha. Foi assim que conheci seus amigos prediletos, o seu irm\u00e3o (um cin\u00e9filo inveterado), as sobrinhas e sobrinhos, que ela amava e cuidava como se fossem filhos. Os anos passaram, Val saiu da Unicap, aposentou-se do Diario de Pernambuco e abriu uma escola de enfermagem. N\u00e3o tinha ressentimentos por n\u00e3o estar mais na ativa como jornalista ou professora. Nas nossas conversas sempre tinha um espa\u00e7o para lembrar dos bons momentos que ela tinha vivido na Unicap e no DP. Gostava de relembrar as viagens que fez como rep\u00f3rter e editora do caderno de turismo, os bons alunos que a orgulhavam pelo sucesso alcan\u00e7ado, o per\u00edodo em que foi secretaria de Turismo de Itamarac\u00e1, as amizades com Reginaldo Rossi e Gretchen, de quem se recordava com humor e carinho. A amiga, no entanto, continuava mestra. Ficava feliz com minhas conquistas e nunca deixava de me incentivar quando lhe falava dos meus projetos profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ah, o tempo\u2026<\/strong><br>Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, nos v\u00edamos pouco. A idade, as limita\u00e7\u00f5es pela sa\u00fade fr\u00e1gil n\u00e3o permitiam a Val a desenvoltura e a liberdade de antes. Do meu lado, as in\u00fameras obriga\u00e7\u00f5es profissionais, o p\u00f3s-dourado fora do pa\u00eds, foram tornando esparsos os nossos encontros. Agora Valzinha se foi. N\u00e3o vamos mais comer juntos a feijoada de Dona X\u00f4xa, n\u00e3o saberei mais as fofocas dos bastidores do jornalismo pernambucano e nem ouvirei ela dizer, quando algu\u00e9m se metia a besta na frente dela, o taxativo: \u201cent\u00e3o t\u00e1, darling!\u201d seguidos de uma risada irreverente e um beijinho no ombro. Assim \u00e9 a vida. Seguiremos com a lembran\u00e7a dos seus ensinamentos e a saudade de sua alegria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Alexandre Figueir\u00f4a \u00e9 jornalista, doutor em Estudos Cinematogr\u00e1ficos e professor do curso de Jornalismo e do Mestrado em Ind\u00fastrias Criativas da Unicap. Teve o privil\u00e9gio, como muitos dos professores do curso, de ter tido Valdelusa como professora e amiga.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/foto2-4.jpg?resize=768%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-2892\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/foto2-4.jpg 768w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/foto2-4-480x640.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 768px, 100vw\" \/><figcaption><strong>Igreja de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, em Vila Velha, Itamarac\u00e1<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Alexandre Figueir\u00f4a In\u00edcio dos anos 1980Depois de largar o curso de engenharia pela metade, me aventurei no jornalismo. 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