{"id":44,"date":"2013-08-12T19:10:40","date_gmt":"2013-08-12T19:10:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www1.unicap.br\/comblin\/?p=44"},"modified":"2013-08-12T19:10:40","modified_gmt":"2013-08-12T19:10:40","slug":"por-quem-os-sinos-dobram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/comblin\/por-quem-os-sinos-dobram\/","title":{"rendered":"POR QUEM OS SINOS DOBRAM?!"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" alt=\"\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-aLFVAsgaRlg\/TZeGEtKqgJI\/AAAAAAAADFI\/CXyW3e5vxmU\/s200\/jose-comblin.jpg\" width=\"200\" height=\"152\" \/>Dobram por Comblin, o profeta da liberdade!<br \/>\nE no Nordeste se ouviu um lamento e choro amargo, s\u00e3o os seus filhos que hoje n\u00e3o querem ser consolados.<\/p>\n<p>Lamentamos com l\u00e1grimas e sil\u00eancio o recolhimento de Jos\u00e9 Comblin aos bra\u00e7os de Deus. A sua p\u00e1scoa se deu apenas cinco dias depois de seu anivers\u00e1rio de 88 anos, o que certamente lhe veio como um presente, bem diferente de 24 de mar\u00e7o de 1972, quando, dois dias depois do seu anivers\u00e1rio, ao desembarcar em Recife foi informado que agora era uma persona non grata e assim, a contragosto, foi deportado para o Chile.<\/p>\n<p>Comblin foi cat\u00f3lico no mais puro sentido da palavra, as suas id\u00e9ias eram universais, ele pensou e viveu o mundo, mas sempre agiu a partir do local aonde se encontrava.<\/p>\n<p>Falava exatamente o que vivia, nele discurso e a\u00e7\u00e3o eram uma coisa s\u00f3.<\/p>\n<p>Falou de pobreza e viveu toda a vida como um pobre. N\u00e3o tinha absolutamente nenhum bem registrado em seu nome. Morou entre os pobres, ensinou e aprendeu com eles e quando teve que conviver com os ricos foi apenas para desafi\u00e1-los a viver uma vida mais regrada e menos acintosa aos olhos de Deus.<\/p>\n<p>A aparente fragilidade de seu corpo era um contraste profundo com a for\u00e7a das suas palavras. Pregou com coragem e demonstrou t\u00ea-la em sufici\u00eancia quando, em plena ditadura militar, escreveu a Ideologia da Seguran\u00e7a Nacional, onde desnudava o poder militar na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Sua obra com mais de 60 livros escritos e acima de 300 artigos publicados \u00e9 um exemplo da produ\u00e7\u00e3o de teologia fora dos limites dos Semin\u00e1rios e das Universidades.<\/p>\n<p>De forma incans\u00e1vel, alertou a Igreja para reconhecer o erro hist\u00f3rico de nunca ter colocado o pobre como centro de sua a\u00e7\u00e3o pastoral. Afirmou sem medo que a Igreja hoje carece de conte\u00fado e que existe um vazio eclesi\u00e1stico onde resta muito pouco do evangelho anunciado e vivido por Jesus.<\/p>\n<p>Anunciou tamb\u00e9m para quem quisesse ouvir, que n\u00e3o se deve alimentar o espet\u00e1culo da ilus\u00e3o de que a Igreja pode evangelizar o mundo com \u201co mesmo discurso, os mesmos gestos, os mesmos ritos e os mesmos meios de express\u00e3o de outrora\u201d (COMBLIN, J.\u00a0<b>Um novo amanhecer da Igreja?<\/b>\u00a0Petr\u00f3polis: Vozes, 2003, p.76).<\/p>\n<p>Ouvir Comblin era estar diante do profeta e da profecia. Na sua profecia a palavra liberdade tomou uma dimens\u00e3o como nunca antes se viu. Para ele liberdade \u00e9 a base da voca\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica, a novidade do evangelho de Cristo, a conclus\u00e3o final de toda a hist\u00f3ria b\u00edblica e o fundamento da nova exist\u00eancia para a humanidade toda. Entendia que anunciar o evangelho era anunciar a liberdade, pois \u201cNo in\u00edcio do cristianismo, evangelizar era despertar para a liberdade e passar a pensar livremente\u201d (COMBLIN, J.\u00a0<b>O povo de Deus<\/b>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2002, p.412). N\u00e3o se cansou de dizer que \u201cJesus apareceu justamente como a pura representa\u00e7\u00e3o do pensamento livre\u201d (Id.). Hoje Comblin \u00e9 um homem inteiramente livre, atingiu a dimens\u00e3o plena de tudo que anunciou.<\/p>\n<p>Comblin foi um homem que n\u00e3o deixou de sonhar um \u00fanico dia. Aos 70 anos ainda plantava jardins e com 88 ainda constru\u00eda Escolas Mission\u00e1rias. Escolas e jardins eram para os outros, como tudo na sua vida. Sens\u00edvel e realista tinha os olhos sempre abertos para a realidade e para os que estavam seu redor, de maneira especial todos os proscritos da sociedade.<\/p>\n<p>Um dia lhe perguntei qual foi o seu maior sofrimento, j\u00e1 que tinha sido exilado, perseguido e incompreendido dentro e fora da Igreja. Ele simplesmente respondeu: \u201cDou gra\u00e7as a Deus que nunca me permitiu passar por sofrimento\u201d. Ecce homo.<\/p>\n<p>Comblin deixa um grande vazio no nosso meio e, para al\u00e9m disso, deixa \u00f3rf\u00e3 a teologia latino-americana. Lamentamos profundamente a morte daquele que abdicou de ser tratado como Dr. Comblin para ser chamado apenas por Padre Z\u00e9. Por ele hoje choramos, por ele hoje os sinos dobram. Quem tem ouvido para ouvir, que ou\u00e7a em respeitoso sil\u00eancio.<\/p>\n<div style=\"text-align: right;\">Paulo C\u00e9sar Pereira<\/div>\n<div style=\"text-align: right;\">\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" alt=\"\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-ImQjUYD50Kc\/TZji7JZzBRI\/AAAAAAAADGQ\/NCtv3n0Ukek\/s1600\/PC.jpg\" width=\"244\" height=\"187\" \/>Paulo (na foto, \u00e0 direita, ao lado de Comblin e de Rosy, a esposa) \u00e9 pastor da Primeira Igreja Batista em Bultrins-Olinda.<\/div>\n<div style=\"text-align: right;\">Mestre em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o pela Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco,<br \/>\npesquisou sobre a contribui\u00e7\u00e3o da teologia do Pe. Jos\u00e9 para a evangeliza\u00e7\u00e3o das cidades.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dobram por Comblin, o profeta da liberdade! E no Nordeste se ouviu um lamento e choro amargo, s\u00e3o os seus filhos que hoje n\u00e3o querem ser consolados. Lamentamos com l\u00e1grimas e sil\u00eancio o recolhimento de Jos\u00e9 Comblin aos bra\u00e7os de Deus. A sua p\u00e1scoa se deu apenas cinco dias depois de seu anivers\u00e1rio de 88&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[2,4],"tags":[],"class_list":["post-44","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-encontros","category-publicacoes"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p9QheL-I","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/comblin\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/comblin\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/comblin\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/comblin\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/comblin\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/comblin\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/comblin\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44\/revisions\/46"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/comblin\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/comblin\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/comblin\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}