{"id":2851,"date":"2021-06-25T23:41:08","date_gmt":"2021-06-26T02:41:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/?p=2851"},"modified":"2021-06-26T13:04:00","modified_gmt":"2021-06-26T16:04:00","slug":"coluna-educacao-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/coluna-educacao-comunicacao\/","title":{"rendered":"Coluna: Educa\u00e7\u00e3o &#038; Comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"819\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210626_130010_280.jpg?resize=1024%2C819&#038;ssl=1\" alt=\"\" data-id=\"2856\" data-full-url=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210626_130010_280.jpg\" data-link=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/coluna-educacao-comunicacao\/img_20210626_130010_280\/\" class=\"wp-image-2856\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210626_130010_280-980x784.jpg 980w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_20210626_130010_280-480x384.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Design: Wilma Santos<\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">AS IMPLICA\u00c7\u00d5ES PEDAG\u00d3GICAS DA IMAGEM<\/h2>\n\n\n\n<p>Por: Aline Maria Grego Lins<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma civiliza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica s\u00f3 se salvar\u00e1 se fizer da linguagem da imagem uma provoca\u00e7\u00e3o \u00e0 reflex\u00e3o cr\u00edtica, n\u00e3o um convite \u00e0 hipnose\u201d Umberto Eco (1987)<\/p>\n\n\n\n<p>A humanidade, a partir do momento que descobriu seu poder para comunicar-se, procurou, ao longo de sua hist\u00f3ria, por meio da constru\u00e7\u00e3o de reflex\u00f5es e argumentos,&nbsp; conquistar um audit\u00f3rio para seu discurso. Empregamos o termo audit\u00f3rio aqui na concep\u00e7\u00e3o de Chaim Perelman (1996),&nbsp; isto \u00e9,&nbsp; audit\u00f3rio quem o discurso \u00e9 dirigido. Para ganhar a ades\u00e3o desse audit\u00f3rio, o homem desenvolveu linguagens, t\u00e9cnicas e tecnologias, entre elas,&nbsp; as utilizadas pelo audiovisual, que conseguem aliar os discursos verbal e visual, em meios eletr\u00f4nicos ou digitais.&nbsp; A imagem, de certa forma, corrobora com o discurso verbal, procurando, sobretudo, atender ao imagin\u00e1rio social.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte-se, aqui, do pressuposto que toda e qualquer sociedade constitui um imagin\u00e1rio social para sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia, ou por fuga ou para produzir solu\u00e7\u00f5es para suas expectativas. O imagin\u00e1rio funciona como uma esp\u00e9cie de ponte entre a vida em sociedade que temos (concreta) e a vida que gostar\u00edamos de ter ou viver. N\u00e3o \u00e9 de se estranhar, a partir dessa vis\u00e3o, que tenhamos a sociedade atual marcada pela exposi\u00e7\u00e3o de imagens, inclusive, por falsas imagens que diariamente tomam de assalto as redes sociais, as denominadas fakes.<\/p>\n\n\n\n<p>O imagin\u00e1rio que antes era constitu\u00eddo na rela\u00e7\u00e3o direta do homem com o pr\u00f3prio homem e&nbsp; deste com a natureza, nos lembra Ren\u00e9 Berger, agora \u00e9 intermediado pelas m\u00e1quinas amplificadoras dos seus discursos. Trava-se a pedagogia que denominamos da sedu\u00e7\u00e3o, em que a imagem \u00e9, muitas vezes, utilizada como ferramenta para um discurso persuasivo, talvez provocada pela descoberta do homem de que na concretude da realidade,&nbsp; desiludir-se \u00e9 uma tarefa sempre mais dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar a imagem sob o ponto de vista pedag\u00f3gico, dois autores chamam a nossa aten\u00e7\u00e3o e nos fundamentam nesse texto, o&nbsp; brasileiro,&nbsp; Paulo Freire, e o franc\u00eas, Jean Piaget. Ambos n\u00e3o tratam da imagem eletr\u00f4nica ou digital, como as conhecemos hoje e pelas quais nossas produ\u00e7\u00f5es s\u00e3o permeadas, mas falam da capacidade comunicativa e cognitiva da imagem. \u00c9&nbsp; a partir dessa perspectiva, que este texto reflete sobre as possibilidades propiciadas pelas imagens, sejam elas resultados mentais individuais ou produ\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Piaget desenvolveu trabalhos sobre a Psicologia do Desenvolvimento (1988), que contribuem para a compreens\u00e3o da imagem e seus desdobramentos para a forma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio indiv\u00edduo. \u00c9 preciso esclarecer que para Piaget a imagem, que ele denomina de mental, \u00e9 uma imagem que difere da percep\u00e7\u00e3o. Ele se refere a uma imita\u00e7\u00e3o interiorizada que fazemos dos objetos reais para tentarmos compreend\u00ea-los. A imagem, assim, p\u00f5e-se a servi\u00e7o da assimila\u00e7\u00e3o em torno do significante em rela\u00e7\u00e3o ao significado. Ela \u00e9, portanto, um significante diferenciado. A percep\u00e7\u00e3o para Piaget (1983) \u00e9 o conhecimento que adquirimos atrav\u00e9s do contato direto com os objetos e seus movimentos, enquanto a imagem \u00e9 o signo (s\u00edmbolo) do objeto, portanto, representa\u00e7\u00e3o desse objeto que contribui, direta ou indiretamente, para a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, nos aproximamos assim, dos fundamentos semi\u00f3ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Paulo Freire (1980), por sua vez, v\u00ea na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento a oportunidade de o homem, enquanto sujeito e n\u00e3o objeto passivo, ter a capacidade para inventar e reinventar esse conhecimento, uma a\u00e7\u00e3o que vai exigir \u201cuma presen\u00e7a curiosa do sujeito em face do mundo\u201d, em outras palavras, aponta Freire, requer uma a\u00e7\u00e3o transformadora sobre a pr\u00f3pria realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A intelig\u00eancia humana, nos seus primeiros passos em dire\u00e7\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, utiliza-se da imagem a t\u00edtulo de representa\u00e7\u00e3o para desenvolver-se e se relacionar com o exterior. Assim, a linguagem e a fun\u00e7\u00e3o semi\u00f3tica mais geral possibilitam, al\u00e9m da comunica\u00e7\u00e3o verbal, um universo de representa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 de objetos f\u00edsicos, mas, tamb\u00e9m, de sentimentos pr\u00f3prios da condi\u00e7\u00e3o humana. Piaget afirma que \u00e9 poss\u00edvel admitir que o pensamento se faz acompanhado de imagens e, uma vez que pensar consiste em interligar significa\u00e7\u00f5es, a imagem passa a funcionar como um significante e o conceito produzido pela mente funciona como significado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao reconhecer a import\u00e2ncia da imagem na constru\u00e7\u00e3o do nosso conhecimento e na representa\u00e7\u00e3o do mundo, compreende-se como igualmente fundamental, refletir e compreender os efeitos n\u00e3o apenas das imagens mentais, mas, tamb\u00e9m, das imagens constru\u00eddas socialmente em nosso entorno, a exemplo das imagens produzidas em pinturas, fotografias, ou as imagens em movimento que s\u00e3o a base do discurso audiovisual, composto pela linguagem verbal\/sonora e pela linguagem imag\u00e9tica. Nunca \u00e9 demais lembrar que a linguagem verbal \u00e9 uma, talvez a principal manifesta\u00e7\u00e3o de uma fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica geral constru\u00edda coletivamente, mas ela n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. A transforma\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o em imagem tem uma parcela significativa de interioriza\u00e7\u00e3o no pensamento, ao contr\u00e1rio da linguagem verbal que \u00e9 mais socializada, pois se alimenta de signos convencionados coletivamente. Claro que a imagem interiorizada, a imagem mental de que fala Piaget, tamb\u00e9m pode ser exteriorizada, a exemplo das manifesta\u00e7\u00f5es em desenhos, pinturas, audiovisuais, entre outros, sob forma de linguagem afetiva, revigorada a partir das pr\u00f3prias constru\u00e7\u00f5es imag\u00e9ticas simb\u00f3licas, tal como ocorre com a poesia ou com a linguagem po\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 pertinente nesse ponto ressaltar que a imagem a que Piaget se refere \u00e9 interiorizada, porque ela \u00e9 formada na mente do ser humano e, que ainda que seja interiorizada, ela \u00e9 tamb\u00e9m produto de representa\u00e7\u00f5es sociais. \u00c9 evidente, tamb\u00e9m, que no caso da imagem televisiva ou dos audiovisuais exibidos em plataformas na internet, a imagem n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 exterior, como \u00e9 social, tal como ocorre com a linguagem verbal.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de a imagem n\u00e3o se desenvolver de forma aut\u00f4noma, o mesmo ocorre com as outras formas figurativas da atividade cognitiva, ela \u00e9 de grande import\u00e2ncia para o desenvolvimento intelectual do indiv\u00edduo. Piaget chega a afirmar que \u00e9 dif\u00edcil efetuarmos algumas opera\u00e7\u00f5es, a exemplo da matem\u00e1tica, sem o apoio simb\u00f3lico das imagens, principalmente quando estamos nos primeiros anos de nossas vidas e n\u00e3o conseguimos&nbsp; ainda fazer as abstra\u00e7\u00f5es. Assim, \u00e9 poss\u00edvel dizer que no desenvolvimento cognitivo-intelectual, a imagem exerce importante fun\u00e7\u00e3o. \u00c9 partindo desse pressuposto, que tentamos tra\u00e7ar rela\u00e7\u00f5es entre as imagens sociais constru\u00eddas por n\u00f3s, sejam elas artesanais, eletr\u00f4nicas e\/ou digitais, com a imagem mental, que tamb\u00e9m como a social, \u00e9 representa\u00e7\u00e3o e interfere no processo de constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. Podemos, em outras palavras, dizer que nossa forma\u00e7\u00e3o est\u00e1 permeada tanto por imagens mentais quanto sociais, que interferem na constru\u00e7\u00e3o do nosso imagin\u00e1rio, inclusive no imagin\u00e1rio social, campo fartamente explorado pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o e, hoje, pelas redes sociais. A sociedade para definir as rela\u00e7\u00f5es com o mundo, a sua identidade, procura obter respostas atrav\u00e9s das suas significa\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias, respostas que a realidade por si s\u00f3, por vezes, n\u00e3o consegue fornecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, meios de comunica\u00e7\u00f5es, institutos de pesquisas e opini\u00f5es, banco de dados e plataformas digitais, buscam desesperadamente (e na maioria das vezes conseguem) identificar que significa\u00e7\u00f5es s\u00e3o essas que instituem e s\u00e3o institu\u00eddas pelo imagin\u00e1rio social, para delas tirarem proveito. Basta lembrar as batalhas travadas, no campo da comunica\u00e7\u00e3o e da pol\u00edtica, nos per\u00edodos eleitorais. Com t\u00e9cnicas apuradas, sofisticados recursos (nem sempre \u00e9ticos), campanhas eleitorais tentam atingir com seu discurso imag\u00e9tico n\u00e3o as necessidades de fato detectadas pelos diversos segmentos de uma dada sociedade, mas atingir os elementos eleitos ou desejados como ideais por essa sociedade. Reduzir ou acabar com o desemprego, extirpar a corrup\u00e7\u00e3o, dar seguran\u00e7a e sa\u00fade de qualidade, conquistar moradia digna s\u00e3o desejos quase sempre contemplados em qualquer sociedade.&nbsp; E se as imagens da realidade concreta n\u00e3o correspondem a esse desejo, imediatamente s\u00e3o substitu\u00eddas por recursos visuais que v\u00e3o agu\u00e7ar e fazer com que tais desejos pare\u00e7am realiz\u00e1veis, mesmo que fundadas em imagens simuladas por recursos computacionais que contemplem o discurso da persuas\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao identificar os recantos de cada significa\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, a televis\u00e3o, assim como as redes sociais, por exemplo,&nbsp; trabalham para tentar atrair e conquistar a ades\u00e3o do audit\u00f3rio de que fala Perelman. Nem sempre essa conquista \u00e9 configurada, uma vez que o processo hist\u00f3rico de constru\u00e7\u00e3o de toda sociedade \u00e9, ao mesmo tempo, um processo instituinte e institu\u00eddo pela pr\u00f3pria sociedade, portanto, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para o determinismo, menos ainda para a manipula\u00e7\u00e3o passiva. Todavia,&nbsp; para que a rea\u00e7\u00e3o cr\u00edtica ocorra, \u00e9 fundamental que a sociedade se instrumentalize, porte ferramentas capazes de lhe propiciar esse recurso e criticidade. No quesito imagem precisamos, em tempos de fakes e de fakes news, desenvolver a alfabetiza\u00e7\u00e3o do olhar, que nos permita reconhecer e quebrar simulacros, e entender o discurso das imagens no que ele apresenta de explicito ou no que nele apresenta-se dissimulado.<\/p>\n\n\n\n<p>Entende-se que a imagem mental&nbsp; concebida por Piaget contribui para o desenvolvimento, por exemplo, da crian\u00e7a no que se refere ao seu processo de compreens\u00e3o, tanto do discurso verbal quanto do n\u00e3o verbal, al\u00e9m, \u00e9 claro, de ser um instrumento para o aprimoramento cognitivo intelectual. Compreende-se, tamb\u00e9m, que a imagem pode funcionar como mais um elemento esclarecedor do discurso e das experi\u00eancias vividas no dia a dia. Sabemos que essa fun\u00e7\u00e3o semi\u00f3tica n\u00e3o se esgota na inf\u00e2ncia, e que o recurso ao uso de imagens \u00e9 requisitado por n\u00f3s, a todo tempo, para a compreens\u00e3o de discursos e fen\u00f4menos, sejam essas imagens mentais ou sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o as imagens produzidas socialmente, a exemplo da televisiva e dos audiovisuais, hoje fartamente explorados nas plataformas na internet, entende-se que elas poderiam ser \u00fateis na medida em que, assim como os signos e as imagens mentais, contribuem para a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. As imagens eletr\u00f4nicas e digitais poderiam auxiliar tanto de forma ilustrativa quanto reflexiva sobre os processos de compreens\u00e3o dos diferentes fen\u00f4menos e discursos, inclusive o imag\u00e9tico. Ao reconhecer o fasc\u00ednio que a imagem provoca e produz na sociedade, desde o entretenimento at\u00e9 a seguran\u00e7a das pessoas e dos seus bens (basta lembrar os circuitos internos de seguran\u00e7a que se utilizam de c\u00e2meras)&nbsp; \u00e9 importante n\u00e3o perder de vista que esse fasc\u00ednio tanto serve para o bem quanto para prop\u00f3sitos escusos. Da\u00ed a necessidade de estarmos atentos e preparados diante de imagens que acessamos ou tomamos como representa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o, na realidade, resultados de falsas representa\u00e7\u00f5es, falsas imagens, s\u00e3o fakes. Que implica\u00e7\u00f5es elas ter\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o do discurso que desejam reverberar? A pr\u00e1tica cr\u00edtica reflexiva parece ser a resposta e sa\u00edda mais sensata a essa quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Paulo Freire (1980), ao analisar a imagem adotada pela propaganda e sua for\u00e7a m\u00edtica da persuas\u00e3o, no livro Comunica\u00e7\u00e3o ou Extens\u00e3o, alerta que a ningu\u00e9m se persuade ou se submete \u00e0 for\u00e7a, quando se tem uma op\u00e7\u00e3o libertadora. \u201cNeste caso aos homens se lhes problematiza sua situa\u00e7\u00e3o, concreta, objetiva, real, para que captando-a, atuem tamb\u00e9m criticamente sobre ela\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A sociedade \u00e9 um eterno vulc\u00e3o em ebuli\u00e7\u00e3o, que \u00e0s vezes parece estar adormecido, passivo, e em outros momentos enfurecido, jorrando suas convuls\u00f5es. A sociedade \u00e9 permeada por necessidades, desejos, perspectivas, objetivos pessoas e coletivos, coincidentes ou contradit\u00f3rios. Assim, cada sociedade est\u00e1 em constante processo de constru\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o, algumas de forma mais r\u00e1pida, outras de modo mais lento, correndo, inclusive, o risco de integrarem-se ou desintegrarem-se completamente, esse per\u00edodo da pandemia provocada pela Covid 19, tem nos ensinado duramente essa li\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para defender-se do que lhe parece amea\u00e7ador ou para preservar o que existe e&nbsp; parece seguro, a sociedade procura criar estruturas que garantam sua pr\u00f3pria exist\u00eancia, a exemplo da Fam\u00edlia, Igreja, Clubes, Escolas, Grupos de amigos, Partidos pol\u00edticos, Estados. Tais institui\u00e7\u00f5es utilizam-se de dois sistemas imprescind\u00edveis para a manuten\u00e7\u00e3o: a educa\u00e7\u00e3o e a comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entender a exist\u00eancia de um sistema sem o outro. Em toda a comunica\u00e7\u00e3o existe um processo educativo, declarado ou n\u00e3o. Por sua vez, na educa\u00e7\u00e3o ocorre um processo comunicativo. \u00c9 preciso, contudo, deixar claro que a educa\u00e7\u00e3o entendida aqui n\u00e3o se restringe a transmiss\u00e3o do saber, mas refere-se, principalmente, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o que proporciona o encontro dos sujeitos que buscam e questionam, nas suas rela\u00e7\u00f5es, a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento e forma\u00e7\u00e3o. Inicialmente restrito as fam\u00edlias, depois ampliada para o espa\u00e7o escolar, o processo educativo, com o advento dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, foi amplificado para diferentes suportes. Constru\u00e7\u00e3o, assimila\u00e7\u00e3o, reconstru\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o do conhecimento n\u00e3o dependem mais e unicamente de um espa\u00e7o f\u00edsico, suportes baseados na virtualidade s\u00e3o cada vez mais acessados e s\u00e3o esses suportes que, cada vez mais, ampliam o uso das imagens, persuasivamente ou n\u00e3o. Quando falamos em persuas\u00e3o, ela n\u00e3o deve ser entendida como uma a\u00e7\u00e3o negativa. A persuas\u00e3o tamb\u00e9m pode ser utilizada para bons prop\u00f3sitos, como por exemplo, convencer a popula\u00e7\u00e3o a tomar a vacina contra a Covid-19 (a\u00e7\u00e3o educomunicativa).<\/p>\n\n\n\n<p>A nossa compreens\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o, baseada no referencial de Paulo Freire, \u00e9 a que v\u00ea o processo educativo como pr\u00e1tica da liberdade, do homem nas suas rela\u00e7\u00f5es com o mundo, do qual ele n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 parte integrante, mas tamb\u00e9m seu construtor. S\u00f3 assim, no que tange as imagens, e de modo especial as falsas imagens, ser\u00e1 poss\u00edvel combat\u00ea-las, porque ao ser recebidas de forma cr\u00edtica, elas poder\u00e3o ser desmascaradas. A quest\u00e3o \u00e9, a quem interessa desmascarar as falsas representa\u00e7\u00f5es? O jornalismo e a educa\u00e7\u00e3o, entendemos, por sua ess\u00eancia, devem estar atentos e preocupar-se com esse processo, pois todo ato comunicativo \u00e9 educativo e todo ato educativo \u00e9 comunicativo, como lembra Freire, em sua obra Pedagogia do Oprimido (1988) \u201cA educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica da liberdade, ao contr\u00e1rio daquela que \u00e9 pr\u00e1tica da domina\u00e7\u00e3o, implica a nega\u00e7\u00e3o do homem abstrato, isolado, solto, desligado do mundo como uma realidade ausente dos homens\u201d, que nossa realidade se torne repleta de homens cr\u00edticos e libertadores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AS IMPLICA\u00c7\u00d5ES PEDAG\u00d3GICAS DA IMAGEM Por: Aline Maria Grego Lins \u201cUma civiliza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica s\u00f3 se salvar\u00e1 se fizer da linguagem da imagem uma provoca\u00e7\u00e3o \u00e0 reflex\u00e3o cr\u00edtica, n\u00e3o um convite \u00e0 hipnose\u201d Umberto Eco (1987) A humanidade, a partir do momento que descobriu seu poder para comunicar-se, procurou, ao longo de sua hist\u00f3ria, por meio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2851","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2851","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2851"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2851\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2857,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2851\/revisions\/2857"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2851"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2851"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2851"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}