{"id":2808,"date":"2021-06-04T20:43:59","date_gmt":"2021-06-04T23:43:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/?p=2808"},"modified":"2021-06-04T20:44:04","modified_gmt":"2021-06-04T23:44:04","slug":"coluna-cronicamente-inviavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/coluna-cronicamente-inviavel\/","title":{"rendered":"Coluna: CRONICAMENTE (IN)VI\u00c1VEL"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"819\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-02-at-07.16.10.jpeg?resize=1024%2C819&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-2809\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-02-at-07.16.10-980x784.jpeg 980w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-02-at-07.16.10-480x384.jpeg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption>Design: Wilma Santos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A arte de pensar sem riscos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Por:  Adriana Doria Matos<\/p>\n\n\n\n<p>Querendo ou n\u00e3o, a gente vai colecionando ao longo da vida uma por\u00e7\u00e3o de mestres. Tem sido assim, desde quando percebi que penso. Ou melhor, desde que me dei conta de que pensar \u00e9 uma disciplina e uma liberdade, e que gosto muito dessa pr\u00e1tica. Antes que eu ande por caminhos tergiversantes sobre como fui construindo indisciplinadamente meu pensar, gostaria de dizer a voc\u00eas o que me motivou a escrever este primeiro texto para este espa\u00e7o a partir da ideia e do t\u00edtulo acima: \u201ca arte de pensar sem riscos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa frase abre a cr\u00f4nica <em>Brincar de pensar<\/em>, que Clarice Lispector escreveu para o <em>Jornal do Brasil<\/em>, publicada em agosto de 1967. Ou seja, Clarice j\u00e1 estava nessa brincadeira quando eu mal balbuciava minhas primeiras palavras. Ent\u00e3o, vamos ao primeiro ind\u00edcio: Clarice Lispector \u00e9 uma das minhas mestras, junto a tantas e tantos outros que se encontram no meu caminho de exercitar o pensar. Obrigada, Clarice, por isso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de autora de romances e contos personal\u00edssimos, Clarice foi uma cronista sensacional, da\u00ed o fato de ela estar sendo citada com \u00eanfase nesta estreia, que se pretende <em>cronicamente invi\u00e1vel<\/em> (essa express\u00e3o carregada de sentido para uma brasileira, como eu, que tamb\u00e9m me motiva uma por\u00e7\u00e3o de pensamentos&#8230;).<\/p>\n\n\n\n<p>No mencionado texto, Clarice diz o seguinte: \u201cN\u00e3o fossem os caminhos de emo\u00e7\u00e3o a que leva o pensamento, pensar j\u00e1 teria sido catalogado como um dos modos de se divertir\u201d. Sabida como era, ela comenta depois que pensar pode ser uma a\u00e7\u00e3o levada como quem brinca, como quem exercita um <em>hobby<\/em>, podendo ser, desse modo, um movimento leve. O que n\u00e3o quer dizer, de modo algum, fr\u00edvolo. N\u00e3o nos deixemos engabelar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComo hobby\u201d, diz Clarice sobre essa pr\u00e1tica, \u201capresenta a vantagem de ser transport\u00e1vel\u201d. \u201cEm certas horas da tarde, por exemplo, em que a casa cheia de luz mais parece esvaziada pela luz, enquanto a cidade inteira estremece trabalhando e s\u00f3 n\u00f3s trabalhamos em casa, mas ningu\u00e9m sabe \u2013 nessas horas em que a dignidade se refaria se tiv\u00e9ssemos uma oficina de consertos ou uma sala de costuras \u2013 nessas horas: pensa-se.\u201d Tanta conversa pode render esse \u00fanico paragrafozinho de Clarice&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, fiquemos por aqui, por hora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que gostaria de compartilhar com voc\u00eas, simplesmente, \u00e9 o meu apre\u00e7o pelo pensar nas v\u00e1rias formas que ele pode conformar. Mas um pensar que n\u00e3o pese. Um pensar que acolha, instigue, emocione. Ou, como queria Clarice, que pensar que divirta. Porque \u2013 gosto de pensar assim \u2013 embora tanta situa\u00e7\u00e3o nos leve a acreditar que tudo est\u00e1 \u201ccronicamente invi\u00e1vel\u201d (ai ai, meu Brasil), h\u00e1 sempre aquela luz que inunda a sala. Muita luz cega, n\u00e3o \u00e9? Mas uma luz bem colocada nos conforta e guia.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, sigo meus mestres, buscando pensar tamb\u00e9m com ludismo. E, para me despedir de voc\u00eas, deixo a pergunta de Clarice: \u201cEstar ocupada \u2013 e de repente parar por ter sido tomada por uma s\u00fabita desocupa\u00e7\u00e3o desanuviada e beata, como se uma luz de milagre tivesse entrado na sala: como se chama o que se sentiu?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>*Adriana D\u00f3ria Matos,<\/strong> jornalista formada pela Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco, com mestrado em Teoria da Literatura pela UPFE, professora do curso de Jornalismo da Unicap e editora da revista cultural <em>Continente<\/em>.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00a0\u00b9O <em>JB<\/em> foi um jornal carioca que teve enorme import\u00e2ncia na imprensa nacional, fundado em 1891, deixou de rodar em 2010, j\u00e1 quando tinha perdido sua relev\u00e2ncia. Leia um pouco dessa hist\u00f3ria aqui: <\/strong><a href=\"http:\/\/www.fgv.br\/cpdoc\/acervo\/dicionarios\/verbete-tematico\/jornal-do-brasil\">http:\/\/www.fgv.br\/cpdoc\/acervo\/dicionarios\/verbete-tematico\/jornal-do-brasil<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A arte de pensar sem riscos Por: Adriana Doria Matos Querendo ou n\u00e3o, a gente vai colecionando ao longo da vida uma por\u00e7\u00e3o de mestres. Tem sido assim, desde quando percebi que penso. Ou melhor, desde que me dei conta de que pensar \u00e9 uma disciplina e uma liberdade, e que gosto muito dessa pr\u00e1tica. 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