{"id":40669,"date":"2013-08-09T12:34:55","date_gmt":"2013-08-09T15:34:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unicap.br\/assecom1\/?p=40669"},"modified":"2013-08-10T17:09:09","modified_gmt":"2013-08-10T20:09:09","slug":"entrevista-com-augusto-marighella","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/entrevista-com-augusto-marighella\/","title":{"rendered":"Filhos de Carlos Marighella, Francisco Juli\u00e3o e Greg\u00f3rio Bezerra participam de mostra de cinema na Cat\u00f3lica"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/marighella-3.jpg?ssl=1\"><img loading=\"lazy\" alt=\"Augusto Marighella\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/marighella-3.jpg?resize=225%2C300&#038;ssl=1\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><\/p>\n<p>&#8221; O Brasil detesta tirania, isso n\u00e3o combina com o nosso pa\u00eds&#8221;. Augusto Marighella.<\/p>\n<p>Uma noite especial reuniu no audit\u00f3rio G1 da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco,\u00a0nesta quinta- feira (8), os filhos do l\u00edder comunista Greg\u00f3rio Bezerra, do l\u00edder das Ligas Camponesas, Francisco Juli\u00e3o, e do ex-guerrilheiro Carlos Marighella. O encontro de Jurandir Bezerra, Anacleto Juli\u00e3o e Carlos Augusto Marighella aconteceu durante a mostra &#8220;Cinema pela Verdade&#8221;, que exibiu o document\u00e1rio &#8220;Marighella&#8221;.<\/p>\n<p>Augusto conversou com a nossa equipe, e relembrou alguns momentos muito dolorosos de sua vida, como a persegui\u00e7\u00e3o ao seu pai pelos militares.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nAssecomUnicap: Como foi para o senhor crescer sabendo que seu pai foi uma das personalidades mais importantes para o pa\u00eds, que lutava em 1964 contra um regime ditatorial? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Augusto Marighella:<\/strong> Olha, fui educado para ter muito orgulho do meu pai. Minha fam\u00edlia toda sempre me deu esse ensinamento. E \u00e9 bom falar isso, porque eu n\u00e3o era uma v\u00edtima, eu compreendia completamente todo aquele esfor\u00e7o que meu pai fazia. Mesmo n\u00e3o entendendo do ponto de vista pol\u00edtico, eu imaginava que o meu pai era uma pessoa imbu\u00edda de vontades boas. E de tal maneira, tudo que eu sofri, alguns constrangimentos, eu relevava, n\u00e3o tinha nenhuma m\u00e1goa. Muito pelo contr\u00e1rio, o sentimento que tinha e tenho \u00e9 de extremo orgulho.<\/p>\n<p>E foi atrav\u00e9s dele que eu tive motiva\u00e7\u00e3o para entrar nos movimentos pol\u00edticos. E \u00e9 maravilhoso ver todo esse momento que estamos passando, meu pai sendo lembrado em filmes ou document\u00e1rios. Quando vejo as manifesta\u00e7\u00f5es carinhosas, penso que valeu muito a pena ter chegado at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p><strong>AssecomUnicap: E como foi para o senhor quando soube que seu pai havia falecido?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Augusto Marighella:<\/strong> Foi um momento extremamente doloroso. Primeiro porque meu pai lan\u00e7a a tese de &#8216;luta armada&#8217; em 1967 e a partir da\u00ed o Governo Federal o coloca como o inimigo n\u00famero 1 da Ditadura. Havia cartazes com fotos do meu pai espalhados por todos os aeroportos, e a ordem era prend\u00ea-lo. E o que n\u00e3o era dito, era que os cartazes falavam <em>procura-se vivo ou morto<\/em>.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a partir daquele momento, todos os jornais da \u00e9poca come\u00e7avam a divulgar: Marighella encontrado morto em tal Estado, Marighella preso, Marighella torturado, ou seja, diversas vezes anunciaram a morte dele, e ele sempre reaparecia. S\u00f3 que, quando ele realmente morre, eu n\u00e3o tive aquele choque, porque eu pensei que era mais uma mentira. Mas depois vi que n\u00e3o era mentira. Fui levado para um jornal l\u00e1 na Bahia que continha um fax, onde recebiam not\u00edcias de todo o Brasil, porque naquela \u00e9poca n\u00e3o se tinha internet. Ent\u00e3o, eles me mostraram uma breve not\u00edcia: Marighella foi encontrado morto e, logo em seguida, o jornal recebeu as fotos. Ent\u00e3o, vi as imagens do meu pai fuzilado. Realmente, foi uma das sensa\u00e7\u00f5es mais desagrad\u00e1veis da minha vida. Foi dessa maneira t\u00e3o cruel que fiquei sabendo da morte dele.<\/p>\n<p><strong>AssecomUnicap: E o senhor tinha quantos anos quando ele faleceu ? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Augusto Marighella: <\/strong>Eu ia fazer 21 anos, e eu j\u00e1 estava envolvido com a luta pol\u00edtica tamb\u00e9m. E me recordo que eu e um tio meu mandamos um telegrama para o jornal e para o Instituto M\u00e9dico Legal pedindo que eles n\u00e3o velassem o corpo, porque a fam\u00edlia queria prestar uma \u00faltima homenagem. Entretanto, isso nos foi negado. Primeiro, nos amea\u00e7aram e alegaram que meu pai reagiu \u00e0 pris\u00e3o e que havia matado inclusive uma policial, e ent\u00e3o o Ex\u00e9rcito nos informou que por conta dessa morte do policial no momento do confronto, poderia haver retalia\u00e7\u00e3o contra nossa fam\u00edlia e que eles n\u00e3o garantiam nossa integridade f\u00edsica e, dessa forma, n\u00e3o poder\u00edamos ver o corpo.<\/p>\n<p><strong>AssecomUnicap: O que o senhor acha de eventos como esse e da Comiss\u00e3o da Verdade, que tentam mostrar um pouco daquela \u00e9poca t\u00e3o dolorosa? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Augusto Marighella: <\/strong>Olha, eu n\u00e3o posso deixar de registrar que uma das coisas mais dolorosas para mim, foram essas d\u00e9cadas de sil\u00eancio sobre essa gera\u00e7\u00e3o que lutou contra a Ditadura. E \u00e9 por isso que esses filmes, document\u00e1rios e debates s\u00e3o muito importantes porque eles cumprem o papel de romper esse sil\u00eancio, toda essa maldi\u00e7\u00e3o, porque querem agir como se essas pessoas, como o meu pai, n\u00e3o tivessem existido.<\/p>\n<p>E ningu\u00e9m se lembra mais de quem matou o meu pai, mas n\u00f3s queremos nos lembrar todo dia de quem o matou, porque, independemente se ele era comunista, ele inspirou toda uma sociedade, foi uma pessoa exemplar e digno e que efetivamente amava o seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, eu acho que o filme, que as Comiss\u00f5es que est\u00e3o sendo criadas s\u00e3o interessantes porque est\u00e3o levantando as verdades. Porque, com a quebra de sil\u00eancio, podemos saber o que realmente aconteceu, podemos conhecer a fundo quem lutou contra a ditadura e que de alguma maneira s\u00e3o pessoas com quem temos uma d\u00edvida. Mesmo essa democracia ainda em constru\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto dos esfor\u00e7os deles, de um Juli\u00e3o, de um Greg\u00f3rio Bezerra e de um Marighella.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8221; O Brasil detesta tirania, isso n\u00e3o combina com o nosso pa\u00eds&#8221;. Augusto Marighella. Uma noite especial reuniu no audit\u00f3rio G1 da Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco,\u00a0nesta quinta- feira (8), os filhos do l\u00edder comunista Greg\u00f3rio Bezerra, do l\u00edder das Ligas Camponesas, Francisco Juli\u00e3o, e do ex-guerrilheiro Carlos Marighella. 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