{"id":36946,"date":"2013-03-07T17:24:52","date_gmt":"2013-03-07T17:24:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unicap.br\/assecom1\/?p=36946"},"modified":"2013-03-08T00:07:58","modified_gmt":"2013-03-08T00:07:58","slug":"pesquisador-frances-apresenta-cultura-occitan-no-mestrado-em-ciencias-da-religiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/pesquisador-frances-apresenta-cultura-occitan-no-mestrado-em-ciencias-da-religiao\/","title":{"rendered":"Pesquisador franc\u00eas apresenta cultura Occitan no Mestrado em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.unicap.br\/ihu\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Pesquisador-e-Silverio-009.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-3754\" title=\"Pesquisador-e-Silverio-009\" alt=\"\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/www.unicap.br\/ihu\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Pesquisador-e-Silverio-009-904x1024.jpg?resize=354%2C401\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><span style=\"color: #000000;\">Devo\u00e7\u00f5es populares e culturas europeias<\/span><\/em><span style=\"color: #000000;\"> foi o tema da palestra ministrada na tarde de quarta-feira (6) pelo\u00a0pesquisador franc\u00eas Daniel Loddo durante atividade do Mestrado em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o em parceria com o Instituto Humanitas Unicap. A vinda dele foi intermediada pelo o aluno do curso, o compositor e cantor Silv\u00e9rio Pessoa. Durante duas horas, Loddo apresentou elementos da cultura Occitan, presente no Sul da Fran\u00e7a e em uma pequena parte da Catalunha e Norte da It\u00e1lia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A palestra de Loddo, que fala portugu\u00eas fluente,\u00a0se traduz num passeio pela linguagem, religiosidade e mitologia da cultura Occitan, al\u00e9m de suas similaridades com a devo\u00e7\u00e3o brasileira, sobretudo a nordestina. &#8220;Trata-se de uma l\u00edngua romana qua ajudou a formar os idiomas portugu\u00eas e espanhol. O rei de Portugal, Dom Diniz, usou o Occitan para compor a grafia da linguagem lusitana no s\u00e9culo XIV. Cito como exemplo o <em>lh <\/em>dos d\u00edgrafos. Nos s\u00e9culos XII, XIII e XIV v\u00e1rios reinos europeus falavam Occitan. L\u00edngua j\u00e1 existente desde o s\u00e9culo VIII.\u00a0&#8220;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A pesquisa que embasa a tese de Silv\u00e9rio estabalece um paralelo entre a cultura Occitan e tra\u00e7os da cultura sertaneja. O \u00faltimo CD do artista tem 12 faixas compostas com s\u00edmbolos dessa cultura europeia. &#8220;O processo de globaliza\u00e7\u00e3o entrou em contradi\u00e7\u00e3o. Em vez da padroniza\u00e7\u00e3o total, temos a pluralidade cultural e religiosa mantidas&#8221;, analisa Silv\u00e9rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Loddo explicou qua a l\u00edngua Occitan era bastante usada pelos trovadores medievais, mas que, em alguns pa\u00edses,\u00a0tal literatura foi extinta no s\u00e9culo\u00a0XIV por seu antagonismo com o Cristianismo. &#8220;A Igreja diabolizou essa cultura e fez\u00a0a Inquisi\u00e7\u00e3o\u00a0perseguir quem a praticava&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O pesquisador franc\u00eas tamb\u00e9m mostrou locais de peregrina\u00e7\u00e3o\u00a0da cultura Occitan que foram incorporados ao Cristianismo ao longo do tempo. Um exemplo \u00e9 a fonte Saint El\u00f3i, santo protetor das profiss\u00f5es que lidam com ferro.\u00a0 A cren\u00e7a popular \u00e9 de que o local tem o poder de curar doen\u00e7as dos olhos. O mesmo acontece com a fonte Madre de Deus. Diz a lenda que o olho d`\u00e1gua teria sido descoberto por bois e que al\u00e9m de enfermidades oculares, o lugar tem a propriedade de sanar doen\u00e7as de pele. &#8221; No Sul da Fran\u00e7a, acredita-se que quando se tem uma doen\u00e7a \u00e9 porque o santo curador daquele mal est\u00e1 zangado com a pessoa. Da\u00ed, muitos levam oferendas para acalm\u00e1-los&#8221;, revela Loddo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A t\u00e3o conhecida\u00a0devo\u00e7\u00e3o\u00a0sertaneja do Nordeste do Brasil encontra semelhan\u00e7a em pontos de peregrina\u00e7\u00e3o apresentados por Loddo. &#8220;Em Nossa Senhora de Cabannes, o povo pede gra\u00e7as no m\u00eas de maio e depois come escargot. J\u00e1 em Saint Roch, \u00e9 comum pessoas levarem animais, objetos, sal\u00a0e sementes para ser aben\u00e7oados. Os alimentos se transformam em rem\u00e9dios&#8221;,\u00a0conta Loddo ao explicar que Roch\u00a0tornou-se conhecido por curar enfermos com a Peste Negra, doen\u00e7a que matou 25 milh\u00f5es de pessoas no ano de 1345.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">As cren\u00e7as populares tamb\u00e9m fizeram parte da aula. E a\u00ed uma outra semelhan\u00e7a com o Nordeste. A fogueira de S\u00e3o Jo\u00e3o \u00e9 muito cultuada nesta regi\u00e3o da Europa. A quem\u00a0passe alho, cebola e ervas nas labaredas\u00a0para transform\u00e1-los em rem\u00e9dios.\u00a0&#8221; A garrafa de vinho passada na fogueira junina e colocada no barril usado para fazer suco de uva \u00e9 a certeza de uma\u00a0pr\u00f3xima safra de vinho\u00a0bom. Passar os animais da fazenda sobre as cinzas e jog\u00e1-las na terra espanta pragas e doen\u00e7as&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Uma outra crendice colocada por Loddo se faz presente na \u00e9poca natalina. Segundo ele, \u00e9 comum usar um tronco grande de \u00e1rvore na lareira.\u00a0O recomend\u00e1vel \u00e9 que ele queime at\u00e9 6 de janeiro, Dia de Reis.\u00a0O carv\u00e3o deve ser guardado durante todo o ano para proteger a casa contra trov\u00f5es e inc\u00eandios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Mitologia &#8211;<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0Em tempos de Internet, pode ser que a Comadre Florzinha n\u00e3o assuste mais as crian\u00e7as brasileiras como em gera\u00e7\u00f5es passadas. Diz a lenda nordestina que bastava pronunciar o nome dela tr\u00eas vezes que a mesma surgia da mata para castigar quem a desafiasse. Na cultura Occitan quem assusta \u00e9 o Drac, ser m\u00edstico capaz de se transformar em ovelhas, vacas, &#8220;at\u00e9 em professores universit\u00e1rios&#8221;, brincou Loddo para a descontra\u00e7\u00e3o de quem esteve na\u00a0sala 305 do bloco G4, onde ocorreu a palestra. &#8220;A\u00a0f\u00eamea \u00e9 a Draca e os filhos, os Dracus&#8221;. Apesar do mist\u00e9rio e do tom asssustador, o pesquisador salienta que n\u00e3o s\u00e3o criaturas do mal. &#8220;S\u00e3o brincalh\u00f5es, adoram trocar os obejtos de lugar, agitar as vacas&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Daniel Loddo apresentou a <em>bodega<\/em>, que nada tem haver com os bares e mercearias populares brasileiros, mas o instrumento musical usado pelos Dracs. Feito com pele de cabra inteira e\u00a0tocado por sopro, emite som parecido com as m\u00fasicas t\u00edpicas da Esc\u00f3cia. Objeto tido como do Diabo, na Idade M\u00e9dia. &#8220;A Igreja lutou muito tempo contra essas coisas. Por isso as pessoas n\u00e3o falam. Para descobrir mais sobre esta cultura,\u00a0\u00e9 preciso\u00a0falar Occitan, ganhar a confian\u00e7a deles e poder estud\u00e1-la. Trata-se de uma cultura oral&#8221;, resume o pesquisador que estuda o tema h\u00e1 30 anos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" style=\"color: #333333; font-style: normal;\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/embed\/xoRoP30v1Og\" height=\"315\" width=\"560\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Devo\u00e7\u00f5es populares e culturas europeias foi o tema da palestra ministrada na tarde de quarta-feira (6) pelo\u00a0pesquisador franc\u00eas Daniel Loddo durante atividade do Mestrado em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o em parceria com o Instituto Humanitas Unicap. A vinda dele foi intermediada pelo o aluno do curso, o compositor e cantor Silv\u00e9rio Pessoa. 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