{"id":46078,"date":"2014-03-25T15:46:36","date_gmt":"2014-03-25T18:46:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unicap.br\/assecom1\/?p=46078"},"modified":"2014-03-26T11:57:43","modified_gmt":"2014-03-26T14:57:43","slug":"confira-na-integra-o-texto-da-palestra-de-maria-voce-no-evento-de-instalacao-da-catedra-chiara-lubich","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/confira-na-integra-o-texto-da-palestra-de-maria-voce-no-evento-de-instalacao-da-catedra-chiara-lubich\/","title":{"rendered":"Confira na \u00edntegra o texto da palestra de Maria Voce no evento de instala\u00e7\u00e3o da C\u00e1tedra Chiara Lubich"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0Discurso proferido pela presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, quando da instala\u00e7\u00e3o da C\u00e1tedra Livre Chiara Lubich de Fraternidade e Humanismo, da Unicap e Asces. Recife, 25.mar.2014.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A VIS\u00c3O DO HOMEM EM CHIARA LUBICH<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/voce.jpg?ssl=1\"><img data-attachment-id=\"46111\" data-permalink=\"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/confira-na-integra-o-texto-da-palestra-de-maria-voce-no-evento-de-instalacao-da-catedra-chiara-lubich\/voce\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/voce.jpg?fit=960%2C720&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"960,720\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/voce.jpg?fit=300%2C225&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/voce.jpg?fit=640%2C480&amp;ssl=1\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-46111\" alt=\"\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/voce.jpg?resize=300%2C225&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/voce.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/voce.jpg?w=960&amp;ssl=1 960w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>Maria Voce<\/strong><\/p>\n<p>A sauda\u00e7\u00e3o cordial, que dirijo aos reitores, eu gostaria de estender a toda a comunidade acad\u00eamica, \u00e0s autoridades civis e eclesi\u00e1sticas, e a cada um dos presentes. Desejo expressar minha gratid\u00e3o pelo convite para proferir o discurso oficial por ocasi\u00e3o da inaugura\u00e7\u00e3o da C\u00e1tedra Interinstitucional de Fraternidade e Humanismo, com que a Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco e a Faculdade Asces desejaram homenagear Chiara Lubich, a quem, seis anos atr\u00e1s, fui designada a suceder, como presidente, na condu\u00e7\u00e3o do Movimento dos Focolares.<\/p>\n<p><strong>Fraternidade e humanismo<\/strong><\/p>\n<p>Tal sentimento de gratid\u00e3o une-se em mim ao sincero apre\u00e7o pela conota\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que se desejou dar \u00e0 C\u00e1tedra: \u201cfraternidade e humanismo\u201d. Os dois t\u00edtulos, em sua refer\u00eancia m\u00fatua, constituem realmente um tema de extrema relev\u00e2ncia na hist\u00f3ria atual. A eles faz-nos ficar particularmente atentos a voz abalizada do papa Francisco, ao nos chamar \u00e0 consci\u00eancia de que a quest\u00e3o decisiva posta diante de n\u00f3s \u00e9 antropol\u00f3gica do encontro\u201d. Ou seja, uma cultura que tomar\u00e1 forma a partir da nossa ida sem reservas ao encontro das pessoas, sem medo de nos impelirmos at\u00e9 as muitas \u201cperiferias existenciais\u201d do mundo, para l\u00e1 fazer chegar o testemunho do amor fraterno, da solidariedade e da partilha. Ora, \u00e9 esse mesmo bin\u00f4mio \u2013 fraternidade e humanismo \u2013 que qualifica de maneira pertinente tamb\u00e9m a contribui\u00e7\u00e3o de Chiara Lubich.<\/p>\n<p>\u201cEsse momento de crise que estamos vivendo n\u00e3o consiste numa crise somente econ\u00f4mica nem \u00e9 uma crise cultural. \u00c9 uma crise do ser humano. O que pode ser destru\u00eddo \u00e9 o ser humano, o ser humano que \u00e9 imagem de Deus\u201d (Francisco, 2013). Cf. tamb\u00e9m Evangelii gaudium, n\u00ba 55, onde a atual \u201cprofunda crise antropol\u00f3gica\u201d \u00e9 identificada como \u201cnega\u00e7\u00e3o do primado do ser humano\u201d.<\/p>\n<p>Grande figura de mulher carism\u00e1tica do s\u00e9culo xx, ela suscitou uma Obra que, conservando uma precisa imagem do homem, se volta para lan\u00e7ar, na humanidade de todas as latitudes, sementes de vida evang\u00e9lica que a acompanham em seu caminho rumo \u00e0 fraternidade universal, invocada por Jesus: \u201cQue todos sejam um\u201d (cf. Jo 17,21). \u00c9 tamb\u00e9m gra\u00e7as a essa contribui\u00e7\u00e3o que, na hist\u00f3ria atual, se delineiam os tra\u00e7os de um novo humanismo, os quais parecem valorizar o que o te\u00f3logo Hans-Urs von Balthasar afirma sobre o papel doutrinal dos grandes carismas, dons e express\u00f5es do Esp\u00edrito Santo, que n\u00e3o s\u00e3o \u201cem nenhum caso mera teoria, mas sempre tamb\u00e9m pr\u00e1xis viva\u201d (Balthasar, 1992, p. 22).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9, contudo, minha inten\u00e7\u00e3o, nesta sede, tratar especificamente da fraternidade e do humanismo, mas sim procurar evidenciar a vis\u00e3o do homem que se esbo\u00e7a a partir do carisma de Chiara e constitui a inst\u00e2ncia cr\u00edtica e o princ\u00edpio fecundante dele.<\/p>\n<p><strong>A pergunta sobre o homem: uma situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica<\/strong><\/p>\n<p>Quem \u00e9, portanto, o homem? \u00c9 a pergunta que perpassa o sentimento da humanidade de todas as \u00e9pocas e de todas as culturas, por vezes permanecendo velada e oculta para depois aflorar mais aguda e urgente: Qual \u00e9 a verdade do seu ser? Qual \u00e9 o significado de sua hist\u00f3ria e o sentido \u00faltimo de seu destino? \u00c9 a pergunta que perpassa tamb\u00e9m a nossa \u00e9poca, talvez mais inquietante do que nunca.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o em que o homem de hoje procura uma compreens\u00e3o de si e do pr\u00f3prio destino ainda \u00e9 marcada pelas feridas provocadas pelas crises e pelos conflitos que tragicamente atravessaram o s\u00e9culo que apenas terminou, bem como pela queda das ideologias em que o passado tinha interpretado e projetado o sentido da exist\u00eancia humana, fazendo com que se temesse, de maneira fundamentada, o fim n\u00e3o s\u00f3 da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental, como do pr\u00f3prio homem.<\/p>\n<p>Da parte da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica, elas ampliaram enormemente os poderes do homem, exaltando suas crescentes possibilidades de dom\u00ednio, as quais, por\u00e9m, paradoxalmente, tornam sempre mais problem\u00e1tico o exerc\u00edcio de escolhas livres e positivamente orient\u00e1veis. Dessa maneira, agudiza-se a pergunta sobre o sentido da vida e a pr\u00f3pria identidade do homem, como Martin Heidegger j\u00e1 denunciara lucidamente: Nenhuma \u00e9poca soube conquistar tantos e t\u00e3o variados conhecimentos sobre o homem como a nossa [\u2026]. Mesmo assim, nenhuma \u00e9poca conheceu t\u00e3o pouco o homem como a nossa. Em nenhuma \u00e9poca o homem tornou-se t\u00e3o problem\u00e1tico como na nossa. (Heidegger, 1962, p. 275) Todavia \u00e9 desse contexto hist\u00f3rico e cultural que se levantam vozes abertas \u00e0 esperan\u00e7a, vozes que \u2013 dir\u00edamos com palavras de Max Scheler \u2013 convidam a \u201ccontemplar, com extremo rigor metodol\u00f3gico e extrema maravilha, esse ser que se chama homem\u201d e assim \u201cchegar novamente a julgamentos fundamentados\u201d (Scheler, 1928, p. 62).<\/p>\n<p>Entre essas vozes, ecoa a de Chiara Lubich.<\/p>\n<p>Sempre atenta a captar os sinais fecundos presentes na busca, embora sofrida e obscura, do homem, Chiara evidencia neles o avan\u00e7o de uma reconsidera\u00e7\u00e3o desse homem na sua integralidade e plenitude que levam a predizer o surgimento de \u201cum novo humanismo\u201d num caminho irrevers\u00edvel (cf. Lubich, 1984, p. 71). \u00c9 um humanismo em que todas as perspectivas do homem s\u00e3o adequadamente aceitas, e fundamentadas, e postas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade de Deus, qual abertura do homem a uma transcend\u00eancia que j\u00e1 vive na sua hist\u00f3ria e que, ao mesmo tempo, representa sua realiza\u00e7\u00e3o suprema e definitiva. \u00c9 um humanismo, enfim, que \u2013 emprestando a conhecida express\u00e3o de Jacques Maritain \u2013 podemos chamar de integral (cf. Maritain, 1969), ou seja \u2013 como atesta o magist\u00e9rio de Paulo VI em conformidade \u00e0 grande li\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II \u2013, capaz de colocar no centro de sua considera\u00e7\u00e3o \u201ctodo homem e o homem todo\u201d<\/p>\n<p>Do pr\u00f3prio seio da hist\u00f3ria do s\u00e9culo xx vem \u00e0 tona, de maneira eloquente, a necessidade de recuperar para o homem uma nova compreens\u00e3o de si, da qual desabroche uma vis\u00e3o e um pensamento capazes de iluminar, retrospectiva e prospectivamente, os acontecimentos humanos em sua complexidade e, ao mesmo tempo, em sua unitariedade.<\/p>\n<p>No campo crist\u00e3o, movidos por essa exig\u00eancia e com renovada consci\u00eancia, voltou-se a dirigir o olhar na dire\u00e7\u00e3o das fontes religiosas e transcendentes, para captar no dado revelado as afirma\u00e7\u00f5es fundamentais que consentem reunir e desenvolver, numa imagem sistem\u00e1tica, as implica\u00e7\u00f5es antropol\u00f3gicas nelas contidas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o olhar de Chiara penetra naquelas fontes e capta sua inesgot\u00e1vel riqueza, a perene contemporaneidade.<\/p>\n<p>Detenhamo-nos, ent\u00e3o, a considerar, em seus aspectos mais evidentes, a vis\u00e3o do homem que delas promana e que Chiara interpreta sob o impulso de um dom particular de luz.<\/p>\n<p><strong>O homem, imagem de Deus<\/strong><\/p>\n<p>Os primeiros cap\u00edtulos do Livro do G\u00eanesis constituem, a respeito de nosso tema, um ponto de refer\u00eancia obrigat\u00f3rio, a partir das breves e intensas palavras que precedem o surgimento do homem no cen\u00e1rio admir\u00e1vel da Cria\u00e7\u00e3o: \u201cE Deus disse: \u2018Fa\u00e7amos o homem \u00e0 nossa imagem, como nossa semelhan\u00e7a\u2019\u201d (Gn 1,26).<\/p>\n<p>Era, portanto, inten\u00e7\u00e3o de Deus fazer do homem a imagem de si, ou seja, chamar \u00e0 exist\u00eancia um ser, \u00fanico dentre todas as criaturas, capaz de estar diante Dele como seu \u201ctu\u201d, de colocar-se livremente em rela\u00e7\u00e3o direta e pessoal com Ele, at\u00e9 estabelecer com Ele um la\u00e7o de amizade, entabular um di\u00e1logo de amor, ser, por fim,\u00a0 resposta viva \u00e0 sua palavra origin\u00e1ria<\/p>\n<p>O que constitui o homem no seu ser profundo \u00e9 essa rela\u00e7\u00e3o com Deus especial, rela\u00e7\u00e3o que o define no seu valor de pessoa dinamicamente orientada ao pr\u00f3prio Criador, acendendo nele, embora tenha sido moldado com os elementos da terra, a centelha do divino, tornando-o capaz de transcender sua dimens\u00e3o finita e temporal, para atingir o Infinito e o Eterno.<\/p>\n<p>\u00c9 nisso que consiste a singular grandeza do homem, de todo homem, que deve, portanto, ser tratado de acordo com t\u00e3o alta dignidade.<\/p>\n<p>Ao lado dessa rela\u00e7\u00e3o constitutiva do ser homem, que o define enquanto rela\u00e7\u00e3o com um outro distinto de si, com o Outro, que \u00e9 Deus, o texto b\u00edblico revela outra rela\u00e7\u00e3o igualmente fundamental. \u00c9 a rela\u00e7\u00e3o pessoal do homem com seu semelhante. \u201cDeus criou o homem \u00e0 sua imagem; \u00e0 imagem de Deus ele o criou; homem e mulher ele os criou\u201d (Gn 1,27).<\/p>\n<p>A forma origin\u00e1ria de comunh\u00e3o com Deus alarga-se logo, incluindo em si a primeira forma de comunh\u00e3o entre pessoas, aquela entre o homem e a mulher. De fato, \u00e9 no interior da comunh\u00e3o com Deus que o homem pode reconhecer seu pr\u00f3prio rosto no rosto de seu semelhante, tamb\u00e9m ele criado \u00e0 imagem de Deus; \u00e9 no interior do di\u00e1logo com Deus que o homem pode dirigir-se a outro homem dizendo-lhe \u201ctu\u201d e assim entrar, tamb\u00e9m com ele, num di\u00e1logo de amor.<\/p>\n<p>Mas essa express\u00e3o do G\u00eanesis encerra um significado ainda mais profundo e surpreendente. Com ela, o autor sagrado quer dizer que Deus encontra o mais l\u00edmpido reflexo de si na Cria\u00e7\u00e3o \u2013 a sua \u201cimagem\u201d \u2013 n\u00e3o tanto no homem individualmente, quanto na rela\u00e7\u00e3o inter-humana.<\/p>\n<p>Um raio de luz abre-se para o pr\u00f3prio mist\u00e9rio de Deus, para a \u00edntima natureza do seu ser, deixando transparecer a \u00edntima riqueza nela contida e \u00e0 qual a revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3 daria, mais tarde, o nome de Amor (cf. 1Jo 4,8.16), eterna e perfeita comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 a realidade do Deus unitrino: Deus que, na sua \u00fanica ess\u00eancia \u2013 o amor \u2013, desde sempre subsiste como trindade de Pessoas, ou seja, distinguindo-se \u2013 justamente por ser amor \u2013 no Pai, que \u00e9 Pai porque se doa totalmente ao Filho; no Filho, que \u00e9 Filho porque se recebe totalmente do Pai e, por sua vez, se doa totalmente a Ele; e no Esp\u00edrito Santo, o amor comum que liga entre si Pai e Filho em perfeita unidade.<\/p>\n<p>\u00c9 o mist\u00e9rio que Chiara perscruta com particular intelig\u00eancia de amor e que a leva a compreender a rela\u00e7\u00e3o inter-humana como aquilo que melhor torna vis\u00edvel o rosto de Deus Amor; por isso, quanto mais essa rela\u00e7\u00e3o cresce e amadurece, tanto mais ela se torna o espa\u00e7o em que o homem pode conhecer Deus e entrar em contato vital com Ele (cf. Lubich, 2004a).<\/p>\n<p>Voltando ao texto do G\u00eanesis, observamos finalmente que a realidade humana surge tecida de outra rela\u00e7\u00e3o essencial: com todo o cosmos.<\/p>\n<p>De fato, tanto o universo quanto o homem, justamente por terem sido formados pelo \u00fanico Criador, aparecem ambos como fruto da misteriosa expans\u00e3o do amor de Deus para fora de si mesmo em algo que \u00e9 distinto de si; \u00e9 o mist\u00e9rio da vida que Deus d\u00e1 a todas as coisas, gra\u00e7as \u00e0 superabund\u00e2ncia do seu ser, que n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o \u201csuperabund\u00e2ncia de amor\u201d, isto \u00e9, comunica\u00e7\u00e3o de si que revela o seu \u201cexistir em forma de dom\u201d (cf. Maritain, 1985, p. 100).<\/p>\n<p>Ora, o homem constitui o \u00e1pice dessa maravilhosa obra, porque ele foi querido por Deus como s\u00edntese e coroamento dela. Daqui decorre o mandamento dirigido a ele de \u201cdominar\u201d a terra, convite a ser seu guardi\u00e3o respons\u00e1vel (cf. Gn 1,28), de modo que ela lhe seja morada acolhedora, \u201cjardim das del\u00edcias\u201d (cf. Gn 2,8) que frutifica copiosamente.<\/p>\n<p>Por isso, todas as coisas da Cria\u00e7\u00e3o devem ser olhadas e tratadas por n\u00f3s com o amor mesmo de Deus, ou seja, com um amor que se dilata sobre o universo inteiro, no qual podemos captar a mesma marca divina de comunh\u00e3o e de unidade. Assim escreve Chiara:<\/p>\n<p>\u2026 se n\u00f3s pud\u00e9ssemos passar al\u00e9m do v\u00e9u que encobre a Cria\u00e7\u00e3o, encontrar\u00edamos Aquele que sustenta, o organiza e move tudo o que vemos. E ver\u00edamos tal ades\u00e3o \u2013 embora na distin\u00e7\u00e3o entre Cria\u00e7\u00e3o e o Incriado \u2013 t\u00e3o grande ader\u00eancia, aproxima\u00e7\u00e3o e unidade, que ficar\u00edamos pasmados.<\/p>\n<p>Ver\u00edamos<\/p>\n<p>\u2026com maior evid\u00eancia que a vis\u00e3o que distingue e separa entre si a flor, o c\u00e9u, a fonte, o Sol, a Lua, o mar, a noite, o dia [\u2026] uma Luz amorosa que tudo sustenta e tudo une, como se a Cria\u00e7\u00e3o fosse um \u00fanico canto de amor. (Lubich, 1983b, p. 128) Trata-se de um conhecimento inef\u00e1vel doado ao homem para que ele, ao descobrir-se em rela\u00e7\u00e3o viva com toda a Cria\u00e7\u00e3o, possa transform\u00e1-la, inclusive gra\u00e7as \u00e0 obra de suas m\u00e3os, que continuam, de certo modo, a obra criadora de Deus, e assim reconduzi-la a Ele inteiramente purificada e iluminada (cf. Rm 8,19-21).<\/p>\n<p><strong>A imagem do Amor<\/strong><\/p>\n<p>Na perspectiva da revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3, no centro desse des\u00edgnio divino para o homem, h\u00e1 aquela perfeita \u201cimagem do Deus invis\u00edvel\u201d (Col 1,15) que \u00e9 Jesus, o Cristo, o Unig\u00eanito de Deus (cf. Jo 1,14.18), \u201co Filho do seu amor\u201d (Col 1,13), que Ele \u201camou desde o princ\u00edpio da cria\u00e7\u00e3o do mundo\u201d (Jo 17,24), que Ele \u201cgerou antes de toda criatura\u201d (Col 1,15) e por quem, como dissemos, \u00e9 eternamente amado na indissolubilidade do mesmo Amor, no Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>\u00c9, portanto, no Filho que, desde a eternidade, Deus protege todo o verdadeiro projeto para o homem; \u00e9 Nele que Deus o contempla e, mediante o Filho, numa renovada efus\u00e3o de amor e de vida, age livremente no tempo, como que projetando para fora de si infinitas modula\u00e7\u00f5es, \u201cinfinitos tons\u201d \u2013 diz Chiara, com intensa penetra\u00e7\u00e3o sapiencial \u2013 de uma \u00fanica Palavra que Ele pronuncia e na qual o Filho \u00e9 gerado: Amor (cf. Lubich, 1996a, p.160).<\/p>\n<p>Nessa luz, todo homem apresenta-se aos nossos olhos como express\u00e3o \u00fanica e que n\u00e3o se repete da infinita riqueza contida naquela \u00fanica Palavra-Amor, Palavra, portanto, que revela o seu verdadeiro ser e, com este, o seu des\u00edgnio.<\/p>\n<p><strong>O chamado ao amor<\/strong><\/p>\n<p>Se o homem foi criado \u00e0 imagem do Amor, compreende-se por que ele encontra inscrito no profundo do pr\u00f3prio ser um chamado que o impele a amar, fazendo-o entrever que somente pelo dom de si ele poder\u00e1 realizar-se. \u00c9 o chamado a ser \u2013 como diz Chiara com bel\u00edssimas imagens \u2013 \u201cuma pequena chama dessa Chama infinita\u201d (Idem, 1984, p. 25), a resplandecer como \u201cpequenos s\u00f3is junto do grande Sol\u201d (Idem, 1983b, p. 50), a ressoar na terra como eco de amor ao Pai: amor que responde ao Amor.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o somos, ent\u00e3o existimos como filhos Daquele que \u00e9 o amor.<\/p>\n<p>Por isso, podemos dizer que cada um de n\u00f3s alcan\u00e7a sua plena identidade no ato de doar-se e que nossa exist\u00eancia alcan\u00e7a sua plenitude de sentido no momento em que se doa.<\/p>\n<p>Nesse sentido expressou-se, muito tempo atr\u00e1s, Jacques Maritain, ao definir o n\u00facleo ontol\u00f3gico da pessoa como \u201ctotalidade secreta que cont\u00e9m a si mesma e a pr\u00f3pria fonte, e que superabunda em conhecimento e em amor, alcan\u00e7ando, somente mediante o amor, seu mais alto grau de exist\u00eancia, o da exist\u00eancia enquanto se doa\u201d (Maritain, 1965, p. 66).<\/p>\n<p>E se acontecer assim, ou seja, se fizermos de nossa vida um constante dom de amor, ent\u00e3o se abrir\u00e1 l\u00edmpido ao nosso olhar o sentido verdadeiro nosso, bem como de tudo o que existe.<\/p>\n<p>Escreve Chiara:<\/p>\n<p>Compreendi que eu fui criada como um dom para quem me est\u00e1 pr\u00f3ximo e quem me est\u00e1 pr\u00f3ximo foi criado por Deus como um dom para mim. [\u2026] Na terra tudo est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o de amor com tudo: cada coisa com cada coisa.\u00c9 preciso ser o Amor para encontrar o fio de ouro entre os seres. (Lubich, 1996b, p. 359-360)<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 o amor a lei do ser, a lei da vida.<\/p>\n<p>Contudo, como num paradoxo, essa lei requer o despojamento de si, a inexist\u00eancia de si, semelhante a um momento de morte: porque assim \u00e9 o amor, como t\u00e3o profundamente afirma Chiara: \u00e9 n\u00e3o sendo, ou seja, ele existe somente enquanto se projeta para fora de si \u2013 e nisso parece anular-se \u2013 num dom sem medida. Mas \u00e9 justamente ent\u00e3o que naquele nada, que \u00e9 vazio de si, floresce a vida.<\/p>\n<p>Daqui o convite ao homem a n\u00e3o viver fechado em si mesmo, mas aberto ao outro, a n\u00e3o procurar possuir-se, mas, ao inv\u00e9s disso, doar-se sem reservas ao outro, pois s\u00f3 ent\u00e3o ele \u00e9: \u00e9 amor, pelo que o seu doar-se e, por conseguinte, o seu \u201canular-se\u201d nesse dom \u00e9, na realidade, o que lhe consente ser \u2013 ser amor \u2013 e que, ao mesmo tempo, faz com que tamb\u00e9m o outro seja, que exista gra\u00e7as ao seu amor, que viva do seu amor (cf. Lubich, 2004b, p. 67-68).<\/p>\n<p>Essa profunda realidade do amor foi intu\u00edda por alguns dos mais eminentes fil\u00f3sofos do Ocidente, dentre os quais Hegel, que escreve: \u201cO amor encontra a si mesmo no outro ou, esquecendo-se de si mesmo, coloca-se fora da sua exist\u00eancia, vivendo, por assim dizer, no outro\u201d (Hegel, s.d., n\u00ba 18).<\/p>\n<p>Por esse motivo, conclui Chiara, \u201cn\u00f3s somos [\u2026] se somos o outro\u201d (Lubich, 2004b, p. 68).<\/p>\n<p>Dessa vis\u00e3o, nasce uma concep\u00e7\u00e3o da pessoa que \u00e9 quando se coloca em constante rela\u00e7\u00e3o concreta com o outro e que se realiza essencialmente como rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 o que evidenciam algumas correntes do pensamento filos\u00f3fico contempor\u00e2neo, deixando assim que se entreveja o surgimento de uma nova ontologia: a ontologia do amor. \u201cPoder-se-ia quase dizer\u201d \u2013 afirma, por exemplo, de maneira exemplar, Emmanuel Mounier \u2013 \u201cque eu existo somente quando existo para o outro, e, no limite, que ser \u00e9 amor. [\u2026] O ato de amor \u00e9 a mais s\u00f3lida certeza do homem [\u2026]: eu amo, portanto o ser \u00e9 e a vida valem\u201d (Mounier, 1964, p. 35-37).<\/p>\n<p><strong>A livre resposta do homem <\/strong><\/p>\n<p>Esse chamado ao amor, inerente ao des\u00edgnio de Deus para com o homem, requer a livre resposta do homem. \u00c9, de fato, na liberdade, de que Deus o dotou e que \u00e9 nele \u201csinal alt\u00edssimo da imagem divina\u201d (Gaudium et spes, n\u00ba 17), que reside a sua capacidade de aderir a esse apelo e fazer, assim, a extraordin\u00e1ria experi\u00eancia de ser, com Ele, art\u00edfice da pr\u00f3pria vida e do pr\u00f3prio destino.<\/p>\n<p>Mas tudo isso pode tamb\u00e9m n\u00e3o acontecer; o homem, justamente por ser livre, pode tamb\u00e9m n\u00e3o amar; \u00e9 a experi\u00eancia obscura da ruptura da rela\u00e7\u00e3o com Deus, da dist\u00e2ncia Dele e, ao mesmo tempo, do desaparecimento da comunh\u00e3o com os outros homens; numa palavra, a \u201cdesfigura\u00e7\u00e3o\u201d de sua \u201cimagem\u201d mais verdadeira, como afirma um grande Padre da Igreja, Greg\u00f3rio de Nissa.<\/p>\n<p>Mas Deus n\u00e3o se deixa vencer em generosidade. Por isso enviou ao mundo seu Filho para, qual luz que resplandece nas trevas (cf. Jo 1,5), revelar-nos, com as suas palavras e com toda a sua exist\u00eancia, como se vive enquanto filhos, em comunh\u00e3o com Deus.<\/p>\n<p>Todavia, para Jesus isso n\u00e3o foi suficiente. Num \u00e1pice de amor, ele aceitou compartilhar conosco at\u00e9 nossa dist\u00e2ncia de Deus, portanto, nossa condi\u00e7\u00e3o de pecado, da qual experimentou todo o peso, at\u00e9 sentir-se Ele mesmo abandonado por Deus (cf. Mc 15,34; Mt 27,46). No entanto, justamente no momento supremo em que sua vida passava pela morte e a luz se tornava trevas, liberando de si todo o amor, colocou-se novamente nas m\u00e3os do Pai, at\u00e9 fazer da pr\u00f3pria morte o dom completo de si: dom que uniu o que estava dividido, preencheu o vazio da dist\u00e2ncia infinita; tamanha \u00e9 a for\u00e7a transformadora e criadora do amor, que reintegra o homem na sua dignidade, devolvendo-lhe todo o seu valor de filho de Deus.<\/p>\n<p>Ao ter assim reencontrado sua \u201cimagem\u201d mais verdadeira, agora o homem tamb\u00e9m pode lan\u00e7ar-se e abra\u00e7ar toda dor, toda solid\u00e3o, toda nulidade, em quaisquer formas elas apare\u00e7am, e, assumindo-as como pr\u00f3prias, transform\u00e1-las em amor e em plenitude de ser.<\/p>\n<p>Tendo-se identificado com o pr\u00f3prio Amor, agora revive tamb\u00e9m nele a for\u00e7a transformadora e criadora do amor, como transparece da seguinte ora\u00e7\u00e3o de Chiara, amor em tudo parecido a um abra\u00e7o universal que envolve toda a humanidade, toda a Cria\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Senhor, d\u00e1-me todos os que est\u00e3o s\u00f3s\u2026<\/p>\n<p>Senti em meu cora\u00e7\u00e3o a paix\u00e3o que invade o teu,<\/p>\n<p>por todo o abandono em que o mundo inteiro nada.<\/p>\n<p>Amo todo ser doente e s\u00f3:<\/p>\n<p>At\u00e9 as plantas sem vi\u00e7o me causam d\u00f3\u2026<\/p>\n<p>at\u00e9 os animais solit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Quem consola o seu pranto?<\/p>\n<p>Quem tem pena de sua morte lenta?<\/p>\n<p>E quem estreita ao pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o desesperado?<\/p>\n<p>Meu Deus, faze que eu seja no mundo o sacramento tang\u00edvel do teu Amor; do teu ser Amor: que eu seja os bra\u00e7os teus que estreitam a si e consomem no amor toda a solid\u00e3o do mundo. (Lubich, 2003, p. 123-124)<\/p>\n<p>O des\u00edgnio origin\u00e1rio para o homem, revelando-se como des\u00edgnio de comunh\u00e3o com Deus, com o seu semelhante e com o universo inteiro, portanto, como des\u00edgnio de unidade entre a Cria\u00e7\u00e3o e o Incriado, apresenta-se no seu alt\u00edssimo real cumprimento: habitar, por amor, em Deus e ser por Ele habitado; assemelhar-se, com o amor, a Deus e ser Nele transformado.<\/p>\n<p>Trata-se de uma vis\u00e3o ousada que n\u00e3o anula a realidade humana, mas exalta-a ao m\u00e1ximo, a ponto de Chiara dizer: \u201cQue Tu sejas, aqui na terra, o Amor perfeito\u201d (Idem, 2007, p. 153).<\/p>\n<p><strong>A caminho para a unidade<\/strong><\/p>\n<p>E h\u00e1 ainda mais. Quando essa din\u00e2mica do amor, que \u00e9 anula\u00e7\u00e3o de si para entrar at\u00e9 o fundo no cora\u00e7\u00e3o do outro, para \u201cfazer-se um\u201d com o outro, compartilhando tudo da sua condi\u00e7\u00e3o (cf. 1Cor 9,22), for vivida por v\u00e1rias pessoas reciprocamente, ent\u00e3o a mesma corrente de amor que existe em Deus come\u00e7a a correr livremente entre elas, de modo que cada uma percebe que existe com o outro, que vive pelo outro, at\u00e9 ser um no outro. Essa corrente de amor, irradiando-se para a humanidade ao redor, gera por toda parte comunh\u00e3o, unidade. Porque \u2013 como afirma Chiara \u2013 \u201co amor \u00e9 um fogo que consome os cora\u00e7\u00f5es numa fus\u00e3o perfeita\u201d. Ela escreve:<\/p>\n<p>Se o teu olho \u00e9 simples, quem olha por ele \u00e9 Deus. E Deus \u00e9 amor, e o amor quer unir, conquistando. [\u2026]<\/p>\n<p>Olha para fora de ti, n\u00e3o para ti, nem para as coisas, nem para as criaturas: olha para Deus fora de ti para unir-te a Ele.Ele est\u00e1 no fundo de cada alma que vive e, se morta, \u00e9 tabern\u00e1culo de Deus, que ela espera para alegria e express\u00e3o da pr\u00f3pria exist\u00eancia. Olha, portanto, cada irm\u00e3o amando; e amar \u00e9 doar. Mas d\u00e1diva chama d\u00e1diva, e ser\u00e1s por ele amado. [\u2026] O amor \u00e9 um fogo que compenetra os cora\u00e7\u00f5es em fus\u00e3o perfeita. Ent\u00e3o encontrar\u00e1s em ti n\u00e3o mais a ti, n\u00e3o mais o irm\u00e3o; encontrar\u00e1s o Amor, que \u00e9 Deus vivo em ti. E o Amor sair\u00e1 para amar outros irm\u00e3os, porque, simplificado o olho, encontrar\u00e1 a Si mesmo neles, e todos ser\u00e3o um. (Idem, 2003, p. 122-123)<\/p>\n<p>\u00c9 isso, pois, o que o amor pode; amor que, enquanto manifesta ao homem uma nova concep\u00e7\u00e3o de seu ser, abre-o para um novo estilo de vida poss\u00edvel, ou seja, uma vida ilimitadamente aberta ao outro e aos outros; uma vida aberta \u00e0 unidade e, por isso, capaz de tornar-se terreno fecundo no qual pode germinar um aut\u00eantico humanismo, uma concreta fraternidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u00a0Discurso proferido pela presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, quando da instala\u00e7\u00e3o da C\u00e1tedra Livre Chiara Lubich de Fraternidade e Humanismo, da Unicap e Asces. Recife, 25.mar.2014. 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