{"id":5880,"date":"2010-06-30T14:20:53","date_gmt":"2010-06-30T17:20:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unicap.br\/assecom1\/?p=5880"},"modified":"2010-06-30T14:20:53","modified_gmt":"2010-06-30T17:20:53","slug":"catolica-lamenta-morte-da-professora-amparo-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/catolica-lamenta-morte-da-professora-amparo-caridade\/","title":{"rendered":"Cat\u00f3lica lamenta morte da professora Amparo Caridade"},"content":{"rendered":"<p><a rel=\"attachment wp-att-5936\" href=\"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/?attachment_id=5936\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5936\" title=\"DSCF4917\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/DSCF4917.jpg?resize=300%2C225&#038;ssl=1\" alt=\"\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>A Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco comunica, com extremo pesar, o falecimento da professora do curso de Psicologia Amparo Caridade, na manh\u00e3 desta quarta-feira (30), no Hospital Santa Joana, onde se submetia a tratamento contra um c\u00e2ncer. Seu corpo est\u00e1 sendo velado no cemit\u00e9rio Morada da Paz, onde, \u00e0s 17h, ser\u00e1 realizado o enterro.<\/p>\n<p>Formada em Psicologia e com mestrado em Antropologia, a professora Amparo Caridade atuava no meio acad\u00eamico desde os anos 1970. Na Unicap, ela foi chefe da Assessoria Pedag\u00f3gica e do Departamento de Psicologia no come\u00e7o dos anos 1980. Atualmente, era professora adjunta da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Confira, abaixo, o artigo publicado na Se\u00e7\u00e3o Opini\u00e3o do Diario de Pernambuco, na edi\u00e7\u00e3o do dia 21 de fevereiro de 2003.<br \/>\n\u00a0<br \/>\n<strong>A dor e alegria de nascer<br \/>\n<\/strong>Amparo Caridade<\/p>\n<p>Nascer, viver e morrer, n\u00e3o s\u00e3o momentos datados na vida, s\u00e3o processos que acompanham o existir do ser humano. Existimos enquanto corpos, enquanto sujeitos, enquanto totalidades. Enquanto corpo, nascemos um dia de um outro corpo, mas enquanto sujeitos, nascemos a cada dia, a cada realiza\u00e7\u00e3o, a cada descoberta, a cada gesto. Nascemos quando criamos algo, ou quando fazemos repara\u00e7\u00e3o de atos indevidos. Nascemos quando colocamos no mundo um novo ser.<\/p>\n<p>Nascemos quando produzimos bem-estar. Nascer, n\u00e3o \u00e9 apenas o ato de chegar ao Mundo, \u00e9 um processo que se inicia a\u00ed, mas que s\u00f3 termina com a morte. Na verdade, nascemos, vivemos e morremos a cada instante. Viver, \u00e9 tamb\u00e9m um processo, e ele n\u00e3o acontece apenas no ato f\u00edsico de ter um corpo vivo. O corpo pode estar vivo, mas o sujeito pode ter sido sacrificado nele.<\/p>\n<p>Vivemos como sujeitos quando somos n\u00f3s mesmos, quando amamos o que fazemos. Vivemos nos projetos que temos, nas contribui\u00e7\u00f5es que damos \u00e0 vida, ao mundo, \u00e0s rela\u00e7\u00f5es. Vivemos naquilo que constru\u00edmos e deixamos atr\u00e1s de n\u00f3s, como a\u00e7\u00e3o fincada no solo da coletividade, como marca identit\u00e1ria da passagem que fizemos pelo planeta. Morremos quando o corpo deixa de viver, mas morremos sobretudo, nas nega\u00e7\u00f5es que fazemos de n\u00f3s mesmos, nas anula\u00e7\u00f5es do eu, nas derrotas da auto-estima, na banaliza\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>A dor como a alegria tornam-se parceiras do existir, na costumeira solenidade do cotidiano, desde o nascer, o viver at\u00e9 o morrer. Esses processos s\u00e3o acompanhados de emo\u00e7\u00f5es intensas quando a elas nos permitimos. O beb\u00ea nasce em meio a dores e intensas alegrias, dos pais, dos familiares, dos av\u00f3s. Quando o evento de um nascimento querido, acontece distante de n\u00f3s, essas emo\u00e7\u00f5es invadem o imagin\u00e1rio numa presen\u00e7a totalizadora, numa proximidade quase alucinat\u00f3ria.<\/p>\n<p>O telefone permite ouvir a voz, o choro, a floricultura faz presente a ternura, a internet deixa ver fotos de preciosos momentos. S\u00e3o mediadores desse universo encantado, mas n\u00e3o eliminam a expectativa, a espera do contato. \u00c0 dist\u00e2ncia vivem-se as inquiet\u00e2ncias do ato de nascer, vivem-se as dores do parto, as contra\u00e7\u00f5es, respira\u00e7\u00f5es, num acompanhamento ansioso, numa espera quase intermin\u00e1vel. Nascer d\u00e1 trabalho. Otto Rank referia-se ao nascimento como sendo um momento traum\u00e1tico para o beb\u00ea. Mas, nascer tamb\u00e9m mobiliza, encanta, modifica os afetos, os sentidos o mundo e os outros.<\/p>\n<p>O que acontece ao beb\u00ea, acontece tamb\u00e9m a cada um de n\u00f3s, em cada nascimento que fazemos para uma etapa melhor do existir. O momento pode ser doloroso, mas tamb\u00e9m f\u00e9rtil e promissor de alegrias intensas. O mundo da imagina\u00e7\u00e3o f\u00fatil postula que a vida seja sem dor, que seja f\u00e1cil, o que pode se tornar uma espera alienante. Nascer d\u00f3i, mesmo assim n\u00e3o temos escolha. Se o beb\u00ea n\u00e3o nasce, morrer\u00e1. Nascemos e renascemos a cada instante, sem o que, estaremos abortando o pr\u00f3prio eu.<\/p>\n<p>A vida se recicla a cada nascimento. O beb\u00ea \u00e9 promessa. Promessa de imortalidade, caricatura da felicidade imposs\u00edvel. O filho, o neto, recicla a fam\u00edlia e seus afetos. Nasceu Fernandinho, cheio de promessa e luz. \u00c9 puro encanto aos olhos de todos que amam seu vir a ser. \u00c9 promessa de ternura tanta, que chego a sent\u00ed-lo, sem ainda t\u00ea-lo tido nos bra\u00e7os.<\/p>\n<p>Nasceu Nathan, que em hebraico significa &#8220;Deus me deu&#8221;. Os filhos s\u00e3o doa\u00e7\u00f5es de Deus ao mundo necessitante de renova\u00e7\u00e3o, de paz, de ternura, de amizade. Seria pobre esse mundo, se os beb\u00eas n\u00e3o viessem dar-lhe nova luz! Popularmente diz-se que a mulher &#8220;d\u00e1 a luz&#8221;. O beb\u00ea \u00e9 a luz que a mulher d\u00e1 ao mundo. Na sabedoria do povo, intui-se a renova\u00e7\u00e3o que um novo ser traz \u00e0 vida. &#8220;Cada crian\u00e7a que vem ao Mundo diz: Deus ainda espera alguma coisa do homem&#8221; diz Tagore.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco comunica, com extremo pesar, o falecimento da professora do curso de Psicologia Amparo Caridade, na manh\u00e3 desta quarta-feira (30), no Hospital Santa Joana, onde se submetia a tratamento contra um c\u00e2ncer. Seu corpo est\u00e1 sendo velado no cemit\u00e9rio Morada da Paz, onde, \u00e0s 17h, ser\u00e1 realizado o enterro. 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