{"id":6057,"date":"2010-07-05T16:41:18","date_gmt":"2010-07-05T19:41:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unicap.br\/assecom1\/?p=6057"},"modified":"2010-07-05T16:41:18","modified_gmt":"2010-07-05T19:41:18","slug":"professora-de-direito-da-unicap-escreve-critica-sobre-livro-de-ex-aluno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/professora-de-direito-da-unicap-escreve-critica-sobre-livro-de-ex-aluno\/","title":{"rendered":"Professora de Direito da Unicap escreve cr\u00edtica sobre livro de ex-aluno"},"content":{"rendered":"<p><a rel=\"attachment wp-att-6060\" href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/?attachment_id=6060\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-6060\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/Leo-Tabosa.jpg?resize=300%2C225&#038;ssl=1\" alt=\"\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>O ex-aluno de Jornalismo e atual funcion\u00e1rio da Unicap, Leandro Tabosa, teve livro premiado no concurso \u201cPr\u00eamios Liter\u00e1rios Cidade de Manaus\u201d em 2008. Classificada como Melhor Pe\u00e7a Teatral para Adultos, a obra \u201cMandacaru Selvagem\u201d, \u00e9 uma com\u00e9dia popular sobre o cotidiano de duas fam\u00edlias de classe m\u00e9dia alta &#8211; mostrando suas formas de se relacionar no amor e na amizade. A professora do curso de Direito Andrea Almeida Campos escreveu uma cr\u00edtica sobre o livro, que foi publicada recentemente.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O MANDACARU \u201cBURGU\u00caS\u201d<\/p>\n<p>Por Andrea Almeida Campos<\/p>\n<p>(Escritora e poetisa. Membro da Uni\u00e3o Brasileira de Escritores.)<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0O jovem dramaturgo pernambucano Leo Tabosa nos presenteia com a sua mais nova pe\u00e7a teatral \u201cMandacaru Selvagem\u201d. O texto apresenta-se como uma com\u00e9dia de costumes no melhor estilo da Com\u00e9die-Fran\u00e7aise e nos faz pensar em Moli\u00e8re. Assim como o gaul\u00eas, Leo tenta satirizar os tipos urbanos da contemporaneidade, seus v\u00edcios, suas fraquezas e, principalmente, a total falta de senso de rid\u00edculo desses personagens. Tudo poderia ser apenas engra\u00e7ado, um besteirol tomado em p\u00edlulas como um agrad\u00e1vel passatempo, se a com\u00e9dia de Leo n\u00e3o fosse, em realidade, tr\u00e1gica. Deparar-se com a fauna humana apresentada pelo autor e olh\u00e1-los de forma n\u00e3o superficial, ao inv\u00e9s do riso, leva-nos ao desespero e \u00e0 desesperan\u00e7a. Leo consegue fotografar o ser humano burgu\u00eas atual em total desconex\u00e3o com o seu pr\u00f3prio eu, alienado de sua humanidade, um reles desconhecido de si mesmo a tentar enquadrar-se em f\u00f3rmulas pr\u00e9-fabricadas e estereotipadas de felicidade. F\u00f3rmulas lan\u00e7adas a seres que se desumanizam e passam a integrar um rebanho, guiados n\u00e3o por um pastor, mas provavelmente por uma propaganda televisiva de margarina, de cerveja ou de um shopping center da moda. E o que \u00e9 pior, sem nenhum senso cr\u00edtico. Os nomes das personagens s\u00e3o uma forma de satirizar as novelas mexicanas que tanto fazem sucesso em terras tupiniquins, tamanha a sua dramaticidade, mas os movimentos e as a\u00e7\u00f5es levadas a cabo s\u00e3o perfeitamente verde e amarelas, qui\u00e7\u00e1 das cores da burguesia universal. Aproximemo-nos de suas personagens: Maristela Valeska, uma mulher dentro dos padr\u00f5es, vive tal como se espera de uma pequena burguesa. \u00c9 casada h\u00e1 quinze anos, mora em um apartamento de luxo e tem dois filhos saud\u00e1veis, al\u00e9m de um marido bem-sucedido. Mas quem \u00e9 Maristela Valeska? Nem mesmo ela sabe. Ela s\u00f3 sabe que vive conforme um esquema pr\u00e9-estabelecido e que esse esquema, inclusive, n\u00e3o est\u00e1 mais na moda, j\u00e1 que agora \u201cin\u201d \u00e9 ser solteira, livre, leve, solta e independente. Maristela Valeska se separa do marido n\u00e3o porque \u00e9 intrinsecamente insatisfeita com o casamento e pretende encontrar novas possibilidades para si mesma, ela simplesmente vai com a onda e a onda \u00e9 aquela propugnada por sua amiga separada e namoradeira, Rafaella Patr\u00edcia. Esta \u00e9 uma total destrambelhada. Formada em psicologia, exercendo a profiss\u00e3o, precisaria reencarnar duas ou mais vezes, passando a maior parte do tempo dessa vida e das futuras deitada em um div\u00e3. N\u00e3o se trata de moralismos, falsos, acentue-se. Tudo iria bem com Rafaella Patr\u00edcia e a sua vida de solta, solteira, se ela n\u00e3o se apresentasse como uma mulher t\u00e3o infeliz, perdida e, frequentemente, \u00e9bria. Ela parece ser aquela mulher que optou por viver nos moldes do seriado de TV americana Sex and the City, mas est\u00e1, irremediavelmente, fixada na propaganda de margarina, aquela onde na cozinha, toma o caf\u00e9 da manh\u00e3 uma fam\u00edlia unida e feliz. Logo, essas duas mulheres n\u00e3o buscam a felicidade pelo autoconhecimento, mas unicamente teleguiadas pela m\u00eddia e pelos estere\u00f3tipos. As personagens adolescentes, da mais nova gera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o acenam para uma renova\u00e7\u00e3o do n\u00facleo feminino: s\u00e3o f\u00fateis, alienadas, falsas, complexadas, cada qual \u00e0 sua maneira, e parece que far\u00e3o tudo na vida, menos algo que valha, realmente, \u00e0 pena. Os personagens masculinos aparentam ser menos problem\u00e1ticos a um primeiro lance de vista. A um segundo lance, o que se infere \u00e9 que seus problemas est\u00e3o mais por debaixo dos panos. Jo\u00e3o Eduardo \u00e9 o ex-marido de Rafaella Patr\u00edcia. Apesar de ter feito carreira como advogado penalista, se j\u00e1 conseguiu tirar presos da cadeia, \u00f3timo, porque ele mesmo ficou preso na adolesc\u00eancia. Machista e alco\u00f3latra, o que deixa entrever-se \u00e9 que ele \u00e9 um homossexual n\u00e3o assumido. J\u00e1 o marido de Maristela Valeska, Arnaldo Oscar, no meio desse caos, vive como uma Pollyana totalmente alheia \u00e0 realidade, sem conseguir enxergar a sua mulher, muito menos a si pr\u00f3prio. Arnaldo Oscar atende a todas as demandas sociais e familiares, age como se fosse um aut\u00f4mato, robotizado. At\u00e9 ao separar-se, ele segue \u00e0 risca os padr\u00f5es, agarrando a melhor amiga da ex-esposa, e&#8230; dentro de casa! Os garotos Tob e J\u00fanior s\u00e3o os filhos dos dois casais. J\u00fanior, filho de Maristela Valeska e Arnaldo Oscar, Tob, filho de Rafaella Patr\u00edcia e Jo\u00e3o Eduardo. Os dois meninos convivem desde que nasceram e s\u00f3 durante a adolesc\u00eancia descobrem-se gays e apaixonados. N\u00e3o h\u00e1 conflitos, n\u00e3o h\u00e1 temores, n\u00e3o h\u00e1 crises internas. Os meninos tamb\u00e9m s\u00e3o alienados de si mesmos, pois se sabe que os desejos sexuais e a dire\u00e7\u00e3o desses desejos revelam-se desde a inf\u00e2ncia e eles, simplesmente, nunca se deram conta disso&#8230; Ao perceberem suas puls\u00f5es, tardiamente, vivenciam a descoberta como quem vai tomar um sorvete ali na esquina&#8230;E n\u00e3o se lambuzam!<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cada qual com as suas especificidades, h\u00e1 um tra\u00e7o de car\u00e1ter marcante que irmana todos os personagens: a hipocrisia.<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A com\u00e9dia de Leo Tabosa \u00e9, portanto, a trag\u00e9dia da aliena\u00e7\u00e3o e do cinismo burgu\u00eas no s\u00e9culo XXI. H\u00e1 alguma sa\u00edda para os nossos queridos personagens? Ao fim do texto, condenados \u00e0 eterna perdi\u00e7\u00e3o, os personagens, por n\u00e3o terem chegado a lugar algum, voltam \u00e0 estaca zero, ao aparente inescap\u00e1vel modelo hip\u00f3crita-tradicional-conservador burgu\u00eas. Est\u00e3o todos satisfeitos e acomodados, jogando o eterno jogo, tal como no mito de S\u00edsifo: condenado a passar o resto de sua exist\u00eancia a rolar uma pedra para cima de uma montanha.<span>\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6063\" aria-describedby=\"caption-attachment-6063\" style=\"width: 225px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a rel=\"attachment wp-att-6063\" href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/?attachment_id=6063\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-6063\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/Livro-Mandacaru-Selvagem.jpg?resize=225%2C300&#038;ssl=1\" alt=\"\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6063\" class=\"wp-caption-text\">Capa do livro de Leandro<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-aluno de Jornalismo e atual funcion\u00e1rio da Unicap, Leandro Tabosa, teve livro premiado no concurso \u201cPr\u00eamios Liter\u00e1rios Cidade de Manaus\u201d em 2008. 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