{"id":2704,"date":"2021-05-05T13:57:08","date_gmt":"2021-05-05T16:57:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/?p=2704"},"modified":"2021-05-31T20:09:40","modified_gmt":"2021-05-31T23:09:40","slug":"entrevista-ping-pong-carol-monteiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/jornalismo\/entrevista-ping-pong-carol-monteiro\/","title":{"rendered":"Entrevista Carol Monteiro a Diretora da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Carolina Monteiro \u00e9 jornalista desde o final da d\u00e9cada de 90. Come\u00e7ou a trabalhar como estagi\u00e1ria na reda\u00e7\u00e3o do Diario de Pernambuco, e permaneceu l\u00e1 por dezessete anos. Hoje, \u00e9 jornalista da Marco Zero Conte\u00fado, uma organiza\u00e7\u00e3o de jornalismo investigativo independente, da qual tamb\u00e9m \u00e9 fundadora. Al\u00e9m das atividades como jornalista, Carolina tamb\u00e9m \u00e9 professora e diretora da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco. Nesta entrevista, ela fala sobre os desafios do Jornalismo e de temas atuais no campo da inova\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea trabalhou por 17 anos na reda\u00e7\u00e3o do Diario de Pernambuco, hoje \u00e9 jornalista na Marco Zero conte\u00fado. O que mudou no jornalismo do in\u00edcio da sua carreira para agora?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Talvez fosse mais f\u00e1cil responder o que n\u00e3o mudou. N\u00e3o mudou a fun\u00e7\u00e3o social do jornalismo, essa atividade continua sendo fundamental para garantir a defesa do interesse p\u00fablico, e vigiar os poderes pol\u00edticos e econ\u00f4micos. \u00c9 para ser essa forma de express\u00e3o e de resist\u00eancia da sociedade, contra a tentativa de ataques \u00e0 democracia, \u00e0 liberdade de express\u00e3o. Ent\u00e3o, essa fun\u00e7\u00e3o social do jornalismo permanece intacta. Tamb\u00e9m permanecem intactas as quest\u00f5es \u00e9ticas e humanistas do jornalismo. A defesa dos mais vulner\u00e1veis, a promo\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, tudo isso permanece igual.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, na pr\u00e1tica profissional, eu arrisco dizer que mudou tudo. A forma como produzimos conte\u00fado \u00e9 completamente diferente. Temos todo um arsenal de novas tecnologias, novas plataformas, redes sociais, equipamentos, softwares. A forma de distribuir conte\u00fado tamb\u00e9m \u00e9 muito diferente, porque a distribui\u00e7\u00e3o antes da massifica\u00e7\u00e3o da internet era segmentada. E agora temos uma multiplicidade de canais, telas e formas de distribui\u00e7\u00e3o, tanto atrav\u00e9s dos meios tradicionais, quanto atrav\u00e9s dos meios digitais.<\/p>\n\n\n\n<p>E a forma de consumir tamb\u00e9m mudou, as pessoas tamb\u00e9m consumiam conte\u00fado atrav\u00e9s de canais mais limitados. Menos canais, menos oferta de conte\u00fado, e hoje as pessoas t\u00eam muita informa\u00e7\u00e3o, t\u00eam muita op\u00e7\u00e3o, causando at\u00e9 um ambiente muito confuso, que permite a prolifera\u00e7\u00e3o e o surgimento das not\u00edcias falsas num ambiente de desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um paradoxo, porque \u00e9 tanta informa\u00e7\u00e3o que terminamos com muita dificuldade em saber separar o joio do trigo. E acredito que a fun\u00e7\u00e3o do jornalismo tamb\u00e9m \u00e9 fazer essa curadoria do conte\u00fado, essa checagem, essa verifica\u00e7\u00e3o do que \u00e9 verdade e do que n\u00e3o \u00e9. Ent\u00e3o, a forma de produzir, de distribuir e de consumir conte\u00fado jornal\u00edstico \u00e9 completamente diferente, e isso impacta, na minha opini\u00e3o, todos os aspectos da profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma outra grande mudan\u00e7a, muito discutida, \u00e9 a mudan\u00e7a no modelo de neg\u00f3cios. Os modelos de neg\u00f3cios tamb\u00e9m mudaram a forma de gera\u00e7\u00e3o de receitas para as empresas jornal\u00edsticas. Essa receita baseada em an\u00fancio, que foi o principal modelo de neg\u00f3cio durante cem anos, ruiu, porque os anunciantes migraram para anunciar no Instagram, no Facebook, no YouTube, onde \u00e9 muito mais barato e muito mais eficiente para atingir um p\u00fablico alvo espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o essa quebra do principal modelo de neg\u00f3cio das empresas de comunica\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m muda a forma de se pensar a sustentabilidade das empresas jornal\u00edsticas, e isso \u00e9 um desafio que todas as empresas jornal\u00edsticas, de todos os portes, enfrentam hoje. Tudo \u00e9 diferente de quando eu comecei, e essas mudan\u00e7as impactam no dia a dia da profiss\u00e3o, impactam no perfil profissional, impactam no ecossistema do jornalismo de uma forma geral, e provocam muitas amea\u00e7as a modelos tradicionais e a perfis tradicionais de profissionais, mas, por outro lado, abrem muitas oportunidades pra quem tem a cabe\u00e7a aberta e um olhar para o futuro. Como \u00e9 que podemos aproveitar essa multiplicidade de canais, essa diversidade de modelos de neg\u00f3cio, toda essa tecnologia pra fazer um jornalismo diferente, pra fazer um jornalismo novo, independente, financiado pelos leitores?<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, tem duas formas de ver essa quest\u00e3o, tanto como amea\u00e7a, ao modelo tradicional do jornalismo, quanto como oportunidade para novas formas. Eu prefiro enxergar pelo campo das oportunidades e, por isso, eu sa\u00ed do Di\u00e1rio de Pernambuco, entre outras atividades, tamb\u00e9m para fundar a Marco Zero.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea viveu a converg\u00eancia midi\u00e1tica do jornalismo impresso para a internet, com o pernambuco.com, al\u00e9m de presenciar o nascimento de outros sites e blogs. Como uma jornalista pioneira, o que voc\u00ea diria para os novos profissionais que est\u00e3o entrando em um mercado que vive em constante mudan\u00e7as e adapta\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta j\u00e1 traz uma parte da resposta. Acompanhar essas mudan\u00e7as e essas adapta\u00e7\u00f5es, que eu prefiro chamar de transforma\u00e7\u00f5es, \u00e9 conhecer as tecnologias, conhecer as mudan\u00e7as sociais, estar atenta \u00e0s mudan\u00e7as, e aproveitar essas oportunidades. Ent\u00e3o, \u00e9 estar sempre atualizado, e uma coisa que parece \u00f3bvia, mas que eu vou fazer quest\u00e3o de repetir, consumir conte\u00fado jornal\u00edstico. Como professora, eu encontro em sala de aula muitos estudantes de jornalismo que n\u00e3o consomem conte\u00fado jornal\u00edstico, que n\u00e3o consomem conte\u00fado de entretenimento, cultura, literatura, o que \u00e9 fundamental tamb\u00e9m. N\u00e3o l\u00eaem sites noticiosos, jornal\u00edsticos, n\u00e3o assistem canais jornal\u00edsticos no YouTube, n\u00e3o ouvem podcasts jornal\u00edsticos, n\u00e3o consomem perfis de jornalismo nas redes sociais. Esse \u00e9 um problema grave que eu tenho identificado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, eu diria para consumir jornalismo em qualquer formato, em qualquer plataforma da sua prefer\u00eancia, e estar atento \u00e0s mudan\u00e7as, as transforma\u00e7\u00f5es para tentar enxergar as boas ideias nelas todas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Atualmente o jornalismo e a liberdade de imprensa andam sofrendo diversos ataques. O que \u00e9 preciso fazer para manter o jornalismo vivo em momentos como esse?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O que se precisa fazer \u00e9 resistir. Resistir, fazendo jornalismo de qualidade, buscando as oportunidades, e, ao mesmo tempo, conscientizando a sociedade de que n\u00e3o s\u00f3 a liberdade de imprensa, mas a democracia, a liberdade de express\u00e3o, as conquistas sociais e os direitos humanos tamb\u00e9m est\u00e3o sob ataque no Brasil. Ent\u00e3o, o que a sociedade precisa fazer? Resistir. O jornalismo \u00e9 uma grande arma, uma grande ferramenta nesse contexto exatamente para qualificar o debate p\u00fablico, para manter as pessoas informadas, para diferenciar o que \u00e9 verdade do que \u00e9 mentira. E pra manter, de certa forma, minimamente, as condi\u00e7\u00f5es para o Estado democr\u00e1tico de direito continuar existindo. Ao mesmo tempo, a sociedade precisa tamb\u00e9m entender que tem que apoiar, assinar, pagar, doar. Conte\u00fado de qualidade custa caro, \u00e9 dif\u00edcil de fazer, precisa de profissionais qualificados para isso e as pessoas precisam retomar o h\u00e1bito de consumir e pagar por conte\u00fado jornal\u00edstico. Acho que essa \u00e9 uma virada de chave que \u00e9 fundamental para a sociedade no momento atual, especificamente no Brasil e em outros pa\u00edses que tamb\u00e9m sofrem esse tipo de ataque, diante dessa onda extrema direita que varre o Brasil desde 2018.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como j\u00e1 dito antes, voc\u00ea trabalha na Marco Zero Conte\u00fado, uma organiza\u00e7\u00e3o de jornalismo investigativo independente. Por que o jornalismo independente \u00e9 importante?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto de ataque \u00e0 imprensa, de crise tamb\u00e9m econ\u00f4mica, financeira, uma crise que afeta as empresas tradicionais jornal\u00edsticas, o jornalismo independente \u00e9 fundamental, porque, como o nome j\u00e1 sugere, ele busca sua independ\u00eancia, tanto do poder pol\u00edtico, quanto do poder econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Na maioria das vezes essas empresas n\u00e3o dependem de an\u00fancios para se sustentarem, ent\u00e3o conseguem manter a sua independ\u00eancia editorial, fazer o papel de curador nessa superabund\u00e2ncia de informa\u00e7\u00f5es, e fazer a defesa de todos esses valores que est\u00e3o em ataque. O jornalismo independente, na minha perspectiva, \u00e9 fundamental para enfrentarmos esse momento que estamos vivendo hoje. E pra tentarmos garantir que nunca mais tenhamos as nossas liberdades, os nossos direitos e as nossas conquistas amea\u00e7adas. A jornada independente \u00e9 um dos motores de resist\u00eancia e de mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que voc\u00ea espera do futuro do jornalismo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu quero muito ser otimista, embora o cen\u00e1rio atual no Brasil n\u00e3o esteja favorecendo o otimismo em absolutamente nenhum aspecto, mas eu quero acreditar que o jornalismo vai resistir, vai continuar existindo como um agente, como um motor de mudan\u00e7a para a sociedade, vai continuar exercendo a sua fun\u00e7\u00e3o social necess\u00e1ria, mas que tamb\u00e9m vai buscar se reinventar cada vez mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Buscar inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, inova\u00e7\u00e3o social, inova\u00e7\u00e3o de modelos de neg\u00f3cios, de formatos. E contamos muito com as novas gera\u00e7\u00f5es para essa tarefa de salvar, manter, inovar e transformar o jornalismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea agora tamb\u00e9m \u00e9 diretora da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o da UNICAP, diretoria essa que envolve 4 cursos diferentes de gradua\u00e7\u00e3o, al\u00e9m dos MBAs, especializa\u00e7\u00f5es e o Mestrado em Ind\u00fastrias Criativas. Como essa integra\u00e7\u00e3o entre os cursos pode mudar a forma\u00e7\u00e3o dos alunos de jornalismo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tem sido um privil\u00e9gio ocupar essa fun\u00e7\u00e3o. Eu estou h\u00e1 pouco mais de tr\u00eas meses no cargo. E uma das quest\u00f5es que a gente vem trabalhando muito internamente \u00e9 exatamente como a gente pode integrar esses cursos. Como \u00e9 que fotografia, publicidade, jornalismo e jogos digitais podem conversar al\u00e9m do que j\u00e1 se conversam atualmente. Mas essa transdisciplinaridade precisa estar cada vez mais refletida. Ela pode ser um DNA, pode ser uma marca registrada da nova Escola de Comunica\u00e7\u00e3o da UNICAP, pode estar refletida nos curr\u00edculos dos cursos, que est\u00e3o passando por um processo de revis\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o, na oferta de novos cursos de gradua\u00e7\u00e3o e de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, e que tirem partido tamb\u00e9m dessa transdisciplinaridade e da forma\u00e7\u00e3o do perfil dos egressos, dos alunos que v\u00e3o deixar a escola de comunica\u00e7\u00e3o com a perspectiva bem mais expandida do campo da comunica\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o mais dentro das caixinhas das suas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o mais espec\u00edficas. Ent\u00e3o, essa transdisciplinaridade \u00e9 uma aposta que vai se refletir tanto no ensino quanto na pesquisa e nas a\u00e7\u00f5es de extens\u00e3o dentro da Escola da UNICAP. Essa \u00e9 uma meta, um objetivo que a gente vem trabalhando internamente, envolvendo os coordenadores dos cursos, os professores, os funcion\u00e1rios, e os alunos, nessa constru\u00e7\u00e3o que eu espero seja uma constru\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica b\u00e1sica, na sua opini\u00e3o, o que os estudantes de jornalismo devem buscar para terem \u00eaxito no mercado de trabalho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Depende muito do que cada um entende como \u00eaxito. Algumas pessoas podem achar que \u00eaxito no mercado de trabalho \u00e9 ter um cargo de chefia, um sal\u00e1rio alto, estabilidade, e outras pessoas podem achar que \u00e9 fazer o que gostam, trabalhar com o que acreditam, e enfim, \u00e9 estar satisfeito com o que t\u00e1 fazendo, ter orgulho do que faz e de como faz.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, primeiro, \u00e9 entender o que \u00e9 sucesso pra voc\u00ea. Entendendo o que voc\u00ea percebe como \u00eaxito, como orgulho, como prazer, \u00e9 planejar. Somos muito imediatistas, achamos que o planejamento \u00e9 alguma coisa muito chata e complexa, mas \u00e9 fazer o exerc\u00edcio de se olhar no futuro. Daqui a cinco anos, onde voc\u00ea quer estar? Daqui a quinze anos, quem voc\u00ea quer ser? Procurando respostas a essas perguntas, voc\u00ea pode ir construindo uma carreira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 pensar nessa perspectiva de constru\u00e7\u00e3o, se imaginar daqui 10, 15, 20 anos, e, ao mesmo tempo, tra\u00e7ar a rota. Tra\u00e7ar estrat\u00e9gias, aproveitar o caminho, e tamb\u00e9m estar disposto a mudar \u00e0 medida que novos desafios e a maturidade de novas experi\u00eancias se apresentem. Esse planejamento \u00e9 fundamental. \u00c9 importante fazer esse exerc\u00edcio, de pensar no futuro, e pensar tamb\u00e9m no que \u00e9 sucesso pra voc\u00ea. \u00c9 dinheiro, bem-estar, qualidade de vida, trabalhar com o que gosta, com o que acredita? Se voc\u00ea conseguir juntar tudo isso, parab\u00e9ns, voc\u00ea \u00e9 um super privilegiado, e seria bom que todo mundo pudesse ser assim tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais inova\u00e7\u00f5es voc\u00ea pensa em trazer para a Escola de Comunica\u00e7\u00e3o ?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na minha perspectiva, talvez a grande inova\u00e7\u00e3o seja o trabalho em conjunto, o trabalho em equipe, \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o coletiva que estamos propondo. Ent\u00e3o, tudo tem sido muito discutido, muito debatido, todo mundo tem contribu\u00eddo bastante com as ideias, com as propostas, com as solu\u00e7\u00f5es pros problemas, e isso pode ser uma grande inova\u00e7\u00e3o. \u00c9 essa constru\u00e7\u00e3o coletiva, colaborativa, transparente, \u00e9tica e humanizada. Antes de sermos professores, ou gestores e alunos, somos pessoas. E temos trabalhado muito para buscar ouvir, pois \u00e9 importante ter uma escuta muito ativa das demandas, dos desejos, das necessidades, das frustra\u00e7\u00f5es, sejam de alunos, funcion\u00e1rios, professores. Eu quero inovar nesse sentido. Construir coletivamente um projeto que seja de todos n\u00f3s, que n\u00e3o \u00e9 meu, n\u00e3o \u00e9 dessa gest\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 desse grupo de coordenadores, n\u00e3o \u00e9 desse corpo docente, n\u00e3o s\u00e3o desses alunos, mas \u00e9 nossa. Essa \u00e9 a grande inova\u00e7\u00e3o que eu, pelo menos, estou buscando.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como voc\u00ea busca se inovar enquanto jornalista?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista pessoal, eu busco a inova\u00e7\u00e3o acompanhando as transforma\u00e7\u00f5es. Eu consumo muito conte\u00fado jornal\u00edstico, acesso muitos sites jornal\u00edsticos, leio muita coisa sobre jornalismo. Converso sobre jornalismo, e n\u00e3o s\u00f3 sobre os assuntos que o jornalismo trata, porque eu vejo muito isso. Jornalista conversa sobre pol\u00edtica, conversa sobre esporte, conversa sobre cultura e, \u00e0s vezes, eu tenho a impress\u00e3o de que tem gente que fala muito pouco sobre a pr\u00f3pria profiss\u00e3o. Ent\u00e3o, eu busco olhar muito pras novas pr\u00e1ticas, pras novas tecnologias, pros novos comportamentos, pras novas redes, pras novas linguagens. Estou sempre buscando o novo. E, \u00e0s vezes, a inova\u00e7\u00e3o vem de um outro campo, vem de uma outra \u00e1rea, e n\u00e3o necessariamente do campo do jornalismo ou da comunica\u00e7\u00e3o, mas ela est\u00e1 ali. E \u00e9 uma boa ideia e \u00e9 um insight interessante.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, \u00e9 olhar para o novo com otimismo, com empolga\u00e7\u00e3o, com desejo tamb\u00e9m de trazer isso pro seu perfil profissional, para sua pr\u00e1tica, pra sua \u00e9tica, para sua vis\u00e3o de mundo. Eu n\u00e3o sou a pessoa que est\u00e1 sempre comprando equipamentos de ponta, ou buscando tecnologia de ponta. O que me interessa mais s\u00e3o os comportamentos, os pensamentos, as culturas novas. Isso \u00e9 o que me faz me sentir atual em rela\u00e7\u00e3o a minha profiss\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carolina Monteiro \u00e9 jornalista desde o final da d\u00e9cada de 90. 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