{"id":8020,"date":"2010-08-24T20:17:21","date_gmt":"2010-08-24T23:17:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unicap.br\/assecom1\/?p=8020"},"modified":"2010-08-24T20:17:21","modified_gmt":"2010-08-24T23:17:21","slug":"congresso-compara-casos-de-adocao-de-criancas-brasileiras-e-francesas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/congresso-compara-casos-de-adocao-de-criancas-brasileiras-e-francesas\/","title":{"rendered":"Congresso compara casos de ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as brasileiras e francesas"},"content":{"rendered":"<div><strong><em>Com reportagem de Rebeca Kramer &#8211; especial para o Boletim Unicap<\/em><\/strong><\/div>\n<div>Na tarde de sexta- feira (20), foi dado prosseguimento ao 1\u00ba Congresso Franco-Brasileiro sobre Psican\u00e1lise, Filia\u00e7\u00e3o e Sociedade, promovido\u00a0pela Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco\u00a0em parceria com a\u00a0Universidade Denis Diderot, da Fran\u00e7a. O evento ocorreu no Golden Tulip Recife Palace Hotel, em Boa Viagem, contemplando o tema Ado\u00e7\u00e3o: da crian\u00e7a \u00e0 filia\u00e7\u00e3o, e contou com a presen\u00e7a de renomados psicanalistas, psic\u00f3logos e juristas do Brasil e da Fran\u00e7a.<\/div>\n<div>\u00a0<br \/>\nParticiparam do evento especialistas como a psic\u00f3loga cl\u00ednica e psicanalista francesa Sophie Marinopoulos; o professor da Universidade de Lyon 2 e chefe de Servi\u00e7o de Pedopsiquiatria no Centro Hospitalar Universit\u00e1rio de Saint-\u00c9tienne, Maurice Berger; e o psicanalista do Departamento de Psican\u00e1lise da Crian\u00e7a e do Adolescente do Hospital de Piti\u00e9- Salp\u00eatri\u00e8re, Christian Flavigny. Dentre as tem\u00e1ticas abordadas durante o evento estavam os riscos e fracassos na ado\u00e7\u00e3o e a prepara\u00e7\u00e3o do encontro entre as crian\u00e7as e futuros pais pelo Estado. Durante o congresso tamb\u00e9m houve o lan\u00e7amento do livro &#8220;Coment\u00e1rio sobre a nova legisla\u00e7\u00e3o sobre ado\u00e7\u00e3o- Lei 12010\/2009&#8221;, do desembargador Luiz Carlos Figueiredo.<\/div>\n<div>A psic\u00f3loga cl\u00ednica e psicanalista Sophie Marinopoulos refor\u00e7ou a import\u00e2ncia de tratar o abandono dos filhos pelos pais com o respeito que esse ato de desfilia\u00e7\u00e3o merece. \u201cN\u00e3o devemos julgar os pais. \u00c9 necess\u00e1rio enxergar o problema como uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica, em primeiro lugar\u201d, frisou. Para ela, \u00e9 imprescind\u00edvel conhecer a hist\u00f3ria dos progenitores, acolher os pais de nascimento, mesmo porque, segundo a lei, a separa\u00e7\u00e3o pai-filho n\u00e3o \u00e9 ilegal. \u201cJ\u00e1 no s\u00e9culo 17, as m\u00e3es que n\u00e3o queriam ou podiam ficar com seus beb\u00eas deixavam-nos nos conventos, sem mostrar quem eram. Hoje, isso n\u00e3o pode ser da mesma forma\u201d.<\/div>\n<div>A psicanalista explicou que na Fran\u00e7a n\u00e3o se abandona o filho por dificuldades materiais, uma vez que no pa\u00eds h\u00e1 medidas p\u00fablicas que suprem as necessidades financeiras. \u201cMais comum \u00e9 dizerem que n\u00e3o s\u00e3o psicologicamente capazes\u201d, contou Sophie. E ainda comentou: \u201cUma crian\u00e7a na Fran\u00e7a permanece dois meses sem poder ser adotada, no caso de os pais se arrependerem. Mas, passando este prazo, a volta torna-se irrevers\u00edvel\u201d. A psic\u00f3loga considera muito importante interligar dois momentos da vida de quem \u00e9 adotado: que o momento do abandono tamb\u00e9m seja o da ado\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div>O psicanalista Christian Flavigny, que dirige o Departamento de Psican\u00e1lise da Crian\u00e7a e do Adolescente do Hospital de Piti\u00e9- Salp\u00eatri\u00e8re, em Paris, tamb\u00e9m especialista em ado\u00e7\u00e3o e filia\u00e7\u00e3o, trabalha em cima da teoria de que os pais mudam, mas as crian\u00e7as permanecem sempre com o mesmo desejo: de sentirem-se verdadeiramente adotadas. \u201cEles desejam, acima de tudo, ser seus filhos\u201d. Diante da quest\u00e3o da ado\u00e7\u00e3o, o psicanalista comentoi sobre temas como a incid\u00eancia de div\u00f3rcios e pais homossexuais, al\u00e9m daqueles que passaram da idade de procria\u00e7\u00e3o. \u201cComo conciliar a modernidade da vida familiar com o desabrochar de uma crian\u00e7a?\u201d, questionou-se<\/div>\n<div>Por sua vez, o professor Domingos de Abreu, da Universidade Federal do Cear\u00e1, falou sobre o perfil de crian\u00e7as adotadas no Brasil em detrimento daquelas adotadas na Fran\u00e7a e como se d\u00e3o os discursos da sociedade feitos em torno dessas ado\u00e7\u00f5es. \u201cOs casais franceses que adotam, fazem de forma legal, diferentemente de brasileiros, que o fazem de maneira natural, pegando para criar. Especialmente em classes populares\u201d, exp\u00f5e. Abreu\u00a0lembrou que o brasileiro adota normalmente crian\u00e7as brancas, do sexo feminino, e de at\u00e9 tr\u00eas meses. Quando o perfil de ado\u00e7\u00e3o do franc\u00eas s\u00e3o crian\u00e7as mais velhas e negras, at\u00e9 pela escassez de op\u00e7\u00f5es. \u201cOs pais querem filhos saud\u00e1veis e que se pare\u00e7am biologicamente com eles, mas os franceses s\u00e3o mais abertos a adotar crian\u00e7as com caracter\u00edsticas f\u00edsicas diferentes\u201d. E, claro, os pais s\u00f3 procuram adotar porque outras medidas como insemina\u00e7\u00e3o n\u00e3o deram certo.<\/div>\n<div>Abreu explicoi que muitos franceses adotam brasileiros porque no seu pa\u00eds de origem n\u00e3o existem crian\u00e7as dispon\u00edveis. E chegam a adotar crian\u00e7as portadoras de necessidades especiais desde que possuam pequenos problemas, dado que o acesso ao sistema de sa\u00fade franc\u00eas \u00e9 bem melhor.\u00a0 \u201cOs casais estrangeiros acabam incluindo para ado\u00e7\u00e3o o perfil de adot\u00e1veis que o brasileiro n\u00e3o aceita. N\u00e3o porque sejam menos preconceituosos, mas porque se ajustam\u00a0 ao mercado adotivo de adotar os n\u00e3o- adot\u00e1veis\u201d.<\/div>\n<div>A mestre em Psicologia Cl\u00ednica e conselheira do Instituto Brasileiro de Estudos Interdisciplinares de Direito de Fam\u00edlia, Maria Antonieta Pisano, frisou que qualquer crian\u00e7a precisa ser adotada para sentir-se na condi\u00e7\u00e3o de filha.\u00a0 \u201cElas t\u00eam que ser acolhidas como filhas do desejo e n\u00e3o como substitui\u00e7\u00e3o do que os pais n\u00e3o puderam ter\u201d. Ainda para Pisano, futuros adotantes devem procurar, nos abrigos, crian\u00e7as reais, e n\u00e3o buscar, como muitos fazem, filhos perfeitos, porque nem mesmo os biol\u00f3gicos o s\u00e3o. \u201cN\u00e3o se deve atribuir todos os problemas de crian\u00e7as adotadas ao fato de elas n\u00e3o serem filhas biol\u00f3gicas, porque eles nem sempre tem a ver com a ado\u00e7\u00e3o\u201d, pontuou.\u00a0\u00a0Na ocasi\u00e3o, a psic\u00f3loga falou um pouco sobre o trabalho do projeto GAASP- Grupo de Apoio\u00a0\u00e0 Ado\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, na prepara\u00e7\u00e3o dos pretendentes \u00e0 ado\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div>A psic\u00f3loga do Tribunal de Justi\u00e7a de Pernambuco (TJPE) Isadora Minicelli\u00a0apresentou experi\u00eancias de uma equipe de profissionais que acompanham os processos de ado\u00e7\u00e3o,\u00a0 a reinser\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as nas fam\u00edlias adotivas e os est\u00e1gios de conviv\u00eancia, avaliando se os adotantes realmente possuem condi\u00e7\u00f5es de ser pais. \u201cPor meio\u00a0 de entrevistas com eles e com as crian\u00e7as adot\u00e1veis, temos uma ideia de quem eles s\u00e3o e de seus reais interesses\u201d, contou. A psic\u00f3loga explicou a import\u00e2ncia de a crian\u00e7a tamb\u00e9m adotar, diante de todo o luto psicol\u00f3gico do que ela viveu no passado. \u201cPor isso \u00e9 fundamental essa nova fam\u00edlia na constru\u00e7\u00e3o do sujeito\u201d.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com reportagem de Rebeca Kramer &#8211; especial para o Boletim Unicap Na tarde de sexta- feira (20), foi dado prosseguimento ao 1\u00ba Congresso Franco-Brasileiro sobre Psican\u00e1lise, Filia\u00e7\u00e3o e Sociedade, promovido\u00a0pela Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco\u00a0em parceria com a\u00a0Universidade Denis Diderot, da Fran\u00e7a. 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