{"id":2714,"date":"2021-05-06T16:44:21","date_gmt":"2021-05-06T19:44:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/?p=2714"},"modified":"2021-06-01T10:24:19","modified_gmt":"2021-06-01T13:24:19","slug":"a-mulher-com-deficiencia-tem-dois-estigmas-o-de-ser-mulher-e-o-de-ser-pessoa-com-deficiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/a-mulher-com-deficiencia-tem-dois-estigmas-o-de-ser-mulher-e-o-de-ser-pessoa-com-deficiencia\/","title":{"rendered":"Conta a\u00ed!"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"788\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG-20210506-WA0020.jpg?resize=940%2C788&#038;ssl=1\" alt=\"\" data-id=\"2715\" class=\"wp-image-2715\" srcset=\"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG-20210506-WA0020.jpg 940w, https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/IMG-20210506-WA0020-480x402.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 940px, 100vw\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cA mulher com defici\u00eancia tem dois estigmas, o de ser mulher e o de ser pessoa com defici\u00eancia\u201d.<\/h2>\n\n\n\n<p>O coment\u00e1rio \u00e9 de P\u00e2mela Melo, 24, estudante de jornalismo da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco. Ela vive com osteog\u00eanese imperfeita, tamb\u00e9m conhecida como \u201cossos de vidro\u201d, uma condi\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria caracterizada pela fragilidade dos ossos, e decidiu basear o seu Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso em suas experi\u00eancias pessoais como PCD (Pessoa com Defici\u00eancia) e a rela\u00e7\u00e3o com sua sexualidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo P\u00e2mela, a sociedade v\u00ea a mulher com defici\u00eancia como uma eterna crian\u00e7a &#8211; um capacitismo que ela vivenciou, inclusive, dentro de casa, quando seus familiares questionaram suas atividades sexuais. Tal capacitismo, compartilhado por diversas mulheres com defici\u00eancia, \u00e9 tamb\u00e9m machista. De acordo com a estudante, frequentemente ouve-se coment\u00e1rios questionando como uma mulher com defici\u00eancia teria filhos e cuidaria da casa, n\u00e3o apenas subestimando a atividade sexual e a aptid\u00e3o materna da mulher com defici\u00eancia, mas tamb\u00e9m assumindo que o papel de uma mulher na sociedade se resume apenas \u00e0 maternidade e \u00e0 vida dom\u00e9stica. \u201c<strong>Se ela n\u00e3o casar, ter filhos e cozinhar, ela n\u00e3o pode fazer nada, porque na concep\u00e7\u00e3o da sociedade a mulher com defici\u00eancia n\u00e3o pode fazer nada<\/strong>\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessa realidade, surgiu a necessidade de escrever sobre o Empoderamento Sexual da Mulher com Defici\u00eancia &#8211; uma pauta que, infelizmente, ainda \u00e9 vista como tabu.\u201c<strong>Empoderar-se sexualmente \u00e9 ter uma voz diante da sua fam\u00edlia, \u00e9 dizer diante da sociedade, eu posso ser o que eu quiser ser, eu posso fazer sexo porque a sexualidade \u00e9 muito mais do que s\u00f3 sexo<\/strong>\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo do \u00faltimo ano, desde o in\u00edcio da pandemia, uma das maiores dificuldades que P\u00e2mela est\u00e1 enfrentando \u00e9, justamente, ser parte de um grupo de risco e dependente de um aux\u00edlio para sair de casa. Para ajustar a ideia inicial de seu TCC foi necess\u00e1rio repensar o formato e considerar a cria\u00e7\u00e3o de um website. O portal, ainda em constru\u00e7\u00e3o, se chamar\u00e1 \u201cSexualidade sem Barreiras\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para a estudante, os debates sobre pautas feministas, LGBTs e contra a gordofobia, por exemplo, s\u00e3o v\u00e1lidos e de extrema import\u00e2ncia, mas que, infelizmente, a luta pela mulher PCD \u00e9 esquecida, inclusive, dentro do ambiente universit\u00e1rio. A falta de estudos e pesquisas sobre a sexualidade da mulher com defici\u00eancia atrapalha o desenvolvimento do trabalho, justamente por ser um assunto pouco comentado e representado na m\u00eddia e na comunidade acad\u00eamica.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa falta de representatividade \u00e9 o que mant\u00e9m o tema com um status de tabu, e impacta diretamente no desenvolvimento de uma boa vida social para milhares de mulheres com defici\u00eancia no Brasil e no mundo. Quanto menos se fala sobre um assunto, menos conhecimento se tem sobre ele, o que fomenta a desinforma\u00e7\u00e3o e o preconceito. No Brasil, a desvaloriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o sexual j\u00e1 \u00e9 um problema enraizado, pois a sociedade trata a atividade sexual &#8211; especialmente a dos jovens &#8211; como algo a se envergonhar. Entretanto, falar sobre sexo \u00e9 tanto uma medida preventiva, como tamb\u00e9m uma forma de naturalizar o pr\u00f3prio corpo, e identificar viol\u00eancias e abusos.<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s das escutas realizadas para o seu projeto, P\u00e2mela percebeu que a mulher com defici\u00eancia tem sua sexualidade desacreditada ao ponto de achar que nunca sofrer\u00e1 algum tipo de viol\u00eancia. \u201c<strong>Ao passar por uma situa\u00e7\u00e3o de abuso, ela acha que n\u00e3o foi viol\u00eancia, mas que foi loucura da pr\u00f3pria cabe\u00e7a, que isso n\u00e3o aconteceria por ser uma pessoa com defici\u00eancia e n\u00e3o acredita que aquilo ocorreu at\u00e9 outra pessoa dizer que foi um abuso<\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro impacto da falta de exposi\u00e7\u00e3o do tema \u00e9 o pouco conhecimento sobre o vasto universo da comunidade PCD. Ao longo de seu trabalho, P\u00e2mela se deparou com fen\u00f4menos at\u00e9 ent\u00e3o pouco conhecidos &#8211; alguns deles, objetos de pesquisas recentes, que ainda est\u00e3o em desenvolvimento, enquanto outros permanecem inexplorados.<\/p>\n\n\n\n<p>A comunidade conhecida como <em>devotees<\/em> (\u201cdedicados\u201d, em portugues), \u00e9 um dos temas relacionados \u00e0 comunidade PCD que tem se tornado pauta de estudos recentes. Segundo P\u00e2mela, os \u201cdedicados\u201d s\u00e3o pessoas com fetiches em PCDs, e que possuem at\u00e9 mesmo um aplicativo de relacionamento voltado a conhecer pessoas com defici\u00eancia. Outro exemplo trazido por P\u00e2mela s\u00e3o os \u201ctransficientes\u201d &#8211; pessoas que n\u00e3o possuem defici\u00eancia, mas que se identificam como PCD, e chegam a se ferir gravemente para \u201cconquistar\u201d o corpo que almejam.<\/p>\n\n\n\n<p>No final deste semestre, P\u00e2mela pretende apresentar seu trabalho e, com ele, dar voz a essa luta negligenciada. \u201c<strong>Estou tentando dar o melhor de mim, n\u00e3o s\u00f3 por mim, mas pelas milhares de mulheres com defici\u00eancia que lutam por espa\u00e7o, sem poder sair, estudar, que s\u00e3o trancadas em casa pela fam\u00edlia por terem vergonha. \u00c9 imprescind\u00edvel que a gente fale e debata sobre as pessoas com defici\u00eancia e, principalmente, sobre a mulher com defici\u00eancia. Porque s\u00e3o dois estigmas. Dentro disso, ainda tem a mulher negra com defici\u00eancia, a mulher nordestina com defici\u00eancia, a mulher gorda com defici\u00eancia, que j\u00e1 s\u00e3o outros estigmas, tudo em cima dessa pessoa com defici\u00eancia<\/strong>\u201d, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA mulher com defici\u00eancia tem dois estigmas, o de ser mulher e o de ser pessoa com defici\u00eancia\u201d. O coment\u00e1rio \u00e9 de P\u00e2mela Melo, 24, estudante de jornalismo da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco. 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