{"id":312,"date":"2010-03-25T17:08:20","date_gmt":"2010-03-25T20:08:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.unicap.br\/assecom1\/?p=312"},"modified":"2010-03-25T17:08:20","modified_gmt":"2010-03-25T20:08:20","slug":"o-jornalista-e-a-pesquisa-cientifica-e-tema-de-mesa-redonda-na-6%c2%aa-semana-de-jornalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www1.unicap.br\/assecom1\/o-jornalista-e-a-pesquisa-cientifica-e-tema-de-mesa-redonda-na-6%c2%aa-semana-de-jornalismo\/","title":{"rendered":"O jornalista e a pesquisa cient\u00edfica \u00e9 tema de mesa-redonda na 6\u00aa Semana de Jornalismo"},"content":{"rendered":"<p>A segunda noite da 6\u00aa Semana de Jornalismo da Cat\u00f3lica foi dedicada a um lado menos conhecido da profiss\u00e3o. Os jornalistas Lydia Barros, Sheila Borges e Luiz Joaquim falaram aos estudantes sobre as suas experi\u00eancias na \u00e1rea da pesquisa cient\u00edfica em comunica\u00e7\u00e3o e os benef\u00edcios do conhecimento acad\u00eamico no trabalho cotidiano. A media\u00e7\u00e3o da mesa-redonda \u201cO Jornalista e a Pesquisa Acad\u00eamica\u201d ficou por conta da professora da Cat\u00f3lica Fab\u00edola Mendon\u00e7a.<\/p>\n<p>O encontro teve in\u00edcio com o depoimento da jornalista do Diario de Pernambuco Lydia Barros, que est\u00e1 desenvolvendo uma tese de doutorado sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a produ\u00e7\u00e3o musical da periferia e o mercado fonogr\u00e1fico, com base no estilo tecnobrega. Segundo Lydia, a pesquisa no campo da comunica\u00e7\u00e3o tem se transformado em um tema relevante para discuss\u00e3o, diante do crescimento do n\u00famero de rec\u00e9m-graduados nas sele\u00e7\u00f5es de cursos de mestrado.<\/p>\n<p>A jornalista acredita que os estudos acad\u00eamicos podem beneficiar o trabalho nas reda\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que oferece novos subs\u00eddios e referenciais te\u00f3ricos, filos\u00f3ficos e sociol\u00f3gicos para a an\u00e1lise dos assuntos cotidianos. E foi em busca desse olhar diferenciado que Lydia ingressou no mestrado, depois de 13 anos de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0s reportagens da editoria cultural do Diario, o Viver. \u201cEu j\u00e1 estava no batente h\u00e1 todo esse tempo e sentia que come\u00e7ava a entrar no piloto-autom\u00e1tico. Ent\u00e3o, fui atr\u00e1s desse distanciamento, para melhorar a minha abordagem do campo cultural\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>Na disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, Lydia Barros tratou da produ\u00e7\u00e3o cultural do Alto Jos\u00e9 do Pinho, na Zona Norte do Recife. De acordo com ela, a experi\u00eancia acad\u00eamica contribuiu para o \u201cfazer jornal\u00edstico\u201d, ao oferecer no\u00e7\u00f5es significativas sobre a rela\u00e7\u00e3o entre periferia e o mercado da m\u00fasica no Brasil. Mas, at\u00e9 traduzir os novos conhecimentos na reda\u00e7\u00e3o cotidiana, Lydia contou com a compreens\u00e3o do Diario de Pernambuco, que lhe concedeu duas licen\u00e7as para aprofundar os estudos. A \u00faltima delas durou sete meses e terminou h\u00e1 duas semanas. Embora tenha sentido falta do dia a dia no jornal, Lydia n\u00e3o hesita em afirmar que a experi\u00eancia deve render bons frutos.<\/p>\n<p>Isso porque a experi\u00eancia foi bem diferente. Desde o in\u00edcio. Lydia enviou um e-mail para um professor de comunica\u00e7\u00e3o de uma universidade canadense, explicando o conte\u00fado da sua pesquisa sobre a m\u00fasica e a periferia. Para a sua surpresa, recebeu uma indica\u00e7\u00e3o do especialista para fazer uma esp\u00e9cie de interc\u00e2mbio em uma institui\u00e7\u00e3o de ensino em Montreal, uma das principais cidades do Canad\u00e1. De volta ao Recife, Lydia s\u00f3 pensa em colocar em pr\u00e1tica os conhecimentos adquiridos durante a viagem. \u201cFoi uma experi\u00eancia riqu\u00edssima de contato com novos autores, pensamentos e teorias, mas eu j\u00e1 estava ansiosa para retomar o trabalho\u201d, revelou.<\/p>\n<p>A aplicabilidade na vida profissional tamb\u00e9m marcou a experi\u00eancia de Luiz Joaquim, cr\u00edtico de cinema da Folha de Pernambuco formado na Cat\u00f3lica h\u00e1 dez anos. No in\u00edcio da carreira, o jornalista foi convidado para assumir a curadoria do Cinema da Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco, ao lado de Kl\u00e9ber Mendon\u00e7a Filho. Incomodado com o ritmo do trabalho, mais lento do que o das reda\u00e7\u00f5es de jornal, Luiz Joaquim decidiu voltar \u00e0s salas de aula.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio, o jornalista pretendia fazer um mestrado em cinema no Rio de Janeiro ou em S\u00e3o Paulo, mas mudou de ideia diante do desejo de levar os novos conhecimentos para a pr\u00e1tica, algo que s\u00f3 seria poss\u00edvel no cargo de curador do Cinema da Funda\u00e7\u00e3o. Terminou cursando na Universidade Federal de Pernambuco. O projeto de conciliar aprendizagem e trabalho se concretizou definitivamente em 2003, quando Luiz Joaquim recebeu o convite para se tornar cr\u00edtico de cinema da Folha de Pernambuco. Mas ele garante: empregos e sal\u00e1rio n\u00e3o estavam<br \/>\nentre as motiva\u00e7\u00f5es para buscar a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. \u201cO importante \u00e9 ter interesse pelo assunto, porque o estudante vai passar dois anos casados com um tema, que pode se confirmar ou virar de cabe\u00e7a para baixo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Hoje, Luiz Joaquim n\u00e3o tem d\u00favidas sobre o acr\u00e9scimo de qualidade conferido pela experi\u00eancia de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. \u201cQuando releio os textos antigos, percebo uma certa ingenuidade. A disciplina e o olhar agu\u00e7ado que obtive na \u00e9poca da pesquisa, aliados aos dez anos de profiss\u00e3o, permitem que minha produ\u00e7\u00e3o atual seja mais profunda\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Rep\u00f3rter s\u00eanior da editoria Pol\u00edtica do Jornal do Commercio, Sheila Borges tem uma carreira consider\u00e1vel na esfera acad\u00eamica. Formada na Cat\u00f3lica, ela ocupou, por dois anos, o cargo de professora substituta da Universidade Federal de Pernambuco. No curr\u00edculo, traz, ainda, cursos de especializa\u00e7\u00e3o e mestrado em Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea e Comunica\u00e7\u00e3o. Atualmente, \u00e9 doutoranda em sociologia, tamb\u00e9m pela UFPE. Como ela arranjou tempo para tudo?<\/p>\n<p>Sheila n\u00e3o esconde que \u00e9 dif\u00edcil conciliar a pesquisa acad\u00eamica e o \u201cfazer jornal\u00edstico\u201d, mas alega que, com disciplina, \u00e9 poss\u00edvel caminhar bem e ter sucesso nos dois campos de atua\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 preciso ter muito jogo de cintura, mas, depois, conseguimos ver que o nosso texto melhora bastante. Deixamos de lado alguns termos inadequados ou pesados, por exemplo.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com a jornalista, as barreiras entre os comunicadores de academia e de reda\u00e7\u00e3o t\u00eam sido superadas nos \u00faltimos anos. Ela pr\u00f3pria \u00e9 um exemplo disso, como comprova o m\u00e9todo que criou, durante a fase como professora da UFPE, para vincular os processos de elabora\u00e7\u00e3o de um projeto cient\u00edfico e de uma pauta. O racioc\u00ednio se fundamenta nas ideias de que, tanto nas reportagens, quanto na academia, os fatos s\u00f3 existem com a participa\u00e7\u00e3o do observador (rep\u00f3rter ou pesquisador). \u201cO indiv\u00edduo percebe, interpreta, classifica e compreende os fen\u00f4menos a partir de um conhecimento pr\u00e9vio\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo estabelecido por Sheila Borges parte da ado\u00e7\u00e3o de um roteiro, que possa imprimir mais precis\u00e3o \u00e0 apura\u00e7\u00e3o e ao texto final de uma reportagem especial, de modo semelhante ao que ocorre com um anteprojeto cient\u00edfico. Para elaborar tal guia, o primeiro passo \u00e9 a escolha do tema e a sua defesa ante o editor, com a comprova\u00e7\u00e3o de sua viabilidade e do seu valor para a publica\u00e7\u00e3o. Em seguida, deve-se delimitar a pesquisa, para n\u00e3o desperdi\u00e7ar tempo da apura\u00e7\u00e3o. A terceira etapa consiste na demonstra\u00e7\u00e3o dos objetivos da mat\u00e9ria. A quarta refere-se \u00e0 decis\u00e3o quanto aos procedimentos metodol\u00f3gicos, isto \u00e9, as ferramentas que o rep\u00f3rter utilizar\u00e1 na montagem do texto, inclusive com a<br \/>\nidentifica\u00e7\u00e3o das fontes e do tipo de produto final. O \u00faltimo ponto \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de um cronograma, com a divis\u00e3o das fases de apura\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A segunda noite da 6\u00aa Semana de Jornalismo da Cat\u00f3lica foi dedicada a um lado menos conhecido da profiss\u00e3o. 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