{"id":36981,"date":"2013-03-07T19:16:30","date_gmt":"2013-03-07T19:16:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unicap.br\/assecom1\/?p=36981"},"modified":"2013-03-08T00:05:16","modified_gmt":"2013-03-08T00:05:16","slug":"36981","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/36981\/","title":{"rendered":"Explora\u00e7\u00e3o sexual em grandes eventos \u00e9 tema de debate na 11\u00aa Semana da Mulher da Cat\u00f3lica"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Mesa-noite.jpg?ssl=1\"><img data-attachment-id=\"36994\" data-permalink=\"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/36981\/mesa-noite\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Mesa-noite.jpg?fit=1296%2C968&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1296,968\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;2.8&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;iPhone 4&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1362600768&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;3.85&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;320&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.066666666666667&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"Mesa noite\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Mesa-noite.jpg?fit=300%2C224&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Mesa-noite.jpg?fit=640%2C478&amp;ssl=1\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-large wp-image-36994\" alt=\"Mesa noite\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Mesa-noite.jpg?resize=640%2C477&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Mesa-noite.jpg?resize=1024%2C764&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Mesa-noite.jpg?resize=300%2C224&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Mesa-noite.jpg?w=1296&amp;ssl=1 1296w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>O audit\u00f3rio do CTCH ficou pequeno diante do interesse do p\u00fablico em acompanhar a palestra <em>Copa, mesa e cama: autonomia da mulher e explora\u00e7\u00e3o sexual em grandes eventos.\u00a0<\/em>A atividade, que fez parte da programa\u00e7\u00e3o da 11\u00aa Semana da Mulher na Cat\u00f3lica, foi transferida para o teatro do bloco B. Os palestrantes foram a professora da Unicap Andrea Almeida Campos, doutoranda em Psicologia na \u00e1rea de Fam\u00edlia e Intera\u00e7\u00e3o Social; e o tamb\u00e9m doutorando em Psicologia Cl\u00ednica pela Unicap Jos\u00e9 Orlando Carneiro Campello Rabelo, professor da Associa\u00e7\u00e3o Caruaruense de Ensino Superior. A media\u00e7\u00e3o do debate foi da\u00a0coordenadora\u00a0do curso de Servi\u00e7o Social da Universidade, professora Odalisca Moraes.<\/p>\n<p>Orlando foi o primeiro a falar. O seu discurso girou em torno da rela\u00e7\u00e3o entre prostitui\u00e7\u00e3o, g\u00eanero e direitos humanos.\u00a0<span style=\"line-height: 18px;\">O pesquisador discorda de que a venda do corpo feminino para fins sexuais \u00e9 uma quest\u00e3o de autonomia ou de escolha.\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 13px; line-height: 18px;\">&#8220;A prostitui\u00e7\u00e3o tem conceito difuso, est\u00e1 ligado\u00a0essencialmente<\/span><span style=\"font-size: 13px; line-height: 18px;\"> \u00e0 vulnerabilidade e exclus\u00e3o social&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Dados apresentados por ele revelam uma situa\u00e7\u00e3o preocupante no Brasil. Em 2002, o Pa\u00eds tinha 241 rotas de tr\u00e1fico sexual. Sendo 131 internacionais, 78 interestaduais e 32 intermunicipais com destaque para ocorr\u00eancias em \u00a0Bel\u00e9m do Par\u00e1. &#8220;No interior de Pernambuco \u00e9 \u00a0mais comum do que se imagina encontrar pais e m\u00e3es vendendo filhas para a prostitui\u00e7\u00e3o&#8221;. Orlando mostrou tamb\u00e9m um pouco do perfil dessas v\u00edtimas usando informa\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. &#8220;Quarenta por cento das prostitutas s\u00e3o mulheres jovens, que est\u00e3o h\u00e1 mais ou menos quatro anos na profiss\u00e3o. Quase sempre j\u00e1 s\u00e3o m\u00e3es e arrimos de fam\u00edlia&#8221;.<\/p>\n<p>Para Orlando, a prostitui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o de g\u00eanero. &#8220;A sexualidade feminina ainda est\u00e1 submissa \u00e0 masculina. Se o homem procura a prostituta, h\u00e1 uma toler\u00e2ncia. Se a mulher procurar um &#8220;boy&#8221;, ela \u00e9 logo alvo de preconceito.&#8221;<\/p>\n<p>E foi justamente essa estrutura patriarcal da sociedade o ponto de partida para a apresenta\u00e7\u00e3o da professora Andrea Campos. Ela trabalhou o tema sob a perspectiva hist\u00f3rica, come\u00e7ando por citar o fil\u00f3sofo holand\u00eas Caspar Barlaeus, que viveu no Brasil Col\u00f4nia do s\u00e9culo XVI. &#8220;N\u00e3o existe pecado do lado de baixo do Equador&#8221;, frase dita em alus\u00e3o ao nudismo das \u00edndias. Para Andrea, essa vis\u00e3o distorcida da sexualidade da mulher brasileira persiste at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Professora-Andrea-Campos.jpg?ssl=1\"><img data-attachment-id=\"36995\" data-permalink=\"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/36981\/professora-andrea-campos\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Professora-Andrea-Campos.jpg?fit=1296%2C968&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1296,968\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;2.8&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;iPhone 4&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1362604134&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;3.85&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;500&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.066666666666667&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"Professora Andrea Campos\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Professora-Andrea-Campos.jpg?fit=300%2C224&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Professora-Andrea-Campos.jpg?fit=640%2C478&amp;ssl=1\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-36995\" alt=\"Professora Andrea Campos\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Professora-Andrea-Campos.jpg?resize=300%2C224&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Professora-Andrea-Campos.jpg?resize=300%2C224&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Professora-Andrea-Campos.jpg?resize=1024%2C764&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i1.wp.com\/www1.unicap.br\/assecom1\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Professora-Andrea-Campos.jpg?w=1296&amp;ssl=1 1296w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>Para explicar como esse preconceito se formou, a professora contou v\u00e1rios exemplos ao longo da hist\u00f3ria. Um deles se deu quando Jer\u00f4nimo Albuquerque, cunhado de Duarte Coelho, foi capturado pelos \u00edndios \u00a0Caet\u00e9s durante guerra pela coloniza\u00e7\u00e3o de Olinda. Segundo a professora, esta tribo era canibal e tinha a tradi\u00e7\u00e3o de oferecer uma de suas mulheres para a \u00faltima noite de sexo do prisioneiro. A escolhida foi a filha do Paj\u00e9, Tabira. Ela se apaixonou e pediu clem\u00eancia. &#8220;Brancos e \u00edndios selaram a paz, mas o epis\u00f3dio n\u00e3o tem nada a ver com lubricidade e sim com amor&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda na \u00e9poca colonial, as leis portuguesas regiam o controle social no Brasil. &#8220;No s\u00e9culo XVI, se o estupro fosse a uma escrava negra ou a uma meretriz, simplesmente n\u00e3o havia pena. Se fosse a uma branca, era pena de morte. Ao longo do tempo isso foi melhorando, mas at\u00e9 hoje h\u00e1 resqu\u00edcios desse patriarcalismo. Imaginem se uma prostituta vai a uma delegacia denunciar o estupro. Dificilmente ela vai conseguir registrar essa ocorr\u00eancia e abrir um processo&#8221;.<\/p>\n<p>Andrea explicou ainda que o turismo sexual \u00e9 o prosseguimento do paradigma de nossa coloniza\u00e7\u00e3o. &#8220;Homens brancos europeus de classe superior fretam avi\u00f5es e desembarcam em Natal, Fortaleza e Recife com o \u00fanico objetivo de ter sexo pago&#8221;. \u00a0De acordo com ela, uma pr\u00e1tica incentivada pelo Estado brasileiro durante cerca de 30 anos como forma de trazer turistas e movimentar a economia. &#8220;Com o tempo, o estado percebeu que o turista sexual gasta menos do que o que vem com a fam\u00edlia. E ainda h\u00e1 outros crimes a reboque: tr\u00e1fico de armas, de drogas e de pessoas. Crimes que n\u00e3o s\u00f3 atingem as meninas, mas toda a sociedade. Da\u00ed a visibilidade maior&#8221;.<\/p>\n<p>A proximidade da Copa das Confedera\u00e7\u00f5es, Copa do Mundo e das Olimp\u00edadas \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o para a pesquisadora. Dados do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio de Janeiro apresentados por ela indicam que os crimes de estupro aumentam em 208% durante grandes obras e megaeventos.\u00a0&#8220;Espero a reden\u00e7\u00e3o da mulher brasileira durante esses eventos porque somos v\u00edtimas desse sistema patriarcal que nos oprime&#8221;, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O audit\u00f3rio do CTCH ficou pequeno diante do interesse do p\u00fablico em acompanhar a palestra Copa, mesa e cama: autonomia da mulher e explora\u00e7\u00e3o sexual em grandes eventos.\u00a0A atividade, que fez parte da programa\u00e7\u00e3o da 11\u00aa Semana da Mulher na Cat\u00f3lica, foi transferida para o teatro do bloco B. 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