{"id":2731,"date":"2021-05-14T11:05:09","date_gmt":"2021-05-14T14:05:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/?p=2731"},"modified":"2021-08-20T09:45:01","modified_gmt":"2021-08-20T12:45:01","slug":"coluna-de-sextas-alexandre-figueiroa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/coluna-de-sextas-alexandre-figueiroa\/","title":{"rendered":"Coluna de sexta: Falando de Cinema &#8220;Por uma internet e um mundo mais justo e melhor&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Alexandre Figueir\u00f4a<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Eu-enxergo-o-jornalista-como-o-historiador-do-tempo-presente.-1.jpg?resize=1024%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-2929\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Eu-enxergo-o-jornalista-como-o-historiador-do-tempo-presente.-1-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Eu-enxergo-o-jornalista-como-o-historiador-do-tempo-presente.-1-980x980.jpg 980w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Eu-enxergo-o-jornalista-como-o-historiador-do-tempo-presente.-1-480x480.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Nestes dias de pandemia e isolamento social, uma boa forma de escapar do t\u00e9dio e repousar das tarefas acad\u00eamicas \u00e9 ficar fu\u00e7ando coisas pela internet, sobretudo filmes. Servi\u00e7os de streaming, festivais on-line, e plataformas como Vimeo e YouTube t\u00eam, em seus acervos, obras para todos os gostos e tribos. Eu, como sou um aficionado por document\u00e1rios, quando tenho um tempinho dispon\u00edvel fico navegando livremente pela web em busca de curtas ou longa metragens com temas que estejam no meu arco de interesses no momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente tenho prestado muita aten\u00e7\u00e3o aos document\u00e1rios que t\u00eam a pr\u00f3pria web como personagem. E foi nessas andan\u00e7as virtuais que me deparei com o filme <em>O Menino da Internet: a Hist\u00f3ria de Aaron Swartz<\/em> (The Internet\u2019sOwn Boy: theStoryof Aaron Swartz, Brian Knappenberger, 2014), dispon\u00edvel no YouTube, com uma boa resolu\u00e7\u00e3o de imagem e legendado.<\/p>\n\n\n\n<p>O <em>Menino da Internet<\/em> \u00e9 mais um document\u00e1rio a mostrar que a world wide web \u00e9 uma maravilha do mundo moderno, mas, ao mesmo tempo, um po\u00e7o de problemas, muitos dos quais ainda est\u00e3o longe de serem resolvidos. Milh\u00f5es de informa\u00e7\u00f5es circulam por ela a cada minuto e o gerenciamento delas tem mobilizado diversos agentes sociais tanto nas esferas governamentais quanto no mundo corporativo, al\u00e9m de in\u00fameras organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil preocupadas com o uso desses dados por governos e empresas e o direito \u00e0 privacidade. Se a m\u00e1xima \u201cinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 poder\u201d j\u00e1 valia nos tempos do anal\u00f3gico, hoje \u00e9 uma constata\u00e7\u00e3o inquestion\u00e1vel. N\u00e3o \u00e9 de se espantar, portanto, que o acesso e o manuseio das informa\u00e7\u00f5es em tr\u00e1fego no mundo virtual seja alvo de pol\u00eamicas e disputas, sobretudo quando tem que se legislar sobre osconte\u00fados em circula\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m garantir a liberdade de express\u00e3o das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse ambiente de tens\u00f5es que vamos nos deparar com a hist\u00f3ria de Aaron Swartz, cuja carreira na web ganhou maior visibilidade quando ele atuou no agregador social de not\u00edcias Reddit, em 2005.&nbsp; Com o mesmo potencial de criatividade e habilidade com o mundo digital de nomes como Steve Jobs ou Bill Gates, Swartz, com apenas 14 anos, j\u00e1 participava de grupos importantes no desenvolvimento de ferramentas da internet \u2013 ele foi coautor da especifica\u00e7\u00e3o do feed RSS e da organiza\u00e7\u00e3o do CreativeCommons.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o decorrer do tempo, todavia,o jovem programador desenvolveu uma vis\u00e3o diferente do uso da internet e, como outros ativistas, n\u00e3o estava muito interessado nas suas possiblidades lucrativas e tampouco em se tornar um milion\u00e1rio do Vale do Sil\u00edcio. Seu desejo eraaprimorar a rede mundial de computadores de modo a permitir o acesso livre ao seu conte\u00fado, sobretudo, na \u00e1rea do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Movido por esses ideais, Aaron realizou diversas opera\u00e7\u00f5es hackeando acervos de acesso restrito com o intuito de disponibiliz\u00e1-lo gratuitamente para qualquer cidad\u00e3o e aliou-se a organiza\u00e7\u00f5es que enfrentavam o governo e o congresso norte-americano por uma regulamenta\u00e7\u00e3oprogressista da internet que n\u00e3o atendesse apenas os interesses dos poderosos.Tornou-se, ent\u00e3o, um ativista pol\u00edtico, realizando, entre outras coisas, investiga\u00e7\u00f5es a partir do cruzamento de dados dos documentos que conseguia pela webe escrevendoo Manifesto da Guerrilha do Livre Acesso, um dos motivos que o levaram a ser alvo de monitoramento pelo FBI.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao baixar e tentar disponibilizar cinco milh\u00f5es de artigos acad\u00eamicos da JSTOR, servi\u00e7o que s\u00f3 permite acesso mediante assinatura e que renumera as editoras e n\u00e3o os autores, ele deu um motivo para o governo americano iniciar uma a\u00e7\u00e3o judicialna qual ele poderia ser condenado a 30 anos de pris\u00e3o e ainda pagar uma multa milion\u00e1ria. Embora estivesse ligado ao Massachusetts Instituteof Technology (MIT), a universidade n\u00e3o o defendeu e emitiu uma nota se pronunciando neutra diante do caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo aterrorizado com a amea\u00e7a de pris\u00e3o e sendo injustamente comparado pelos ju\u00edzes e promotores que cuidavam do seu processo como mais um hacker interessado apenas em enriquecer fraudando o sistema financeiro, Swartzfundou o grupo online DemandProgress e teve um papel fundamental na derrubada da pol\u00eamica lei antipirataria americana, a Stop Online PiracyAct (SOPA), ao conseguir pelas redes sociais mobilizar o apoio de colaboradores da causa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 2013, no entanto, Aaron foi encontrado morto.Ele n\u00e3o aceitou fazer um acordo com as autoridades judiciais, pois se considerava inocente das acusa\u00e7\u00f5es, mas, segundo sua companheira e familiares, ele n\u00e3o teria suportado a press\u00e3o da Justi\u00e7a e nem teria mais condi\u00e7\u00f5es de bancar os gastos com advogados,na casa de milh\u00f5es de d\u00f3lares,para sua defesa. No site memorial, criado ap\u00f3s sua morte, uma frase destacava o significado da milit\u00e2ncia pela qual Swartz havia lutado. Segundo seus parentes o rapaz s\u00f3 tinha um objetivo: \u201ctornar a internet e o mundo mais justos e um lugar melhor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><em>O Menino da Internet<\/em>, apesar de centrar sua narrativa na figura de Aaron Swartz, detalhando sua biografia desde a inf\u00e2ncia, com depoimentos dos pais e irm\u00e3os, e sua vertiginosa ascens\u00e3o como g\u00eanio da web, aborda diversos assuntos que continuam muito atuais, ou seja, a fragilidade do sistema judici\u00e1rio americano (podemos estender essa falha tamb\u00e9m ao brasileiro) e do pr\u00f3prio funcionamento da democracia moderna, afundada em contradi\u00e7\u00f5es. Um dos m\u00e9ritos do filme \u00e9 o equil\u00edbrio em que os acontecimentos v\u00e3o sendo apresentados. O roteiro dedica a primeira metade \u00e0 trajet\u00f3ria mais pessoal de Aaron e, a segunda, investe no processo por ele sofrido e os desdobramentos da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos poucos, gra\u00e7as a articula\u00e7\u00e3o feita pela narrativa, vamos percebendo que, ao punir Swartz, o governo norte-americano tinha dois objetivos. Em primeiro lugar, evitar que as atividades, muitas vezes il\u00edcitas, e anticonstitucionais praticadas por seus mandat\u00e1rios se tornassem conhecidas do p\u00fablico e, em segundo, us\u00e1-lo como exemplo para intimidar outros ativistas. Analisando e cruzando informa\u00e7\u00f5es de documentos obtidos nas suas pesquisas, Swartz encontrou e denunciou casos de corrup\u00e7\u00e3o e estava empenhado em ver como governo, empresas e institutos de pesquisa manipulavam resultados de seus estudos para esconder impactos ambientais e clim\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o compartilhar com a indigna\u00e7\u00e3o dos familiares e dos amigos e militantes dos movimentos que, junto com Swartz, perceberam como as for\u00e7as econ\u00f4micas sempre est\u00e3o manipulando de forma orquestrada as decis\u00f5es para o funcionamento da web, onde os interesses financeiros de poucos prevalecem sobre as possiblidades de uma internet aberta e democr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><sub>** A coluna Falando de Cinema \u00e9 uma homenagem a Fernando Spencer que por muitos anos teve um programa de r\u00e1dio com este t\u00edtulo, inicialmente na R\u00e1dio Tamandar\u00e9 e, depois, na R\u00e1dio Clube de Pernambuco.<\/sub><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><sub>Alexandre Figueir\u00f4a \u00e9 doutor em Estudos Cinematogr\u00e1ficos e Audiovisuais e professor do curso de Jornalismo e do Mestrado Profissional em Ind\u00fastrias Criativas da Unicap<\/sub><\/strong>. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Alexandre Figueir\u00f4a Nestes dias de pandemia e isolamento social, uma boa forma de escapar do t\u00e9dio e repousar das tarefas acad\u00eamicas \u00e9 ficar fu\u00e7ando coisas pela internet, sobretudo filmes. 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Eu, como sou um aficionado por document\u00e1rios, quando tenho um tempinho dispon\u00edvel fico navegando livremente pela web em busca de curtas ou longa metragens com temas que estejam no meu arco de interesses no momento.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Atualmente tenho prestado muita aten\u00e7\u00e3o aos document\u00e1rios que t\u00eam a pr\u00f3pria web como personagem. E foi nessas andan\u00e7as virtuais que me deparei com o filme <em>O Menino da Internet: a Hist\u00f3ria de Aaron Swartz<\/em> (The Internet\u2019sOwn Boy: theStoryof Aaron Swartz, Brian Knappenberger, 2014), dispon\u00edvel no YouTube, com uma boa resolu\u00e7\u00e3o de imagem e legendado.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>O <em>Menino da Internet<\/em> \u00e9 mais um document\u00e1rio a mostrar que a world wide web \u00e9 uma maravilha do mundo moderno, mas, ao mesmo tempo, um po\u00e7o de problemas, muitos dos quais ainda est\u00e3o longe de serem resolvidos. Milh\u00f5es de informa\u00e7\u00f5es circulam por ela a cada minuto e o gerenciamento delas tem mobilizado diversos agentes sociais tanto nas esferas governamentais quanto no mundo corporativo, al\u00e9m de in\u00fameras organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil preocupadas com o uso desses dados por governos e empresas e o direito \u00e0 privacidade. Se a m\u00e1xima \u201cinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 poder\u201d j\u00e1 valia nos tempos do anal\u00f3gico, hoje \u00e9 uma constata\u00e7\u00e3o inquestion\u00e1vel. N\u00e3o \u00e9 de se espantar, portanto, que o acesso e o manuseio das informa\u00e7\u00f5es em tr\u00e1fego no mundo virtual seja alvo de pol\u00eamicas e disputas, sobretudo quando tem que se legislar sobre osconte\u00fados em circula\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m garantir a liberdade de express\u00e3o das pessoas.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>\u00c9 nesse ambiente de tens\u00f5es que vamos nos deparar com a hist\u00f3ria de Aaron Swartz, cuja carreira na web ganhou maior visibilidade quando ele atuou no agregador social de not\u00edcias Reddit, em 2005.&nbsp; Com o mesmo potencial de criatividade e habilidade com o mundo digital de nomes como Steve Jobs ou Bill Gates, Swartz, com apenas 14 anos, j\u00e1 participava de grupos importantes no desenvolvimento de ferramentas da internet \u2013 ele foi coautor da especifica\u00e7\u00e3o do feed RSS e da organiza\u00e7\u00e3o do CreativeCommons.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Com o decorrer do tempo, todavia,o jovem programador desenvolveu uma vis\u00e3o diferente do uso da internet e, como outros ativistas, n\u00e3o estava muito interessado nas suas possiblidades lucrativas e tampouco em se tornar um milion\u00e1rio do Vale do Sil\u00edcio. Seu desejo eraaprimorar a rede mundial de computadores de modo a permitir o acesso livre ao seu conte\u00fado, sobretudo, na \u00e1rea do conhecimento.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Movido por esses ideais, Aaron realizou diversas opera\u00e7\u00f5es hackeando acervos de acesso restrito com o intuito de disponibiliz\u00e1-lo gratuitamente para qualquer cidad\u00e3o e aliou-se a organiza\u00e7\u00f5es que enfrentavam o governo e o congresso norte-americano por uma regulamenta\u00e7\u00e3oprogressista da internet que n\u00e3o atendesse apenas os interesses dos poderosos.Tornou-se, ent\u00e3o, um ativista pol\u00edtico, realizando, entre outras coisas, investiga\u00e7\u00f5es a partir do cruzamento de dados dos documentos que conseguia pela webe escrevendoo Manifesto da Guerrilha do Livre Acesso, um dos motivos que o levaram a ser alvo de monitoramento pelo FBI.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Ao baixar e tentar disponibilizar cinco milh\u00f5es de artigos acad\u00eamicos da JSTOR, servi\u00e7o que s\u00f3 permite acesso mediante assinatura e que renumera as editoras e n\u00e3o os autores, ele deu um motivo para o governo americano iniciar uma a\u00e7\u00e3o judicialna qual ele poderia ser condenado a 30 anos de pris\u00e3o e ainda pagar uma multa milion\u00e1ria. Embora estivesse ligado ao Massachusetts Instituteof Technology (MIT), a universidade n\u00e3o o defendeu e emitiu uma nota se pronunciando neutra diante do caso.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Mesmo aterrorizado com a amea\u00e7a de pris\u00e3o e sendo injustamente comparado pelos ju\u00edzes e promotores que cuidavam do seu processo como mais um hacker interessado apenas em enriquecer fraudando o sistema financeiro, Swartzfundou o grupo online DemandProgress e teve um papel fundamental na derrubada da pol\u00eamica lei antipirataria americana, a Stop Online PiracyAct (SOPA), ao conseguir pelas redes sociais mobilizar o apoio de colaboradores da causa.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Em janeiro de 2013, no entanto, Aaron foi encontrado morto.Ele n\u00e3o aceitou fazer um acordo com as autoridades judiciais, pois se considerava inocente das acusa\u00e7\u00f5es, mas, segundo sua companheira e familiares, ele n\u00e3o teria suportado a press\u00e3o da Justi\u00e7a e nem teria mais condi\u00e7\u00f5es de bancar os gastos com advogados,na casa de milh\u00f5es de d\u00f3lares,para sua defesa. No site memorial, criado ap\u00f3s sua morte, uma frase destacava o significado da milit\u00e2ncia pela qual Swartz havia lutado. Segundo seus parentes o rapaz s\u00f3 tinha um objetivo: \u201ctornar a internet e o mundo mais justos e um lugar melhor\u201d.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><em>O Menino da Internet<\/em>, apesar de centrar sua narrativa na figura de Aaron Swartz, detalhando sua biografia desde a inf\u00e2ncia, com depoimentos dos pais e irm\u00e3os, e sua vertiginosa ascens\u00e3o como g\u00eanio da web, aborda diversos assuntos que continuam muito atuais, ou seja, a fragilidade do sistema judici\u00e1rio americano (podemos estender essa falha tamb\u00e9m ao brasileiro) e do pr\u00f3prio funcionamento da democracia moderna, afundada em contradi\u00e7\u00f5es. Um dos m\u00e9ritos do filme \u00e9 o equil\u00edbrio em que os acontecimentos v\u00e3o sendo apresentados. O roteiro dedica a primeira metade \u00e0 trajet\u00f3ria mais pessoal de Aaron e, a segunda, investe no processo por ele sofrido e os desdobramentos da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Aos poucos, gra\u00e7as a articula\u00e7\u00e3o feita pela narrativa, vamos percebendo que, ao punir Swartz, o governo norte-americano tinha dois objetivos. Em primeiro lugar, evitar que as atividades, muitas vezes il\u00edcitas, e anticonstitucionais praticadas por seus mandat\u00e1rios se tornassem conhecidas do p\u00fablico e, em segundo, us\u00e1-lo como exemplo para intimidar outros ativistas. Analisando e cruzando informa\u00e7\u00f5es de documentos obtidos nas suas pesquisas, Swartz encontrou e denunciou casos de corrup\u00e7\u00e3o e estava empenhado em ver como governo, empresas e institutos de pesquisa manipulavam resultados de seus estudos para esconder impactos ambientais e clim\u00e1ticos.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Ao final, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o compartilhar com a indigna\u00e7\u00e3o dos familiares e dos amigos e militantes dos movimentos que, junto com Swartz, perceberam como as for\u00e7as econ\u00f4micas sempre est\u00e3o manipulando de forma orquestrada as decis\u00f5es para o funcionamento da web, onde os interesses financeiros de poucos prevalecem sobre as possiblidades de uma internet aberta e democr\u00e1tica.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:list -->\n<ul><li>Alexandre Figueir\u00f4a \u00e9 doutor em Estudos Cinematogr\u00e1ficos e Audiovisuais e professor do curso de Jornalismo e do Mestrado Profissional em Ind\u00fastrias Criativas da Unicap. <\/li><\/ul>\n<!-- \/wp:list -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>** A coluna Falando de Cinema \u00e9 uma homenagem a Fernando Spencer que por muitos anos teve um programa de r\u00e1dio com este t\u00edtulo, inicialmente na R\u00e1dio Tamandar\u00e9 e, depois, na R\u00e1dio Clube de Pernambuco.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->","_et_gb_content_width":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2731","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2731","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2731"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2731\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2930,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2731\/revisions\/2930"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}