{"id":6095,"date":"2010-07-06T15:54:56","date_gmt":"2010-07-06T18:54:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unicap.br\/assecom1\/?p=6095"},"modified":"2010-07-06T15:54:56","modified_gmt":"2010-07-06T18:54:56","slug":"reitor-da-catolica-participa-da-inauguracao-do-hospital-dom-helder-camara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/reitor-da-catolica-participa-da-inauguracao-do-hospital-dom-helder-camara\/","title":{"rendered":"Reitor da Cat\u00f3lica participa da inaugura\u00e7\u00e3o do Hospital Dom Helder Camara"},"content":{"rendered":"<p>Contribui\u00e7\u00e3o Luana Pimentel<\/p>\n<p>Na \u00faltima quinta-feira (1), o Reitor da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco, Padre Pedro Rubens celebrou, junto ao bispo de Palmares, Dom Genival, a missa de inaugura\u00e7\u00e3o do Hospital Metropolitano Sul Dom Helder Camara (HDH). \u00a0Localizado no Cabo de Santo Agostinho, o HDH passa a ser refer\u00eancia para toda a Mata Sul pernambucana em atendimentos de urg\u00eancia e emerg\u00eancia, interna\u00e7\u00f5es e atendimento ambulatorial nas \u00e1reas de trauma, cl\u00ednica geral, cirurgias gerais e cardiovasculares.<\/p>\n<p>O novo hospital possui 160 leitos e uma equipe composta por 800 profissionais, sendo 172 m\u00e9dicos. Com capacidade para realizar 29.400 consultas, 7.900 interna\u00e7\u00f5es, 202 mil procedimentos de diagn\u00f3stico (laborat\u00f3rio e radiologia) e 51.840 atendimentos de urg\u00eancia anualmente, a unidade espera assim diminuir o fluxo dos outros dois hospitais de refer\u00eancia no estado: Agamenon Magalh\u00e3es e o Procape.<\/p>\n<p>Veja na \u00edntegra o texto da Homilia a partir da liturgia de 1\u00ba de julho (Mt 9, 1-8):<\/p>\n<p><strong><em>Um dom para os que sofrem<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Palavras<\/strong> e <strong>gestos:<\/strong> eis a maior manifesta\u00e7\u00e3o do poder de Jesus e a forma como ele revelou o amor de Deus pela humanidade, a partir dos mais necessitados. Essa <strong><em>articula\u00e7\u00e3o de palavras e gestos<\/em><\/strong> corresponde, na tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, ao perfil de um <strong>profeta<\/strong>. Por isso dizemos que Jesus foi o maior profeta do povo de Israel, e, de forma an\u00e1loga, chamamos de profeta pessoas como Dom Helder, patrono desse hospital. Na verdade, a coer\u00eancia entre palavras e atos \u00e9 um apelo para todos n\u00f3s. Tal coer\u00eancia \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o fundamental para a <strong>credibilidade<\/strong> e a <strong>autoridade<\/strong> de algu\u00e9m, desde o ato cotidiano mais simples ao ato p\u00fablico mais importante. E, paradoxalmente, s\u00e3o as situa\u00e7\u00f5es mais adversas da vida que nos oferecem as melhores oportunidades de manifestar a coer\u00eancia entre nossas palavras e a\u00e7\u00f5es: penso, por exemplo, no caso das calamidades p\u00fablicas, como a das enchentes que afligem tanta gente em nosso estado atualmente; penso tamb\u00e9m na situa\u00e7\u00e3o geral da sa\u00fade p\u00fablica, diante da qual, a inaugura\u00e7\u00e3o deste hospital \u00e9 um gesto promissor. Ali\u00e1s, o que um dia foi promessa em palavras, hoje \u00e9 obra realizada pelo trabalho.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Portanto, Jesus descobriu sua pr\u00f3pria miss\u00e3o diante das situa\u00e7\u00f5es mais adversas e das pessoas mais necessitadas que vieram ao encontro dele. No evangelho de hoje, Jesus estava de volta \u00e0 sua cidade e, l\u00e1, apresentaram-lhe um paral\u00edtico, diante do qual, ele dirigiu algumas palavras, realizando, basicamente, <strong>dois grandes gestos<\/strong>:<\/p>\n<p>&#8211; primeiro, o gesto de <strong><em>perdoar os pecados<\/em><\/strong>;<\/p>\n<p>&#8211; segundo, o gesto de <strong><em>curar<\/em><\/strong> o paral\u00edtico, libertando-o do peso da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Em suas palavras, Jesus praticamente justificou que a cura seria uma \u201cprova\u201d para que os \u201cmestres da lei\u201d acreditassem que ele tinha o poder de perdoar. Mas, por que Jesus, de certa forma, considerou o perd\u00e3o primordial e at\u00e9 mais importante do que a pr\u00f3pria cura?<\/p>\n<p>Primeiro, porque muitas pessoas pensavam \u2013\u00a0e alguns ainda pensam \u2013 que as <strong>doen\u00e7as<\/strong> s\u00e3o <strong><em>\u201ccastigo\u201d de Deus<\/em><\/strong> por algum pecado cometido pela pr\u00f3pria pessoa, ou pelos seus pais e parentes. E, por isso mesmo, alguns doentes, al\u00e9m de sofrerem o peso da doen\u00e7a, sofriam com a discrimina\u00e7\u00e3o social e at\u00e9 religiosa. Nesse cen\u00e1rio, o perd\u00e3o dos pecados implicava o <strong>resgate da <em>autoestima<\/em><\/strong>, a <strong><em>reconcilia\u00e7\u00e3o <\/em><\/strong>com Deus e, consequentemente, a <strong><em>reintegra\u00e7\u00e3o<\/em> social<\/strong> da pessoa doente e marginalizada. E, uma vez livre da culpa, mesmo que a doen\u00e7a continue, o perd\u00e3o oferece as condi\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas, sociais e religiosas fundamentais para a pessoa <strong>conviver<\/strong> com o seu problema e continuar sua vida dignamente. Corresponderia ao que n\u00f3s chamamos hoje de <strong>acessibilidade<\/strong>. O perd\u00e3o, enfim, era como uma \u201csenha\u201d que resgatava as condi\u00e7\u00f5es de acessibilidade a Deus e \u00e0 sociedade humana.<\/p>\n<p>De fato, esse primeiro gesto de Jesus foi sinal de uma for\u00e7a extraordin\u00e1ria.\u00a0 O perd\u00e3o era um gesto t\u00e3o forte que despertou a cr\u00edtica imediata dos \u201cmestres da lei\u201d. Eles consideraram Jesus um blasfemo. No fundo, o rosto amoroso de Deus, revelado em Jesus Cristo, n\u00e3o correspondia \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o que esses mestres faziam da lei. Ao inv\u00e9s de eles questionarem a pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o, os mestres da lei condenaram o gesto do Nazareno. Diante dessa provoca\u00e7\u00e3o, Jesus foi mais al\u00e9m e fez um segundo gesto, curando o paral\u00edtico: \u201clevanta-te, pega a tua cama e vai para a tua casa\u201d.<\/p>\n<p>Diante desses dois gestos, houve manifesta\u00e7\u00f5es de medo e de f\u00e9. Narra-se, em conclus\u00e3o desse epis\u00f3dio, que a manifesta\u00e7\u00e3o daqueles que perderam o medo, \u201cglorificaram a Deus por ter dado tal poder aos seres humanos\u201d. Moral da hist\u00f3ria: a coer\u00eancia entre palavras e atos \u00e9 um grande poder, e esse \u201cmilagre\u201d est\u00e1 ao nosso alcance; n\u00f3s temos poder para transformar esse mundo, na medida em que tivermos olhos para enxergar as necessidades dos mais pobres e, atrav\u00e9s de nosso trabalho, conjugando palavras e a\u00e7\u00f5es, podemos realizar grandes obras.<\/p>\n<p>N\u00e3o escolhi esse texto especialmente para essa circunst\u00e2ncia: ele est\u00e1\u00a0indicado pela Igreja para o dia de hoje, inclusive, est\u00e1 sendo lido nas comunidades cat\u00f3licas do mundo inteiro. Mas, essa passagem vem bem a calhar com o que aqui realizamos. N\u00e3o somente porque o relato b\u00edblico fala de doente e de cura na inaugura\u00e7\u00e3o de um hospital, mas por outras aproxima\u00e7\u00f5es que podemos fazer. Inicio o exerc\u00edcio para que voc\u00eas o continuem, com intelig\u00eancia e vontade de interpreta\u00e7\u00e3o dessa palavra de Deus para n\u00f3s hoje, aqui e agora.<\/p>\n<p>1. Esse hospital come\u00e7ou como promessa de campanha; hoje, \u00e9 uma obra realizada: o gesto e a obra cumprem a palavra dita; isso precisa ser dito, sobretudo em ano de elei\u00e7\u00f5es, para resgatar a dignidade da pol\u00edtica e a responsabilidade com os bens p\u00fablicos; al\u00e9m da coer\u00eancia entre promessa e obra, existe ainda um gesto maior: esse hospital, al\u00e9m de cumprir uma promessa, ele vai muito al\u00e9m, porque representa uma mudan\u00e7a no pr\u00f3prio sistema de sa\u00fade, integrado com as UPAs (Unidade de Pronto Atendimento);<\/p>\n<p>2. Mas, que rela\u00e7\u00e3o teria esse ato com os dois gestos de Jesus? A constru\u00e7\u00e3o de um hospital corresponde de certa forma, ao primeiro gesto de Jesus, isto \u00e9, <strong><em>redime a falta<\/em><\/strong> do poder p\u00fablico, dando acessibilidade aos mais pobres; o segundo gesto de Jesus, a <strong><em>cura<\/em><\/strong>, caber\u00e1 aos profissionais da sa\u00fade, m\u00e9dicos, enfermeiros e gestores; portanto, h\u00e1 uma corresponsabilidade e uma solidariedade nos dois gestos para que esse hospital seja, de fato, uma obra aben\u00e7oada por Deus;<\/p>\n<p>3. Para tanto, voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o sozinhos: primeiro, a parceria com o IMIP, respons\u00e1vel pela gest\u00e3o desse hospital, representa uma garantia de qualidade no atendimento aos mais pobres, comprovada por mais de 50 anos. E a escolha de Dom Helder como patrono desse empreendimento significa contar com um grande aliado, intercessor junto a Deus; ele que foi um profeta no meio de n\u00f3s, realizando em <em>palavras<\/em> e <em>obras<\/em> um sinal do amor de Deus pela humanidade, come\u00e7ando pelos mais necessitados.<\/p>\n<p>Mas, escolher Dom Helder como patrono implica tamb\u00e9m uma grande <strong>responsabilidade<\/strong> e um <strong>compromisso<\/strong> com a sociedade e at\u00e9 mesmo com Deus, a saber: atender bem como se cada pessoa fosse o pr\u00f3prio Deus ou, dizendo com outras palavras, atender e cuidar de cada ser humano como verdadeiros filho e filha de Deus. Se a pessoa n\u00e3o sair curada daqui, que ela saia com a auto-estima elevada, agradecida e pronta para conviver com o seu estado de vida ou at\u00e9 mesmo enfrentar a morte com dignidade e coragem.<\/p>\n<p>Para fundamentar melhor ainda esse pensamento, recorro a duas breves reflex\u00f5es do pr\u00f3prio Dom Helder.<\/p>\n<p>Primeiramente em visita ao Recife, Hospital das Cl\u00ednicas, da UFPE, entre 13\/14.6. 64 (28 \u00aa Circular):<\/p>\n<p>\u201cDepois da Santa Missa, em que foi grande o n\u00famero das comunh\u00f5es, desci para o meio dos enfermos, m\u00e9dicos, alunos, enfermeiras, funcion\u00e1rios e comecei a rezar. Sem ver fisicamente mais que os rostos dos doentes, em certo momento, pareceu-me t\u00e3o evidente que <strong><em>o enfermo \u00e9 Cristo<\/em><\/strong>, que devo ter deixado a impress\u00e3o de estar vendo o Mestre. A emo\u00e7\u00e3o foi geral.\u201d<\/p>\n<p>Recordo, em segundo lugar um pequeno verso de Dom Helder, tirado das Medita\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p><strong>\u201cQuem passa <\/strong>dez, vinte, trinta vezes diante de um Hospital nem pode imaginar, os numerosos e mais diversos sofrimentos, que se passam l\u00e1\u00a0dentro&#8230; Ainda deitados em macas, corredor afora, h\u00e1\u00a0doentes que chegaram para a emerg\u00eancia&#8230; H\u00e1\u00a0doentes morrendo, rodeados de parentes e amigos dilacerados pela saudade&#8230; H\u00e1\u00a0outros sem amigos, sem parentes, sem conhecidos&#8230; Invis\u00edvel, Sol\u00edcita, Incans\u00e1vel, <strong>Presente<\/strong> a Todos, a M\u00e3e de Deus e M\u00e3e nossa\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Dom Helder, temos o cuidado maternal, simbolizada em Maria, velando por todos que por aqui passarem pacientes ou profissionais. Para concluir, proponho um pequeno gesto, a saber: depois da invoca\u00e7\u00e3o do nome do patrono desse hospital, poder\u00edamos responder \u201cpresente\u201d, atestando a nossa gratid\u00e3o por esse presente que \u00e9\u00a0um hospital p\u00fablico para Pernambuco e tamb\u00e9m para testemunhar o nosso desejo de fazer presente, em nossa vida, o compromisso de assumir, com responsabilidade, os apelos de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade com palavras e atos. (minuto de sil\u00eancio).<\/p>\n<p>&#8211; DOM HELDER CAMARA&#8230; PRESENTE!<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pe. Pedro Rubens, SJ<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Reitor da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Contribui\u00e7\u00e3o Luana Pimentel Na \u00faltima quinta-feira (1), o Reitor da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco, Padre Pedro Rubens celebrou, junto ao bispo de Palmares, Dom Genival, a missa de inaugura\u00e7\u00e3o do Hospital Metropolitano Sul Dom Helder Camara (HDH). \u00a0Localizado no Cabo de Santo Agostinho, o HDH passa a ser refer\u00eancia para toda a Mata Sul pernambucana [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6095"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6095"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6095\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6095"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6095"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6095"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}