{"id":41222,"date":"2013-08-27T18:17:57","date_gmt":"2013-08-27T21:17:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unicap.br\/assecom1\/?p=41222"},"modified":"2013-08-27T18:17:57","modified_gmt":"2013-08-27T21:17:57","slug":"pesquisador-belga-analisa-sinais-de-perversao-na-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/pesquisador-belga-analisa-sinais-de-perversao-na-sociedade\/","title":{"rendered":"Pesquisador belga analisa sinais de pervers\u00e3o na sociedade"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Lebrun-003.jpg?ssl=1\"><img data-attachment-id=\"41223\" data-permalink=\"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/pesquisador-belga-analisa-sinais-de-perversao-na-sociedade\/lebrun-003\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Lebrun-003.jpg?fit=2592%2C1936&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"2592,1936\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;2.8&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;iPhone 4&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1377532512&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;3.85&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;100&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.0083333333333333&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"Lebrun 003\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Lebrun-003.jpg?fit=300%2C224&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Lebrun-003.jpg?fit=640%2C478&amp;ssl=1\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-41223\" alt=\"Lebrun 003\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Lebrun-003.jpg?resize=300%2C224&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Lebrun-003.jpg?resize=300%2C224&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Lebrun-003.jpg?resize=1024%2C764&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Lebrun-003.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/Lebrun-003.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>O pesquisador belga Jean Pierre Lebrun \u00e9 uma refer\u00eancia na Europa quando o assunto \u00e9 rela\u00e7\u00e3o familiar. Ele est\u00e1 na Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco participando do Col\u00f3quio Sobre Metapsicologia da Pervers\u00e3o, que ser\u00e1 realizado at\u00e9 esta quarta-feira (28), em parceria com a Universidade Cat\u00f3lica Oeste Angers (Fran\u00e7a). Atendendo a um convite do <i>Laborat\u00f3rio de Psicopathologia Fundamental e Psican\u00e1lise do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia Cl\u00ednica\u00a0da Unicap<\/i>,\u00a0Lebrun ministrou um minicurso e entre uma confer\u00eancia e outra concedeu uma entrevista especial ao Boletim Unicap.<\/p>\n<p><b><i>Boletim Unicap &#8211; O que caracteriza a pervers\u00e3o?<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>Jean Pierre Lebrun<\/b> &#8211; A pervers\u00e3o \u00e9 uma estrutura ps\u00edquica que visa essencialmente \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o. Ela se serve do outro, sem perguntar o ponto de vista, se estar de acordo, o que quer que seja. Ela desmente tamb\u00e9m a diferen\u00e7a de sexo ou de gera\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o perverso doente. Mas hoje existe essa no\u00e7\u00e3o de pervers\u00e3o que pode tamb\u00e9m designar sujeitos sem serem doentes, mas organizados por este funcionamento. Trata-se de uma tend\u00eancia, sem que haja uma patologia.<b><i><\/i><\/b><\/p>\n<p><b><i>B.U &#8211; O senhor poderia dar exemplos pr\u00e1ticos de sujeitos sem sinais de patologia, mas que manifestam algum tipo de pervers\u00e3o?<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>Lebrun<\/b> &#8211; Por exemplo, o sujeito obeso (saliento que isso n\u00e3o vale para todos os obesos). Mas a pessoa que se deixa comer at\u00e9 tornar-se obesa perverte de qualquer modo aquilo que venha a servi-la, no caso, o comer.<\/p>\n<p><b><i>B.U &#8211; Como a cl\u00ednica psicanal\u00edtica vem lidando com a pervers\u00e3o ao longo do tempo?<\/i><\/b><\/p>\n<p><strong>Lebrun<\/strong> &#8211; O analista, frequentemente, n\u00e3o identifica os grandes perversos. Ele os conhece quando os perversos praticam atos repreens\u00edveis, passivos de serem punidos pela sociedade. O doente perverso n\u00e3o tem necessidade do psicanalista. Em contrapartida, o perverso mais democr\u00e1tico, esse o qual eu chamo \u201ccomum\u201d \u00e9 algu\u00e9m que sofre por conta dessa pervers\u00e3o. Exemplo: a crian\u00e7a que n\u00e3o resiste em parar de comer sofre por sua obesidade. Tal sofrimento vem quando a obesidade impede um contato social interessante.<\/p>\n<p><b><i>B.U &#8211; A sexualidade parece ser um terreno f\u00e9rtil no campo da pervers\u00e3o. Por qu\u00ea?<\/i><\/b><\/p>\n<p><strong>Lebrun-\u00a0<\/strong>De fato, a pervers\u00e3o \u00e9 um campo fecundo para a sexualidade porque desde Freud n\u00f3s sabemos que a crian\u00e7a \u00e9, como ele disse, um perverso polimorfo. Ele quis dizer com isso que existe uma sexualidade na crian\u00e7a. Que a maneira dela se satisfazer, parcialmente, \u00e9 a de encontrar maneiras de fazer pervers\u00f5es, como a obesidade, o sadismo&#8230; Em contrapartida, Freud insistiu bastante que n\u00f3s n\u00e3o compreender\u00edamos a sexualidade adulta se n\u00e3o se compreende o que \u00e9 esta pr\u00e1tica perversa. Elas (as pervers\u00f5es) fazem parte da sexualidade humana.<\/p>\n<p><b><i>B.U &#8211; O senhor tra\u00e7ou um panorama da sexualidade em forma\u00e7\u00e3o. Por que depois de adulto, muitas pessoas buscam no sexo uma maneira concreta de pervertir seja pela pedofilia, necrofilia, zoofilia, pr\u00e1ticas conden\u00e1veis pela sociedade?<\/i><\/b><\/p>\n<p><strong>Lebrun &#8211;\u00a0<\/strong>Evidentemente, \u00e9 preciso ver caso a caso. Mas pode se todo modo pensar que na patologia perversa todas as satisfa\u00e7\u00f5es s\u00e3o submetidas inteiramente a ele mesmo, ao perverso.\u00a0 Ele n\u00e3o leva em conta nada al\u00e9m disso. Para o ped\u00f3filo, a crian\u00e7a s\u00f3 lhe interessa enquanto objeto de satisfa\u00e7\u00e3o. Evidentemente, neste momento, ele se choca contra a lei. O perverso doente s\u00f3 pensa em si mesmo e por ele mesmo.<\/p>\n<p><b><i>B.U &#8211; Saindo do \u00e2mbito da sexualidade, podemos encontrar sinais de pervers\u00e3o em outros contextos sociais, como no consumo?<\/i><\/b><\/p>\n<p><strong>Lebrun &#8211;\u00a0<\/strong>Eu penso que cada vez que uma atividade humana \u00e9 desviada de seu objetivo, de trocas inter-humanas,\u00a0 quer dizer, de rela\u00e7\u00f5es com o outro,\u00a0 tem se o modelo da pervers\u00e3o. Quando objeto que voc\u00ea quer comprar, que deve servir pra voc\u00ea ou que voc\u00ea deseja oferecer como presente, n\u00e3o satisfaz esse objetivo, acaba sendo um modo de pervers\u00e3o.<\/p>\n<p><b><i>B.U &#8211; Ent\u00e3o podemos concluir que a pervers\u00e3o \u00e9 parte importante na \u2018psiqu\u00e8\u2019 humana?<\/i><\/b><\/p>\n<p><strong>Lebrun &#8211;\u00a0<\/strong>Sim, absolutamente. A pervers\u00e3o \u00e9 de todo modo algo muito importante. N\u00e3o podemos deixar de lev\u00e1-la em considera\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma maneira que n\u00f3s temos de funcionar e que, hoje em dia, parece estar colocado na dianteira, ao analisar pelo funcionamento de nossa sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pesquisador belga Jean Pierre Lebrun \u00e9 uma refer\u00eancia na Europa quando o assunto \u00e9 rela\u00e7\u00e3o familiar. 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