{"id":2759,"date":"2021-05-27T19:28:56","date_gmt":"2021-05-27T22:28:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/?p=2759"},"modified":"2021-05-28T20:54:55","modified_gmt":"2021-05-28T23:54:55","slug":"conta-ai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/conta-ai\/","title":{"rendered":"Conta a\u00ed"},"content":{"rendered":"\n<p>Estudar jornalismo me modificou como pessoa e me transformou em um empreendedor social\u201d. Daniel Paix\u00e3o, estudante do 4.\u00b0 per\u00edodo de Jornalismo e fundador do Fruto de Favela&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Por Concei\u00e7\u00e3o Tomaz<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG-20210527-WA0011.jpg?resize=1024%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-2760\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG-20210527-WA0011-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG-20210527-WA0011-980x980.jpg 980w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG-20210527-WA0011-480x480.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><figcaption>imagem: Acervo Pessoal<br>Adapta\u00e7\u00e3o: Ana Julia Duarte<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Daniel Paix\u00e3o, 20,&nbsp; mora na Comunidade do Jacar\u00e9, no bairro de Maranguape I, no munic\u00edpio de Paulista. Aos 14 anos, quando fazia atletismo, decidiu incluir os jovens nas suas corridas di\u00e1rias pelo bairro. Segundo ele, os moradores encaravam essa pr\u00e1tica com ressalvas. \u201cQuando levava as crian\u00e7as e adolescentes para correrem comigo, eu observava que muita gente tinha preconceito. Eles diziam \u2018est\u00e3o correndo para aprender a correr da pol\u00edcia\u2019, porque sabiam que \u00e9ramos da comunidade do Jacar\u00e9\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, para Daniel, aquele movimento de estar fazendo algo juntos era maior que o estigma de ser um jovem da favela. \u201cNo meu cora\u00e7\u00e3o, eu sabia que levar as crian\u00e7as e adolescentes para correr pelo bairro era algo transformador, porque iria mudar a perspectiva e olhar deles enquanto pessoas da comunidade\u201d, garante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi a partir de uma trag\u00e9dia, em que um jovem foi assassinado em frente \u00e0 sua casa, que Daniel, na \u00e9poca com 15 anos, deu in\u00edcio a semente onde nasceria o <strong>Fruto de Favela<\/strong> (@frutodefavela). \u201cUm ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o foi fazer uma mat\u00e9ria na comunidade sobre o caso. A\u00ed no outro dia, na escola onde estudava, os colegas come\u00e7aram a dizer que me viram na televis\u00e3o. Mas o que me machucou foi que eles me viram na televis\u00e3o com uma not\u00edcia triste da morte no Jacar\u00e9\u201d, contou o ativista.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa situa\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica, mas, infelizmente, comum nas favelas do Estado, Paix\u00e3o desenvolveu dois sonhos. \u201cO primeiro foi criar um projeto para ter um grande impacto social na comunidade, a ponto de transformar a realidade das pessoas que moravam ao meu redor. O segundo sonho foi estudar jornalismo para colocar as boas pr\u00e1ticas da periferia na televis\u00e3o\u201d, revela Daniel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/HSqVBdWJJi6LF1IRByslFn5xcyzqc1ho8TXtRy6V0vikc72pRKxMoh6PR7OWT70yrIUCy6epU790yjbUby7O_D9Q85AKGPRejA549lcThZk6LEwj-lhLTOgZOWD9ibGLWY9mG6WB\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Fruto de Favela <\/strong>deriva da origem da palavra que se refere a uma planta. Para Daniel, o nome \u2018favela\u2019 \u00e9 relacionado \u00e0 viol\u00eancia e a conceitos pejorativos, e ele desejou mudar essa percep\u00e7\u00e3o das pessoas. \u201cA escolha do nome \u00e9 para que todas \u00e0s vezes que ou\u00e7am \u2018Fruto de Favela\u2019, a sociedade possa olhar para as periferias e compreender que, nas favelas, existem pessoas, que por mais que estejam em contexto de vulnerabilidade social, conseguem construir projetos de vida. Conseguem se formar, frutificar e transformar a realidade em que elas est\u00e3o inseridas\u201d, explica Paix\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/EbB9pzrTR8dyAUab_IcgfNrNuSiusl4PJGZ1BIGVm11kSIy7A11HEDFjetwpYVmKEvaQeumpS9mf2ZVzG_83VI17MXu9CvXbBN_Zi0P7LDHiizzRbJ9qvLsIifcXADmbspvKnGxk\" width=\"390\" height=\"260\"><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda hoje, o <strong>Fruto <\/strong>passa por dificuldades financeiras. \u201cConseguir recursos para desenvolver um projeto como <strong>Fruto de Favela<\/strong> \u00e9 muito dif\u00edcil. Para distribuir cestas b\u00e1sicas, por exemplo, precisamos de recursos financeiros.\u201d Ainda mais, para que as atividades continuem constantes, \u00e9 necess\u00e1rio ultrapassar barreiras. \u201cO estere\u00f3tipo que h\u00e1 sobre as pessoas da favela ainda \u00e9 um obst\u00e1culo. Esses dois desafios s\u00e3o o que mais pesa hoje\u201d, finaliza o estudante.<\/p>\n\n\n\n<p>Cursar jornalismo, segundo Daniel, trouxe muitas influ\u00eancias para as boas pr\u00e1ticas de comunica\u00e7\u00e3o do <strong>Fruto de Favela<\/strong>. \u201cPara al\u00e9m de um projeto que realiza servi\u00e7os tecnol\u00f3gicos, sociais e pedag\u00f3gicos, \u00e9 tamb\u00e9m comunica\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e conscientiza\u00e7\u00e3o ambiental. Ent\u00e3o, fazer jornalismo \u00e9 entender que essa ferramenta \u00e9 social,\u201d assegura.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele compreende que a gradua\u00e7\u00e3o potencializou as a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o social na sua vida e no <strong>Fruto de Favela<\/strong>. \u201cFez com que eu crescesse e amadurecesse com os aprendizados em sala de aula. N\u00e3o sabia, por exemplo, que o que desenvolvo no projeto tem a ver com folkcomunica\u00e7\u00e3o, entre outras teorias. Estudar jornalismo me modificou como pessoa e me transformou em um empreendedor social\u201d, declara Daniel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO maior objetivo do <strong>Fruto de Favela<\/strong> \u00e9 realizar o desenvolvimento comunit\u00e1rio de forma sustent\u00e1vel, garantindo \u00e0s pessoas, em vulnerabilidade social, qualifica\u00e7\u00e3o, oportunidade de emprego, gera\u00e7\u00e3o de renda e acolhimento para poderem construir seus projetos de vida\u201d, enfatiza. Para ele, o <strong>Fruto<\/strong> vai al\u00e9m da distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas. \u201cQueremos que as pessoas ocupem espa\u00e7os e vagas de emprego, diminuindo as desigualdades sociais na comunidade em que vivemos\u201d, finaliza Paix\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Imagens: Acervo pessoal<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudar jornalismo me modificou como pessoa e me transformou em um empreendedor social\u201d. Daniel Paix\u00e3o, estudante do 4.\u00b0 per\u00edodo de Jornalismo e fundador do Fruto de Favela&#8221; Por Concei\u00e7\u00e3o Tomaz Daniel Paix\u00e3o, 20,&nbsp; mora na Comunidade do Jacar\u00e9, no bairro de Maranguape I, no munic\u00edpio de Paulista. 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