{"id":48129,"date":"2014-08-04T17:18:37","date_gmt":"2014-08-04T20:18:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unicap.br\/assecom1\/?p=48129"},"modified":"2014-08-04T17:33:56","modified_gmt":"2014-08-04T20:33:56","slug":"professor-carlos-brito-apresentara-artigo-em-congresso-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/professor-carlos-brito-apresentara-artigo-em-congresso-internacional\/","title":{"rendered":"Professor Carlos Brito apresentar\u00e1 artigo em Congresso Internacional"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/IMG_6259-e1407183281156.jpg?ssl=1\"><img data-attachment-id=\"48131\" data-permalink=\"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/professor-carlos-brito-apresentara-artigo-em-congresso-internacional\/img_6259\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/IMG_6259-e1407184375542.jpg?fit=276%2C254&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"276,254\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;2.8&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;iPhone 4&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1407170837&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;3.85&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;80&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.058823529411765&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"IMG_6259\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/IMG_6259-e1407184375542.jpg?fit=257%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i2.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/IMG_6259-e1407184375542.jpg?fit=640%2C478&amp;ssl=1\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-48131 size-medium\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/IMG_6259.jpg?resize=300%2C224&#038;ssl=1\" alt=\"IMG_6259\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>O professor do curso de Psicologia da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco, Carlos Brito, teve um artigo aprovado para ser apresentado no 12\u00ba Congresso Internacional de Tecnologias da Educa\u00e7\u00e3o, que vai acontecer entre os pr\u00f3ximos dias 17\u00a0e\u00a019 de setembro no Centro de Conven\u00e7\u00f5es de Pernambuco. Intitulado de\u00a0<em><strong>Gera\u00e7\u00e3o ritalina: sociedade, fam\u00edlia e a escola frente \u00e0 complexidade do processo de aprendizagem infantil,\u00a0<\/strong><\/em>o trabalho vai ser apresentado num dos eventos mais importantes desta \u00e1rea. O congresso ter\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores de pa\u00edses como Portugal, Espanha e Estados Unidos. Esta ser\u00e1 a sexta vez que Carlos Brito participar\u00e1 do congresso. Confira abaixo a \u00edntegra do artigo.<\/p>\n<p><strong>GERA\u00c7\u00c3O RITALINA: SOCIEDADE, FAM\u00cdLIA E A ESCOLA FRENTE \u00c0 COMPLEXIDADE DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM INFANTIL.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>Carlos Brito 1<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>REFLEX\u00d5ES INTRODUT\u00d3RIAS SOBRE UM TEMA T\u00c3O COMPLEXO<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nos dias de hoje, lida-se de forma visceral e gritante com os paradoxos do mundo p\u00f3s-moderno.\u00a0 Propaga-se e respeita-se uma sociedade da diversidade, na qual novas configura\u00e7\u00f5es familiares s\u00e3o contempladas e acolhidas. Cada vez mais, convive-se de maneira harm\u00f4nica com as diferentes orienta\u00e7\u00f5es sexuais, cren\u00e7as religiosas, ideais pol\u00edticos e \u00e9ticos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>Por outro lado, a sociedade nunca foi t\u00e3o injusta e rigorosa com as crian\u00e7as, em particular com as que ousam buscar formas singulares no acontecer pedag\u00f3gico.\u00a0 Nunca houve tanta aten\u00e7\u00e3o e rigidez em rela\u00e7\u00e3o a uma temporalidade cada vez mais inflex\u00edvel quanto ao ritmo e desempenho na aprendizagem escolar.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>As escolas parecem cada vez mais terceirizar suas \u201cresponsabilidades\u201d para al\u00e9m dos muros de sua propriedade pedag\u00f3gica.\u00a0 As fam\u00edlias, por sua vez, cobram resultados aos educadores e sinalizam dificuldades em compartilhar e assumir sua parceria junto \u00e0s institui\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>Gozo pleno, imediatismos no prazer, sucesso acima de tudo, popularidade incondicional, planejamentos acirrados sobre o futuro das crian\u00e7as, tudo isso vem afetando gradativamente o modo de ser e estar infantil. <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>Em um mundo cada vez mais globalizado, em que se apresenta e se articula, de forma cada vez mais estreita e objetiva, a rela\u00e7\u00e3o entre cobran\u00e7as quanto ao desempenho e resultado escolar e sua hipot\u00e9tica garantia quanto ao futuro profissional das crian\u00e7as, torna-se urgente refletir sobre o impacto desse imperativo na subjetividade infantil.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>1- Psic\u00f3logo, Fonoaudi\u00f3logo, Terapeuta de crian\u00e7as e adolescentes, Especialista em Metodologia do Ensino, Mestre em Linguagem ( PUC-SP), Professor Adjunto do Departamento de Psicologia da UNICAP.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Diante desses fatos, presencia-se uma busca desenfreada por explica\u00e7\u00f5es e solu\u00e7\u00f5es para aquelas crian\u00e7as que, por raz\u00f5es singulares e existenciais, n\u00e3o se enquadram nos desejos culturais, sonhos familiares e, principalmente, nas exig\u00eancias escolares. A solu\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil parece ser buscar na natureza da crian\u00e7a a etiologia para essa tend\u00eancia \u201cdesviante\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Encaminhamentos, avalia\u00e7\u00f5es e acompanhamentos especializados parecem n\u00e3o estar mais dando conta do desamparo que a sociedade, a fam\u00edlia e a escola vivenciam e que, por sua vez, projetam em suas crian\u00e7as, afetando-as igualmente. <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>Em conjunto, essas ang\u00fastias e seus mecanismos de defesa podem levar a problemas de sono, alimenta\u00e7\u00e3o, depress\u00e3o, agressividade, apatia e, principalmente, de rendimento e desempenho escolar. Atualmente, a tend\u00eancia m\u00e9dica vigente, prescrita pelo DSM e com impacto direto em algumas linhas psicol\u00f3gicas e educacionais, tem sido a de recortar e isolar esses transtornos do resto do vivido. <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>Ora, tratar o transtorno ou a fobia sem levar em considera\u00e7\u00e3o seu contexto etiol\u00f3gico faz com que se perca o sentido do sintoma. Diante dessa situa\u00e7\u00e3o, a medicaliza\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia vem tomando propor\u00e7\u00f5es alarmantes.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9 nessa dire\u00e7\u00e3o que se pretende encaminhar as reflex\u00f5es que se seguem.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>DO QUE SOCIEDADE, FAM\u00cdLIA E ESCOLA EST\u00c3O FALANDO, AFINAL?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Faz-se necess\u00e1rio iniciar este trabalho refletindo de forma breve sobre a sociedade, a fam\u00edlia e a escola no mundo contempor\u00e2neo. Como est\u00e3o contextualizadas e caracterizadas a sociedade, a fam\u00edlia e a escola no s\u00e9culo que h\u00e1 pouco se iniciou? Que papel cada uma dessas inst\u00e2ncias vem ocupando no mundo de hoje? Como cada um desses contextos pensa atualmente a crian\u00e7a, a aprendizagem e, por sua vez, o \u201cposs\u00edvel\u201d fracasso ou insucesso escolar que os alunos v\u00eam apresentando j\u00e1 a partir da educa\u00e7\u00e3o infantil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>A esse respeito, Debord (1997, p.13) afirma:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>E sem d\u00favida o nosso tempo&#8230; Prefere a imagem \u00e0 coisa, a c\u00f3pia ao original, a reapresenta\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade, a apar\u00eancia ao ser&#8230; Ele considera que a ilus\u00e3o \u00e9 sagrada, e a verdade \u00e9 profana. E mais: A seus olhos, o sagrado aumenta \u00e0 medida que a verdade decresce e a\u00a0 tal ponto que, para ele, o c\u00famulo da ilus\u00e3o fica sendo o c\u00famulo do sagrado.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0A pr\u00e1tica cl\u00ednica traz diariamente pais angustiados com o processo de aprendizagem de seus filhos ainda na chamada educa\u00e7\u00e3o infantil.\u00a0 O medo do insucesso escolar e o concomitante desejo por alternativas r\u00e1pidas e objetivas; a busca por escolas que enquadrem suas crian\u00e7as em seus murais de honra. Por sua vez, escolas e educadores, \u00e0s vezes sem a menor no\u00e7\u00e3o e bom senso sobre as rela\u00e7\u00f5es entre desenvolvimento, aprendizagem e contexto s\u00f3cio-hist\u00f3rico, e na \u00e2nsia inconsciente de buscar uma resposta no aluno, acabam encaminhando dezenas de crian\u00e7as para avalia\u00e7\u00f5es psicopedag\u00f3gicas e neurol\u00f3gicas, sem saberem de fato o verdadeiro sentido do encaminhamento.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Parece mesmo existir um medo inconsciente, vivido pelas fam\u00edlias e muitas vezes fomentado pelas escolas, quanto ao efeito que um poss\u00edvel desvio do esperado \u2013 traduzido por um aprendizado diferente, por um outro tempo para aprender \u2013 possa ser capaz de interferir no desejo de sucesso pleno, fazendo aparecer o fantasma do (in)sucesso, que a cultura contempor\u00e2nea tanto teme e que vem incutindo, na constru\u00e7\u00e3o da cidadania, como algo a ser evitado a qualquer custo. Vive-se uma \u00e9poca de intoler\u00e2ncia camuflada por atitudes e acolhimentos \u201cpoliticamente corretos\u201d, atrav\u00e9s da ado\u00e7\u00e3o de medidas inclusivas que parecem excluir mais e mais.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0 Nos dias atuais, a m\u00eddia fornece um mundo de informa\u00e7\u00f5es por meio de organiza\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas. A est\u00e9tica da m\u00eddia est\u00e1 assentada no mundo da inform\u00e1tica, que\u00a0 apresenta uma temporalidade cada vez mais veloz e mais distante do tempo da singuralidade e da subjetividade humanas. H\u00e1 um modelo a ser seguido, que est\u00e1 determinado e que \u00e9 almejado pela sociedade p\u00f3s-moderna. O planejamento do futuro profissional, social e, at\u00e9 mesmo, emocional das crian\u00e7as inicia-se, com muita freq\u00fc\u00eancia, j\u00e1 nos primeiros anos da educa\u00e7\u00e3o infantil.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0H\u00e1 um modelo est\u00e9tico e \u00e9tico que se cristaliza desde cedo. O vencer, o ter sucesso, a independ\u00eancia financeira e a realiza\u00e7\u00e3o profissional nunca tiveram tanto peso como nos dias atuais para essa gera\u00e7\u00e3o com menos de sete anos de idade. Sobre isso afirma Safra (2004, p.140):<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>A cidadania, nesta perspectiva, instaura-se pela possibilidade que tem o ser humano de inserir sua singuralidade por meio de seu gesto. Qual a possibilidade do mundo atual para acolher um gesto que possa criar o in\u00e9dito no campo do Mesmo? A criatividade celebrada pela m\u00eddia, na maior parte das vezes, seduz o ser com o j\u00e1 estabelecido, com a iman\u00eancia sem transcend\u00eancia, o cimento de seu gesto, ao esquecimento de si e de suas ra\u00edzes.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Diante dessas reflex\u00f5es, objetiva-se neste momento compreender que a sociedade contempor\u00e2nea apresenta um modelo de subjetividade a ser constru\u00eddo por qualquer ser que habite esse imagin\u00e1rio. Nesse modelo, o sucesso, as metas atingidas, o prazer imediato, as realiza\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas, a visibilidade, o prazer constante e os imediatismos fr\u00edvolos, entre outras quest\u00f5es, acabam por se tornar os pilares que alicer\u00e7am a exist\u00eancia humana.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0 Sendo assim, a escola e a fam\u00edlia tamb\u00e9m parecem reeditar esses modelos em seus respectivos modos de estar no mundo. Na realidade, observa-se a escola e a fam\u00edlia \u00e1vidas por assegurarem, a qualquer pre\u00e7o, o sucesso de seus alunos\/filhos, fazendo com que pequenos ou graves sinais, que venham a quebrar a linearidade dos fatos, sejam vistos com preocupa\u00e7\u00e3o e clamem por uma medida imediata.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00c9 bastante curioso pensar que tanto a escola como as fam\u00edlias parecem esquecer-se de refletir sobre uma quest\u00e3o premente: Desenvolvimento e Aprendizagem s\u00e3o aspectos dialeticamente relacionados e historicamente inscritos em um contexto cultural.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesse sentido, a sociedade, a fam\u00edlia e a escola parecem temer lidar com a diversidade de singularidades e possibilidades de acontecimentos humanos que trilhem outros tempos, outros caminhos, outros modos de ser e estar no mundo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0 Frente a essa realidade, as crian\u00e7as\/alunos parecem vivenciar situa\u00e7\u00f5es de ang\u00fastia, desamparo e desacolhimento em sua ainda breve trajet\u00f3ria existencial. \u00c9 preciso pensar na maneira com que as tr\u00eas inst\u00e2ncias at\u00e9 ent\u00e3o apontadas v\u00eam acolhendo a crian\u00e7a e, por conseguinte, educando-a em sua trajet\u00f3ria polimorfa de ser cidad\u00e3o, filho e aluno. Como v\u00eam lidando com essas situa\u00e7\u00f5es? Quais as sa\u00eddas encontradas e oferecidas para lidar com essas possibilidades?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quais as sa\u00eddas encontradas pelas crian\u00e7as\/alunos para lidar com a situa\u00e7\u00e3o acima descrita? Existe lugar para o uso e a viv\u00eancia de espa\u00e7os e situa\u00e7\u00f5es criativas? Que sentido do \u201cviver criativo\u201d habita o imagin\u00e1rio da sociedade, da fam\u00edlia e da escola num contexto coagido pela m\u00eddia, pelas drogas da obedi\u00eancia e pelas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Haveria espa\u00e7o para outras interven\u00e7\u00f5es mais criativas e, portanto, menos qu\u00edmicas e robotizadas para lidar com as situa\u00e7\u00f5es conflitantes \u2013 muitas vezes necess\u00e1rias \u2013 no complexo processo de aprendizagem? Haveria acolhimento para outras possibilidades de estar no mundo e viver as inevit\u00e1veis dificuldades inerentes a essa realidade? Onde est\u00e3o e como s\u00e3o avaliadas outras formas de aprender?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Ao se falar sobre acolhimento, \u00e9 importante lembrar que ele deveria ser realizado pela sociedade, fam\u00edlia e escola. Esse aspecto \u00e9 fundamental, pois, numa perspectiva fenomenol\u00f3gica, n\u00e3o se pode perder de vista que a m\u00e3e, o pai e os que cuidam de crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o indiv\u00edduos, mas pessoas atrav\u00e9s das quais as quest\u00f5es fundamentais da fam\u00edlia, da escola e da comunidade se apresentam \u00e0 crian\u00e7a. De acordo com Winnicott (1970, p.95), <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9 atrav\u00e9s da percep\u00e7\u00e3o criativa, mais do que qualquer outra coisa, que o indiv\u00edduo sente que a vida \u00e9 digna de ser vivida. Em contraste, existe um relacionamento de submiss\u00e3o com a realidade externa, onde o mundo em todos seus pormenores \u00e9 reconhecido apenas como algo a que ajustar-se ou exigir adapta\u00e7\u00e3o. A submiss\u00e3o traz consigo um sentido de inutilidade e est\u00e1 associada \u00e0 id\u00e9ia de que nada importa e de que n\u00e3o vale a pena viver a vida. Muitos indiv\u00edduos experimentaram suficiente o viver criativo para reconhecer, de maneira tantalizante, a forma n\u00e3o criativa pela qual est\u00e3o vivendo, como se estivessem presos \u00e0 criatividade de outrem, ou de uma m\u00e1quina.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para al\u00e9m de uma filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, pensar a pluralidade e dinamicidade do processo de aprendizagem \u00e9 estar atento a uma epistemologia do conhecimento, ou concep\u00e7\u00e3o de pr\u00e1tica pedag\u00f3gica. Pensar o sujeito que aprende \u00e9 necessariamente v\u00ea-lo como um ser plural, um sujeito no qual o corpo e a cogni\u00e7\u00e3o se articulam necessariamente a um viver criativo, a uma condi\u00e7\u00e3o de sujeito desejante.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>APRENDIZAGEM E SUAS POSSIBILIDADES DE ACONTECIMENTO DENTRO DOS MUROS DA ESCOLA<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Neste momento n\u00e3o se quer discorrer sobre concep\u00e7\u00f5es de aprendizagem e pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas. Nem se objetiva, aqui, fazer proselitismo a uma determinada corrente epistemol\u00f3gica, tampouco criticar ou elencar modelos e estrat\u00e9gias que caracterizam o processo de ensino e aprendizagem.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Objetiva-se, aqui e agora, pensar a quest\u00e3o da aprendizagem como possibilidade de constru\u00e7\u00e3o e facilita\u00e7\u00e3o de uma cidadania, de um sentido de liberta\u00e7\u00e3o e acontecimento humano. Por outro lado, \u00e9 necess\u00e1rio estar atento \u00e0s consequ\u00eancias e \u00e0s fraturas ocorridas no <em>Ethos<\/em> infantil quando esse processo n\u00e3o se desenvolve de acordo com as normas e padr\u00f5es determinados e esperados pela sociedade, fam\u00edlia e escola.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O processo de desenvolvimento e aprendizagem infantil n\u00e3o ocorre de forma aut\u00f4noma, aleat\u00f3ria ou determinada exclusivamente por fatores internos. Todo esse processo tem a caracter\u00edstica de ser global, integrado e interdependente. As consequ\u00eancias de um ambiente inadequado para a aprendizagem e o desenvolvimento de uma crian\u00e7a trar\u00e3o cristaliza\u00e7\u00f5es em qualquer um dos setores apontados, de acordo com a etapa em que se d\u00ea o seu acontecimento.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desde o nascimento, a crian\u00e7a vai elaborando um modo pr\u00f3prio de agir em diferentes situa\u00e7\u00f5es que vivencia, \u00e0 medida que experimenta sensa\u00e7\u00f5es de desconforto ou de incerteza diante de aspectos novos, que provocam necessidades e desejos e parecem exigir novas respostas. Ela tamb\u00e9m elabora seu modo de agir nas situa\u00e7\u00f5es prazerosas, experimentando diferentes rea\u00e7\u00f5es por meio da explora\u00e7\u00e3o dos seus pr\u00f3prios gestos e da intera\u00e7\u00e3o com brinquedos e com os v\u00e1rios objetos de conhecimento.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sendo assim, a crian\u00e7a, desde pequena, busca compreender o mundo e a si mesma testando, de alguma forma, as significa\u00e7\u00f5es que constr\u00f3i, modificando-as continuamente em cada intera\u00e7\u00e3o, seja com outra crian\u00e7a, seja com as quest\u00f5es do conhecimento. Piaget (1967, p.15) ratifica esse entendimento:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>A a\u00e7\u00e3o humana consiste neste movimento cont\u00ednuo e perp\u00e9tuo de reajustamento ou de equilibra\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que, nas fases de constru\u00e7\u00e3o inicial, se pode considerar as estruturas mentais sucessivas que produzem o desenvolvimento como formas de equilibra\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, onde cada uma constitui um progresso sobre as precedentes.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vale salientar que a plasticidade das crian\u00e7as pequenas permite que elas se adaptem a diferentes contextos e, particularmente, a ambientes com creches e pr\u00e9-escolas. Esses espa\u00e7os, por\u00e9m, devem ser organizados de forma a responder \u00e0s necessidades infantis, j\u00e1 que alguns crit\u00e9rios de qualidade s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento de crian\u00e7as com menos de seis anos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Atualmente, o n\u00famero de crian\u00e7as que parece encontrar problemas ou dificuldades nessa trajet\u00f3ria \u00e9 muito grande. Cada vez mais, crian\u00e7as s\u00e3o encaminhadas para profissionais de v\u00e1rias especialidades, com o objetivo de serem avaliadas, analisadas e, se necess\u00e1rio, medicadas. O que vem acontecendo com as escolas? Quais os fatores que v\u00eam contribuindo para que tantas crian\u00e7as apresentem dificuldades na\/de aprendizagem? Onde entra a participa\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria escola e sua maneira de trabalhar sua proposta pedag\u00f3gica? E a fam\u00edlia? Onde est\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa realidade parece apontar para algo bem paradoxal e t\u00edpico de uma sociedade que se diz aberta para toda uma diversidade e pluralidade de exist\u00eancia ao mesmo tempo em que acena e, \u00e0s vezes, caminha em outra dire\u00e7\u00e3o. <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ser\u00e1 que essas crian\u00e7as que trilham outros caminhos em seu aprender v\u00eam encontrando tamb\u00e9m outros caminhos de serem encorajadas e acolhidas nessa trajet\u00f3ria \u201cdiferente\u201d? Ser\u00e1 que podemos falar mesmo de uma escola verdadeiramente inclusiva?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 importante refletir aqui numa quest\u00e3o que vem se tornando bem corriqueira na din\u00e2mica escolar e, de certa forma, acolhida pela fam\u00edlia e pela sociedade atual. Nos dias atuais, quando uma crian\u00e7a sinaliza algumas dificuldades no seu processo de aprendizagem \u2013 dificuldades muitas vezes normais e esperadas \u2013 uma necessidade de se encontrar uma resposta cristalizada surge de imediato.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Neste artigo, foi sinalizada caracter\u00edstica t\u00edpica da sociedade p\u00f3s-moderna: a necessidade de se enquadrar em um r\u00f3tulo ou em um diagn\u00f3stico tudo aquilo que insiste em caminhar contra uma linearidade no modo de se estar no mundo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nomes como TDAH, espectro autista, S\u00edndrome de Asperger, depress\u00e3o, desenvolvimento cognitivo lento, entre tantos outros, circulam dentro e fora dos muros da escola. Ser\u00e1 que nossos educadores est\u00e3o saindo de sua gradua\u00e7\u00e3o, e das infinitas p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es em psicopedagogia, com um conhecimento apurado em desenvolvimento neurol\u00f3gico infantil, farmacologia e psiquiatria infantil? <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando apresentados a categorias como \u201csa\u00fade\u201d, \u201cdoen\u00e7a\u201d, \u201cnormal\u201d e \u201cpatol\u00f3gico\u201d, a maioria dos psiquiatras, neurologistas, psic\u00f3logos e educadores atuais tender\u00e3o a aceitar que tais defini\u00e7\u00f5es s\u00e3o, basicamente, objetos de um \u201cdiscurso cient\u00edfico\u201d. Isso significa, grosso modo, que a pretensa objetividade de suas distin\u00e7\u00f5es deve estar assegurada por um discurso que privilegia fen\u00f4menos mensur\u00e1veis, quantific\u00e1veis e claramente diferenci\u00e1veis atrav\u00e9s de uma realidade finita e operacional de caracter\u00edsticas de base. <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sendo assim, apesar de toda uma revolu\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, iniciada com o movimento da Escola Nova e referendada h\u00e1 mais de trinta anos pelo Construtivismo, a escola e seus educadores ainda denunciam estar engatinhando na tentativa de compreender que a aprendizagem est\u00e1 para al\u00e9m de uma quest\u00e3o cognitiva e org\u00e2nica. \u00c9 urgente pensar em uma educa\u00e7\u00e3o que compreenda a crian\u00e7a como um ser desejante, quase sempre aprisionado a um discurso familiar e ideol\u00f3gico de uma sociedade que insiste em acreditar em um sucesso singular, globalizado e cristalizado.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cabe lembrar aos educadores e \u00e0 sociedade em geral que uma classifica\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica, por mais leve que seja, jamais \u00e9 politicamente neutra, pois sempre veicula &#8211; necess\u00e1ria e implicitamente &#8211; uma vis\u00e3o de homem e de sociedade.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>SOBRE O LUGAR E O ESPA\u00c7O DA CRIATIVIDADE NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM INFANTIL: COMO A ESCOLA VEM TRABALHANDO ESSA REALIDADE?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Boa parte da alegria e da riqueza na inf\u00e2ncia prov\u00e9m do jeito canhoto e literal atrav\u00e9s do qual as crian\u00e7as compreendem o que se diz e se faz.\u00a0 As cenas sociais, dom\u00e9sticas e escolares constituem enigmas que elas precisam decifrar. Essas cenas podem parecer bastante estranhas \u00e0s crian\u00e7as bem pequenas nesse mundo, exatamente como ocorria na terra dos contos de fadas. <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Brincar com m\u00faltiplas interpreta\u00e7\u00f5es de uma palavra \u00e9 f\u00e1cil para aqueles que lembram bem que h\u00e1 muito pouco viveram em sua exist\u00eancia essas confus\u00f5es, j\u00e1 que est\u00e3o ainda se familiarizando com a linguagem e os costumes do planeta dos adultos, que quase sempre aparecem traduzidos de forma duvidosa no universo escolar. Corso (2011, p.245) afirma:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quando crescemos, junto com a maior parte das mem\u00f3rias da inf\u00e2ncia, perdemos a familiaridade com sua l\u00f3gica, esquecemos que, quando pequenos, ao nosso modo, tamb\u00e9m filosof\u00e1vamos, tent\u00e1vamos, de maneira rudimentar, compreender o mundo. <\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>\nO psicanalista ingl\u00eas D.W.Winnicott foi muito feliz ao falar da import\u00e2ncia da transicionalidade como espa\u00e7o para a sa\u00fade e o viver criativo na inf\u00e2ncia e tamb\u00e9m em outras etapas da vida. Foi a partir dessa quest\u00e3o que ele elaborou um outro sentido para o fen\u00f4meno da ilus\u00e3o no processo de desenvolvimento do ser humano.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Da perspectiva da totalidade da obra winnicottianna, os fen\u00f4menos transicionais s\u00e3o fundamentais para o amadurecimento humano, pois inauguram uma das etapas e uma das conquistas do amadurecimento, levando o indiv\u00edduo a um novo sentido de realidade, que, na sa\u00fade, ir\u00e1 instaurar uma \u00e1rea espec\u00edfica da experi\u00eancia. Eles se situam exatamente no meio do caminho, como uma passagem intermedi\u00e1ria e facilitadora da longa jornada do acontecimento humano, que vai da realidade subjetivamente concebida \u00e0 realidade objetivamente percebida.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cotidianamente vive-se essa possibilidade de passagem. Por outro lado, para assegurar esse direito, faz-se necess\u00e1rio que o ambiente ofere\u00e7a sempre, e para sempre, possibilidades acolhedoras que facilitem esse vir a ser constante. Desde muito pequena, a crian\u00e7a vai precisar encontrar um ambiente aconchegante na fam\u00edlia e na escola que favore\u00e7a a experi\u00eancia do <em>holding.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em>Nesse sentido, a fam\u00edlia e, concomitantemente, a escola v\u00e3o fazendo parte do que Winnocott chama de ambiente suficientemente bom: aquele ambiente em que possibilidades criativas s\u00e3o oferecidas \u00e0 crian\u00e7a, para que ela possa, desde muito pequena, se lan\u00e7ar no mundo, fazendo, assim, despertar sua criatividade nata em sua condi\u00e7\u00e3o de humano. Acerca disso, Dias (2004, p.169) afirma que<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Winnicott formula a id\u00e9ia de uma criatividade ps\u00edquica origin\u00e1ria que \u00e9 inerente \u00e0 natureza e est\u00e1 presente desde o in\u00edcio. Cada ser humano cria o mundo de novo e come\u00e7a o seu trabalho no m\u00ednimo t\u00e3o cedo quanto o momento do seu nascimento.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o se pretende, nesse artigo, discorrer sobre a psican\u00e1lise winnicottiana, mas sim cunhar o sentido apresentado pelo te\u00f3rico em quest\u00e3o no que se refere \u00e0 import\u00e2ncia do espa\u00e7o da criatividade para constru\u00e7\u00e3o de uma personalidade sadia.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A escola precisa, talvez, apropriar-se de outro sentido de criatividade que est\u00e1 em toda e qualquer tentativa da crian\u00e7a em lidar, tanto com quest\u00f5es do cotidiano, como tamb\u00e9m com situa\u00e7\u00f5es de aprendizagem dos conte\u00fados pedag\u00f3gicos. Precisa compreender as diversas possibilidades encontradas e apresentadas pelas crian\u00e7as para lidar com as quest\u00f5es da representa\u00e7\u00e3o da realidade.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na apreens\u00e3o do universo pedag\u00f3gico, do conhecimento cientificamente trabalhado na escola, tamb\u00e9m h\u00e1 uma \u00e1rea intermedi\u00e1ria, um viver criativo entre a realidade subjetiva (a maneira como cada crian\u00e7a compreende e experi\u00eancia o mundo) e a realidade compartilhada (a maneira como a sociedade lida com esse universo e espera que a crian\u00e7a lide com ele).<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sendo assim, a escola precisa estar atenta a toda e qualquer estrat\u00e9gia apresentada pelas crian\u00e7as para lidar com as quest\u00f5es do universo pedag\u00f3gico, no sentido de entend\u00ea-la como possibilidade criativa de lidar com o novo. Precisa e deve compreender e acolher as diversas tentativas de lidar com as dificuldades inerentes ao processo de aprendizagem, como tentativas criativas de se relacionar com as tarefas b\u00e1sicas oferecidas pelo ambiente e, principalmente, pelo universo desafiador do conhecimento.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sabe-se o quanto \u00e9 desafiador lidar com novas formas de conceber a realidade. \u00c9 preciso reorganizar os esquemas representativos, reorganizar as estruturas mentais e operacionais para mudar e repensar os paradigmas estabelecidos. Esse desafio n\u00e3o pode ser enfrentado apenas alimentando compulsivamente a mente infantil, com exerc\u00edcios e tarefas cognitivas, traduzidas, quase sempre, em um grau crescente de dificuldades pedag\u00f3gicas. <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o se pode desconsiderar todo o avan\u00e7o que a educa\u00e7\u00e3o vem apresentando no sentido de abordar, de forma cada vez mais global, as quest\u00f5es epistemol\u00f3gicas, as quest\u00f5es inerentes ao conhecimento do mundo por parte da crian\u00e7a. Lida-se hoje com uma riqueza imensur\u00e1vel na forma como, atrav\u00e9s de projetos pedag\u00f3gicos, a escola vem trabalhando a pluralidade interdisciplinar. <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por outro lado, \u00e9 necess\u00e1rio analisar como as crian\u00e7as est\u00e3o encontrando possibilidades de expressar criativamente essa riqueza que lhes \u00e9 oferecida. Apesar de toda uma mudan\u00e7a paradigm\u00e1tica no ensino, ainda n\u00e3o parece haver lugar para a diversidade de compreens\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o frente aos conte\u00fados pedag\u00f3gicos. Criar e oferecer formas mais criativas na did\u00e1tica e avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa que se esteja respeitando de forma plural o modo como a crian\u00e7a vem representando o que lhe \u00e9 oferecido.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Os boletins trimestrais ou semestrais \u2013 chamados de processuais \u2013, por mais \u201cdiagn\u00f3sticos\u201d e menos \u201cclassificat\u00f3rios\u201d que sejam, ainda se caracterizam por serem um expoente vivo da velha e tradicional avalia\u00e7\u00e3o formal. As contradi\u00e7\u00f5es em sua estrutura e coment\u00e1rios anexos s\u00e3o, \u00e0s vezes, absurdas e paradoxais. Faz-se necess\u00e1rio que a criatividade e a ludicidade infantil sejam respeitadas e estimuladas, para que as crian\u00e7as n\u00e3o adoe\u00e7am, ou seja, n\u00e3o sejam taxadas de desatentas ou hiperativas, autistas ou depressivas, impulsivas ou distantes.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Faz-se necess\u00e1rio refletir sobre a possibilidade de compreender que as dificuldades, inerentes ou n\u00e3o ao processo de aprendizagem infantil, n\u00e3o est\u00e3o necessariamente ligadas \u00e0 quest\u00e3o de uma natureza humana e individual, mas sim \u00e0 quest\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o humana de estar no mundo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>GERA\u00c7\u00c3O RITALINA: UMA NOVA POSSIBILIDADE CRIATIVA DE ENQUADRAR O QUE N\u00c3O CONSEGUIMOS COMPREEDER?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sobre a crian\u00e7a considerada hiperativa, Kelh (2001, p.95) afirma:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Crian\u00e7a hiperativa: O jarg\u00e3o psiqui\u00e1trico designa uma patologia, dist\u00farbio do comportamento infantil que exige tratamento farmacol\u00f3gico&#8230; Por outro lado, as causas da ang\u00fastia da crian\u00e7a diagnosticada como hiperartiva, os conflitos latentes no grupo social e familiar onde ela se insere, os imperativos do gozo que produzem nela, permanentemente, uma excita\u00e7\u00e3o aflita e sem objeto, nada disso entra em sofrimento infantil. Os desadaptados ao mundo atual sofrem de hiperatividade ou de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o, assim como sofrer\u00e3o na adolesc\u00eancia de sociofobia, de p\u00e2nico ou depress\u00e3o\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Iniciar essa parte do trabalho a partir de uma cita\u00e7\u00e3o em que se aborda a quest\u00e3o da crian\u00e7a dita hiperativa tem como objetivo trazer \u00e0 baila a medicaliza\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia, na qual a Ritalina ganha relev\u00e2ncia. Objetiva-se aqui tentar desvelar o que parece estar por tr\u00e1s da psiquiatriza\u00e7\u00e3o da vida cotidiana.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 preciso deixar claro que n\u00e3o h\u00e1 a inten\u00e7\u00e3o, neste trabalho, de abordar a hiperatividade e os demais diagn\u00f3sticos, apontados em t\u00f3picos anteriores, que circulam livremente dento e fora da esfera escolar. A pretens\u00e3o aqui \u00e9 abordar a verticaliza\u00e7\u00e3o crescente do n\u00famero de crian\u00e7as que s\u00e3o medicadas atualmente.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A medicaliza\u00e7\u00e3o das dificuldades elencadas nas\/pelas crian\u00e7as no atual cen\u00e1rio educacional parece denunciar algo mais grave do que se pensa. Uma necessidade de rotula\u00e7\u00e3o \u00e9 cada vez mais presente nas interven\u00e7\u00f5es realizadas pelos envolvidos no processo escolar.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De fato, n\u00e3o se atribui impunemente um nome a um estado mental \u2013 a fortiori uma qualifica\u00e7\u00e3o a um sujeito \u2013 como quem cola uma etiqueta numa embalagem pl\u00e1stica. A embalagem, feita de \u00e1tomos de subst\u00e2ncias diversas, ficar\u00e1 perfeitamente inerte frente a sua etiqueta; j\u00e1 o sujeito humano, feito de desejo, \u00e9 tocado naquilo mesmo que o constitui. De acordo com Pomp\u00e9ia (2011, p. 121),<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>A doen\u00e7a mental situa-se, na evolu\u00e7\u00e3o, como uma perturba\u00e7\u00e3o do seu curso; por seu aspecto regressivo, ela ocasiona condutas infantis ou formas arcaicas de personalidade. Mas o evolucionismo engana-se, ao ver nesses retornos, a pr\u00f3pria ess\u00eancia do patol\u00f3gico e sua origem real. Se a regress\u00e3o \u00e0 inf\u00e2ncia se manifesta nas neuroses, \u00e9 somente como um efeito. Para que a conduta infantil seja para o doente um ref\u00fagio, para que seu reaparecimento seja considerado um fato patol\u00f3gico irredut\u00edvel, \u00e9 preciso que a sociedade instaure entre o presente e o passado do indiv\u00edduo uma margem que n\u00e3o se pode nem se deve transpor; \u00e9 preciso que a cultura somente integre o passado for\u00e7ando-o a desaparecer. E nossa cultura tem essa marca.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O impulso de novos significantes, tais como depress\u00e3o, s\u00edndrome autista, TDAH, etc., contamina os esp\u00edritos dos sujeitos comprometidos por seus desamparos e desordens, assim como os esp\u00edritos daqueles que lhes s\u00e3o pr\u00f3ximos, que acabam por buscar se agarrar a esses males, encontrando al\u00edvio por poder rotular esses sentimentos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nas reflex\u00f5es apontadas neste trabalho, objetiva-se alertar para que se pense a crian\u00e7a em situa\u00e7\u00e3o de aprendizagem como um sujeito que necessariamente est\u00e1 inserido em contextos multifacetados, atravessados por desejos de Outros, que parecem circular desgovernadamente. Os sintomas que se cristalizam nos caminhos e descaminhos da aprendizagem exigem de educadores e da fam\u00edlia uma atitude acolhedora e compreensiva, na qual todos os envolvidos nesse processo coloquem-se na posi\u00e7\u00e3o de coadjuvantes e comprometidos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o se pode compactuar com a hip\u00f3tese de que os poss\u00edveis (in) sucessos no processo de aprendizagem infantil possam ser explicados a partir de dificuldades neuropsicol\u00f3gicas na crian\u00e7a, de dificuldades unicamente ligadas \u00e0s fun\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas superiores. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aceitar passivamente que a medicaliza\u00e7\u00e3o de sintomas que n\u00e3o se consegue desvelar venha solucionar os crescentes casos de dificuldades de aprendizagem.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, a busca por diagn\u00f3sticos, com seus respectivos r\u00f3tulos, faz com que a farmacologia acabe entrando como verdade soberana. Afinal, de que forma educadores, psic\u00f3logos e familiares poderiam questionar a imaculada verdade inabal\u00e1vel da medicina?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para pais aflitos, que n\u00e3o parecem saber o que fazer e como conduzir seus filhos \u201ctravessos\u201d, \u201chiperativos\u201d, \u201cdesatentos\u201d ou \u201cindisciplinados\u201d, um caminho precisa ser trilhado atenta e efetivamente, antes de passar o poss\u00edvel problema para o neuropediatra ou psiquiatra. A primeira coisa \u00e9 ouvir a sua crian\u00e7a. O que ela tem a dizer sobre sua escola e professores? Os seus amigos a tratam bem? Os educadores e profissionais da escola a escutam verdadeiramente? Mudar para uma escola que acolha e entenda melhor a singularidade de determinada crian\u00e7a deve e precisa ser seriamente levado em considera\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O problema n\u00e3o estaria na cabe\u00e7a das pessoas, mas na sociedade e na escola. Se existem tantas crian\u00e7as deprimidas, hiperativas ou desatentas, temos que entender que elas est\u00e3o sendo produzidas pelo modo que vivemos todos n\u00f3s. Nunca se tomou tanto rem\u00e9dio e nunca houve tantas crian\u00e7as \u201cadoecidas\u201d. Deve haver algo errado. O que alguns m\u00e9dicos v\u00eam fazendo parece ser uma biologia de um corpo morto, de um c\u00e9rebro sem vida, sem afeto, isolado do meio em que se vive.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso entender que nenhum sintoma isolado leva a uma \u201cverdadeira\u201d significa\u00e7\u00e3o. Uma cadeia significativa de sintomas torna mais f\u00e1cil a possibilidade de se encontrar um sentido para algo que se tenta compreender. A escola e a fam\u00edlia precisam entrar nessa discursividade.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em vez de tratar com drogas os problemas de concentra\u00e7\u00e3o e de comportamento, \u00e9 necess\u00e1rio avaliar subjacentemente o problema que est\u00e1 causando o sofrimento da crian\u00e7a; n\u00e3o o c\u00e9rebro da crian\u00e7a, mas o contexto social da crian\u00e7a. \u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Defende-se aqui, portanto, lidar com o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou acompanhamento familiar e orienta\u00e7\u00e3o educacional. Essa \u00e9 uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada \u00e0 tend\u00eancia contempor\u00e2nea de atribuir todos os sintomas de uma disfun\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica a um desequil\u00edbrio qu\u00edmico no c\u00e9rebro da crian\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>ADVERT\u00caNCIAS CONCLUSIVAS:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O efeito de cada dr\u00e1gea de cloridrato de metilfenidato, nome da subst\u00e2ncia qu\u00edmica que \u00e9 a base da Ritalina, dura em m\u00e9dia cinco horas.\u00a0 Assim como outras \u201c\u00ednas\u201d \u2013 a coca\u00edna, a cafe\u00edna e as anfetaminas \u2013, ela pode ser considerada um psicoestimulante. Seu mecanismo de a\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o parece ter sido completamente elucidado. Acredita-se que ela pode aumentar a produ\u00e7\u00e3o e o reaproveitamento da dopamina e da noradrenalina, conhecidos neurotransmissores associados \u00e0s sensa\u00e7\u00f5es de prazer, excita\u00e7\u00e3o e principalmente ao estado de alerta do sistema nervoso. A bula alerta para uma poss\u00edvel depend\u00eancia f\u00edsica ou mesmo ps\u00edquica, al\u00e9m de elencar uma s\u00e9rie de rea\u00e7\u00f5es adversas como nervosismo, dificuldades em adormecer, irritabilidade, diminui\u00e7\u00e3o do apetite, dor de cabe\u00e7a, palpita\u00e7\u00f5es, boca seca e algumas altera\u00e7\u00f5es cut\u00e2neas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cNENHUM MEDICAMENTO NO MUNDO DARIA CONTA DA COMPLEXIDADE QUE \u00c9 O PROCESSO DE ATEN\u00c7\u00c3O E APRENDIZADO DE UMA CRIAN\u00c7A\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>CORSO, Diana Liechtenstein<em>. <\/em>A psican\u00e1lise na Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia. Porto Alegre: Penso, 2011.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>DEBORD, Guy<em>. <\/em>A sociedade do espet\u00e1culo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1992.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>DIAS, Elsa Oliveira. A teoria do amadurecimento de D.W.Winnicott. Rio de Janeiro: Imago, 2004.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>KEHL, Maria Rita. 18 Cr\u00f4nicas e mais algumas. S\u00e3o Paulo: Boitempo Editorial, 2011.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>SAFRA, Gilberto<em>. <\/em>A P\u00f3-\u00e9tica da cl\u00ednica contempor\u00e2nea. S\u00e3o Paulo: Id\u00e9ias &amp; Letras, 2004.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>PIAGET, Jean. Seis estudos em psicologia. Rio de Janeiro: FORENSE-Universit\u00e1ria, 1986. <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>POMP\u00c9IA, Jo\u00e3o Augusto. Na presen\u00e7a do sentido: uma aproxima\u00e7\u00e3o fenomenol\u00f3gica a quest\u00f5es existenciais b\u00e1sicas. S\u00e3o Paulo: Educ-Editora PUC-SP, 2011.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>WINNICOTT, D, W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1980.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O professor do curso de Psicologia da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco, Carlos Brito, teve um artigo aprovado para ser apresentado no 12\u00ba Congresso Internacional de Tecnologias da Educa\u00e7\u00e3o, que vai acontecer entre os pr\u00f3ximos dias 17\u00a0e\u00a019 de setembro no Centro de Conven\u00e7\u00f5es de Pernambuco. 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