{"id":63776,"date":"2016-10-26T22:08:44","date_gmt":"2016-10-27T01:08:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unicap.br\/assecom1\/?p=63776"},"modified":"2016-10-26T22:08:44","modified_gmt":"2016-10-27T01:08:44","slug":"historia-indigena-encerra-segunda-noite-da-semea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/historia-indigena-encerra-segunda-noite-da-semea\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria Ind\u00edgena encerra segunda noite da Semea"},"content":{"rendered":"<p><img data-attachment-id=\"63801\" data-permalink=\"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/historia-indigena-encerra-segunda-noite-da-semea\/img_2513-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2513.jpg?fit=3264%2C2448&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"3264,2448\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;2.4&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;iPhone 5&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1477509428&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;4.12&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;320&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.05&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"img_2513\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2513.jpg?fit=300%2C225&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2513.jpg?fit=640%2C480&amp;ssl=1\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-63801 size-large\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2513.jpg?resize=640%2C480&#038;ssl=1\" alt=\"img_2513\" srcset=\"https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2513.jpg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2513.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2513.jpg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2513.jpg?resize=50%2C38&amp;ssl=1 50w, https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2513.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2513.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" data-recalc-dims=\"1\" \/>&#8220;Por que n\u00e3o valorizamos a cultura ind\u00edgena no geral e a hist\u00f3ria dos povos ind\u00edgenas em particular?&#8221; A pergunta-tema da palestra de encerramento da programa\u00e7\u00e3o desta quarta-feira (26) da 1\u00aa Semana de Estudos Amaz\u00f4nicos da Cat\u00f3lica\u00a0(Semea) foi lan\u00e7ada pelo Prof. Dr. Tiago da Silva C\u00e9sar. Doutor em Hist\u00f3ria pela Universidade de C\u00f3rdoba, na Espanha, ele apresentou o que seriam as dez &#8220;chaves de explica\u00e7\u00e3o&#8221; para a quest\u00e3o. A mesa foi coordenada pelo Prof. Dr. Luiz Carlos Luz Marques, membro do colegiado do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o e coordenador da \u00e1rea de gest\u00e3o de processos educacionais do Pibid da Unicap.<\/p>\n<p>Tiago buscou nas origens da coloniza\u00e7\u00e3o brasileira o primeiro aspecto\u00a0para explicar a n\u00e3o-valoriza\u00e7\u00e3o do passado ind\u00edgena. De acordo com ele, a tradi\u00e7\u00e3o xen\u00f3foba e racista ib\u00e9rica seria o ponto de partida. &#8220;Os primeiros estados na pen\u00ednsula Ib\u00e9rica surgiram com a expuls\u00e3o dos mouros (\u00e1rabes) e posteriormente dos judeus&#8221;. Tiago apontou as diferen\u00e7as \u00e9tnicas-culturais entre brancos e \u00edndios como outro fator importante. &#8220;Os \u00edndios n\u00e3o pronunciavam o &#8216;F&#8217;, o &#8216;L&#8217; e o &#8216;R&#8217; e ao longo dos s\u00e9culos foi transmitido que eles n\u00e3o tinham f\u00e9, lei ou rei. Os portugueses n\u00e3o demonstraram interesse em entender esses povos do ponto de vista etnogr\u00e1fico&#8221;.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o remete ao terceiro ponto: o de que <em>\u00edndio n\u00e3o \u00e9 gente.\u00a0<\/em>&#8220;V\u00e1rias teorias circularam vendendo a ideia de que os ind\u00edgenas n\u00e3o eram descendentes de Ad\u00e3o, teriam sido gerados espontaneamente a partir do calor e da podrid\u00e3o, assim como minhocas e cogumelos&#8221;.\u00a0O historiador tamb\u00e9m desconstruiu o estigma de que o \u00edndio era pregui\u00e7oso em sua &#8216;quarta chave&#8217;. &#8220;At\u00e9 o s\u00e9culo XVII, a m\u00e3o de obra escrava majorit\u00e1ria era ind\u00edgena. O \u00edndio foi pau pra toda obra&#8221;.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o econ\u00f4mica aparece na sequ\u00eancia constru\u00edda por Tiago. O &#8216;\u00edndio como dono de terras&#8217; come\u00e7ou a provocar conflitos na medida em que a popula\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia aumentava e\u00a0a m\u00e3o de obra ind\u00edgena perdia import\u00e2ncia. &#8220;A chegada dos negros, o crescimento da popula\u00e7\u00e3o campesina de brancos pobres demandavam mais terras. Por eles serem donos de grandes extens\u00f5es de terra, isso representava a falsa ideia de um entrave para o desenvolvimento econ\u00f4mico da Brasil&#8221;.<\/p>\n<p>Um outro\u00a0pseudo-entrave aparece na &#8216;sexta chave&#8217;. O professor explicou que a presen\u00e7a ind\u00edgena era tida como um dificultador civilizacional ao Brasil. &#8220;Havia pensadores que defendiam a n\u00e3o mistura de povos, outros eram favor\u00e1veis a miscigena\u00e7\u00e3o com vistas ao branqueamento para fortalecer a ra\u00e7a brasileira, quer dizer, a extin\u00e7\u00e3o ind\u00edgena&#8221;, enfatizou.<\/p>\n<p><img data-attachment-id=\"63802\" data-permalink=\"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/historia-indigena-encerra-segunda-noite-da-semea\/img_2515\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2515.jpg?fit=3264%2C2448&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"3264,2448\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;2.4&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;iPhone 5&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1477509445&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;4.12&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;100&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.05&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"img_2515\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2515.jpg?fit=300%2C225&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2515.jpg?fit=640%2C480&amp;ssl=1\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-63802 size-medium\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2515.jpg?resize=300%2C225&#038;ssl=1\" alt=\"img_2515\" srcset=\"https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2515.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2515.jpg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2515.jpg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2515.jpg?resize=50%2C38&amp;ssl=1 50w, https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2515.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/IMG_2515.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-recalc-dims=\"1\" \/>A &#8216;s\u00e9tima chave&#8217; \u00e9 uma resposta central \u00e0 pergunta inicial. &#8216;O \u00edndio n\u00e3o entra na hist\u00f3ria escrita&#8217;. &#8220;Os primeiros historiadores do Brasil n\u00e3o consideravam \u00edndios e negros como matrizes da hist\u00f3ria nacional. A vers\u00e3o lusitana cat\u00f3lica prevalecia&#8221;, explicou Tiago que, como coordenador do curso de Hist\u00f3ria da Cat\u00f3lica, transformou a disciplina de Hist\u00f3ria Ind\u00edgena de eletiva para obrigat\u00f3ria na grade curricular.<\/p>\n<p>O processo de constru\u00e7\u00e3o da imagem do \u00edndio baseada no &#8216;bom x selvagem mau&#8217; tamb\u00e9m teria contribu\u00eddo para a nega\u00e7\u00e3o do \u00edndio ao longo da hist\u00f3ria do Brasil. &#8220;Podemos ver isso no quadro <em>O \u00daltimo Tamoio<\/em>, de Rodolfo Amoedo, em que um \u00edndio aparece morto sendo atendido por um branco. Ele resistiu mas n\u00e3o sobreviveu&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 a nona chave de explica\u00e7\u00e3o seria a ideia de que o \u00edndio aculturado n\u00e3o \u00e9 \u00edndio. &#8220;Isso vem da matriz Marxista do conceito de subjuga\u00e7\u00e3o de uma cultura sobre a outra em que aquela cultura que perde tudo da sua cultura para outra deixa de existir, o que n\u00e3o \u00e9 verdade. Comemos pizza e hamb\u00farguer e nem por isso deixamos de ser brasileiros. \u00cdndio que anda vestido \u00e9 \u00edndio. Pra ser \u00edndio n\u00e3o tem que ter aquele estere\u00f3tipo de \u00edndio fossilizado de andar nu e fumar cachimbo&#8221;.<\/p>\n<p>A &#8216;d\u00e9cima chave de explica\u00e7\u00e3o&#8217; talvez seja a resposta crucial para a atualidade. &#8216;Interesses Econ\u00f4micos&#8217;. &#8220;Esse processo de n\u00e3o dar visibilidade ao \u00edndio favorece aos interesses vigentes, a exemplo do agroneg\u00f3cio e da minera\u00e7\u00e3o. Essa pol\u00edtica da n\u00e3o-valoriza\u00e7\u00e3o\u00a0facilita para o poder econ\u00f4mico&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Por que n\u00e3o valorizamos a cultura ind\u00edgena no geral e a hist\u00f3ria dos povos ind\u00edgenas em particular?&#8221; A pergunta-tema da palestra de encerramento da programa\u00e7\u00e3o desta quarta-feira (26) da 1\u00aa Semana de Estudos Amaz\u00f4nicos da Cat\u00f3lica\u00a0(Semea) foi lan\u00e7ada pelo Prof. Dr. Tiago da Silva C\u00e9sar. 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